POLIDIZERES

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O problema não é olhar para a tevê. Afinal, não há nada lá para ver. O problema é acostumar-se a ser olhado por ela, e não achar isso perigoso.

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Não tenho chances em Manaus. Minha única chance é ficar em São Paulo”. Frase de Wallace Souza, ex-deputado estadual em dois mandatos pelo Amazonas, falecido dias atrás num hospital paulista. O parlamento amazonense é responsável por fiscalizar o sistema de saúde, e zelar para que os tratamentos necessários sejam oferecidos sem a necessidade de deslocamento.

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Curtinha sobre o terrorismo que assola o mundo: o único país na história da humanidade que efetivamente utilizou armas nucleares para atacar o homem foi os EUA. Segura, Obama!

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Se a televisão é um veículo onde predomina o signo indicial (Valeu, Cristian!), que anula a operação neuroepistemológica da análise e do exame, substituindo-a pela da simplicidade da similaridade, então, como é possível que alguém ainda acredite ser possível realizar um debate nela?

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O candidato a vice fake de José Serra, Índio, é fake porque quer ser mais real que o real. É Índio sem ter entendido que índio é uma produção da semiologia teratogênica do conquistador europeu, que nada tem a ver com os nativos da terra de Tupã. Mas o pior do Índio fake é acreditar que a sua verdade é mais verdade que a dos outros. Acusa Dilma de gaguejar. É que para ele, a linguagem reta é a que estabelece uma ordenação exógena, que se materializa como palavra de ordem. A voz dominante do Papai. Nada de dúvidas, descaminhos, passeios, viagens, gagueiras. Nada daquilo que pode mostrar um caminho ainda não visto, diferente e melhor. Apenas por gaguejar e cogitar uma outra linguagem, Dilma já seria mais necessária que Serra e Índio. Mas o pior, pra eles, e o melhor, para o Brasil, é que ela é muito mais que isso.

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Assim como se leva a uma fera iracunda e irracional um pedaço de carne, para enganá-la e acalmá-la, também quando se vai ter com um prefeito da direita neoliberal, convém levar uma planilha de custos, pelo mesmo motivo.

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Principalmente quando não houver mais nenhum indício, nenhuma possibilidade, nenhuma expectativa, é que devemos esperar algo que irá acontecer.

POLIDIZERES

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O grande inimigo do capitalista é também o seu maior objetivo: o mercado consumidor. É preciso dar um mínimo de condições de subsistência para que as pessoas possam consumir, e assim, constituir um mercado consumidor para os produtos que o capitalista oferece. O problema é que, tendo este mínimo de condições, as pessoas mostram que não se reduzem a consumidores passivos, e começam a produzir elas mesmas aquilo de que precisam, eliminando a dependência do capitalista.

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Ferver em um único dia em um simulacro de liberdade ou luta diária com expressão homoafetiva? (Sobre a Parada Gay de São Paulo, por @Guttto).

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– Não tem nada que doa mais a um pai do que um filho que o decepcionou.

– Não, velho. Não há nada mais triste que um pai que sofre por ter fracassado em dominar a vida dos filhos.

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Os antigos cultivavam a terra diariamente, na labuta pelo alimento. Mas escolhiam um dia especial para celebrar e conviver, dando vivas à fartura que era fruto do trabalho cotidiano.

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Quem é mais perigoso: um faminto com uma arma na mão, ou um candidato de direita em queda livre nas pesquisas eleitorais?

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Na matemática do transporte coletivo, os fatores eleição e popularidade pesam; daí Amazonino ter, numa jogada eleitoral, ter “baixado” a passagem de 2,25 para 2,10, depois de aumentar de 2,00 para 2,25. Agora, sem pretensões em 2010, colocou a passagem volta a 2,25. Somente o elemento principal da equação, a planilha de custo das empresas, essa continua sendo o X da questão.

POLIDIZERES

*** O Que é Inteligência? ***

O sistema de exploração pelo capital criou, para o trabalhador, uma condição de insegurança social que gera certos tipos de comportamentos. Um exemplo claro é a valorização do emprego no serviço público, com sua estabilidade e salários atrativos. Na grande maioria das vezes, deseja-se o cargo pelos benefícios, e não enquanto possibilidade do exercício do serviço público como práxis cidadã. O que cria o estereótipo do barnabé, também chamado pelas hostes globalitarizadas como aspones. Nada mais distante da democracia e perto de uma hierarquia dos saberes, determinada pelo próprio Estado. Porém, basta que a sorte mude – ou se manifeste – para que se mostre como engodo. Na cidade de Ribeirão, em Pernambuco, um analfabeto prestou concurso para um cargo de nível fundamental, “chutou” as respostas, e passou em 44o lugar, num total de 70 vagas. Por ser analfabeto, não pôde assumir o cargo. Mas também não pôde ser processado, já que ser analfabeto não é crime. Com seu ato, demonstrou que inteligência não passa necessariamente por saber decodificar os signos gráficos ditados pela educação de Estado.

*** CMM e a Dupla Democrática do Amazonas ***

Que o deputado federal Francisco Praciano (PT/AM) é um dos pouco parlamentares brasileiros que efetivamente carregam a potência político-democrática, trabalhando a serviço de si e da coletividade, é visível, público e notório. Daí algumas pessoas não verem a necessidade da concessão de uma medalha, pela Câmara Municipal de Manaus, ainda que a iniciativa tenha sido do também democrático vereador José Ricardo. Primeiro, porque a Câmara Municipal, tal como se constitui hoje, não carrega nenhum elemento político de proximidade com a democracia, que lhe valesse a autoridade para, do alto da sua pretensa superioridade, examinasse o trabalho de Praciano, atribuindo-lhe valor. Como poderá a CMM homenagear Praciano, cujas bandeiras de luta, a saber, o direito dos estudante e e a melhoria do transporte coletivo, dentre outras, foram incansavelmente atacadas pela atual legislatura? Neste sentido, o ritual não teria razão de ser.

*** Por Outro Lado… ***

…a Dupla Democrática do Amazonas, Praciano e Zé Ricardo, Praça e Zé, dão a volta no anzol da CMM. É que, no dizer de Praciano, ao receber a medalha, na manhã de ontem, o evento é uma prova de que a CMM, apesar dos conflitos, “é plural e síntese da sociedade”. Ponto para a política da potência de Praça e Zé, que carregam a força do povo. Zé, ao emplacar a homenagem, desestrutura a ordem rígida do uso nocivo à democracia do poder legislativo, ao mesmo tempo em que estampa a impotência desta subjetividade decadente que quer predominar, através de uma força econômica da exploração pelo capital, e que não consegue. Como é improdutiva, precisa da produção política de quem não está atrelado a esta dependência. Por isso, a atuação da Dupla Democrática do Amazonas é importante: revela aos inimigos da democracia a sua impotência, e a sua dependência. O poder legislativo pode muito bem viver sem o tipo decadente de vereador que tem predominado como maioria. Mas deixa de existir, se a minoria desaparecer. Porque é ela que carrega o movimento, necessário à política. Nesse sentido, graças à essa homenagem, é possível dizer que ainda há povo na Câmara Municipal de Manaus.

*** Desespero de Causa ***

Para alguém capturado por uma existência frustrada, cuja reação é sempre a dor e a violência, nada mais natural que conviver junto a uma ordem de rigidez e imobilidade, onde a mudança não exista. Natural ainda que qualquer ameaça a esta ordem, que vá no sentido de enfraquecer a rigidez e produzir outros possíveis, mais afeitos à liberdade e à alegria produtiva, seja vista como uma ameaça. Quer maior ameaça a alguém que sobrevive à custa de explorar parasitariamente um estado de coisas que é produto da miséria social da exploração, que a democracia? Quer maior inimigo de alguém que usa a miséria social como trampolim eleitoral que a diminuição desse estado de dor e miserabilidade? Daí não ser de espantar que a deputada estadual Vera Lúcia Castelo Branco (PTB), eleita no mesmo trampolim eleitoral que o ex-marido, Sabino, e o filho, Reizo, tenha atacado tão biliosamente Lula e Dilma, ontem, na ALE/AM. É que um governo, que aprendeu que só é rico o país que descobre que o povo é sua maior riqueza, é uma ameaça àqueles que vivem parasitariamente da exploração dessa riqueza-povo. Na realidade que o governo Lula-Dilma querem engendrar, não há lugar para Sabinos.

*** Estranho Critérios ***

Apresentado à população manauense o resultado do processo seletivo para assistente sociais e psicólogos da Semasdh. Nenhuma surpresa: poucos profissionais egressos do processo seletivo anterior (de 2006) ficaram. De nada valeram os três anos e poucos meses de experiência com o Bolsa Família e o Paif. Eleitos, alguns sem títulos, ou mesmo sem experiência, embora essa última fosse o critério de maior peso, de acordo com o edital. O recém empossado secretário, Sildomar Abtibol, assinou embaixo. Ao que parece, MPE e assistentes sociais prejudicados, também. Não houve manifestação. Quem vai assistir a assistência social de Manaus?

POLIDIZERES: Enunciações Menores de Uma Política – Quase sempre – Maior

ENUNCIAÇÕES MENORES DE UMA POLÍTICA – QUASE SEMPRE – MAIOR

*** O Jeitinho Xuxa de Ser ***

O Ministério Público do Rio abriu inquérito que visa impedir que a atriz Klara Castanho continue interpretando uma vilã em uma novela da Globo. Segundo a promotora que investiga o caso, as maldades da vilã-mirim podem influenciar negativamente a atriz (de 09 anos), bem como outras crianças. Infantilismo que nada tem a ver com a infância, mas passa por uma teratogenia moral, onde a cognição e a razão sofrem embotamento (para não dizer atrofia), e impede a livre análise das causas. A Globo é o que é, e sua programação xuxeada, nociva a todas as idades, não se reduz às estripulias de uma pequena atriz, num enredo inexistente. Se o objetivo é profiláxico, o MP deveria pedir a anulação da concessão da Globo. Isso para começo de conversa…

*** Jeitinho Xuxa de Ser II ***

E falando nela, Xuxa engajou-se (perdão, Sartre!) na campanha eleitoral, digo, na campanha do do governador Sérgio Cabral, do Rio, contra a emenda Ibsen, que determina mudanças na distribuição dos royalties do petróleo. Como boa infante tardia, obedece fervorosamente à figura parental – no caso, a Globo – e usa seu indefectível poder de persuasão e argumentação insofismável na defesa de sua causa: “Eu sou gaúcha, mas escolhi o Rio para viver. Quem fez essa emenda, não deve ter nada na cabeça. Quem faz cinema, por exemplo, não faz para o Rio, faz para o Brasil”. Vão por mim, baixinhos, ela entende do que diz. Beijinho, beijinho…

*** A Máquina de Moer Chamada Futebol ***

Adriano começou mirrado como primeiro atacante do Flamengo. Cedo, foi à Europa, onde, de galeto, virou frango de granja, inchado com hormônios e técnicas que pouco se ocupam da saúde de músculos e ossos. De jogador, virou gladiador. Cedo, ainda, virou operário na máquina de moer chamada futebol. Teve de aprender a conviver com a dor, o assédio (mulheres, drogas, contratos publicitários), a solidão, a cobrança, a xenofobia, a violência, uma imprensa acéfala, ressentida e julgadora, e tudo o mais que vem na esteira do sucesso astronômico do mundo do futebusiness. Ganhou um apelido, quem sabe irônico, Imperador, quando parece mais ser vítima do imperativo categórico da sociedade do consumo. E provavelmente terá o mesmo destino de outros ídolos: a destruição. Quanto ainda falta para entender que a sociedade do consumo cria e alimenta seus ídolos apenas para depois sacrificá-los ao deus do Banal?

*** A Máquina de Moer Chamada Futebol II ***

Ainda Adriano (mas podia ser Vagner Love, ou qualquer outro, como muitos houveram). Voltou ao Brasil, porque se sente mais seguro nas vielas e becos dos morros cariocas, com seus amigos de infância. Como eles, ele é uma exceção. Dos milhões de paupérrimos que estão fadados a virar poeira no rastro do ideal meritocrático (a versão da direita brasileira para o american dream), ele virou winner com a bola nos pés. Seus amigos, com o fuzil na mão. “Venceram?” Perguntarão coléricos os moralistas. Ora, business are business, e cassino por cassino, eles não são mais nocivos que os altos executivos dos bancos e financeiras que especularam, quebraram o sistema produtivo e mergulharam o capitalismo numa descrescente produtiva e numa falsa crise onde eles – e só eles – saíram mais ricos. Inclusive no Brasil. Daniel Dantas que o diga.

*** O Riso Irônico das Massas ***

Quem disse que a França abandonou a fama de ser sempre avant garde? Nas prévias das eleições regionais, ocorridas neste domingo último, os partidos mais à esquerda arrasaram a governista UMP. O Partido Socialista, sozinho, já seria suficiente para levar as disputas ao segundo turno. E até a direitaça de Jean Marie Le Pen assustou os Sarkozistas, ficando com 11%, bem acima do esperado. Mas vencedor mesmo foi o absenteísmo, que se fosse partido político, levava essa no primeiro turno. Não é que as massas não saibam diferenciar. Esse é o problema dos partidos. A elas, só resta escolher entre os iguais, e sorrir.

*** Do Pescoço pra Baixo é Tudo Canela ***

O comitê de ética da Fifa reiterou aos países candidatos à sede das copas 2018 e 2022 que evitem atacar uns aos outros. Claudio Sulser, ex-jogador suíço e atualmente presidente do comitê irá escrever às comissões de todos os países candidatos (dez, ao todo), para que respeitem as regras do fair play.  Caso isto não aconteça, serão punidos. Para quem não acompanha futebol, a ordem da entidade dona-da-bola é tão paradoxal quanto se Gilmar Mendes reclamasse de um habeas corpus mal concedido.

*** De Mulher pra Mulher ***

A empresa de roupas femininas Marisa foi novamente flagrada com envolvimento em trabalho escravo. Desta vez, em duas de suas fornecedoras. Além de manter imigrantes ilegais em condições subhumanas de trabalho, foram encontrados indícios de tráfico de pessoas, vindas da Bolívia e Peru. A empresa nega tudo, mas é reincidente. Já há um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), assinado pela “maior rede de lojas femininas do país”. Mas a empresa, mesmo cometendo todos esses crimes, não há de se preocupar. É que a classe média brasileira não é xenófoba, e não se incomoda de vestir uma lingerie ou blusinha feita por um escravo boliviano, desde que esteja na moda! 

POLIDIZERES: Enunciações Menores de uma Política – Quase Sempre – Maior

ENUNCIAÇÕES MENORES DE UMA POLÍTICA – QUASE SEMPRE – MAIOR

*** À Espera dos Bárbaros ***

Um turista estrangeiro, daqueles que viajam levando na mala os signos que deveria deixar em casa para fazer uma viagem para além do movimento extensivo, foi tentar atravessar a Av. Manaus Moderna, em frente ao Parque Jeferson Peres, no centro de Manaus. Colocou o pé na rua e foi andando tranquilo, crente que aqui, como no seu país, os motoristas fossem diminuir para que ele atravessasse. Além de ter que correr para não ser atropelado, ainda teve que ouvir uma pornofonia dos motoristas apressados. A questão econômica, também no turismo, é uma questão de subjetividade, e não se reduz, como pensa o governo, à capacitação profissional.

*** A Ironia do Povo ***

Dizem algumas línguas que a última pesquisa do governo do estado, não divulgada na imprensa, mostra os três pré-candidatos à sucessão braguiana, Serafim, Alfredo e Omar, num empate técnico, com diferenças mínimas que determinam a ordem citada acima. No entanto, analistas eleitorais andam dizendo que as cartas ainda não estão na mesa. A nós, que não analisamos nada, parece que as cartas – sempre as mesmas! – estão na mesa há pelo menos 35 anos. E o empate tem cara de ironia ou desdém: todos iguais, tanto faz.

*** Samba de Partido Alto ***

Evidência da ironia do povo é que, na eleição presidencial, diferente da estadual, onde predomina uma antipolítica, o sucesso nas paradas deve ser o do bamba Aniceto do Império: “Se acaso acontecer / Uma mulher na presidência / É sapiência, é sapiência…

*** Meu Curau Primeiro ***

Enquanto Hillary Clinton vem ao Brasil pra pressionar que o Brasil não apóie o Irã na questão atômica, americanos, europeus e até brasileiros fazem experiência com o LHC (Large Hadron Collider), na fronteira da Suíça com a França. Uma coisa não teria nada a ver com a outra, se não fosse a insistência de americanos e europeus com o perigo do velho urânio nas mãos dos iranianos, enquanto eles manipulam elementos subatômicos de forma inconsequente. Um eufemismo: enquando dizem que uma bomba de urânio pode causar estragos no planeta terra, a cada vez que se aperta o LHC, corre-se o risco de varrer o universo e a realidade como conhecemos do mapa. Tá pra ti…

*** Mim Tarzan, Você Jane ***

Globalização à Lá Rede Globo: cena de uma novela, duas personagens que são, no enredo (sic), modelos, e estão na Jordânia. Uma diz que vai passear, e a outra responde que tem medo de sair assim naquele país. Ao que a outra retruca que não há perigo, pois a Jordânia “é o país mais ocidentalizado da região”. O diálogo é obra da voz do Leblon, Manoel Carlos. O que espanta não é o preconceito com a cultura oriental (ou o orientalismo, que é a visão deturpada do oriente que o Ocidente criou para si, segundo Edward Said)  ou a estupidez do dialoguista, que desconhece que é o ocidente que violenta de todas as formas, materiais e imateriais, o oriente. Estranho é constatar que o Instituto de Cultura Árabe assiste a Globo ao ponto de discutir com a emissora sobre o “vacilo”. Não se espera do outro aquilo que ele não pode dar. Logo, inteligência e rede Globo na mesma oração, só se for pra expressar contradição.

*** De Onde Menos se Espera… ***

A torcida organizada Independente, do São Paulo, em parceria com a diretoria do tricolor paulista, pratica homofobia explícita contra o jogador Richarlysson: é o único jogador que não tem o nome gritado quando entra em campo (ao contrário, é vaiado), e teve que cortar o cabelo depois que apareceu em sites de fofoca com as madeixas longas, na apresentação para a pré-temporada deste ano. Quando tascou a frase: “O Ronaldinho pode, porque eu não posso?”. Mas eis que de onde menos se esperava, saiu uma fagulha de inteligência. No jogo contra o time mexicano Monterrey, pela Libertadores da América, há pouco mais de um mês, torcedores das cadeiras azuis (que pagam ingresso, ao contrário da organizada), aplaudiram o volante são-paulino, que vendo a solidariedade vinda do público, respondeu também com aplausos. O que gerou uma briga entre o setor azul e a torcida Independente, que passaram o jogo a se xingar. Mesmo assim, a atitude é louvável, e mostra que independência não tem relação com o nome, e sim com a atitude.

POLIDIZERES

ENUNCIAÇÕES MENORES DE UMA POLÍTICA – QUASE SEMPRE – MAIOR

Um dos parâmetros de atuação do psicólogo escolar diz respeito à análise das potencialidades neurocognitivas do educando em relação ao contexto social que o rodeia. Assim, é possível verificar se a aprendizagem ocorre num processo normal e sadio de compreensão da realidade. Pois bem, se levarmos em conta tal competência deste profissional, como não analisar a proposta da dep. estadual Therezinha Ruiz (DEM) de colocar psicólogos escolares nas escolas estaduais do Amazonas, justamente no ano em que irá disputar a reeleição para a ALE/AM, ela que foi inúmeras vezes secretária de educação nas últimas décadas (inclusive na atual gestão), senão como uma afronta à inteligência desses profissionais? E aí, psicólogo, vai cair nessa?

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Há amores e amores. O do presidente do IMTT, Rafael Siqueira, por exemplo, parece ser o seu chefe e prefeito sub judice de Manaus, Amazonino Mendes. Amor que custa caro (pouco mais de 8 milhões de reais – veja aqui e aqui). Caro o suficiente para que Siqueirinha, como é conhecido, tenha usado seu olhar calibre .45 para intimidar a repórter Vanessa Brito, do Diário, que fez a pergunta certa numa coletiva de faz-de-conta. Mas Siqueira deve merecer: afinal, amar no ressentimento, como o amor reativo do subalterno pelo patrão (um ódio disfarçado, segundo Freud), causa mesmo danos à saúde e ao caráter. Siqueira vai precisar desse dinheiro, portanto. Na terça-feira, por exemplo, ao atender o telefonema de um jornalista, teria dito: “Me liga amanhã. Hoje é o pior dia da minha vida…

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Quando um objeto deixa de ter valor de uso para ser referenciado apenas pelo seu valor de troca, e entra na ordem semiótica do capitalismo, passa a figurar como mercadoria. Vale para qualquer objeto, inclusive aqueles imateriais, como a palavra. Anos atrás, em Manaus, o atual prefeito e então candidato, Amazonino Mendes, entrou na justiça para proibir um adversário de usar na campanha a palavra “Sistema”. A justiça, injustamente, deu ganho de causa à enunciação fascista de tornar particular um patrimônio público. Recentemente, foi o Comitê Olímpico Brasileiro a “amazoninizar” com a língua: quis proibir a psicóloga, professora de educação física e escritora de usar a palavra “olímpico” no seu livro Esporte, Educação e Valores Olímpicos. O COB alegou que a palavra lhe pertence. Felizmente, nesse caso, a justiça, ao mesmo tempo que que preservou a língua como entidade coletiva e pública, também não se furtou ao seu próprio papel de instância coletiva, e negou o intento ao comitê.

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Belão, presidente da ALE/AM, pediu uma corrente de orações dos colegas deputados para que a proposta de aumentar o número de vagas para deputados federais do Amazonas fosse aprovada pelo TSE. Os deputados oraram, oraram, oraram, e não foram atendidos. Os ministros do tribunal superior não apenas rejeitaram a proposta por unanimidade, como também consideraram risíveis os argumentos dos parlamentares amazônidas. Felizmente, o TSE funciona na imanência, e não recebe influências da transcendência reativa do deus de Belão. Em tempo: pode-se entender um homem que erre uma vez; mas que insista no erro, é sinal de que o problema não está na situação, mas no homem. Belão deve recorrer ao STF, onde o processo encontrará os mesmos ministros que menosprezaram o argumento no TSE.

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O blog Fiscais do IMTT enunciou na tarde de terça, no Twitter, que houve censura à tentativa de obter informações sobre o curso de capacitação de agentes de trânsito que o órgão irá promover. A ordem teria vindo direto do presidente, o milionário infeliz (leia nota acima), Rafael Siqueira. Para o Fiscais, há indícios de que o curso poderá servir apenas como porta de entrada para os “escolhidos” da gestão amazonínica-siqueirínica, sem que haja concurso público para o cargo.

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O prefeito cassado de Barcelos, no interior do Amazonas, Ribamar Beleza (PMDB), foi pego comprando votos de eleitores analfabetos, e ainda por cima com dinheiro falso. Ao ser informado da sentença do TRE que o cassou, teria afirmado que o tribunal caçoa da inteligência do eleitor barcelense, que está acostumado a lidar com dólares e euros, e saberia diferenciar uma nota verdadeira de uma falsa. O que Ribamar nem desconfia é que, num plano das relações econômicas reais, abstrato é apenas o valor-universal, aquele que, por não existir, teve que ser inventado, e por isso mesmo, é invariavelmente uma falsificação: o dinheiro.

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E o DCE da Universidade Federal do Amazonas entrou com um projeto junto à UFAM para proibir trotes violentos e constrangedores. Na referida faculdade, os cursos onde existem trotes violentos são Medicina, Direito, Farmácia e Psicologia. Segundo o Centro Acadêmico de Psicologia, há trote, mas sem violência. Apenas trigo e tinta. De qualquer sorte, parece que o curso ainda não chegou a Baudrillard, que mostra lucidamente a necessidade, na sociedade do excesso, de simular um ritual de passagem ali onde precisamente não se passa nada. Em tempo: nos idos dos anos 2000, havia uma festa, com música e comida. Depois, vinha o trote de verdade: aguentar o resto do curso!

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E Maradona, hein? Continua mostrando que a garganta dos inimigos grita menos por razão que por medo. Bastou um meio campo azeitado e ofensivo, com Jonas Gutiérrez e Verón, um ataque com Messi, Higuaín e Di Maria, e uma defesa razoável, com Otamendi, De Michelis e Heinze (o único pecado de D10S), para enquadrar e dar olé na poderosa Alemanha, em pleno Alianz Arena. Dunga, com a sua arrogância que nada mais é do que ressentimento de quem ficou preso na Copa de 1990, que se cuide. Não seria o primeiro drible que levaria do Pelusa. E por falar nisso, onde anda o Caniggia?

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A prepotência dos EUA teve que parar durante a passagem da secretária de Estado, Hillary Clinton, aqui pelo Brasil. E parou na autonomia democrática que o país vem desenvolvendo cada vez mais forte no governo Lula. Na tentativa de impor a dissuasão norte-americana de domínio, Hillary Clinton, quis pressionar o Brasil a aceitar a opinião dos EUA sobre o programa nuclear do Irã. Em uma resposta convicta, Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, assegurou que o Brasil “não vai se curvar” a esta pressão. E reiterou: “Nós pensamos com a nossa própria cabeça. Nós queremos um mundo sem armas nucleares, certamente sem proliferação. Não se trata de se curvar simplesmente a uma opinião que possa não concordar [no caso do grupo liderado pelos Estados Unidos]. Nós não podemos ser simplesmente ser levados. Nós temos de pensar com a nossa cabeça”. Talvez tenha sido aí o ponto crucial que fez com que a secretária de Estado norte-america, tenha percebido o quanto o Brasil anda independente destes tipos de imposição e tenha mais tarde declarado que confia na democracia brasileira.

POLIDIZERES

ENUNCIAÇÕES MENORES DE UMA POLÍTICA – QUASE SEMPRE – MAIOR

Quem acompanha anúncios de emprego em Manaus tem percebido que muitos deles vem com a indicação do bairro onde a empresa funciona, ou por outra, indicando que dá preferência a moradores de bairros ou proximidades tal ou qual (o que é proibido por lei). Um olhar desatento poderia mostrar uma metrópole pujante, que cresce tanto que obriga as empresas a adequarem suas contratações para as proximidades geográficas. Ledo engano: do centro à cidade nova, por exemplo, sem trânsito pesado, leva-se pouco mais de vinte minutos. A situação que tem gerado esse pormenor no mercado de ofertas de emprego é a falta de transporte coletivo eficiente e minimamente funcional.

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O escritor indo-bretão George Orwell, no seu livro 1984 mostra como governos totalitários, independente de como se denominam ideologicamente, usam a linguagem como forma de censura e interdição à inteligência. Lá, o Ministério da Paz cuidava da guerra, o da Verdade, de falsificar a informação e a própria história. O do Amor, de usar a tortura para garantir fidelidade irracional ao Grande Irmão. Assim, no Brasil, o Instituto Millenium, formado pela nata da inteligentsia à direita, que conta com ilustres do naipe de Roberto Civita (Abril), Hélio Costa (Globo), Marcel Granier (RCTV, a tv do golpe na Venezuela), Demétrio Magnoli, Denis Rosenfield (ambos do estadão), Arnaldo Jabor (Globo), Carlos Alberto Di Franco (Opus Dei), Marcelo Madureira (Globo), Reinaldo Azevedo (Veja), Roberto Romano (filósofo – sic!), Fernando Gabeira (DEM/PSDB/PV), Miro Teixeira (PMDB), Roberto Marinho (Globo), Gerdau, Washington Olivetto, Pedro Bial (BBB), além do Instituto Liberal e o Movimento Endireita Brasil (!), promove um fórum cujo título é Democracia e Liberdade de Expressão. Detalhe: nenhum deles participou da I Confecom., e o ingresso para o rega-bofes que se autodenomina “uma noite no primeiro mundo” custa 500 reais. Democracia e Liberdade, é isso aí.

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Riquelme, o craque deprimido, disse que só retorna à seleção albiceleste se Maradona sair. A imprensa, ressentida porque quis o mal de Maradona mais do que o sucesso da seleção, enche a boca do atleta do Boca de microfones, o insta a falar, e ele não decepciona. Decadência de um país que esqueceu que foram os brios da geração de Dieguito que venceram e elevaram a Argentina ao olimpo do futebol, coisa que faltou à geração de Riquelme, que não faturou nem Copa América. Se Maradona perde, rangem os dentes magoados, e cai o mundo. Não o dele, que sabe que a bola não se mancha, e que fútbol é fútbol, e a vida é a vida. Porque Maradona sabe que a vida é uma bola, que se vive na planta dos pés. Agora, o que acontece à desbocada imprensa argentina (e brasileira, também!), e ao craque lorazepam, se os muchachos de Dieguito levantarem o caneco n’África?

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Costume comum na política profissional, a dos partidos, principalmente em tempos de marketologia, o de valorizar obras. O que o povo, na sua sabedoria irônica, traduz com o dizer: “Filho bonito, todo mundo quer ser pai”. O viaduto do Coroado, na zona leste de Manaus, quando foi inaugurado pelo atual prefeito (?) Amazonino, causou celeuma nas hostes serafinistas, que queriam para si parte do mérito pelo empreendimento. Chegaram a propor indiretamente que os louros fossem divididos. No dia seguinte, o infante mostrou a que veio: acidentes, falta de sinalização, engarrafamentos que não acabaram, e uma sensação de que o resultado geral não valeu o investimento e o transtorno. Mais ainda quando um jornal mostrou que os velhos ônibus articulados não estão conseguindo subir a ladeira do viaduto, fazendo com que os passageiros tenham que descer do coletivo para que ele possa, enfim, alcançar o topo. Ou o problema é do viaduto, planejado (e realizado em parte) por Serafim e terminado por Amazonino, ou das empresas de transporte, que detêm a concessão desde Amazonino, referendadas através da Transmanaus por Serafim, que realizou licitação condenada pela justiça, mas que a atual gestão não desfez. Fica a pergunta para os pais: quem vai trocar a fralda do bebê? Oh, mamãe Manaus…