MASSAFEIRA E LANÇAMENTO DO LIVRO DE EDNARDO

Foto retirada do portal IG

Retirado do Blog MÚSICA DO CEARÁ

(por Pedro Alexandre Sanches, repórter especial iG Cultura)

“Ednardo saiu do Ceará, mas o Ceará não saiu de Ednardo. Compositor e cantor do célebre cordel musical “Pavão Mysteriozo” (1974), ele mora no Rio e fará show neste sábado (dia 13) em São Paulo, no Sesc Belenzinho. O trabalho atual, no entanto, é uma homenagem emocionada e emocionante ao passado, ao presente e ao futuro da música popular cearense.

O show de sábado (já com ingressos esgotados) marca a reedição em CD do antológico – mas pouco conhecido – disco duplo coletivo “Massafeira”, lançado originalmente em 1980. Marca, também, o advento do luxuoso livro histórico “Massafeira 30 Anos – Som-Imagem-Movimento-Gente”, organizado por Ednardo e publicado por sua própria editora, Aura.

O show coletivo “Massafeira”, apresentado em março de 1979 no Theatro José de Alencar, em Fortaleza, guarda semelhanças com o que foi o Clube da Esquina de 1972 para os mineiros, o movimento tropicalista de 1968 para os baianos, a Semana de Arte Moderna de 1922 para os paulistas ou o movimento poético Padaria Espiritual (convertido em música homônima por Ednardo, em 1976) para os cearenses do final do século 19.

Na Fortaleza de 1979 se reuniram, para um único evento plural, fazedores de música, cinema, artes plásticas, teatro, poesia, fotografia, artesanato etc. O show original foi assistido pela diretoria da então gravadora do artista, a CBS (hoje Sony), que gostou do que viu e decidiu produzir um disco com alguns dos cerca de 300 artistas reunidos no evento gerador. Foi um processo acidentado.

A gravação foi feita, com cerca de cem músicos transferidos para o Rio para as sessoes. Constam entre as 24 canções do disco trabalhos de Ednardo, Belchior, Fagner, do poeta Patativa do Assaré e de dezenas de nomes que o resto do Brasil pouco conhece, como Brandão, Augusto Pontes, Teti, Rodger Rogério, Fausto Nilo, Clodo, Angela Linhares, Ricardo Bezerra, Rogério e Régis, Vicente Lopes, Lúcio Ricardo, Stélio Valle, Chico Pio, Ferreirinha, Graco, Caio Sílvio, Lopes, Wagner Costa, Sérgio Pinheiro, Alano de Freitas, Aninha, Mona Gadelha, Calé, Tania Cabral, Pachelli Jamacaru…

A música cearense era plural, e não era uníssona. Influente na época na CBS, Fagner capitaneou um segundo trabalho coletivo, o belíssimo “Soro” (Orós ao contrário), que foi gravado depois, mas lançado antes do “Massafeira”.

“Soro”, nunca reeditado em CD, saiu no final de 1979, com participações de Fagner, Belchior, Patativa do Assaré, Fausto Nilo, Núbia Lafayette, Geraldo Azevedo, Cirino, Nonato Luís, Abel Silva, Pedro Soler e o poeta Ferreira Gullar. “Massafeira”, por conta de disputas internas dentro da gravadora, ficou engavetado por mais de um ano antes de ir às lojas.

“‘Massafeira’ era mais ousado, e teve respaldo popular gigantesco”, compara hoje Ednardo. “O outro foi de proveta, feito dentro da gravadora.” Ele conta no livro que conseguiu forçar o lançamento ao destinar ao disco coletivo parte da verba que seria destinada ao lançamento de seu disco solo daquele ano.
De certa forma, Ednardo repete hoje a façanha. Diz que o relançamento do álbum duplo, vendido avulso ou encartado no livro, foi viabilizado porque a produção do projeto comemorativo o bancou junto à Sony. “O disco estava esquecido nas gavetas da gravadora. Os caras não encontraram registros discográficos, nem de capa, nada. A gente teve que mandar tudo para eles”, afirma. “O pessoal da direção artística é muito jovem, não tem noção do que aconteceu. Disseram que não sabiam que tinham essa preciosidade.”

Na reedição atual falta uma faixa, “Frio da Serra”, justamente a única de que Fagner participa, cantando ao lado de Ednardo. Não é culpa de Fagner. “É opção da viúva do compositor, Petrúcio Maia, que está movendo uma ação contra o rapaz e contra a gravadora, e desautoriza o lançamento de qualquer coisa de Petrúcio que tenha a voz de Fagner”, explica Ednardo, hoje com 66 anos.

Para o show de sábado, “é impossível trazer todo mundo”, como aponta Ednardo. Ele fará, então, um balanço do próprio trabalho e, por consequência, da alma cearense que sua garganta sempre vocalizou.
Não devem faltar os versos “eu tenho a mão que aperreia, eu tenho sol e areia/ eu sou da América, sul da América, South America/ eu sou a nata do lixo, eu sou o luxo da aldeia, eu sou do Ceará”, de “Terral”, canção-manifesto do que em 1973 se denominou Pessoal do Ceará, grupo e disco centrados nas vozes de Ednardo, Rodger Rogério e Teti.

O show passará por clássicos da MPB, como “Mucuripe” (dele e de Fagner, projetada em 1972 por Elis Regina e em 1975 por Roberto Carlos), “Beira-Mar” e “Ingazeiras” (1973, do Pessoal do Ceará), “Cavalo Ferro” (idem, mas também lançado no mesmo ano por Fagner), “A Palo Seco” (1974, de Belchior), “Artigo 26” e “Berro” (1976) e, claro, “Pavão Mysteriozo”.

Sobre a identidade cearense, ele demarca uma ressalva: “Tenho orgulho da pertença, de ser brasileiro. Quando o pessoal nos coloca o carimbo de compositores cearenses, ou nordestinos, fica parecendo que a gente não é brasileiro, que a gente é de outro planeta”.
Isso talvez diga respeito a tempos como os do Pessoal do Ceará e do “Massafeira”, quando o isolamento de movimentações locais em relação ao eixo Rio-São Paulo era real. Hoje a distância geográfica existe, mas não é impeditiva – que o digam as versões piratas do disco de 1980 espalhadas pela internet, contendo inclusive a faixa interditada pela herdeira de Petrúcio Maia.

“Todos somos cidadãos do mundo, né?”, observa Ednardo, cearense e não-cearense. Somos, e “Massafeira”, graças a um pessoal lá do Ceará, hoje pertence definitivamente ao mundo. “

 

 

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HERMETO PASCOAL E A SUBVERSÃO DA LÓGICA DO MERCADO

Aos 75 anos, Hermeto Pascoal diz querer compor “a música livre de adjetivos”

 

Alex Rodrigues e Pedro Peduzzi
Repórteres Agência Brasil

Brasília – Aos 75 anos, o inventivo multi-instrumentista alagoano Hermeto Pascoal diz nunca ter pensado muito no futuro. Certo de que o amanhã chegará, sempre procura viver o presente. Sem pressa ou qualquer outra preocupação, além de cumprir com o que impôs como sua missão: “compor a música livre de adjetivos”. Objetivo que, a julgar pelas homenagens recebidas no seu aniversário, no último dia 22, parece ter atingido.

“Meu desejo é, a cada novo dia, fazer mais músicas. Acho que sempre vão faltar coisas para eu fazer, mas não abro mão da qualidade”, disse o músico à Agência Brasil durante rápida passagem por Brasília, no último dia 25. Embora saiba que “qualidade” não é algo consensual, Hermeto dá pistas do que o levou a receber convites para tocar com artistas como Miles Davis, John Lennon, Tom Jobim, Elis Regina e Roberto Carlos, além de orquestras e músicos de vanguarda mundo afora.

“Na música, o sujeito não pode ter uma balança com defeito [priorizando a quantidade em detrimento da qualidade]. Cada nota tem que ser boa. E eu também não faço nada para agradar o público. O que quero é compor o que me agrade para só então tocar para as pessoas”, comentou o artista, conhecido por fazer música não apenas com qualquer objeto, mas também usando animais como porcos e galinhas.

SUBVERSÃO À LÓGICA – Somados o desprendimento e o desejo de ver sua obra sendo executada, Hermeto acabou por se associar, mesmo que sem muita consciência, ao movimento denominado Cultura Livre, que prega formas de democratizar o acesso à informação e à cultura, furando o bloqueio dos veículos de comunicação de massa a tudo que não seja considerado “rentável” e subvertendo a lógica comercial de gravadoras e rádios.

Em 2009, dez anos após causar polêmica ao declarar em uma entrevista que queria ser “pirateado” para que, assim, sua obra fosse mais bem divulgada no país, Hermeto começou a liberar, para gravações, os direitos sobre 614 músicas já registradas em discos ou CDs. A declaração de licenciamento, hoje disponível no site oficial do artista, é reveladora quanto ao espírito livre do músico: um bilhete escrito a mão e pintado pelo próprio Hermeto, que termina com um “aproveitem bastante”, endereçado aos “músicos do Brasil e do mundo”.

“Minha música é de quem a quer. A ideia é liberar os direitos autorais para dar a quem se interessar a chance de tocar minha obra”, disse o músico, ao ser perguntado sobre o que o levou a tomar tal decisão, estimulado por Aline Morena, a música gaúcha de 32 anos com quem Hermeto vive há dez anos e com quem mantém o duo Chimarrão com Rapadura.

De acordo com Aline, algumas empresas não têm aceitado o singelo documento disponibilizado por Hermeto. “Elas estão exigindo uma autorização burocrática, específica para cada músico. Queríamos desburocratizar as coisas com um modelo geral de autorização disponível no site, mas cada vez que um músico quer gravar algo, temos que enviar uma autorização específica”. Com isso, quem quer regravar uma música e procura a gravadora acaba tendo de pagar pela cessão do direito, enquanto quem recorre diretamente ao artista recebe a permissão de graça.

SEM MEDO DA PIRATARIA – “Se as gravadoras não levam meu trabalho para as rádios, se ele não toca em nenhum lugar, para que eu faço música? Não tive e nem vou ter nenhum retorno financeiro por minha obra, mas meu prazer, minha alegria, continua sendo tocar. Por isso, as minhas músicas eu quero mais é que sejam pirateadas. Quero mais é que as pessoas toquem, ouçam, a conheçam. E, pra mim, quem reclama da pirataria é quem faz música apenas para vender. Meu valor não são as notas [de dinheiro]. São as notas musicais”, assinalou o artista.

Segundo Aline, menos de 300 das mais de 4 mil composições de Hermeto já foram gravadas. Da obra total, 700 já estão à disposição de quem queira. São as 366 cujas partituras foram incluídas no livro Calendário do Som e cerca de outras 300 de sua discografia.

Além dessas, o pianista e arranjador Jovino Santos Neto digitalizou a partitura de 41 obras inéditas e as disponibilizou no site de Hermeto. A proposta era a de que músicos do mundo todo que quisessem homenagear o alagoano tocassem uma música de sua escolha. “Pessoas do mundo inteiro deram retorno. Rádios da Alemanha, gente de todas as partes mandou e-mail“, contou Aline. “E vamos soltar mais coisas. Além do que, continuo compondo”, completou Hermeto.

Edição: João Carlos Rodrigues

Escolas de música precisam estimular a intuição dos alunos, diz músico alagoano

 

Ani DiFranco – You Had Time (Lost and Delirious)e My IQ

A epígrafe que abre o livro Império dos filósofos políticos Michel Hardt e Antonio Negri é retirada da música “My IQ” de Ani DiFranco. A epígrafe diz: “Sabendo portá-la, toda ferramenta é uma arma”. A cantora estadunidense é conhecida como ativista dos direitos das mulheres e das feminista. Informações sobre a cantora aqui

 

MUITO ALÉM DO CARTÃO POSTAL APRESENTA “ONDE A CORUJA DORME”

ONDE A CORUJA DORME

“Malandro que é malandro não teme a morte. Malandro que é malandro vai pro norte. Enquanto os patos vão pro sul” (Zeca Baleiro).

Foi em Copacabana, nos anos 60, que, junto com a Bossa Nova, nasceu uma loja de discos única na cidade. Ela ficava na Rua Barata Ribeiro e exibia em seu letreiro a pomposa frase “Modern Sound – a música do mundo”. Sinal dos tempos, a loja que contava com shows de música ao vivo e um bistrô acabou fechando no último dia do ano de 2010, acumulando R$ 350.000,00 em dívidas. Os donos resistiram, durante os últimos anos, aos avanços da tecnologia e a distribuição de cedês em bancas de revista e supermercado pelos próprios fabricantes, que alegavam se defender da pirataria de rua e dos mecanismos de compartilhamento na web.

Como já dizia Darwin, o mundo pertence aos mais adaptados, e não aos mais fortes. E com base nesse movimento pendular do capitalismo (ou você achou que ele falava de natureza?) que ora sopra a favor, ora contra, que Marcelo D2 abriu mão de liderar a banda Planet Hemp e passou a misturar hip hop com samba, mantendo sua brasilidade e ampliando seu público ouvinte. Com isso ele passou a ter a simpatia das rádios, que tocam suas músicas com mais frequência. Recentemente, fez um disco onde canta as músicas do repertório de Bezerra da Silva. Por um lado resgatando a memória do sambista e por outro, recontextualizando as letras e mandando um recado para os próprios rappers. O disco está no mercado desde Novembro de 2010.

É o momento adequado para apresentar aos leitores do Polivocidade um documentário inovador, na forma e no conteúdo, chamado “Bezerra da Silva – Onde a Coruja Dorme”. Lançado em forma de curta em 2001, ganhou formato de longa e foi relançado no mercado em 2006. Confira abaixo a opinião da crítica e a seguir, assista o filme.

Luís Alberto Rocha Melo assina o texto publicado no site http://www.contracampo.com.br

Mais do que nas versões em curta e em média-metragem, é no longa Onde a Coruja Dorme que a idéia de um painel toma corpo. Não um painel dos compositores da periferia do Rio de Janeiro ou do samba de morro – universo com o qual lida o documentário –, mas algo talvez mais ambicioso: os diretores Márcia Derraik e Simplício Neto procuram traçar o painel de um país, ou melhor, de um determinado entendimento de país. A palavra é dada a compositores da Baixada Fluminense como Popular P, 1000tinho, Paulinho Alicate, entre outros, em grande parte desconhecidos do grande público, mas autores de alguns dos maiores sucessos gravados por Bezerra da Silva.

Onde a Coruja Dorme não é um retrato de Bezerra da Silva (no estilo “vida e obra”), muito embora o sambista ocupe um lugar privilegiado no conjunto do documentário. Também não procura ser o registro do cotidiano dos compositores em suas diversas outras profissões (bombeiro, carteiro, técnico de refrigeração etc.). O principal personagem de Onde a Coruja Dorme é a palavra, o discurso – e o seu ritmo. Letra e música, prosa e poética: o país é dito e lido pela ótica dos sambistas da Baixada Fluminense. Márcia Derraik e Simplício Neto registram essa leitura e a reelaboram num documentário de extrema fluidez e agilidade.

É Bezerra da Silva quem de certa forma dá corpo e unidade a esse discurso. Em um dado momento, um dos compositores afirma ter em casa uma enorme quantidade de músicas de amor. Nenhuma delas gravadas, pois Bezerra da Silva não canta o amor: “seria hipocrisia”. A conversa é necessariamente outra.

“Você com o revólver na mão é um bicho feroz/ Sem ele anda rebolando e até muda de voz”. Via Bezerra da Silva, é a ética da malandragem a base do discurso que interessa a Márcia Derraik e a Simplício Neto. Bem entendido: malandragem significa inteligência, nas palavras do próprio Bezerra. Longas seqüências do documentário dedicam-se a refletir sobre essa guerra entre malandros e otários, quase uma metáfora política do país. Através das rodas de samba, dos depoimentos e das imagens de arquivo (algumas delas fabulosas), discute-se o tráfico de drogas e de armas, os políticos picaretas e ladrões, os falsos pais-de-santo, os marginais otários e os marginais malandros, a violência generalizada da tortura policial, do racismo, da “deduragem” e de outras manifestações de falta de ética inadmissíveis para quem não vive a realidade da classe média e dos dóceis valores de solidariedade domingueira em torno da Lagoa ou da orla-Zona Sul.

A própria indústria fonográfica é acusada de explorar os anônimos compositores. Bezerra da Silva é o elo que une os dois pólos. Não por acaso, surge caminhando por uma favela e dando um depoimento com o morro em segundo plano, ou em seu escritório, cercado de discos de platina pendurados na parede. Bezerra da Silva tem livre trânsito entre os “homens de negócio” e a “malandragem” e provoca a mistura de uns com os outros, procurando reverter a situação para o lado mais fraco: acusado de fazer apologia à bandidagem, capitaliza sabiamente – malandramente – essa imagem que lhe impingem, como atestam as geniais e cinematográficas capas dos discos em que Bezerra surge como um criminoso, acuado num beco ou sendo levado para o xadrez.

De forma mais sutil, o próprio documentário, em sua inclinação antropológica, coloca-se em xeque, mais uma vez por intermédio do discurso. A gíria, forma de resistência e de afirmação, torna evidente a distância entre as classes sociais, entre os dois mundos contrapostos pelos personagens de Onde a Coruja Dorme. Os intelectuais e universitários falam uma língua ininteligível para a maior parte da população, e é dessa forma que a classe dominante exerce o seu poder; da mesma forma, o povo responde com a gíria, e se ela não consegue transformar o quadro de dominação, ao menos desequilibra a força do opositor. No filme, alguns personagens exemplificam para os entrevistadores determinadas expressões e códigos, e os explicam em seguida. O documentário assume seu “lugar”.

Tendo a honestidade de se colocar distante do universo retratado e, ao mesmo tempo, não cedendo à piedade típica dos documentários que insistem em ver no “povo” um inesgotável armazém de bondade humana, a tônica de Onde a Coruja Dorme é, enfim, a simpatia. Os documentaristas são bastante simpáticos aos compositores e estes, por sua vez, estão muito à vontade diante da câmera, o que evidencia um cuidado exemplar na condução das conversas, editadas com mestria. O que chama a atenção, porém, é que aqui não percebemos a intenção de transformar o documentário numa janela a revelar, por meio dos depoimentos, uma pretensa “realidade” até então não “notada”. O documentário é bastante explícito ao se assumir como recorte: o que interessa é dar voz, substância ao pensamento dos que estão sendo ali entrevistados.

Dar voz ao morro, como naquela clássica canção de Zé Kéti, é exatamente o que faz Bezerra da Silva. Com um gravador, o intérprete instrui os compositores desconhecidos a deixarem gravados os seus sambas; com o acesso que tem nas gravadoras, imortaliza essas criações que, sem essa intermediação, restariam provavelmente perdidas. São extremamente felizes as imagens em que os compositores, às vezes pouco à vontade, estão diante do gravador cantando suas composições acompanhados pelo ritmo das palmas da mão. A atitude que Márcia Derraik e Simplício Neto têm para com Bezerra da Silva parece ser conduzida pela admiração provocada por uma comunhão de propósitos: o grande sambista é antes de mais nada um grande documentarista.

Do nacional-popular ao musical-popular, Márcia Derraik e Simplício Neto sintonizam-se com uma particular sensibilidade contemporânea, isto é, ritmo e letra. Onde a Coruja Dorme pode ser visto como uma homenagem ao “cinema brasileiro possível”, aquele que se encontra não propriamente nas imagens, mas sobretudo na música.

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PARA COMEÇAR A SEMANA ANA DE HOLANDA CANTANDO É TÃO SIMPLES

“Estou honradíssima com o convite da Presidenta Dilma. O desafio é enorme, mas nada que seja impossível para quem respira cultura.  Conto com ajuda essencial de todos que criam e produzem arte.”

Informações sobre a cantora e compositora Ana de Holanda aqui