Paradeiro de Khadafi permanece incerto

Retirado da Agência Brasil

Da BBC Brasil

Brasília – Sob fortes embates entre forças aliadas do governo e a oposição em Trípoli, na Líbia, na área em volta ao quartel-general do presidente Muammar Khadafi, o paradeiro do líder líbio permanece um mistério. Não há informações se ele estava no local, nem qual é seu paradeiro. Paralelamente, há especulações sobre a fuga de Khadafi para países vizinhos, como a África do Sul. Mas o governo sul-africano negou qualquer tentativa de pedido de asilo.

As especulações de que a África do Sul enviou um avião para retirar o líder líbio de Trípoli foram rebatidas pelo governo sul-africano. “O paradeiro de Khadafi? Não sabemos. Imaginamos que ainda está na Líbia”, disse a ministra das Relações e Cooperação Internacionais, Maite Nkoana-Mashabane. “Com certeza ele [Khadafi] não pedirá para vir para cá.”

Ao pedir asilo na Itália, o segundo líder do regime líbio, Abdessalem Jalloud, que abandonou o governo, disse não acreditar que Khadafi vá se render ou cometer suicídio diante do avanço rebelde. “Ele não tem como sair de Trípoli. Todas as rotas estão bloqueadas. Ele só pode sair a partir de um acordo internacional e acho que essa porta já está fechada”, disse Jalloud.

Desde maio, Khadafi não é visto em público, apesar de ter divulgado desde então, com frequência, mensagens em áudio e vídeo de locais não divulgados. A mais recente mensagem foi ao ar ontem (21) à noite. No áudio transmitido pela emissora estatal de televisão, Khadafi exortou moradores da capital a “salvar Trípoli” dos rebeldes.

Mais de 80% da capital já estão nas mãos dos rebeldes e três filhos de Khadafi foram presos, incluindo o que vinha sendo apontado como o sucessor no regime líbio, Saif Al Islam. A prisão de Islam foi confirmada pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, na Holanda, para onde o filho de Khadafi pode ser extraditado.

Os rebeldes afirmam ainda que outro filho de Khadafi – Mohammed – rendeu-se, assim como a guarda pessoal do líder líbio. O presidente do Conselho Nacional de Transição, a coalizão rebelde, Mustafa Mohammed Abdul Jalil, disse que os rebeldes vão encerrar a ofensiva se Khadafi anunciar sua saída.

 

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Insurgentes líbios nomeiam presidente de governo interino

Do Portal RFI
O comandante britânico Greg Bagwell disse que a aviação militar líbia "não existe mais como força de combate".

O comandante britânico Greg Bagwell disse que a aviação militar líbia “não existe mais como força de combate”.

Reuters

Os insurgentes líbios designaram Mahmoud Jabril como chefe de governo interino, indicando uma mudança na estratégia seguida até agora pelo Conselho Nacional de Transição. Considerado um reformista, o novo presidente provisório, que estava à frente do comitê de crise para assuntos militares e exteriores, assumirá a tarefa de nomear ministros. Enquanto isso, general britânico afirmou que a aviação militar líbia “não existe mais como força de combate”.

A informação foi divulgada pela emissora Al Jazeera. Até agora, Jabril havia desempenhado a representação exterior do CNT, criado em 27 de fevereiro, e tinha viajado a Paris para se encontrar com o presidente francês, Nicolas Sarkozy – primeiro país a reconhecer oficialmente a autoridade dos rebeldes em Benghazi.

Considerado um reformista, sua designação pode ser interpretada como um passo em busca do reconhecimento exterior, embora até agora os rebeldes tenham evitado essa denominação para tentar diminuir o risco de divisão no país. A falta de organização da revolta e os protestos iniciados em Benghazi em 16 de fevereiro –que um dia depois atingiu o país de leste a oeste – foram agravados pela ausência de uma liderança clara entre a mobilização opositora na Líbia – que foi assumida provisoriamente por Mustafa Abdel Jalil, ex-ministro da Justiça de Muammar Kadafi.

No entanto, as dissonâncias fizeram-se evidentes, desde o primeiro momento, por sua particular interpretação das decisões do CNT, cujo vice-presidente e porta-voz oficial, Abdel Hafiz Ghoga, teve de desmenti-lo em várias ocasiões. Sem o consenso dos demais conselheiros, ele defendeu a aceitação da saída de Kadafi em troca da garantia de que os rebeldes não levariam o ditador à Justiça, proposta que suscitou críticas entre os conselheiros.

A ausência de uma liderança clara, somou-se a descoordenação dos insurgentes, que agiram no plano militar com pouca estratégia, o que ficou evidenciado quando Kadafi lançou uma contraofensiva e chegou às imediações de Benghazi. As tropas leais ao ditador foram detidas na região pelos ataques aéreos da coalizão internacional.


Ataques da coalizão continuam

Os aviões da coalizão internacional na Líbia bombardearam nesta quarta-feira as forças do ditador perto da cidade de Misrata, onde rebeldes da oposição enfrentam uma forte ofensiva. Ao menos 90 teriam morrido no ataque. Kadafi mantém tanques e franco-atiradores no centro de Misrata, a terceira maior cidade do país.

Os rebeldes, que têm conseguido manter o controle, relatam um massacre, com atiradores matando até mesmo médicos que aplicam os primeiros-socorros em feridos. Os hospitais, relatam testemunhas, estão lotados e muitos feridos aguardam no chão por tratamento. A manhã de quarta-feira foi marcada por explosões e artilharia pesada antiaérea na capital da Líbia, Trípoli, mais um dia de ofensiva internacional contra as forças do ditador.

Greg Bagwell, general britânico da Royal Air Force, afirmou hoje que a aviação militar líbia “não existe mais como força de combate”, depois de quatro dias de bombardeios realizados pela coalizão internacional no país. Bagwell disse que os aviões estrangeiros voam livremente dentro do espaço aéreo da Líbia, atacando tropas no solo em qualquer local onde a população civil esteja sob ameaça.

“Nós estamos agora fazendo pressão incessante sobre as forças armadas líbias”, disse o comandante em uma base aére no sul da Itália, onde jatos britânicos estão baseados. “O sistema de defesa aérea está gravemente deteriorado, de forma que podemos operar livremente no espaço aéreo livre.”

Ele relatou ainda que devem haver algumas mudanças na estrutura de comando das forças aliadas, mas que a operação continuará de forma semelhante.

Unesco premia Mães da Praça de Maio por luta em defesa dos direitos humanos

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) escolheu o grupo não governamental argentino Avós da Praça de Maio como vencedor do Prêmio Félix Houphouet-Boigny pela Busca da Paz 2010. A entidade representa mães e avós cujos filhos e netos foram mortos ou desapareceram no período da ditadura na Argentina (de 1976 a 1983). Elas se reúnem em frente à praça uma vez por semana.

As informações são da Unesco. Em janeiro, a presidenta Dilma Rousseff, quando visitou Buenos Aires, reuniu-se com as Avós da Praça de Maio. Dilma se emocionou com as mulheres e suas histórias. Recebeu delas de presente um lenço branco – espécie de símbolo do grupo, cujas integrantes usam o lenço no cabelo.

“Com todo o meu coração felicito as Avós da Praça de Maio e sua presidenta Estela Carlotto”, disse a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova. “O esforço incessante [da organização] tornou possível uma centena de jovens redescobrir suas verdadeiras identidades, desfazendo assim uma certa injustiça flagrante. Este é um exemplo inspirador de defesa dos direitos humanos.”

O prêmio da Unesco será recebido por Estela de Carlotto, que ainda procura o neto. O prêmio é no valor de US$ 150 mil, além de uma medalha de ouro e um diploma. No ano passado, houve campanhas na Argentina sugerindo a indicação da organização para o Premio Nobel da Paz.

A organização As Avós da Praça de Maio foi criada em 1977 para localizar as famílias das crianças sequestradas durante a repressão política na Argentina. Com o passar dos anos, o grupo ampliou suas bandeiras e luta também pela defesa do combate às violações dos direitos da infância e pelo julgamento de todos que sequestraram crianças na ditadura.

Instituído em 1989, o Prêmio Félix Houphouet-Boigny busca reconhecer o trabalho desempenhado por pessoas, instituições e organizações que contribuíram significativamente para a promoção, investigação, preservação ou manutenção da paz.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já foi agraciado com o prêmio da Unesco, assim como o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela e outros líderes políticos, os israelenses Yitzhak Rabin e Shimon Peres, o palestino Yasser Arafat e o norte americano, Jimmy Carter, além do rei Juan Carlos da Espanha.

Edição: Juliana Andrade

Oposição líbia controla cidade de Zawiyah e anuncia criação de Conselho Nacional transitório

Reproduzido do site Opera Mundi

A oposição líbia tomou o controle da cidade de Zawiyah, a 50 quilômetros a oeste de Trípoli, embora a cidade esteja rodeada por tropas leais ao ditador Muammar Kadafi e haja o receio de ataque próximo, informou neste domingo (27/02) a rede de televisão Al Jazeera.

“Esperamos um ataque a qualquer momento”, disse por telefone à emissora uma pessoa identificada apenas como Ezeldina, morador de Zawiyah, agora a cidade mais próxima a Trípoli controlada por forças da oposição.

Grupos opositores ao regime de Kadafi vieram protagonizando manifestações em Zawiyah nos últimos dias e chegaram a controlar alguns setores da cidade.

Neste domingo, anunciaram a intenção de criar um Conselho Nacional com representantes de todas as zonas do país livres do controle político do ditador Muammar Kadafi.

Abdelhafiz Hoga, porta-voz da chamada Coalizão Revolucionária do 17 de Fevereiro, afirmou em Benghazi, segunda maior cidade do país e controlada pela oposição, que a missão desse conselho será “dirigir o processo de transição”.

“Não é um governo de transição. Trata-se de um Conselho Nacional que terá sua sede em Benghazi, porque Trípoli não está livre”, enfatizou o porta-voz da coalizão, que coordena as ações políticas nas diversas cidades ocupadas pelos oposicionistas do regime de Kadafi.

Retomada

Testemunhas consultadas pela emissora Al Arabiya, porém disseram que as tropas leais a Kadafi querem recuperar Zawiyah, pois a cidade é um importante pólo petrolífero do país.

Além disso, segundo as emissoras árabes, Kadafi está tentando defender o próximo alvo militar dos rebeldes, sua cidade natal, Sirte, ao leste da capital, para onde enviou suas tropas.

Tanques de forças militares leais a Kadafi se deslocaram também rumo a Misrata, terceira maior cidade da Líbia, a cerca de 200 quilômetros a leste de Trípoli, que também está controlada por forças da oposição, informou a Al Jazeera.

Euforia, banho de sangue e caos por Robert Fisk

Da Agência Carta Maior

Foto retirada do site Brasilianas.orgMais do que a tresloucada eleição do vice-presidente de Mubarak e do que a designação de um convescote num governo sem poder, as ruas do Cairo demonstraram que os líderes dos EUA e da União Europeia (UE) não entenderam nada. Acabou-se. Os débeis intentos de Mubarak, ao declarar que se deve terminar com a violência, quando sua própria segurança policial foi responsável, nos últimos cinco dias pelos atos mais cruéis, incendiaram ainda mais a fúria daqueles que passaram 30 anos sob uma ditadura sanguinária.

Robert Fisk – Página/12

Os tanques egípcios, os manifestantes sentados sobre eles, as bandeiras, as 40 mil pessoas que choravam e alentavam os soldados na Praça da Liberdade, enquanto rezavam ao redor deles os irmãos da Irmandade Muçulmana, sentados entre os passageiros dos tanques. Seria o caso de comparar isso com a liberação de Bucareste? Sentado sobre um dos tanques de fabricação dos EUA, só podia recordar aquelas cenas cinematográficas maravilhosas sobre a liberação de Paris. Uns dois metros dali, a polícia de segurança de Hosni Mubarak, com seus uniformes pretos ainda disparava contra os manifestantes que estavam próximos do Ministério do Interior. Era uma celebração de uma vitória selvagem e histórica: os mesmos tanques de Mubarak estavam liberando a capital de sua própria ditadura.

Na pantomima do mundo de Mubarak – e de Barack Obama e de Hillary Clinton, em Washington -, o homem que ainda se autoproclama presidente do Egito realizou a eleição mais absurda de um vice-presidente para acalmar a fúria dos manifestantes. O eleito foi Omar Suleiman, chefe dos negociadores egípcios com Israel e um antigo agente da inteligência, um homem de 75 anos, com vários anos de visitas a Tel Aviv e a Jerusalém, assim como com vários infartos que os provam. Como este funcionário enfrentará a raiva e o desejo de libertação de 80 milhões de egípcios fica a cargo da imaginação. Quando contei aos que estavam ao meu redor no tanque sobre a designação de Suleiman, começaram a rir.

As tropas, em roupas esgarçadas, rindo e até aplaudindo, não manifestaram qualquer intenção de borrar a grafitagem que a multidão tinha pintado nos tanques: “Fora Mubarak” e “Teu regime está acabado, Mubarak”, aparecia em cada um dos tanques que percorriam as ruas do Cairo. Em um dos tanques que davam a volta ao redor da Praça da Liberdade estava um dos Irmãos Muçulmanos, Mohamed Beltagi. Mais cedo tinha passado perto um comboio de veículos blindados que estavam a postos próximo ao subúrbio de Garden City, enquanto as pessoas abriam o caminho entre as máquinas e levavam laranjas aos soldados, aplaudindo-os como patriotas egípcios.

Mais do que a tresloucada eleição do vice-presidente de Mubarak e do que a designação de um convescote num governo sem poder, as ruas do Cairo demonstraram que os líderes dos EUA e da União Europeia (UE) não entenderam nada. Acabou-se. Os débeis intentos de Mubarak, ao declarar que se deve terminar com a violência, quando sua própria segurança policial foi responsável, nos últimos cinco dias pelos atos mais cruéis, incendiou ainda mais a fúria daqueles que passaram 30 anos sob uma ditadura sanguinária. Prova disso são as suspeitas de que muitos dos saques estão sendo levados a cabo por policiais civis, assim como o assassinato de 11 homens numa área rural há 24 horas, para destruir a integridade dos manifestantes que estão tentando tirar Mubarak do poder.

A destruição de um número importante de centros de comunicações por parte dos homens com rostos tapados, que devem ter sido coordenados de alguma maneira, também levantou o alerta e veio a ideia de que os responsáveis seriam os agentes da civil que tinham golpeado os manifestantes. Mas os incêndios de delegacias de polícia no Cairo, em Alexandria e Suez, assim como em outas cidades foram obra dos policiais civis. Quase à meia noite de sexta para sábado, multidões de homens jovens atiçaram fogo ao longo da auto estrada de Alexandria.

Infinitamente mais terrível foi o vandalismo no Museu Nacional do Egito. Depois de a polícia abandonar o lugar, os saqueadores arrombaram a porta do edifício pintado de vermelho e destruíram estátuas faraônicas de quatro mil anos, múmias egípcias e impressionantes botes de madeira originariamente talhados para acompanhar os reis em suas tumbas. Mais uma vez, deve-se dizer, circularam rumores de que a polícia tinha causado esses atos de vandalismo antes de ter abandonado o museu na sexta à noite. Tudo parece recordar o que se passou no museu de Bagdá em 2003. O saque não foi tão grave como o do Iraque, mas o desastre arqueológico é pior. Os manifestantes se reuniram à noite, em círculo, na Praça da Liberdade, para rezar.

E também houve promessas de vingança. Uma equipe da cadeia de televisão Al Jazeera encontrou um depósito com 23 cadáveres em Alexandria, aparentemente assassinados pela polícia. Muitos tinham seus rostos horrorosamente mutilados. Outros onze mortos foram descobertos num depósito no Cairo. As famílias, que se congregaram ao redor de seus restos ensanguentados, prometiam represálias contra os policiais.

O Cairo agora oscila da euforia à mais sombria cólera em questão de minutos. Ontem pela manhã cruzei a ponte do rio Nilo para ver as ruínas do quartel do partido de Mubarak. Em frente, seguia de pé um pôster que promovia as bondades do oficialista Partido Nacional Democrata (PND), as promessas que Mubarak, não pôde cumprir em 30 anos. “Tudo o que queremos é a saída de Mubarak, novas eleições e nossa liberdade, e honra”, disse-me um psiquiatra de 30 anos.

A denúncia de Mubarak de que essas manifestações seriam parte de um “plano sinistro” é o núcleo de seu pedido de reconhecimento internacional. De fato, a resposta de Obama foi uma cópia exata de todas as mentiras que Mubarak está usando durante três décadas, para defender seu regime. O problema é o de sempre: as linhas do poder e as da moralidade não se unem quando os presidentes estadunidenses tem de tratar com o Oriente Médio. A liderança moral dos Estados Unidos desaparece quando se trata de confrontar os mundos israelense e árabe. E o exército egípcio é parte dessa equação. Recebe 1,3 milhões de dólares de ajuda estadunidense. O comandante dessas forças armadas e amigo pessoal de Mubarak, o general Mohamed Tantawi estava em Washington, no momento em que a polícia tratava de reprimir com violência os manifestantes. O final pode ser claro. A tragédia ainda não terminou.

Tradução: Katarina Peixoto

DISCURSO DE ABERTURA DA 14a PARADA GAY DE SÃO PAULO

Senhores e senhoras jornalistas,

Sexta-feira, tivemos uma notícia surpreendente. Conquistamos nossa primeira lei de nível federal: a instituição do Dia Nacional de Combate à Homofobia, 17 de maio.

A partir dessa lei, o estado brasileiro reconhece essa modalidade de discriminação como uma violência a ser combatida.

O dia 17 de maio foi o dia em que deixamos, oficialmente, de ser considerados doentes mentais por amarmos nossos semelhantes.

Essa foi a data escolhida para lembrarmos nossa luta.

Pena que isso só foi possível por decreto do Governo Federal.

A depender da insensibilidade do Senado, continuaríamos desprovidos de qualquer proteção do estado.

Os gays e as lésbicas estão irritados com sua vulnerabilidade à discriminação.

As travestis e transexuais estão nervosas com os 198 assassinatos covardes ocorridos em 2009.

A bandeira do arco-íris está pálida.

E cada vez temos menos paciência com o atraso brasileiro.

Um atraso que tem nome, número, partido e tempo de televisão.

É para isso que vamos à avenida este ano: denunciar de onde vem nosso sofrimento.

Onde se situa a homofobia institucional.

Vamos também mostrar que podemos agir.

Afinal, como contribuintes, nada podemos fazer dessa condição.

Mas como eleitores, podemos, sim, decidir destinos.

Saibam que, quando escolhemos o tema: Vote contra a homofobia!, não imaginávamos o que aconteceu nos últimos dias.

Milhares de pessoas passavam por nossa tenda na Feira Cultural, na última quinta, e perguntavam onde tinham que votar.

As pessoas estavam ansiosas para mostrar sua indignação contra a homofobia.

Queriam ação imediata e ficavam frustradas quando dizíamos que não havia urna nenhuma, só em outubro.

Portanto, os fulanos e as sicranas que não nos toleram e que acham que vamos passar mais quatro anos sem direitos, sem respeito, sendo violados em nossa cidadania, que ponham as barbas de molho.

Suas batatas estão assando.

Terão de voltar para suas igrejas e pregar a intolerância e a homofobia para seus crentes.

Porque não haverá lugar no Senado para esses.

Nunca mais haverá lugar na nossa democracia para esse tipo de gente.

Nós, gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, assim como todos os heterossexuais que desejam um Brasil melhor para todos, vamos eleger uma nova geração de políticos.

Gente sintonizada com um país laico, de respeito a todas as religiões, a todos os corpos e a todas as mentalidades.

As próximas paradas serão uma celebração desse novo Brasil. Serão a manifestação viva, musical e física dos avanços democráticos que conquistaremos.

Quem sabe não ouviremos dizer que esse novo país, muito menos homofóbico, com políticos de uma nova estirpe, começou, hoje, na Parada do Orgulho LGBT de São Paulo?

Obrigado pela atenção.

Alexandre Santos, presidente da APOGLBT, discursa na entrevista coletiva para a 14a Parada Gay de São Paulo, na ALE/SP, em 06 de junho de 2010. Daqui.

É HOJE! 1a MARCHA NACIONAL CONTRA A HOMOFOBIA

1ª MARCHA NACIONAL CONTRA A HOMOFOBIA

17 de Maio – Dia Internacional de Combate à Homofobia

A comemoração do dia 17 de Maio – Dia Internacional de Combate a Homofobia, deste ano terá uma programação especial para os milhares de militantes que lutam pelos direitos humanos e cidadania de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBT.

Por meio de um conjunto de atividades que vão de 17 a 19/05/2010, em Brasília-DF, a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais- ABGLT realizará uma grande mobilização social que culminará com a I Marcha Nacional contra Homofobia e I Grito pela Cidadania LGBT, tudo para lembrar o dia 17 de Maio de 1990, que marca a retirada, pela Organização Mundial de Saúde, da homossexualidade da classificação internacional de doenças.

Nos dias 17 e 18/05/2010, a juventude da ABGLT, em parceria com os movimentos estudantil e juvenil, realizará um seminário na Universidade de Brasília – UnB, que tem o tema “UnB fora do armário!” O objetivo é debater vários temas relacionados às questões LGBT e à interface com os movimentos sociais das quais a juventude participa, além de denunciar os constantes casos de homofobia que vêm acontecendo nas universidades. (Veja a programação anexa)

No dia 18/05/2010 acontece o VII Seminário de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais no Congresso Nacional, que tem o tema: “Direitos Humanos de LGBT: Cenários e Perspectivas” (cartaz e programação abaixo). O evento, que vem sendo realizado anualmente desde 2004, será realizado no Auditório Nereu Ramos na Câmara dos Deputados. O Seminário contará com a presença de vários parlamentares, advogados, gestores públicos, pesquisadores e militantes que estarão debatendo os temas que envolvem as principais reivindicações do movimento LGBT brasileiro. Na solenidade de abertura o Hino Nacional será entoado pela cantora Angela Leclery. O Seminário é promovido pelas Comissões de Legislação Participativa, Direitos Humanos e Minorias, e Educação e Cultura, da Câmara dos Deputados, em parceria com a ABGLT. Programação e Inscrições pelo link: http://www2.camara.gov.br/participe/eventos/vii-seminario-de-lesbicas-gays-bissexuais-travestis-e-transsexuais-no-congresso-nacional

No dia 19/05/2010, a partir das 9h, na Esplanada dos Ministérios, em frente à Catedral Metropolitana de Brasília, acontecerá a concentração da I Marcha Nacional contra a Homofobia e I Grito Nacional pela Cidadania LGBT e contra a Homofobia (cartaz abaixo). O local será o ponto de encontro de várias caravanas vindas das 27 unidades da federação. No início da Marcha, a atriz e cantora Jane di Castro entoará o Hino Nacional. A partir das 10h30, milhares de militantes LGBT e também de outros movimentos sociais sairão em caminhada pela Esplanada dos Ministérios em manifestação de reivindicação das principais demandas da ABGLT:

  • Garantia do Estado Laico (Estado em que não há nenhuma religião oficial, as manifestações religiosas são respeitadas, mas não devem interferir nas decisões governamentais)
  • Combate ao Fundamentalismo Religioso.
  • Executivo: Cumprimento do Plano Nacional LGBT na  sua  totalidade, especialmente nas ações de Educação, Saúde, Segurança, Direitos Humanos, Trabalho e Emprego, entre outros, além de orçamentos e metas definidas para as ações.
  • Legislativo: Aprovação imediata do PLC 122/2006 (Combate a toda discriminação, incluindo a homofobia).  
  • Judiciário: Decisão Favorável sobre União Estável entre casais homoafetivos, bem como a mudança de nome de pessoas transexuais.

537 Organizações, Instituições Públicas, Parlamentares e  Personalidades  já assinaram o MANIFESTO (abaixo) em apoio à 1ª Marcha Nacional contra a Homofobia – 1º Grito Nacional pela Cidadania LGBT e Contra a Homofobia, sendo: 330 Entidades LGBT; 25 Fóruns de ONGs/Aids e Fóruns LGBT; 99 Entidades de outros movimentos  sociais entre elas a Central Única dos Trabalhadores – CUT, a União Nacional dos Estudantes – UNE, a União Brasileira de Estudantes Secundaristas – UBES, e UNAIDS Brasil; 19 Instituições do  poder  público, entre elas o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, a Comissão de Direitos Humanos e a Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados; 45 parlamentares e 19 figuras públicas (lista completa abaixo, atualizada em 12/05).

Com relação à implementação do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, a ABGLT solicitou audiência no período de 17 a 19 de maio com cada um dos 18 ministérios com ações previstas no Plano. Até o momento já foram confirmadas 8 audiências com os/as ministros/as da Saúde, Educação, Previdência Social, Esporte, Promoção de Políticas de Igualdade Racial, Direitos Humanos, Relações Institucionais da Presidência da República e Relações Exteriores.

A I Marcha Nacional contra a Homofobia e o I Grito Nacional pela Cidadania LGBT e contra a Homofobia é uma manifestação inédita, pois é a primeira vez que as 237 organizações LGBT filiadas à ABGLT estarão presentes em um único ato pela afirmação dos direitos da população LGBT.

Em todos estados também estão sendo realizados eventos de comemoração e manifestações alusivos ao Dia Internacional Contra a Homofobia. Para saber mais sobre a iniciativa em todo o mundo, visite: http://idahomophobia.org/wp/

A Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais – ILGA, publicou em 15 de maio seu relatório anual “Homofobia de Estado”, que destaca que em 76 países é crime ser uma pessoa LGBT e 5 países punem com a pena de morte. O relatório também traz um panorama dos países em que os direitos das pessoas LGBT vêm sendo reconhecidos: http://ilga.org/ilga/es/article/1161

A ABGLT atualmente é maior rede LGBT na América Latina  e responsável por todos os andamentos da I Marcha Nacional contra a Homofobia.

Informações adicionais:

  • Coordenador Geral da I Marcha : Carlos Magno (31) 8817 1170
  • Coordenador da Marcha em Brasília: Evaldo Amorin (61) 8462 9203
  • Presidente da ABGLT: Toni Reis (41) 9602 8906 / (61) 8181 2196
  • Site: www.abglt.org.br – menu esquerdo: Marcha Homofobia

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MANIFESTO

1ª Marcha Nacional contra a Homofobia – 1º Grito Nacional pela Cidadania LGBT e Contra a Homofobia

A Direção da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais -ABGLT, reunida em 02 de março de 2010, resolveu convocar todas as pessoas ativistas de suas 237 organizações afiliadas, assim como organizações e pessoas aliadas, para a I Marcha Nacional contra a Homofobia, vinda de todas as 27 unidades da federação, tendo como destino a cidade de Brasília. No dia 19 de maio de 2010, será realizado o 1º Grito Nacional pela Cidadania LGBT e Contra a Homofobia, com concentração às 9 Horas, na  Esplanada dos Ministérios, em frente à Catedral Metropolitana de Brasília.

Em 17  de maio é comemorado em todo o mundo o Dia Mundial contra a Homofobia (ódio, agressão, violência contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBT). A data é uma vitória do Movimento que conseguiu retirar a homossexualidade da classificação internacional de doenças da Organização Mundial de Saúde, em 17 de maio de 1990.

No Brasil, todos os dias, 20 milhões de brasileiras e brasileiros assumidamente lésbicas, gays, bissexuais, travestis ou transexuais -LGBT têm violados os seus direitos humanos, civis, econômicos, sociais e políticos. “Religiosos” fundamentalistas, utilizam-se dos Meios de Comunicação públicos, das Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas, Câmara Federal e Senado para pregar o ódio aos cidadãos e cidadãs LGBT e impedir que o artigo 5º da Constituição federal (“todos são iguais perante a lei") seja estendido aos milhões de LGBT do Brasil. Sem nenhum respeito ao Estado Laico, os fundamentalistas religiosos utilizam-se de recursos e espaços públicos  (escolas, unidades de saúde, secretarias de governo, praças e avenidas públicas, auditórios do legislativo, executivo e judiciário) para humilhar, atacar, e pregar todo seu ódio contra cidadãos e cidadãs LGBT.

O resultado desse ataque dos Fundamentalistas religiosos tem sido:

  • O assassinato de um LGBT a cada dois dias no Brasil (dados do Grupo Gay da Bahia – GGB) por conta de sua orientação sexual (Bi ou  Homossexual) ou identidade de gênero (Travestis ou Transexuais);
  • O Congresso Nacional não aprova nenhuma lei que garanta a igualdade de direitos entre cidadãos(ãs) Heterossexuais e Homossexuais no Brasil;
  • O Supremo Tribunal Federal não julga as Arguições de Descumprimento de Preceitos Fundamentais e Ações Diretas de Inconstitucionalidade que favoreçam a igualdade de direitos de pessoas LGBT no Brasil;
  • O Executivo Federal não implementa na sua totalidade o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT;
  • Centenas de adolescentes e jovens LGBT são expulsos diariamente de suas casas;
  • Milhares de LGBT são demitidos ou perseguidos no trabalho por discriminação sexual;
  • Travestis, Transexuais, Gays e Lésbicas abandonam as escolas por falta de uma política de respeito à diversidade sexual nas escolas brasileiras;
  • Os orçamentos da união, estados e municípios, nada ou pouco contemplam recursos para ações e políticas públicas LGBT;
  • O Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais e Municipais precisam pactuar e colocar em prática a Política Integral da Saúde LGBT;
  • As Secretarias de Justiça, Segurança Pública, Direitos Humanos e Guardas-Municipais não possuem uma política permanente de respeito ao público vulnerável LGBT, agredindo nossa comunidade, não apurando os crimes de homicídios e latrocínios contra LGBT e nem prendendo seguranças particulares que espancam e expulsam LGBT de festas, shoppings, e comércio em geral.

A 1ª Marcha Nacional LGBT exige das autoridades Públicas Brasileiras:

Garantia do Estado Laico (Estado em que não há nenhuma religião oficial, as manifestações religiosas são respeitadas, mas não devem interferir nas decisões governamentais)

Combate ao Fundamentalismo Religioso.

Executivo: Cumprimento do Plano Nacional LGBT na  sua  totalidade, especialmente nas ações de Educação, Saúde, Segurança e Direitos Humanos, além de orçamentos e metas definidas para as ações.

Legislativo: Aprovação imediata do PLC 122/2006 (Combate a toda discriminação, incluindo a homofobia).  

Judiciário : Decisão Favorável sobre União Estável entre casais homoafetivos, bem como a mudança de nome de pessoas transexuais.

!!! Viva !!!

a 1ª Marcha Nacional LGBT contra a Homofobia no Brasil

o 1º Grito Nacional pela Cidadania LGBT e Contra a Homofobia

Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT