UTILIDADE PÚBLICA: NÃO SE INCLUA NA EXCLUSÃO, SOLTE O GRITO QUE VEM DO CORAÇÃO E DA RAZÃO

VAMOS PARA O GRITO DOS EXCLUIDOS PARA NÃO NOS INCLUIRMOS NA EXCLUSÃO. DIA 7 DE SETEMBRO, MANAUS, AS 15:30 NO TERMINAL DE ÔNIBUS DA CIDADE NOVA (T-3)

O Grito e o Plebiscito

Neste ano de 2010 estamos realizando o décimo terceiro Grito dos Excluídos. Até quando? Até quando será necessário gritar? Faz mais de 20 séculos, havia na Judéia, na aldeia de Jericó, um homem chamado Bartimeu, cego de nascença. Ele ouviu dizer que Jesus de Nazaré estava passando por ali. Sentou-se à beira do caminho e pôs-se a gritar: “Filho de David, tem compaixão de mim!”. Mas o seu grito foi abafado pelo vozerio da multidão. Então ele gritou mais alto. Os demais, sentiram-se incomodados e mandaram que ele se calasse. Foi aí que Bartimeu reuniu todas as suas forças e gritou ainda mais forte: “Filho de David, tem compaixão de mim!” Desta vez Jesus lhe deu atenção e curou sua cegueira. O que seria de Bartimeu se tivesse se calado? Portanto, o nosso grito não tem prazo de encerrar-e. Jesus mesmo proibiu que calássemos quando respondeu aos doutores da lei, incomodados com o clamor do povo: “se eles se calarem, as pedras falarão”.

O artigo é de Frei Aloísio Fragoso de Morais do Instituto Humanitas – Unicap, e publicado por Adital, 04-09-2010.

Contudo, não basta gritar; é preciso dar sentido e poder ao nosso grito. Não devemos gritar feitos loucos. Nem feito crianças. Nem de revolta. Nem de desespero. O nosso é um grito de fé. Temos muitas provas na História de que Deus acaba atendendo ao clamor do seu povo quando este não desiste de clamar. O nosso é também um grito de esperança. Já possuímos a garantia antecipada da vitória final porque caminhamos com a Verdade. Deus nos impele a gritar. Não importa o tempo da duração. Se hoje desfrutamos de muitos direitos fundamentais, é graças ao sacrifício de nossos antepassados, desde milhares de anos. O nosso é, sobretudo , um grito de fraternidade. Ele nasce não da nossa boca e sim da nossa consciência, passa em nosso coração e se torna sentimento.

Gritamos porque amamos. Ele chega à nossa cabeça e se transforma em pensamento. Gritamos porque conhecemos as razões da nossa luta. Ele alcança a nossa vontade e se converte em decisão. Por isso é um grito inteiramente humano, de homens e mulheres. E não termina agora, há de ecoar em outros movimentos organizados, nas urnas eleitorais do próximo pleito político, nas nossas manifestações de fé e de civismo. Um dia o Filho de Deus gritou na cruz do Calvário: “tenho sede!” em nome de todos os excluídos da terra.

A resposta do Pai foi ressuscitar seu Filho e fazer dele nosso companheiro até o final dos tempos. Por isso voltaremos a gritar. Diremos com Che Guevara: “minha casa tem dois pés e meu sonho não tem fronteiras”. Este ano, somos convidados a expressar concretamente nossa indignação através de um Plebiscito Popular. Trata-se de uma iniciativa do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e conta com o apoio de numerosas instituições, inclusive da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Visa colher mais de um milhão de assinaturas e, a seguir, enviá-las ao Congresso Nacional com a finalidade de convertê-las em emenda constitucional, determinando um limite para a propriedade da terra. Nossa assinatura é um grito silencioso, mas eloquente e eficaz na conquista da Justiça e da Paz.

Anúncios

MST — ABRIL VERMELHO

No dia 19 (terça-feira) deste mês o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou seis sedes regionais do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em São Paulo, no Rio de Janeiro, Pará, Piauí, na Paraíba e em Pernambuco e a sede nacional em Brasília.

As ocupações se deram em razão de reivindicações em prol da descentralização da propriedade de terra e para lembrar o que ficou conhecido como Massacre de Eldorado dos Carajás, quando 17 trabalhadores foram assassinados, 69 ficaram feridos e dias depois dois destes vieram a óbito em decorrência dos ferimentos no massacre. Estas ações de luta pela Reforma Agrária são conhecidas como Abril Vermelho.

No dia 20 (quarta-feira) o MST continuou com as ocupações regionais, mas deixou a sede nacional do INCRA. O governo que não aceitou receber as lideranças enquanto as ocupações persistissem, marcou para a tarde de quarta-feira reuniões com as lideranças do movimento, ainda que as ocupações regionais continuem.

Uma das principais questões levantadas pelo MST diz respeito a atualização do índice de produtividade rural, critério usado para determinar se uma fazenda é improdutiva e pode ser desapropriada para ser usada na Reforma Agrária. Isto pode ser compreendido como a função social desta propriedade. Se não há função social alguma o Estado pode desapropriá-la.

Segundo a Agência Brasil, João Pedro Stedile fez um apelo ao Presidente Lula para que seja atualizado o índice de produtividade que desde 1976 não é modificado. “Lula, pelo amor de Deus. Essa é a sua oportunidade. Já que o Stephanes (ex ministro da Agricultura) parou de incomodar e foi cuidar da campanha dele, você tem a oportunidade de cumprir o compromisso que fez conosco desde a marcha de maio de 2005, e assinar a portaria de atualização do índice de produtividade”.

Ainda segundo a Agência Brasil, “Stedile acusa o governo de utilizar índices antigos para medir a produtividade das propriedades rurais. “Os índices que o Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] usa hoje são do Censo de 1985. Isso é uma vergonha. Todo agronegócio fica aí se exibindo, repetindo que aumentou a produtividade. Então por que não atualizar? A atualização inclusive ajudaria a distinguir os proprietários improdutivos dos proprietários que não precisam se preocupar com desapropriações”, disse Stedile.

“As fazendas que são produtivas podem continuar produzindo, mas tomara que produzam para o mercado interno, sem agrotóxicos e sem ficar dependendo das multinacionais. Atualizar os índices não é só um pedido do MST, é um dever que a Lei manda”, completou.

O presidente do Incra, Rolf Hackbart, disse depender de um entendimento entre as pastas da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, a resolução para esta questão. “Isso é decisão de governo. O Incra só executa”, disse Hackbart.

“Nós, do Incra, estamos aguardando. A decisão sobre os índices de produtividade é um decisão de governo. Espero que os estudos estejam prontos, mas independentemente disso, temos muitos imóveis tramitando no Incra para criar, nas diversas fases, assentamentos. Isso cabe ao ministro da Agricultura. O ministro do Desenvolvimento Agrário já se posicionou”, acrescentou.