“Não vamos abraçar a corrupção, mas não serei pautada pela mídia”, diz Dilma Rousseff

Extraido da carta Maior

Em entrevista à revista Carta Capital, a 33ª concedida no cargo de presidente, Dilma Rousseff afirma que o governo federal afastou funcionários acusados de irregularidades no uso de dinheiro público nos ministérios dos Transportes e do Turismo. Entretanto, alerta que sua administração não pode superdimensionar as denúncias e nem criar condenados sem o devido processo legal.

Marcel Gomes

SÃO PAULO – A presidenta Dilma Rousseff criticou a imprensa brasileira ao comentar as recentes denúncias de corrupção contra ministérios e as notícias de que as Forças Armadas se irritaram com a nomeação do ex-chanceler Celso Amorim para o Ministério da Defesa.

Em entrevista à revista Carta Capital, a 33ª concedida no cargo, Dilma disse que o governo afastou funcionários acusados de irregularidades no uso de dinheiro público nos ministérios dos Transportes e do Turismo. Entretanto, alertou que o governo não pode superdimensionar as denúncias e criar condenados sem o devido processo legal.

“O que acho complicado no Brasil é que os problemas reais perdem espaço para os acessórios, ou para os que não são reais. Isso é ruim, porque há a tendências de as pessoas se preocuparem mais com o espetáculo do que com a realidade cotidiana das coisas”, disse ela.

Dilma garantiu que seu governo não “abraçará a corrupção”, por razões éticas e também outra, relacionada à eficiência. Segundo ela, um governo capturado por corruptos torna-se ineficiente, sobretudo quando há restrição orçamentária e demandas urgentes. Por isso, diante das denúncias, ela prometeu dar respostas, mas “sem gastar todo meu tempo nisso”.

Celso Amorim
Conflitos como o que existe entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o canal de tevê Fox News, assim como o escândalo do tablóide News of the World, na Inglaterra, têm chamado a atenção da presidenta, que parece ver como natural a relação contraditória estabelecida entre governos e mídia.

Ela avalia, porém, que a imprensa também possui suas heterogeneidades. “Não acho que eu seja tratada da mesma forma por todos os jornais. Têm grupos de mídia mais suscetíveis a encarar as transformações pelas quais o Brasil passa e têm outros menos suscetíveis”, ponderou.

A presidente considerou “irrelevantes” as notícias e comentários de colunistas que alertavam para uma suposta insatisfação das Forças Armadas após a indicação de Celso Amorim para o Ministério da Defesa. E ela justifica: “a sociedade brasileira evoluiu” e “as Forças Armadas são disciplinadas, hierarquizadas e cumprem seus preceitos constitucionais”.

Sem citar o nome do ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, Dilma aproveitou a entrevista para dizer que “as pessoas tem de ter a humildade de perceber que não são insubstituíveis”. “Nem na época da monarquia o rei era insubstituível. (…) O rei morreu, viva o novo rei. O tempo é senhor desse processo e tenho certeza de que o Celso Amorim vai demonstrar uma grande capacidade de gestão”, afirmou.

Duas utopias
Sobre a crise global, a presidenta disse que, apesar da “aquiescência” do poder público, ela não foi causada por ele, mas pela desregulamentação do mercado financeiro. Como proposta de superação, Dilma critica tanto a solução proposta pelos republicanos norte-americanos, de reduzir o tamanho do Estado, como a da União Européia, de penalizar as economias menores do bloco, depois de anos de oferta de crédito e produtos pelas economias centrais.

“São duas utopias muito graves, porque, como disse o [economista Luiz Gonzaga] Belluzzo [um dos entrevistadores da Carta Capital], é mais do mesmo e uma tentativa de responder à crise com aquilo que a causou”, ponderou. Questionada sobre os efeitos da crise no Brasil e as medidas tomadas pelo governo para combatê-la, a presidenta afirmou que cometeria um “equívoco político e econômico” se as revelasse “antecipadamente”.

Entretanto, citou ações já tomadas para o incentivo à inovação, à desoneração (Supersimples) e às exportações (Reintegra) como parte da estratégia. “Sabemos que isso é só um início e estamos abertos a todas as outras hipóteses de trabalho”, disse. A revista Carta Capital dividiu a entrevista de Dilma em duas partes. A segunda será publicada na edição da próxima semana.

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UTILIDADE PÚBLICA: POSSE DE DILMA TERÁ SHOWS POPULARES

Do site do Ministério da Cultura:

A Fundação Cultural Palmares (FCP) e o Ministério da Cultura (MinC) vão realizar no dia 1º de janeiro, em Brasília, shows para a festa da posse da presidente Dilma Rousseff e do novo governo federal. As apresentações, que começam às 10 horas, terão entrada franca e vão até as 21h, na Esplanada dos Ministérios e na Praça dos Três Poderes.

Das 10h até o meio-dia, haverá apresentações de grupos infantis, com mamulengos e pernas de pau. Já os shows musicais, também começam às 10h e vão até as 14h, divididos em quatro tendas montadas na Esplanada, que homenageiam as regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul. No encerramento dessas apresentações, os artistas se unirão em um só cortejo cívico-cultural, que irá saudar a presidente Dilma Rousseff, entoando o Hino Nacional Brasileiro.

Após a cerimônia da posse, que acontece das 18h30 às 21h, será a vez do show “Cinco ritmos do Brasil”, com as cantoras Elba Ramalho, Fernanda Takai, Gaby Amarantos, Mart´nália e Zélia Duncan, no palco Centro-Oeste, localizado na Praça dos Três Poderes.

Simultaneamente à festa da posse presidencial, haverá também um palco na Esplanada dos Ministérios onde será celebrada a posse do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. O palco GDF receberá atrações de Brasília, São Paulo e Pernambuco.

A programação completa das tendas e shows do dia da posse está disponível no site do Ministério da Cultura.

Projeto Arena Brasil

Os shows da posse presidencial serão os primeiros do projeto Arena Brasil, série de grandes eventos planejados para 2011, um em cada região do país, sempre em datas cívicas. A Confraternização Universal, lembrada no dia 1º, inspirou os organizadores a promoverem a celebração da identidade cultural brasileira, com participação de grupos de cultura afro, manifestações indígenas, hip-hop, música de todos os ritmos, dança e cultura popular, vindos de diferentes estados.

Além dos shows da posse, o MinC e a FCP programaram outros quatro shows para o ano que vem. O próximo será na Região Nordeste, no dia 22 de abril, para comemorar a data que marca o Descobrimento do Brasil. No dia 11 de agosto, a Consciência Negra será lembrada com a chegada do projeto ao Sudeste. O 7 de setembro será celebrado no Sul e o 15 de novembro, na Região Norte.

DUAS FRASES PARA ENTENDER O SUCESSO DE DILMA

Frase 1:

“Mas não sou candidata de mim mesma. Sou candidata de um projeto, que iniciou em 2003, no governo Lula, e acho que nós podemos não só manter, mas aprofundar as conquistas e avançar.”

Frase 2:

“O dia em que me disseram que a cidade que era cercada de água por todos os lados, que é Manaus, não tinha água, eu me dei conta do nível de abandono que se deixou muitas vezes o país.”

As duas frases foram pescadas da excelente entrevista que Dilma prestou ao Portal Amazônia.

Na primeira, afirma a impossibilidade de comparação entre o Brasil de Lula e o da direita rançosa. Enquanto o primeiro foi capaz de pensar um país, o segundo limita-se a um raso projeto de poder. E o poder, como sabemos, é um vazio. Daí Serra apelar para todo o tipo de recursos escuso, como falsos dossiês, missas de Padre Marcelo Rossi, extremismo reacionário nas falas e ações, hostilidade para com parceiros internacionais do Brasil… Falta-lhe as condições epistemológicas necessárias para elaborar a tese que é o projeto atual de país, criado pelo governo.

Na segunda frase, Dilma expõe a diferença conceitual do que é um governo que pensa o país, e outro que não vai além da fantasmagoria de si mesmo. Indiretamente, e talvez nem saiba, Dilma critica Amazonino, Braga, Alfredo, Omar, e todos os responsáveis direitos e indiretos pelo paradoxo que ela descreve na frase. Quem tem visão, enxerga até onde os outros nem sabem que existe.

FRASE DO DIA

“Não vale uma nota de três reais”.

A frase é do candidato do PSDB, José Serra, à presidência do Brasil, e é a tréplica à resposta da chancelaria da Bolívia aos ataques que o tucano tem feito. Ele tem atacado sistematicamente os países sul-americanos, e nesta semana acusou o governo boliviano de ser cúmplice do tráfico internacional de drogas.

Alguém terá dito que o candidato da oposição, que se quer não oposto, mas “pós”, cada vez mais se enreda numa teia de ressentimento e limitação cognitiva. Mesmo que a tática seja fortalecer um discurso duro e reacionário para garantir os votos de parte da população, a nós fica evidente que para os serristas, o estoque de ataques a Dilma se reduz a expor sua falta de experiência, e para os ataques ao governo Lula, não há munição. E não é por escolha, por medo de atacar uma gestão aprovada por mais de 80% da população. É incapacidade cognitiva de compreender como e porque foram feitos os projetos que mudaram os rumos do país, há sete anos.

Serra não critica o governo Lula porque não pode; não critica porque não sabe.

DILMA E A ESPERANÇA QUE É PRODUTO DO TRABALHO

Nós temos esperanças fundadas porque fizemos”.

Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à presidência da república, em evento, ontem na Confederação Nacional da Indústria.

Diferente da esperança compassiva, que espera eternamente a salvação numa transcendência fantasmática, e que gera dividendos para quem explora a miséria social (os Souza que o digam, mas não só eles), a esperança de Dilma é a de Lula, produto do trabalho. Imanência, produção material de condições de existência. Agenciamento maquínico, pulsação desejante. Por isso, faz a diferença na vida das pessoas. Não é movimento extensivo, é produção intensiva de afectos e perceptos.

Coisa que a direita (Serras e Marinas) não entenderam e não entenderão.

FRASE DO DIA

“Eu quero falar em nome dos prefeitos de cidades pequenas que, pela primeira vez, foram respeitadas, não como pontinho no mapa, mas como entes federativos – e respeitadas pelo Governo Lula. (…) Não podemos voltar atrás! Infelizmente, não falo pelo meu partido, mas como cidadão. Quando cheguei a Brasília nunca me perguntaram qual era meu partido. Sempre trouxe meus projetos e, desde que estivessem corretos, levávamos os recursos”.

Marcos Carvalho, do PSDB, prefeito do município mineiro de Itamonte. Ele foi apenas um dos prefeitos filiados a PSDB, PPS e DEM que declararam apoio à candidatura de Dilma Rousseff.