DILMA DE NOVO, PARA A ALEGRIA DO POVO

O blog PolivoCidade declara aqui a sua preferência pela candidatura de Dilma Rousseff à presidência da república, e lança a sua campanha de apoio:

“POR UMA POLÍTICA DO VERBO, DILMA PRESIDENTE”

No príncipio, era o Verbo. Na origem do mundo, Deus é ação. Deus é verbo. Na política, no princípio também era o Verbo. Aristóteles não compreendeu, e acreditou que o homem era um animal político. Equivocou-se, escorregou no substantivo.

Equivocou-se porque a política, no seu berço, a Grécia, não era substantivo. Não existia A política. Existia política. Ela não é substantivo porque não está no homem. Está entre eles. Como afirma, aliás, a religião de Cristo, o Palestino, quando enuncia que Deus está no meio do homem. Não nos pertence individualmente, mas surge na ação coletiva. Eis a condição da política.

O verbo sucede o sujeito, mas antecede o predicado. Na sintaxe, é possível dizer que o predicado condiciona o sujeito. Na pragmática da existência em coletividade, o predicado é o engendramento das ações dos sujeitos. Mas há sujeito sem predicado? Sem a práxis que constrói o mundo, sem o processual que engendra o Novo, existirá sujeito? Não acreditamos. Por isso, concordamos com a filósofa Hannah Arendt quando ela diz que o sentido da política é a liberdade. Não a liberdade condicionada pelo sujeito, na linguística sequelada do capital, a que conjuga o pronome EU como partícula que captura e condiciona os outros termos da oração a si. Mas a liberdade de compor, de fazer surgir o Novo, de abrir as possibilidades infinitas a cada segundo, a cada nascimento: o milagre no mundo. O Evangelho de Jesus, que a igreja de Paulo tentou rasgar.

O sentido da política é a liberdade. Liberdade como produção, como criação, como modo de existência cuja única condição é a autonomia. Autonomia enunciativa, autonomia produtiva. Autonomia no sentido autopoiético (engendrar a si mesmo), oração sem sujeito. Chove. Quem chove? Ninguém, e no entanto, chove. A liberdade só surge quando, na composição dos corpos, dá-se como produto da práxis. Liberdade e política andam juntas, nesse aspecto. O que a direita, presa na ditadura da identidade e do substantivo, não concebe. Não é que não queira; mas é que o substantivo é totalizante. Não deixa espaço para dúvidas, rachaduras, fissuras. O substantivo acha que pode prescindir do verbo, e elege o artigo definido como seu elemento constitutivo (o, a, os, as), mas não pára de afirmar é, é, é…, preso na rede da linguagem paralisada da identidade. O verbo, que é ação, só existe no coletivo. Só existe quando con-jugado.

No Brasil – e talvez no mundo – o Partido dos Trabalhadores surge, para a inteligência acadêmica como um substantivo. Aglutinação de diferentes camadas da sociedade num único corpo. Ledo engano. Na verdade, trata-se de um enredamento desejante, fluxo pulsante de vida, política e liberdade, que enfraqueceu as substantivações e deixou fluir o Verbo. Coisa que o governo Lula, a despeito dos equívocos de sua gestão, tem feito.

Como ilustração, são inúmeras conferências. Como ele mesmo costuma dizer, nunca antes na história desse país um governo deu tanta abertura para que os movimentos sociais se manifestassem. LGBT, Igualdade racial, Criança e o Adolescente, Saúde, Segurança Pública, Comunicação, Pessoa Idosa, dentre outras. Lula tem feito com que o bolo crescente da riqueza nacional tenha sido dividido com mais igualdade. Dentre zil tantos outros feitos, que qualquer pessoa, por mais à direita que possa estar, pode saber perguntando a qualquer transeunte que ande pelas ruas do país.

Mas o que mais nos interessa de uma gestão Lula e uma continuidade através de Dilma Rousseff é a distensão semiótica de uma subjetividade sufocante, intercessora, censora da autonomia e da própria política. Não por acaso, Lula disse em discurso na ONU, em 2008: “É chegada a hora da política!”. Um pouco de ar, para que a mão invisível do mercado (teratogenia que quer se passar por política sem ter entendido Adam Smith) não sufoque o próprio corpo.

Possibilitar o surgimento do inatual, pulverizar a sociedade com as condições institucionais necessárias ao florescimento do Novo, ao surgimento do milagre, eis o que faz um governo que sabe o que é política. E essa autonomia é tão soberana, tão livre, que permite até que o Novo não surja, se não quiser, ou puder. Mas ela, a autonomia, quer a polivocidade, pluralidade (inteligência, diálogo, razão). Daí Dilma ter afirmado que prefere a voz reativa da direita ao silêncio da ditadura.

Lula sabe que não é substantivo, não é sujeito. Dilma, igualmente. É preciso abrir mão do EU para ganhar o mundo, ou como diz Sartre, sacrificar uma liberdade ilusória para produzir, em comum-unidade, a liberdade dos possíveis.

O Brasil tem mostrado ao mundo que sem a política, não caminharemos. Tem mostrado que sem engendrar a multidão de vozes, livres ou decrépitas, não se faz política. Daí até a mídia sequelada ser importante neste processo. Sem fazer contraponto, mas vociferando rancor e caindo em velhas armadilhas da linguagem, ela mostra que política no Brasil se faz com liberdade. Até para tramar e ressentir.

Por isso, este PolivoCidade abraça e compõe dizeres, afecções, saberes, enunciações e ações com a campanha que não é de Dilma, mas pela presença da política como verbo (ação, práxis, processual de singularização) que modifica os modos de ver e de sentir e que aumentam nossa potência de agir. Não queremos o substantivo, mas o verbo. Porque é o verbo que, na sua autenticidade, movimenta os corpos.

Dilma presidente! E vamos que vamos!

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Em tempo: nosso apoio não recebe nenhum tipo de incentivo de ordem financeiro, institucional ou administrativo. Nossa aliança é político-afetiva, sem abrir mão da crítica.

Acesse: DilmaBR, no Twitter, Blog da Dilma.

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11 Respostas para “DILMA DE NOVO, PARA A ALEGRIA DO POVO

  1. Pingback: AGORA É OFICIAL! DILMA CANDIDATA À PRESIDENTE DO BRASIL! «

  2. Bom dia,

    Devido ao fato de o Polivocidade ter se dedicado nos últimos meses a fazer uma intensa campanha a favor do PT, decidi excluir o seu link da minha lista de recomendados e gostaria que vocês fizessem o mesmo em relação ao meu blog (por uma questão de reciprocidade). O Blog do Rodrigo Guedes não faz campanha política (como pode ser lido na nova página sobre a Ética do blog) e mesmo que o fizesse, certamente não seria para o PT (devido à perseguição que os críticos do partido vêm sofrendo prefiro não entrar em detalhes, para minha segurança).

    Além da questão política, há um outro problema. Ultimamente tenho sentido uma forte censura vinda dos gays toda a vez que os trato de igual para igual (sem me curvar perante esta “moda” de que tudo o que vêm de vocês é lindo e maravilhoso). Tenho visto gays distorcendo as palavras da Bíblia para defender suas práticas homossexuais, mas quando menciono que a Bíblia realmente as condena (e isto é um fato) logo sou tachado de homofóbico (coisa que vocês, do Polivocidade, estão cansados de saber que eu não sou). E atos como o lobby para aprovar uma lei que institucionalizará esta submissão dos héteros ao politicamente correto (que na prática, forçará a própria Biblia a passar por uma “revisão”, posto que ela seria, tecnicamente, homofóbica) me forçam a retirar o meu apoio ao Movimento (não que isto vá diminuir seu poder, é apenas uma questão de consciência).

    Por favor não levem para o lado pessoal (mesmo porque eu não sei nem quantos autores há no Polivocidade, muito menos seus nomes). Ainda os admiro por sua inteligência e excelente oratória. Apenas não posso continuar endossando idéias que são contrárias à Ética do meu blog (bem como a minha Ética pessoal).

    Abraço!

    • Rô,

      Desejar a diferença é eticamente necessário, e compõe a produção democratizante. Ainda que ela se manifeste a partir da indiferença e do clichê. Seu blog continua conosco.

      Abraço.

  3. Boa noite a todos,tenho visto todo tipo de ataque contra a Senhora Dilma,e vejo que a posição esta certa da vitoria,com os fatos “novos”,que lanção na midia todos os dias,mas se analizarmos com cuidado,sempre veremos as sombras do passado recente nas falas destes destratadores,sei que a folha e o estado de são paulo estão havidos para ganhar mais espaço no governo atraves de propaganda em seus jornais,pois não é a liberdade de expresão é o merchã,como diria o Milton Neves,mas sejamos franco,como podemos crer que um homem que não contribuiu com nada para um Estado como São Paulo vem agora se arrogar de paladino da justiça e defensor da ética e moral,se não me falha a memoria o PSDB,ARENA(PFL DEMOCRATAS),estavam ao lado de Collor também,e viveu boa parte do mandato de Collor dando apoio,então onde está o conta ponto,o vice era o Itamar,então só que não os conhece que os compra,Senhora Dilma desmascarise esta farça do Sr Serra e rume para a vitoria,não sou petista mas tambem não sou alienado politico e sabemos que o fantasma do entreguismo intitucional está ai…

  4. Primeiramente, gostaria de saber o que os autores do Blog pensam sobre a carta enviada pela candidata apoiada por eles ao liders de igrejas evangélicas, e com o compromisso moral assumido por ela, mesmo que verbalmente, sobre o aborto e as leis em prol dos homossexuais.

    Penso que ou ela poderá honrar o compromisso com toda a entidade igreja, e seus tantos fiéis prostrados contra qulaquer direito aos homossexuais (a qulaquer um que não pertença a sua igreja, eu me atrevo a dizer), ou a candidata poderá honrar um compromisso com todos aqueles que apoiam, e mais com os que lutam, pelos direitos desta comunidade. Concordam?

    Particularmente, não vejo com bons olhos alguém que deixa de lado suas crenças, e sua noção de certo e errado só para angariar votos e ganhar uma eleição. Isso sem levar em consideração todo histórico de corrupção, práticas ilícitas, e outras sujeiras (pelo menos na minha noção de certo e errado), cometidas pela tal candidata e MUITOS integrantes do seu partido e grupo de apoio.

    Este apoio dado por vocês a tal candidata se deve porque creêm que ela será uma boa governante para o país, tendo capacidade e vontade de melhorar a vida do povo, e ajudar no crescimento do Brasil, ou se deve apenas ao fato, supostamente, a favor de leis que beneficiam o grupo homossexual e afins (desculpem, uso afins pois não sei realmente qual a sigla usar, sou totalmente a favor desses direitos)?

    Bons pensamentos a todos!

    PS: uma informação para o Sr. Vagner Barbosa, que escreveu ai acima: “Collor? O Sr. fala do Collor como ponto negativo na carreira do candidato adversário ao PT??? Gostaria de informá-lo que o ex-presidente Collor apoia a mesma candidata defendida pelo Sr. aqui neste blog. Sabia disso? Para apoiar ou criticar alguém, devemos antes conhecer, pesquisar, saber sobre o que vamos falar… Mas, esse é o Brasil do PT! Repita algo, que mesmo que falso, até isso parecer verdade. Sempre tem um parvo para acreditar, e atacar um candidato por ter um passado com alguem que é o presente da propria candidata!

    • Companheiro Roberto Castro, etaremos respondendo amanhã. Muito bom a sua procura por argumentos racionais. Valeu
      Polivocidade

    • Companheiro Roberto Castro,

      Nos interessa a impessoalidade do Estado, que ele seja laico e produza através de decretos e não através de vontades pessoais que se tornam decretos. A companheira Dilma, como pessoa inteligente, sabe que tem que combater as atrocidades que seus adversários estão fazendo quando usam a religião como temor, portanto, tem que colocar seus argumentos ao público. Sobre o que ela assume, ainda que seja verbal, é óbvio que ela apenas fará aquilo que a consttituição permitir. Melhor ainda é sabermos que com o voto não apenas elegemos um representante, mas constituimos uma luta constante onde nosso direito de escolha reina soberano durante qualquer gestão de governo.
      Abraços!

  5. É, meus caros, vossa candidata ganhou…

    Eu prefiria que as coisas tivessem tomado um rumo diferente, mas agora só resta esperar que a Dilma tenha um bom Governo e que tenha misericórdia do sofrido povo brasileiro, já cansado de tantas promessas vazias vindas dos políticos em geral.

    Abraço!

  6. é um equívoco comparar um partido a uma psassagem bíblica, se seus companheiros nem crêem em DEUS.

    • Juliana,

      Realmente, achamos um equivoco comparar o PT com a potência do verbo, a vida. Coisa que não fizemos. Trata-se do Brasil, e não de um partido. Trata-se de um povo. Além disso, a bíblia não pertence a um deus. A crença nele não determina quem possa ou não citá-la. E convenhamos, há crentes que a citam para justificar massacres e genocídios. Coisa que não fizemos.

      Abraços!

  7. Ultimamente tenho reformulado algumas coisas em meu blog (de pouco em pouco, devido à escassez de tempo) e decidi colocar um banner para o Polivocidade (na sessão de parceiros, posto que vocês mantiveram o link do meu blog). A despeito de nossas discordâncias políticas o fato é que se trata de um ótimo blog que vai muito além da simples propaganda partidária e divulga importantes informações à sociedade.

    Abraço!

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