ESTADOS UNIDOS AMPLIAM SANÇÕES AO IRÃ E VETAM NEGÓCIOS COM 21 EMPRESAS

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Os Estados Unidos intensificaram hoje (3) ainda mais as sanções impostas ao Irã como forma de pressão para que o país abra mão do desenvolvimento do programa nuclear. Por orientação do Departamento do Tesouro norte-americano, foi ampliada a série de medidas para conter uma eventual tentativa do governo e de empresas iranianas de burlar as restrições de negociações externas.

As informações são do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos que publicou uma lista restritiva a 21 empresas vinculadas ao Irã. A lista relaciona empresas de seguros, investimentos, mineração e indústrias de engenharia. As sanções norte-americanas proíbem as negociações e o comércio com o governo do Irã e instituições ligadas a ele.

“Como o isolamento internacional, aumenta a crise nos sistemas financeiro e comercial, [o que faz] o governo do Irã prosseguir nos esforços para evitar sanções, incluindo o uso de entidades estatais em todo o mundo”, disse o subsecretário de Terrorismo e Inteligência Financeira do Departamento do Tesouro norte-americano, Stuart Levey.

A lista de 21 empresas, relacionada no site do departamento, menciona 14 companhias nas áreas de mineração e indústrias de engenharia. Também cita quatro bancos – Onerbank Zao, Torgovoy Kapital Zao, Sina Bank e o Banco de Desenvolvimento do Irã. E três empresas do ramo de seguros e investimentos – Companhia de Investimento Estrangeiro, Ific Holding Ag e Tradding Gmbh.

Em 16 de junho, o governo de Barack Obama divulgou um pacote de medidas restritivas ao Irã proibindo as operações bancárias, a circulação de navios de bandeira iraniana e negociações com empresas nos setores de petróleo, gás e energia.

As sanções incluíram também a ampliação da fiscalização das atividades da Guarda Revolucionária Iraniana. O governo norte-americano divulgou nomes de empresas e companhias que atuariam como colaboradores do regime do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

Edição: Rivadavia Severo

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BRASIL VAI MANTER POSIÇÃO A FAVOR DE UM ACORDO ENTRE IRÃ E COMUNIDADE INTERNACIONAL

A União Europeia (EU) aprovou uma nova rodada de sanções ao Irã. Foi decidido a suspensão de investimentos nos setores de gás e petróleo. Ainda houve o aumento da vigilância e da fiscalização sobre os bancos iranianos e maiores restrições a vôos de carga. Empresas européias estão proibidas de venderem equipamentos para a produção e refinamento de petróleo e gás para o Irã. E a aplicação em projetos, assistência técnica e transfrência de tecnologia à indústria petrolífera iraniana por companhias européias estão vedadas.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, lamentou as sanções  e afirmou que tal atitude não ajuda o diálogo e prejudica a população. Segundo o ministro, o Brasil vai manter a sua posição de ser a favor do diálogo para que se mantenha as negociações entre o Irã e a comunidade internacional. Para Celso Amorim, segundo a Agência Brasil:

“[O pacote com as novas sanções] é uma pena. Quem sofre com as sanções é o povo. Em todos os casos, as elites dão um jeito de se manter [quando há restrições]”, disse Amorim, que hoje se reuniu com autoridades palestinas em Ramalá, na Cisjordânia. “Não vou falar coisas aqui que possam significar o enrigecimento de posições”.

Amorim ainda falou sobre o que espera do Irã: “Em todas as reuniões com o Irã, nós sugerimos que eles sejam pacientes”, disse o chanceler. “Eu espero que o Irã aja com flexibilidade”.

ISRAEL CONTINUA FIRME EM SUA EMPREITADA CONTRA A PAZ

Para o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, a unânime reprovação, por parte da comunidade internacional, ao ataque de Israel à “Frota da Liberdade” (31/05), não implica em uma pressão legitima e coerente para que o bloqueio imposto à Faixa de Gaza seja quebrado. Ao contrário, Netanyahu, afirmou que são hipócritas as críticas ao assalto direto que Israel cometeu sobre os ativistas que levavam ajuda humanitária a Gaza.

"Mais uma vez, Israel enfrenta a hipocrisia e um julgamento apressado e parcial", disse o primeiro-ministro de Israel em um pronunciamento onde confirmou a continuidade do bloqueio à Faixa de Gaza.

Nesta empreitada em que Israel continua firme contra a paz, alguns absurdos e reações legitimas, surgem como modo de esclarecer ainda mais o quanto há de desumano nesta empreitada.

PARA EUA, ISRAEL DEVE LIDERAR INVESTIGAÇÕES

Para a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, a investigação tem que ser imediata, imparcial, com credibilidade e transparência. "Apoiamos nos mais fortes termos o pedido do Conselho de Segurança (da ONU) por uma investigação imediata, imparcial, de credibilidade e transparente". E acrescentou: "Apoiamos uma investigação israelense que cumpra estes critérios."

Hillary Clinton não dispensou a ajuda internacional, mas o principal é que Israel lidera as negociações e pediu para que as reações sobre o ataque sejam mais “cuidadosas e pensadas: ‘Creio que a situação, da nossa perspectiva, é muito difícil e requer cuidadosas e pensadas respostas de todos os envolvidos", disse.

Já o ministro das Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu, da Turquia, país provavelmente com mais mortos no ataque, cobra medidas de condenação forte aos ataques para os EUA. Para ele, "essa não deve ser uma questão de escolha entre Turquia e Israel, mas, sim, entre o certo e o errado".

Ao comparar o ataque com os atentados de 11 de setembro de 2001, o ministro turco disse: "Alguns de nossos aliados não estão prontos para condenar as ações israelenses. Esperamos solidariedade total conosco".

Hillary Clinton ainda pôde dizer algo, que de acordo com os fatos históricos, soa com certo sarcasmo. Ela disse que é "insustentável e inaceitável" a situação na Faixa de Gaza, em razão deste território palestino estar sujeito a um bloqueio israelense imposto desde 2007, quando o Hamas ganhou força na região.

E ainda afirmou: "As legítimas necessidades de segurança israelenses devem ser atendidas, assim como as legítimas necessidades palestinas de assistência humanitária e acesso regular a materiais de construção".

Sobre os 700 ativistas detidos em Israel, a notícia é de que eles já foram deportados. Ainda há a notícia de que o presidente egípcio, Hosni Mubarak, devido as pressões internacionais para a quebra do bloqueio a Gaza, ordenou a abertura da fronteira do Egito com a cidade de Rafah, na Faixa de Gaza.

Por este caminho poderá ser permitida a entrada de ajuda humanitária para o território palestino, pois  o posto de controle de Rafah é a única parte da fronteira de Gaza que não é controlada por Israel. Só não se sabe se a abertura da entrada será permanente ou não.

A EMBARCAÇÃO IRLANDESA RACHEL CORRIE ESTÁ A CAMINHO

O primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, confirmou hoje que a embarcação irlandesa Rachel Corrie, está a caminho de Gaza e que em caso de agressão ou qualquer dano aos cidadãos irlandeses “haverá consequências mais sérias”.

“Quero deixar isto muito claro: se algum dos nossos cidadãos sofrer qualquer dano, haverá consequências mais sérias”, advertiu Cowen em pronunciamento no parlamento, onde pediu formalmente que Israel autorize a entrada da embarcação que mais uma vez leva ajuda humanitária.

DA APROXIMAÇÃO ENTRE ISRAEL E EUA

Perguntamos-nos com que objetivo o governo dos EUA tanto quer Israel na liderança de uma investigação sobre um ataque que Israel mesmo cometeu e, a completo despeito das autoridades internacionais, afirma veemente que agiu em legitima defesa, pois foi atacado por facas, chutes, machadinhas, bolinhas de gudes e por pessoas desesperadas?

Como nas declarações da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, acima, há uma pretensa tentativa de mostrar o quanto os EUA condenam o ataque de Israel, reproduzimos abaixo o texto de Emir Sader, que ao contrário disto, demonstra o quanto EUA e Israel estão próximos.

Israel: novo massacre humanitário?

Os capítulos da história são tão claros, quanto dramáticos.

Primeiro os judeus obtêm a aprovação da ONU para a construção do Estado de Israel. Para isso expulsam milhões de palestinos que ocupavam a região. Em seguida, aliados aos EUA, impedem que o mesmo direito, reconhecido igualmente pela ONU, seja estendido aos palestinos, com a construção de um Estado soberano tal qual goza Israel.

Depois, ocupação dos territórios palestinos, militarmente, seguida da instalação de assentamentos com judeus chegados especialmente dos países do leste europeu, recortando os territórios palestinos.

Não contentes com esse esquartejamento dos territórios palestinos, veio a construção de muros que dividem esses territórios, buscando não apenas tornar inviável a vida e a sustentabilidade econômica da Palestina, mas humilhar a população que lá resiste.

Há um ano e meio, o massacre de Gaza. A maior densidade populacional do mundo, cercada e afogada na sua possibilidade de sobrevivência, é atacada de forma brutal pelas tropas israelenses, com as ordens de que “não há inocentes em Gaza”, provocando dezenas de milhares de mortos na população civil, em um dos piores massacres que o mundo conheceu nos últimos tempos.

Não contente com isso, Israel continua cercando Gaza. Um ano e meio depois nem foi iniciado o processo de reconstrução, apesar dos recursos recolhidos pela comunidade internacional, porque a população continua cercada da mesma maneira que antes do massacre de dezembro 2008/janeiro 2009. As epidemias se propagam, enquanto remédios e comida apodrecem no deserto, do lado de fora de Gaza, cercada como se fosse um campo de concentração pelas tropas do holocausto contemporâneo.

Periodicamente navios tentavam levar comida e remédios à população de Gaza, chegando por mar, de forma pacífica, mas sistematicamente eram atacados pelas tropas israelenses. Desta vez a maior comitiva internacional de paz, com cerca de 750 pessoas de vários países, se aproximou de Gaza para tentar romper o bloqueio cruel que Israel mantêm sobre a população palestina. Foi atacada pelas tropas israelenses, provocando pelo menos 19 mortos e várias de dezenas de feridos.

Quem representa perigo para a paz na região e para a paz mundial? O Irã ou Israel? Quem perpetra massacres após massacres contra a indefesa população palestina? Quem impede que a decisão da ONU seja colocada em prática, senão Israel e os EUA, bloqueando a única via de solução política e pacifica para a região – o reconhecimento do direito palestino de ter seu Estado? Quem comete os piores massacres no mundo de hoje, senão aqueles que foram vítimas do holocausto no século passado e que se transformaram de vítimas em verdugos?

A PENA RETA DO CHARGISTA ACRÍTICO

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Diz-me com quem andas, e te direi quem és. O ditado popular, no caso do desenhista, pode ser adaptado para ‘mostras o teu desenho e te direi no que crês’.

O movimento cognitivo, de acordo com o filósofo Henri Bergson, se dá na sucessão de imagens que vêm à consciência. Uma espécie de déjà vu. Assim, se não houver emprego volitivo da razão e do desejo, a consciência se reproduzirá como mera reprodução imagética. A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores, o mesmo jardim… Quando na realidade jamais são os mesmos, e a duração, o passar do tempo, estão aí para evidenciar. Armadilha para a consciência capturada e domesticada. Nada de produção, nada de criação.

É o que aconteceu ao chargista do jornal A Crítica, na edição desta terça-feira, 01. A imagem mostra o presidente Lula segurando o acordo com o Irã, que está em chamas, e dizendo: “Vamos ver. É… Parece que este acordo com o Irã e a Turquia está um pouco quente”.

O chargista, mais que seus colegas de pena, deve ter a capacidade crítica e sintética de transformar o quadro social em uma imagem pictorial que, semiotica e semanticamente, permita ao leitor compreender rapidamente o que se passa. Evidenciar, como um caricaturista, aquilo que está subliminar. Só que no caso do caricaturista, o evidenciado são formas e traços do rosto, enquanto o chargista deve, em nome do humor, evidenciar aquilo que ao olhar escotomizado não é evidente. O riso é a confirmação do gestus social (Brecht), daquilo que é usual, mas que não pode passar como banal. Aí o chargista afirma sua função precípua. Fora disso, o próprio chargista se afirma como escotomizado.

Para piorar, além do desconhecimento demonstrado pelo chargista ‘acrítico’ do que ocorre em relação ao acordo entre o Irã e a AIEA (que se está “em chamas”, como ele pensa, o está por conta dos interesses econômicos de EUA e União Européia, que simplesmente não aparecem na charge), o próprio jornal desqualifica o desenho, ao destacar a frase da diplomacia turco-brasileira, de Lula, e colocar na seção sobe e desce o presidente Obama, que reagiu debilmente as verdadeiras chamas do oriente: o massacre cometido pelos israelenses cotidianamente, contra os palestinos, e desta feita, contra um comboio humanitário. Até a uma leitura mais superficial do jornal, fica evidente que a charge não ‘ornamenta’ o conteúdo, mas está ali apenas para cumprir função espacial: a banalidade do olhar.

Assim, a pena do chargista segue a linha reta da seriedade das imagens clichês, que interessam à manutenção de um estado de coisas onde se vê tudo, e não se enxerga nada. Nada do desvio, da pena torta que destoa e cria a turbulência necessária ao humor. Não há do que rir.

CICLISTA ENSINA JORNALISMO À CBN

Diálogo capturado das ondas radiofônicas, na CBN nacional, na última segunda-feira, à noite:

Preâmbulo: a apresentadora do programa entrevistava, por telefone, um ciclista brasileiro que está dando a volta ao mundo às pedaladas. Lá pelas tantas, depois de descrever sua passagem pela Europa e como entrou na Ásia, ele falava da estadia no Yemen, onde teve de percorrer alguns trechos de avião, motivos de segurança, quando a repórter perguntou:

Repórter – E além do Yemen, quais outros países você passou?

Ciclista – Ah, vários, Índia, Irã…

Repórter (soluço e surpresa, fingidos, claro, e interrompendo o ciclista)

O IRÃAAAA?????????????

(Silêncio. Pausa dramática).

Ciclista – É. O Irã.

Repórter – Eeeeee… Foi tudo bem lá????

Ciclista – Sim. O Irã é um país lindo, com um povo educado e hospitaleiro. Eles são orgulhosos de sua cultura milenar, a cultura persa. Durante o tempo em que estive lá, fui muito bem tratado, ganhei presente, as pessoas adoram conversar, reclamam do seu governo, exatamente como as pessoas fazem em qualquer outro lugar do mundo, tem sua cultura, suas peculiaridades, mas é um país belo e rico, como outro qualquer. Nós do Ocidente temos uma impressão completamente equivocada do que seja o Irã. A imagem que os meios de comunicação nos passa de que há guerras e intolerância, é totalmente inversa. Gostei muito de ter passado por lá. Difícil mesmo foi ter passado pelo Paquistão, principalmente pela proximidade com o Afeganistão, que esteve em guerra há anos, contra os russos, e agora contra os americanos.

Repórter (audívelmente constrangida, passa a régua) – Éeee… E em qual cidade você está agora, mesmo?

DECLARAÇÕES DE LULA E CELSO AMORIM REFORÇAM A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

Reforçando e confirmando a importância do acordo com o Irã, como um modo de compreender e fazer do diálogo elemento necessários para a realização de uma paz com função social efetiva no mundo, o presidente Lula e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, deram declarações recentes onde podemos perceber o quanto o Brasil de hoje se diferencia da subserviência que tomava conta do país nos antigos governos.

Tanto o Brasil quanto a Turquia já afirmaram que o acordo com o Irã não foi guiado pela carta do presidente dos EUA Barack Obama, mas foi uma iniciativa em prol do entendimento de que deve haver diálogo entre os países para resolverem seus problemas. Isto de modo respeitoso e autônomo, demonstrando que todos os países estão aptos a dialogarem e exporem suas opiniões soberanamente, longe de um poder centralizado que pretende enfraquecer a soberania de outros países.

É neste sentido, que o presidente Lula, na abertura do 3º Fórum Mundial da Aliança de Civilizações, promovido pelas Nações Unidas no Rio de Janeiro, disse:

O Brasil aposta no entendimento que faz calar as armas. Investe na esperança, que supera o medo. Posições inflexíveis só ajudam a confrontação e afastam a possibilidade de soluções de paz”.

Lula criticou os arsenais nucleares que pertencem justamente a países que defendem sanções contra o Irã, bem como duvidam que o programa nuclear iraniano seja com objetivos pacíficos. Enquanto os EUA continuam fazendo pressão para que seja feita uma quarta rodada de sanções, Lula e seu discurso, afirmou:

“Defendemos um planeta livre de armas nucleares. E o pleno cumprimento, por todos os países, das determinações do Tratado de Não-Proliferação (TNP). Acreditamos que a energia nuclear deve ser um instrumento para a promoção do desenvolvimento, não uma ameaça”.

O discurso do presidente Lula nem de longe se configura como um discurso romântico, pois o que ele diz é o que está no TPN. Lula enfatiza com suas palavras o dever de outros países em assumirem as suas responsabilidades para com a paz no mundo e faz vim à tona uma antiga frase do filósofo estóico Epitecto: “Se há uma arte do bem falar deve haver também uma arte do bem ouvir”.

Os EUA e os países que seguem sua cartilha de um controle unilateral do mundo, não compreendem o quanto se torna necessário, nesta atual fase do mundo, o saber ouvir e saber manter diálogos efetivos para que objetivos sejam alcançados. A própria globalização e a abstração maximizada do capitalismo financeiro fizeram com que o bilateralismo mundial esteja no seu fim. Todos os países agora são importantes. E quem tomou esta consciência age de modo autônomo como o Brasil.

Daí, Celso Amorim, diferenciando-se daqueles que acreditavam e ainda acreditam que o desenvolvimento de um país vem de sua subserviência ao grande capital e suas instituições mundiais e países como os EUA, poder dizer sobre as relações diplomáticas do Brasil com os EUA, em relação a defesa do Brasil do acordo com o Irã e da insistência dos EUA nas sanções:

“Não creio. Seria uma atitude infantil dizer [que atrapalharia]. O Brasil tem excelentes, densas, intensas relações com os Estados Unidos. Nós estamos cooperando no Haiti, temos um comércio que une as duas maiores economias do continente americano. Temos excelentes relações e continuaremos a ter“, e continuou, falando se referindo a participação do Brasil no Conselho de Segurança da ONU:

“Você não pode adotar uma política de que quem não está comigo está contra mim. Isso não existe. Nas Nações Unidas você tem que votar de acordo com sua consciência e suas convicções. E agir de acordo com suas convicções. Passou a época em que nós podemos estar sujeitos a esse tipo de diktat. Nós não temos o poder – porque não temos veto – de levar adiante nossas posições como os outros podem. Mas eles não podem impor a nós violentarmos a nossa consciência e violentarmos aquilo que nós obtivemos”.

Amorim ainda afirmou: “Se, para ser membro do Conselho de Segurança, você tiver que ter uma posição subserviente, é preferível não ser”.

Estas declarações vão tecendo levemente o quanto o Brasil vem alcançando prestígio mundialmente. Demonstrando o quanto o país está independente e produz suas próprias estratégias políticas e toma suas próprias decisões, a partir de um domínio de si próprio. Longe da dependência que marcava e determina seus passos e decisões.

É neste novo Brasil que Lula pode denunciar de modo lúcido a armadilha que o falso mercado da doutrina liberalista arma para aqueles que estão à margem do seu poderio, mas que resistem:

"Incapazes de assumir os seus próprios erros, alguns governantes buscam transferir o ônus da crise para os mais fracos. Adotam medidas protecionistas que oneram bens e serviços exportados para países em desenvolvimento. Ao mesmo tempo em que se mostram lenientes com os paraísos fiscais, responsabilizam imigrantes pela crise social".

PARA PRIMEIRO MINISTRO DA TURQUIA, SÃO INVEJOSOS OS PAÍSES QUE CRITICAM O ACORDO COM IRÃ

Em visita ao Brasil, o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyiq Erdogan, disse que os países que criticam o acordo nuclear do Irã, mediado pela Turquia e pelo Brasil, são invejosos. “Aqueles que criticam o processo [de negociação em favor do acordo nuclear do Irã] são invejosos. Fizemos o que é certo”.

O primeiro ministro garantiu que as pressões dos EUA em fazer com que as sanções contra o Irã prevaleçam não surtirão efeitos no governo da Turquia. E, acrescentando ter enviado cartas a 27 países com o pedido que apóiem o acordo nuclear do Irã, afirmou: “O que fizemos é produto do nosso esforço e das negociações”.

Recep Tayyiq Erdogan lembrou algo no mínimo curioso. Ele se referiu ao fato de que os países que defendem as sanções (Estados Unidos, França, Inglaterra, China e Rússia) tem produções de armas nucleares: “Todos os que mostram essa reação [negativa ao acordo] têm armas nucleares. Isso é muito contraditório”.

Sobre a carta que Barack Obama e sua pretensa influência no texto da proposta de acordo, o primeiro-ministro turco disse: “Não temos procuração de ninguém”. Já o presidente Lula tinha afirmado antes: “Não temos procuração, nem queremos ter procuração para tratar da questão nuclear”.

Ainda que continuem as pressões do Conselho de Segurança da ONU, Erdogam, deixou a impressão que tanto o seu país como o Brasil continuarão a defender as determinações do acordo ao dizer: “Vamos continuar fazendo isso até o fim. Acreditamos no que estamos fazendo”.

Nota: para o filósofo Spinoza inveja (Invidia) é: “o ódio na medida em que afeta o homem de tal maneira que ele se entristece com a felicidade de outrem e, ao contrário, experimenta contentamento com o mal de outrem”.

De nossa parte, a inveja é afecção de quem vive na reatividade, na dor, e odeia quem produz.