ANDREW JENNINGS DIZ QUE BRASIL PODE SER MAIS VIGILANTE CONTRA CORRUPÇÃO DA FIFA

Jennings diz que os brasileiros estão sendo mais críticos do que os sul-africanos

Por Maurício Savarese, via Carta Capital

“Senhor Joseph Blatter, um pagamento secreto de uma empresa de marketing chegou por acidente à conta bancária da Fifa. Para quem era?” Essa pergunta, feita ao presidente da entidade em 2004 durante uma entrevista coletiva na Tunísia, mudou a vida do jornalista Andrew Jennings, hoje aos 67 anos de idade. Desde então, ele se tornou persona non grata pela entidade. Jennings diz que o pagamento secreto se destinava a dirigentes da entidade.

Desde sua profissionalização sob João Havelange, na década de 1970, a Fifa é cercada por empresas esportivas, empreiteiras, vendedoras de ingressos e outros ramos que estariam ligados à cúpula do futebol mundial, várias das quais foram alvo de investigações do escocês – que fez carreira no diário inglês Daily Mail e ganhou liberdade para suas reportagens investigativas em documentários da BBC. Jennings, que visitou o Brasil pela primeira vez para um congresso de jornalismo investigativo, fala sobre as razões que o motivam a continuar com seu trabalho e fala das formas de corrupção que costumam se associar a Copas do Mundo e Jogos Olímpicos. O Brasil receberá os dois: o primeiro em 2014 e o segundo em 2016.

Por que o senhor decidiu focar suas investigações na Fifa?

Posso dizer que os escolhi como alvo porque todo jornalista deve ter um alvo, um grupo que queira investigar. Eu sou incapaz de dizer qual é o resultado de um jogo, mas sei quando tem corrupção lá. E é apenas a porcaria do futebol! Como é que não pode ser transparente algo que não é questão de vida ou morte? A verdade é esta: eu sou um jornalista combativo e todo jornalista combativo precisa de um objetivo. O meu é mostrar o que fazem na Fifa, no COI.

É uma questão de nicho de mercado? Se é isso, por que vai a aeroportos do mundo inteiro para pressionar esses dirigentes?

Não é nicho de mercado, isso é só uma provocação. Acho que o futebol é importante para muita gente. E essas pessoas são roubadas. Investimento público é feito em estádios, em infraestrutura e em muitas áreas que têm a ver com o interesse público. Meu interesse não é saber se o Manchester United será campeão europeu, mas sim se o Brasil vai ser a parte dois de toda a corrupção que se viu na África do Sul nos últimos anos.

Onde que a corrupção surge em uma Copa do Mundo e nas Olimpíadas? E como se faz para investigar isso?

As empreiteiras, as vendas de ingresso e as empresas que fazem propaganda nesses eventos são grandes fontes de corrupção. E a fórmula para descobrir isso exige um pouco de sagacidade. Quando fiz a pergunta a Blatter, sabia que na Fifa há muitos funcionários honestos. Passei semanas vendo aquelas pessoas em Zurique, que ficavam encostadas na parede com cara de tédio enquanto o chefe delas falava. Havia um desconforto. Optei por, na primeira boa chance que tivesse, me sentar na primeira fileira e perguntar a Blatter da forma mais agressiva que podia sobre subornos da ISL [empresa falida de marketing esportivo]. Não o chamei de presidente Blatter. Foi tudo calculado para notarem que eu não tinha respeito por ele e que fazia um trabalho sério. A partir dali, os documentos internos começaram a chegar. E eles chegam até hoje. Sobre a África do Sul eu tenho material e sobre o Brasil eu também vou ter.

O que o senhor tem?

Muita coisa, mas não tenho pressa. Sou um jornalista à moda antiga, não preciso publicar nada amanhã. Acho que a informação pode se refinar conforme o tempo passa. Mas as dicas estão por aí. No caso da vitória do Brasil para receber os Jogos de 2016, faço apenas uma pergunta. O homem da ISL que se chama Jean-Marie Weber. Foi condenado à prisão na Suíça, é investigado até hoje. E no dia da votação em Copenhague ele estava com credencial, lá dentro, na área de imprensa. Cumprimentou o ex-presidente da Fifa João Havelange. O que será que Weber fazia ali? Agora, vocês brasileiros precisam de jornalismo para não serem a nova África do Sul. O que está feito, está feito. Deixem-me com esse trabalho [risos].

Jennings confronta Jean-Marie Weber em Copenhage, em 2009:

O senhor planeja vir ao Brasil para a Copa do Mundo ou para Rio-2016?

Não acredito nisso, mas eu também não pensei que um dia escreveria uma reportagem com o título “Eu sou o pior repórter do mundo”, listando no Daily Mail todos os dirigentes da Fifa que não aceitam conversar comigo. Fiquei empolgado ao ver que vocês são mais críticos do que os sul-africanos, que demoraram muito até descobrir todas as sujeiras que fizeram. Se eu vier vai ser divertido, porque vocês têm senso de humor e isso é excelente para você pegar esses corruptos que estão no esporte. Sabem se divertir.

Quais são os riscos que o Brasil corre na próxima Copa do Mundo?

Como a África do Sul foi lesada em seu Mundial? A África do Sul teve de se render à Fifa para organizar a Copa. Além da corrupção dentro da própria entidade, a Fifa corrompe os países que recebem o evento. O principal escoadouro de recursos é a construção de estádios. Quando se sabe que haverá investimento público em estádios, acionam o secretário-geral, Jerome Valcke. O sistema é simples: se o estádio vira uma questão de injetar recursos públicos, eles atrasam a obra. Quando isso acontece, surgem os chamados recursos emergenciais. Está feito o estrago: um estádio que custaria 200 milhões de dólares, como o de Port Elizabeth, na África do Sul, se transforma em um elefante branco de 350 milhões. Já notei que os estádios de vocês ainda não saíram do papel. Dá para imaginar o que pode acontecer, não? A Copa do Brasil pode ser a Copa da África do Sul 2 se houver dinheiro público para estádios.

O risco se limita aos estádios ou há mais?

Claro que há mais. O Brasil não terá um retorno financeiro como o projetado – assim como em todas as últimas Copas do Mundo – porque algumas receitas, superestimadas por sinal, são simplesmente engolidas pela corrupção. Um exemplo é a venda de bilhetes. Saiba que vocês não vão ficar com as receitas de nenhuma entrada vendida aqui. O Brasil é só o hospedeiro, mas os bilhetes, os estádios e muito do que vier de recurso ficará nos bolsos de estrangeiros. A África do Sul prometeu ao seu povo uma Copa do Mundo sem exageros. Mas enriqueceu dirigentes com milhões de dólares vindos de corrupção, de superfaturamento de obras. O Brasil corre o mesmo risco. Na África a imprensa levou anos para denunciar isso. Aqui vocês parecem estar mais atentos, mas os riscos são claramente os mesmos.

Qual é a sensação de ser o único repórter do mundo banido pela Fifa? Como lida com as críticas de ser um “pavão da reportagem”, como já disseram membros da Fifa e do COI?

Eu sou mais pobre hoje do que era há 20 anos, quando não investigava a Fifa. Viajar custa caro e nem sempre pagam as minhas passagens. Mas vou aonde for necessário para ouvir uma boa fonte. Não sei se sou um pavão, acho que sou apenas um velho que se veste mal e que acha que o Google não resolve todos os problemas do jornalismo. Acho que gastar os sapatos, ter senso crítico e exercer o senso de humor são o centro da minha profissão.

PREFEITURA DE MANAUS PRORROGA INSCRIÇÕES PARA CONCURSO

Do Portal D24Am.Com:

São oferecidas 1.645 vagas, distribuídas entre a Secretaria Municipal de Educação (Semed) e a Secretaria Municipal de Desporto e Lazer (Semdej).

Manaus – A Prefeitura de Manaus prorrogou o prazo de inscrições para os concursos públicos da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e da Secretaria Municipal de Desporto e Lazer (Semdej). O novo prazo foi estendido do dia 8 para o dia 15 de agosto. As datas das provas dos concursos também serão modificadas.

São oferecidas 1.645 vagas e formação de cadastro de reserva. Na Semed, há 1.565 vagas, sendo 680 para professor de diversas áreas, com salários de R$ 929,60 para 20 horas semanais. Para a área administrativa da secretaria, são 759 vagas para candidatos de nível Médio, com salário de R$ 1.245 por 40 horas semanais, e 126 de nível Superior, com remuneração de R$ 2.075 para 40 horas semanais de trabalho. Na Semdej, são 80 vagas para professores de Educação Física, com salários de R$ 902,60 e R$ 1.160, dependendo da carga horária de trabalho.

De acordo com o novo cronograma, no dia 16 de setembro serão divulgados os locais e horários da realização das provas objetivas, e a demanda de candidatos por vaga, inclusive os portadores de necessidades especiais e do atendimento especial.

A aplicação das provas ficou marcada para o dia 26 de setembro, sendo que a divulgação do gabarito preliminar dos exames e das instruções para interposição de recursos ficará para o dia 28 de setembro.

No dia 27 de outubro, segundo a coordenação, será divulgado o resultado final das provas objetivas para todos os cargos e a convocação para a avaliação de títulos do pessoal de nível Superior. A etapa seguinte – marcada para o dia 10 de dezembro, será a oficialização do resultado final do concurso.

O secretário Municipal de Administração, José Antônio de Assunção, informou que o cronograma completo estará disponível a partir de amanhã, nos sites da Semad www.semad.manaus.am.gov.br e do Instituto Movens www.movens.org.br, onde também podem ser feitas as inscrições.

SINDICATO DOS ARQUITETOS DIZ: ATRASO NOS PROJETOS DOS ESTÁDIOS PARA A COPA É CULPA DOS INTERESSES COMERCIAIS DA FIFA

Jorge Wamburg
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Em carta aberta ao presidente do Comitê Organizador Local (COL) da Copa de 2014, Ricardo Teixeira, que também preside a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e culpou os projetos arquitetônicos pelos atrasos nas obras dos estádios das 12 cidades onde serão disputados os jogos, o vice-presidente do Sindicato Nacional da Arquitetura e Engenharia (Sinaenco), Leon Myssior, responsabilizou a Federação Internacional de Futebol (Fifa) e o COL pelos problemas, por terem pedido inúmeras alterações nos projetos para atender acordos comerciais com fornecedores e parceiros.

"Esta informação [que culpa os projetos pelos atrasos] não é apenas incorreta, mas também temerária, na medida em que lança sobre os arquitetos uma suspeição de incapacidade técnica, francamente em oposição à qualidade dos projetos e à flexibilidade no atendimento das exigências ao longo dos últimos 18 meses, marcados por indefinições por parte da Fifa e de constantes mudanças por parte do Comitê Organizador Local (COL)", afirmou Myssior na carta.

Ele citou como exemplo dessas mudanças a exigência, definida na segunda quinzena de abril, do aumento do tamanho das placas de publicidade – que antes poderiam ter entre 90 centímetros e 1 metro de altura, e passaram a ter, obrigatoriamente, 1 metro – e a distância destas em relação aos limites do gramado.

Aparentemente desimportantes, de acordo com o arquiteto, essas modificações alteram consideravelmente a geometria das arquibancadas e a visibilidade dos espectadores, provocando, segundo os autores dos projetos, alteração em praticamente todos os desenhos já entregues (alguns, inclusive, licitados). “É certo que uma alteração dessa importância traz implicações evidentes nos cronogramas de entrega dos projetos”, disse.

Além disso – acrescenta o vice-presidente do Sinaenco – “a maioria dos atrasos no início das obras dos estádios tem relação muito mais com questões outras, como a indefinição em relação à modelagem de financiamento – se diretamente pelo poder público, por concessão ou por intermédio de parcerias público-privadas (PPPs) – das reformas/construção dos estádios, do que com o desenvolvimento dos projetos”.

Coordenador do Fórum Time dos Arquitetos da Copa, Leon Myssior diz ainda na sua carta que os escritórios brasileiros de arquitetura responsáveis pelos projetos dos estádios da Copa de 2014 “têm se empenhado em desenvolver soluções que contemplem as exigências da Fifa, conciliem soluções arquitetônicas criativas e eficientes, sob todos os pontos de vista: estético, funcional e de sustentabilidade [econômica e ambiental]”.

Todos, sem exceção, conforme a carta do arquiteto, criaram equipes de trabalho específicas para o desenvolvimento desses projetos, “que apresentam qualidade arquitetônica elevada e têm obtido repercussão positiva até em publicações internacionais”.

Myssior conclui afirmando que “o Brasil é, hoje, uma referência mundial em tecnologia de projetos esportivos, graças à qualidade dos nossos arquitetos, à capacidade de mobilização e ao espírito empreendedor desses profissionais. Esperamos que, em breve, essa expertise abra as portas para a exportação de projetos brasileiros”.

COMITÊ DESPORTIVO GLS BRASILEIRO BUSCA VOLUNTÁRIOS PARA FAZER PARTE DA ASSOCIAÇÃO

O Comitê Desportivo GLS Brasileiro, com sede na cidade de São Paulo, está realizando uma reestruturação em sua administração, e sendo assim, busca novos colaboradores para o quadro da entidade.

O CDG Brasil está em busca de voluntários, preferencialmente na cidade de São Paulo ou cidades próximas para assumirem os cargos de Assessoria de Imprensa, Organização de Eventos Esportivos, Organização de Eventos Culturais, Assessoria Jurídica e Marketing, Formandos ou Estudantes de Educação Física para monitorar atividades, editores de blog informativo com notícias da associação, entre outras atividades.

A maioria das atividades poderá ser feita na própria localidade do voluntário, em casa, ou em outro local, sem a necessidade de se locomover até a sede da entidade, que fica na Rua Frei Caneca, 1057 – Consolação. Mas para quem tiver dificuldade ou não ter equipamento para utilizar, poderá usufruir dos materiais disponíveis em seu Núcleo de Atendimento, nas dependências do Casarão Brasil, que dispõe de computadores, impressora e telefone para auxiliar nas atividades.

O motivo da busca por novos voluntários é pelo fato do Comitê estar crescendo, graças aos bons resultados dos eventos realizados, e com a previsão de muitos projetos saírem do papel neste segundo semestre, existe a necessidade de um numero maior de pessoas para não prejudicar o andamento e o melhor desenvolvimento das atividades. .

As pessoas interessadas em colaborar com a associação devem acessar o site: www.cdgbrasil.com/voluntarios  preencher o formulário e aguardar o retorno da equipe de esportes do CDG Brasil.

Em caso de dúvidas, basta entrar em contato com a associação através do email: info@cdgbrasil.com .

UMA FOTO, UM FATO

A torcida do time alemão Werder Bremen não perdeu tempo na hora de protestar contra a homofobia existente no mundo futebolista. No centro da bandeira, os dizeres: “Alguns são ‘rainhas’! Quem liga?”, não deixam dúvidas de que os alvi-verdes de Bremen entenderam que o futebol é a celebração máxima da homossexualidade esportiva.

E agora, Brasil, País do Futebol?

POLIDIZERES: Enunciações Menores de uma Política – Quase Sempre – Maior

ENUNCIAÇÕES MENORES DE UMA POLÍTICA – QUASE SEMPRE – MAIOR

*** À Espera dos Bárbaros ***

Um turista estrangeiro, daqueles que viajam levando na mala os signos que deveria deixar em casa para fazer uma viagem para além do movimento extensivo, foi tentar atravessar a Av. Manaus Moderna, em frente ao Parque Jeferson Peres, no centro de Manaus. Colocou o pé na rua e foi andando tranquilo, crente que aqui, como no seu país, os motoristas fossem diminuir para que ele atravessasse. Além de ter que correr para não ser atropelado, ainda teve que ouvir uma pornofonia dos motoristas apressados. A questão econômica, também no turismo, é uma questão de subjetividade, e não se reduz, como pensa o governo, à capacitação profissional.

*** A Ironia do Povo ***

Dizem algumas línguas que a última pesquisa do governo do estado, não divulgada na imprensa, mostra os três pré-candidatos à sucessão braguiana, Serafim, Alfredo e Omar, num empate técnico, com diferenças mínimas que determinam a ordem citada acima. No entanto, analistas eleitorais andam dizendo que as cartas ainda não estão na mesa. A nós, que não analisamos nada, parece que as cartas – sempre as mesmas! – estão na mesa há pelo menos 35 anos. E o empate tem cara de ironia ou desdém: todos iguais, tanto faz.

*** Samba de Partido Alto ***

Evidência da ironia do povo é que, na eleição presidencial, diferente da estadual, onde predomina uma antipolítica, o sucesso nas paradas deve ser o do bamba Aniceto do Império: “Se acaso acontecer / Uma mulher na presidência / É sapiência, é sapiência…

*** Meu Curau Primeiro ***

Enquanto Hillary Clinton vem ao Brasil pra pressionar que o Brasil não apóie o Irã na questão atômica, americanos, europeus e até brasileiros fazem experiência com o LHC (Large Hadron Collider), na fronteira da Suíça com a França. Uma coisa não teria nada a ver com a outra, se não fosse a insistência de americanos e europeus com o perigo do velho urânio nas mãos dos iranianos, enquanto eles manipulam elementos subatômicos de forma inconsequente. Um eufemismo: enquando dizem que uma bomba de urânio pode causar estragos no planeta terra, a cada vez que se aperta o LHC, corre-se o risco de varrer o universo e a realidade como conhecemos do mapa. Tá pra ti…

*** Mim Tarzan, Você Jane ***

Globalização à Lá Rede Globo: cena de uma novela, duas personagens que são, no enredo (sic), modelos, e estão na Jordânia. Uma diz que vai passear, e a outra responde que tem medo de sair assim naquele país. Ao que a outra retruca que não há perigo, pois a Jordânia “é o país mais ocidentalizado da região”. O diálogo é obra da voz do Leblon, Manoel Carlos. O que espanta não é o preconceito com a cultura oriental (ou o orientalismo, que é a visão deturpada do oriente que o Ocidente criou para si, segundo Edward Said)  ou a estupidez do dialoguista, que desconhece que é o ocidente que violenta de todas as formas, materiais e imateriais, o oriente. Estranho é constatar que o Instituto de Cultura Árabe assiste a Globo ao ponto de discutir com a emissora sobre o “vacilo”. Não se espera do outro aquilo que ele não pode dar. Logo, inteligência e rede Globo na mesma oração, só se for pra expressar contradição.

*** De Onde Menos se Espera… ***

A torcida organizada Independente, do São Paulo, em parceria com a diretoria do tricolor paulista, pratica homofobia explícita contra o jogador Richarlysson: é o único jogador que não tem o nome gritado quando entra em campo (ao contrário, é vaiado), e teve que cortar o cabelo depois que apareceu em sites de fofoca com as madeixas longas, na apresentação para a pré-temporada deste ano. Quando tascou a frase: “O Ronaldinho pode, porque eu não posso?”. Mas eis que de onde menos se esperava, saiu uma fagulha de inteligência. No jogo contra o time mexicano Monterrey, pela Libertadores da América, há pouco mais de um mês, torcedores das cadeiras azuis (que pagam ingresso, ao contrário da organizada), aplaudiram o volante são-paulino, que vendo a solidariedade vinda do público, respondeu também com aplausos. O que gerou uma briga entre o setor azul e a torcida Independente, que passaram o jogo a se xingar. Mesmo assim, a atitude é louvável, e mostra que independência não tem relação com o nome, e sim com a atitude.

POLIDIZERES

ENUNCIAÇÕES MENORES DE UMA POLÍTICA – QUASE SEMPRE – MAIOR

Um dos parâmetros de atuação do psicólogo escolar diz respeito à análise das potencialidades neurocognitivas do educando em relação ao contexto social que o rodeia. Assim, é possível verificar se a aprendizagem ocorre num processo normal e sadio de compreensão da realidade. Pois bem, se levarmos em conta tal competência deste profissional, como não analisar a proposta da dep. estadual Therezinha Ruiz (DEM) de colocar psicólogos escolares nas escolas estaduais do Amazonas, justamente no ano em que irá disputar a reeleição para a ALE/AM, ela que foi inúmeras vezes secretária de educação nas últimas décadas (inclusive na atual gestão), senão como uma afronta à inteligência desses profissionais? E aí, psicólogo, vai cair nessa?

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Há amores e amores. O do presidente do IMTT, Rafael Siqueira, por exemplo, parece ser o seu chefe e prefeito sub judice de Manaus, Amazonino Mendes. Amor que custa caro (pouco mais de 8 milhões de reais – veja aqui e aqui). Caro o suficiente para que Siqueirinha, como é conhecido, tenha usado seu olhar calibre .45 para intimidar a repórter Vanessa Brito, do Diário, que fez a pergunta certa numa coletiva de faz-de-conta. Mas Siqueira deve merecer: afinal, amar no ressentimento, como o amor reativo do subalterno pelo patrão (um ódio disfarçado, segundo Freud), causa mesmo danos à saúde e ao caráter. Siqueira vai precisar desse dinheiro, portanto. Na terça-feira, por exemplo, ao atender o telefonema de um jornalista, teria dito: “Me liga amanhã. Hoje é o pior dia da minha vida…

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Quando um objeto deixa de ter valor de uso para ser referenciado apenas pelo seu valor de troca, e entra na ordem semiótica do capitalismo, passa a figurar como mercadoria. Vale para qualquer objeto, inclusive aqueles imateriais, como a palavra. Anos atrás, em Manaus, o atual prefeito e então candidato, Amazonino Mendes, entrou na justiça para proibir um adversário de usar na campanha a palavra “Sistema”. A justiça, injustamente, deu ganho de causa à enunciação fascista de tornar particular um patrimônio público. Recentemente, foi o Comitê Olímpico Brasileiro a “amazoninizar” com a língua: quis proibir a psicóloga, professora de educação física e escritora de usar a palavra “olímpico” no seu livro Esporte, Educação e Valores Olímpicos. O COB alegou que a palavra lhe pertence. Felizmente, nesse caso, a justiça, ao mesmo tempo que que preservou a língua como entidade coletiva e pública, também não se furtou ao seu próprio papel de instância coletiva, e negou o intento ao comitê.

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Belão, presidente da ALE/AM, pediu uma corrente de orações dos colegas deputados para que a proposta de aumentar o número de vagas para deputados federais do Amazonas fosse aprovada pelo TSE. Os deputados oraram, oraram, oraram, e não foram atendidos. Os ministros do tribunal superior não apenas rejeitaram a proposta por unanimidade, como também consideraram risíveis os argumentos dos parlamentares amazônidas. Felizmente, o TSE funciona na imanência, e não recebe influências da transcendência reativa do deus de Belão. Em tempo: pode-se entender um homem que erre uma vez; mas que insista no erro, é sinal de que o problema não está na situação, mas no homem. Belão deve recorrer ao STF, onde o processo encontrará os mesmos ministros que menosprezaram o argumento no TSE.

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O blog Fiscais do IMTT enunciou na tarde de terça, no Twitter, que houve censura à tentativa de obter informações sobre o curso de capacitação de agentes de trânsito que o órgão irá promover. A ordem teria vindo direto do presidente, o milionário infeliz (leia nota acima), Rafael Siqueira. Para o Fiscais, há indícios de que o curso poderá servir apenas como porta de entrada para os “escolhidos” da gestão amazonínica-siqueirínica, sem que haja concurso público para o cargo.

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O prefeito cassado de Barcelos, no interior do Amazonas, Ribamar Beleza (PMDB), foi pego comprando votos de eleitores analfabetos, e ainda por cima com dinheiro falso. Ao ser informado da sentença do TRE que o cassou, teria afirmado que o tribunal caçoa da inteligência do eleitor barcelense, que está acostumado a lidar com dólares e euros, e saberia diferenciar uma nota verdadeira de uma falsa. O que Ribamar nem desconfia é que, num plano das relações econômicas reais, abstrato é apenas o valor-universal, aquele que, por não existir, teve que ser inventado, e por isso mesmo, é invariavelmente uma falsificação: o dinheiro.

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E o DCE da Universidade Federal do Amazonas entrou com um projeto junto à UFAM para proibir trotes violentos e constrangedores. Na referida faculdade, os cursos onde existem trotes violentos são Medicina, Direito, Farmácia e Psicologia. Segundo o Centro Acadêmico de Psicologia, há trote, mas sem violência. Apenas trigo e tinta. De qualquer sorte, parece que o curso ainda não chegou a Baudrillard, que mostra lucidamente a necessidade, na sociedade do excesso, de simular um ritual de passagem ali onde precisamente não se passa nada. Em tempo: nos idos dos anos 2000, havia uma festa, com música e comida. Depois, vinha o trote de verdade: aguentar o resto do curso!

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E Maradona, hein? Continua mostrando que a garganta dos inimigos grita menos por razão que por medo. Bastou um meio campo azeitado e ofensivo, com Jonas Gutiérrez e Verón, um ataque com Messi, Higuaín e Di Maria, e uma defesa razoável, com Otamendi, De Michelis e Heinze (o único pecado de D10S), para enquadrar e dar olé na poderosa Alemanha, em pleno Alianz Arena. Dunga, com a sua arrogância que nada mais é do que ressentimento de quem ficou preso na Copa de 1990, que se cuide. Não seria o primeiro drible que levaria do Pelusa. E por falar nisso, onde anda o Caniggia?

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A prepotência dos EUA teve que parar durante a passagem da secretária de Estado, Hillary Clinton, aqui pelo Brasil. E parou na autonomia democrática que o país vem desenvolvendo cada vez mais forte no governo Lula. Na tentativa de impor a dissuasão norte-americana de domínio, Hillary Clinton, quis pressionar o Brasil a aceitar a opinião dos EUA sobre o programa nuclear do Irã. Em uma resposta convicta, Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, assegurou que o Brasil “não vai se curvar” a esta pressão. E reiterou: “Nós pensamos com a nossa própria cabeça. Nós queremos um mundo sem armas nucleares, certamente sem proliferação. Não se trata de se curvar simplesmente a uma opinião que possa não concordar [no caso do grupo liderado pelos Estados Unidos]. Nós não podemos ser simplesmente ser levados. Nós temos de pensar com a nossa cabeça”. Talvez tenha sido aí o ponto crucial que fez com que a secretária de Estado norte-america, tenha percebido o quanto o Brasil anda independente destes tipos de imposição e tenha mais tarde declarado que confia na democracia brasileira.