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DO BRASIL DE FATO: Terrorismo louro de olhos azuis

Frei Betto

Preconceitos, como mentiras, nascem da falta de informação (ignorância) e excesso de repetição. Se pais de uma criança branca se referem em termos pejorativos a negros e indígenas, judeus e homossexuais, dificilmente a criança, quando adulta, escapará do preconceito.

A mídia usamericana incutiu no Ocidente o sofisma de que todo muçulmano é um terrorista em potencial. O que induziu o papa Bento XVI a cometer a gafe de declarar, na Alemanha, que o Islã é originariamente violento e, em sua primeira visita aos EUA, comparecer a uma sinagoga sem o cuidado de repetir o gesto numa mesquita.

Em qualquer aeroporto de países desenvolvidos um passageiro em trajes islâmicos ou cujos traços fisionômicos lembrem um saudita, com certeza será parado e meticulosamente revistado. Ali reside o perigo… alerta o preconceito infundido.

Ora, o terrorismo não foi inventado pelos fundamentalistas islâmicos. Dele foram vítimas os árabes atacados pelas Cruzadas e os 70 milhões de indígenas mortos na América Latina, no decorrer do século 16, em decorrência da colonização ibérica.

O maior atentado terrorista da história não foi a queda, em Nova York, das torres gêmeas, há 10 anos, e que causou a morte de 3 mil pessoas. Foi o praticado pelo governo dos EUA: as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. Morreram 242.437 mil civis, sem contar as mortes posteriores por efeito da contaminação.

Súbito, a pacata Noruega – tão pacata que, anualmente, concede o Prêmio Nobel da Paz – vê-se palco de dois atentados terroristas que deixam dezenas de mortos e muitos feridos. A imagem bucólica do país escandinavo é apenas aparente. Tropas norueguesas também intervêm no Afeganistão e deram apoio aos EUA na guerra do Iraque.

Tão logo a notícia correu mundo, a suspeita recaiu sobre os islâmicos. O duplo atentado, no gabinete do primeiro-ministro e na ilha de Utoeya, teria sido um revide ao assassinato de Bin Laden e às caricaturas de Maomé publicadas pela imprensa escandinava. O preconceito estava entranhado na lógica ocidental.

A verdade, ao vir à tona, constrangeu os preconceituosos. O autor do hediondo crime foi o jovem norueguês Anders Behring Breivik, 32 anos, branco, louro, de olhos azuis, adepto da fisicultura e dono de uma fazenda de produtos orgânicos. O tipo do sujeito que jamais levantaria suspeitas na alfândega dos EUA. Ele “é dos nossos”, diriam os policiais condicionados a suspeitar de quem não tem a pele suficientemente clara nem olhos azuis ou verdes.

Democracia é diversidade de opiniões. Mas o que o Ocidente sabe do conceito de terrorismo na cabeça de um vietnamita, iraquiano ou afegão? O que pensa um líbio sujeito a ser atingido por um míssil atirado pela OTAN sobre a população civil de seu país, como denunciou o núncio apostólico em Trípoli?

Anders é um típico escandinavo. Tem a aparência de príncipe. E alma de viking. É o que a mídia e a educação deveriam se perguntar: o que estamos incutindo na cabeça das pessoas? Ambições ou valores? Preconceitos ou princípios? Egocentrismo ou ética?

O ser humano é a alma que carrega. Amy Winehouse tinha apenas 27 anos, sucesso mundial como compositora e intérprete, e uma fortuna incalculável. Nada disso a fez uma mulher feliz. O que não encontrou em si ela buscou nas drogas e no álcool. Morreu prematuramente, solitária, em casa.

O que esperar de uma sociedade em que, entre cada 10 filmes, 8 exaltam a violência; o pai abraça o filho em público e os dois são agredidos como homossexuais; o motorista de um Porsche se choca a 150km por hora com uma jovem advogada que perece no acidente e ele continua solto; o político fica indignado com o bandido que assaltou a filha dele e, no entanto, mete a mão no dinheiro público e ainda estranha ao ser demitido?

Enquanto a diferença gerar divergência permaneceremos na pré-história do projeto civilizatório verdadeiramente humano.

Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Marcelo Gleiser e Waldemar Falcão, de “Conversa sobre a fé e a ciência”

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GOVERNO ESTADUNIDENSE DETÉM ARBITRARIAMENTE INFORMAÇÕES DE TODOS OS SEGUIDORES DO WIKILEAKS NO TWITTER

Extraído do Terra Notícias:

Uma ordem judicial emitida por um tribunal americano exige à rede social Twitter informação sobre a conta do WikiLeaks, assim como detalhes pessoais de seu fundador, Julian Assange, e vários partidários da organização.

A ordem, assinada em 14 de dezembro pela juíza Theresa Buchanan em Alexandria, na Virgínia, aparece publicada no site da revista “Salon”, que teve acesso exclusivo ao documento.

Na citação se pedia ao Twitter que respondesse “no prazo de três dias”.

O Twitter recorreu dos termos do documento e conseguiu que a juíza autorizasse na quarta-feira a rede a informar os usuários afetados, que têm 10 dias para recorrer.

O documento pede informação sobre Assange, assim como sobre Bradley Manning, o soldado acusado de ser a fonte de WikiLeaks e Birgitta Jonsdottir, uma legisladora da Islândia que colaborou com Assange na divulgação de um vídeo.

O vídeo mostra como um helicóptero americano dispara contra civis no Iraque em julho de 2007, em um aparente ataque a sangue frio no qual morreram um fotógrafo da Reuters e seu motorista.

A ordem judicial inclui ainda o pirata informático holandês Rop Gonggrijp e o programador americano Jacob Appelbaum. Ambos colaboraram com o WikiLeaks.

Appelbaum foi interrogado por agentes americanos durante três horas em julho passado no aeroporto de Newark, em Nova York, quando retornava ao país após uma viagem ao exterior.

Os agentes alfandegários confiscaram seus telefones, tiraram xerox de alguns de seus documentos e realizaram uma busca em seu computador.

A citação judicial requer informações desde 1º de novembro de 2009 até a atualidade.

O documento sustenta que a informação requerida é “relevante” para “uma investigação criminal em andamento”.

A organização destacou neste sábado em comunicado que a citação judicial confirma “a existência de uma investigação governamental secreta americana por espionagem sobre o WikiLeaks”.

“Se o Governo iraniano tentasse mediante coerção obter informação sobre jornalistas e ativistas estrangeiros, os grupos de direitos humanos ao redor do mundo se pronunciariam a respeito”, afirmou o WikiLeaks.

A organização está no ponto de mira dos EUA desde que divulgou em novembro milhares de documentos confidenciais redigidos por diplomatas baseados em embaixadas americanas em distintas partes do mundo.

A organização vazou ainda 90 mil documentos sobre a guerra do Afeganistão em julho e quase 400 mil sobre a Guerra do Iraque em outubro.

O Twitter se limitou a dizer que sua política consiste em notificar seus usuários, sempre que possível, sobre as solicitações oficiais de informação.

A legisladora islandesa qualificou a citação judicial como “completamente inaceitável”.

“O Governo dos EUA quer saber tudo sobre meus tweets desde 1º de novembro de 2009. São conscientes de que sou membro do Parlamento da Islândia?”, questionou Birgitta em mensagem no Twitter na sexta-feira.

A política assegurou que empreenderá uma campanha legal para impedir que o Governo dos EUA tenha acesso a suas contas depois que o Twitter informou a ela sobre a ordem judicial.

Birgitta patrocina uma iniciativa para transformar a Islândia em um “refúgio seguro” para jornalistas e meios de comunicação.

O WikiLeaks pediu neste sábado ao Facebook e ao Google que revelem se receberam citações judiciais similares à do Twitter.

A organização tem 1,5 milhão de seguidores no Facebook e cerca de 600 mil no Twitter.

Comentário do PolivoCidade: O governo da Islândia classificou como intolerável o fato de uma parlamentar daquele país estar na lista dos investigados pelos vazamentos de informações do serviço secreto estadunidense. como se pode ver aqui e aqui, o próprio wikileaks afirmou que o governo estadunidense obteve o IP e os dados das contas de todos os seguidores do perfil @wikileaks no twitter. O que inclui este blog. Interessante que, em menos de meia hora do anúncio do próprio wikileaks, mais de 1200 seguidores simplesmente deixaram de seguir o perfil. O que não inclui este blog.

QUANDO OS ‘PROGRESSISTAS’ GOVERNAM PARA OS RICOS

Do Vi o Mundo, do Azenha:

Making the Rich Happy

By ALEXANDER COCKBURN, no Counterpunch

Bem na hora das pesquisas de opinião do fim de ano, o presidente Obama se arrastou desde seu túmulo político, onde apenas um mês atrás coroas de flores eram colocadas em torno do sepulcro. O Comentariado* [NdoV:*conjunto de comentaristas que pensam igual, feito o PIG brasileiro] agora aplaude gravemente suas recentes vitórias no Congresso: repúdio às inibições do Don’t Ask, Don’t Tell sobre gays no serviço militar [NdoV: Ninguem perguntava, os gays não respondiam]; ratificação no Senado do tratado START sobre armas nucleares com os russos; passagem da lei de 4,3 bilhões de dólares — previamente bloqueada pelos republicanos — dando benefícios de saúde para os trabalhadores de resgate que atuaram nos ataques de 11 de setembro de 2001.

Algo está faltando em minha lista? Você notou? Com certeza: em primeiro lugar e adiante de tudo, o acordo com os republicanos sobre impostos, melhor descrito como um presente de 4 trilhões de dólares para os ricos dos Estados Unidos, com a extensão dos cortes de impostos do governo Bush. Com a toda importante rendição nos impostos conquistada, os republicanos não parecem se importar em dar a Obama uma minissérie de vitórias.

Não há muitos votos de eleitores em insistir que 1.500 armas nucleares não são suficientes para o Tio Sam, particularmente considerando que Obama fez seu truque usual de se render antes do início da batalha, um ano atrás, garantindo benefícios para o complexo industrial-militar. Seria inteligente negar benefícios para quem atuou no 11 de setembro ou manter os gays no serviço militar dentro do armário?

Presumivelmente agora os gays vão lutar com maior ferocidade, já que podem aparecer e se orgulhar. No que realmente interessa, depois de se reorganizar no recesso parlamentar, os republicanos provavelmente vão se manter acordados, embora no caso de um presidente que se rende sem fazer barulho a vigilância excessiva provavelmente é desnecessária.

Você dá 4 trilhões aos ricos e eles expressam seu agradecimento de forma contida. Os formadores de opinião “deles” elogiam o admirável espírito de compromisso dos integrantes do Congresso que se reúnem no bipartidarismo para manter o boteco aberto para fazer negócios.

É verdade, há os pessimistas, os tribunos de esquerda que dizem, acertadamente, que o grande “compromisso” foi, nas palavras do economista Michael Hudson, “todo para os ricos… não para promover estabilidade e recuperação econômica… mas para criar dívida pública que será entregue aos banqueiros, compromisso que as futuras gerações de contribuintes vão pagar”.

Foi um acordo de refinado cinismo, contendo uma pílula venenosa que foi descrita como um gesto generoso para os trabalhadores — uma redução de 120 bilhões de dólares em contribuições para a Previdência Social — redução da taxa de contribuição de 6,2% para 4,2% nos salários. Mas, na verdade, é uma armadilha, preparando a Previdência Social para se tornar subfinanciada no futuro e pronta para ser leiloada em Wall Street.

O fator definidor da política doméstica dos Estados Unidos nas últimas seis décadas tem sido o contra-ataque dos ricos contra as reformas sociais dos anos 30.

Vinte anos atrás o grande prêmio da Previdência Social — as pensões governamentais que mudaram a cara dos Estados Unidos na metade dos anos 30 — pareciam distantes das mãos de Wall Street. Nenhum presidente republicano poderia prevalecer diante dela. Teria que ser um trabalho sujo de um democrata. Clinton tentou, mas o escândalo sexual da [estagiária Monica] Lewinsky abortou sua tentativa.

Se Obama pode ser identificado com uma missão histórica em nome do capital é esta — e embora o sucesso não seja garantido, está mais próximo do que nunca.

É o que nos leva ao centésimo décimo segundo Congresso, refletindo os ganhos republicanos em novembro, que vai gastar a noite do 2 de fevereiro ouvindo a agenda “bipartidária” de Obama no discurso do Estado da União.

O site Politico — refletindo a opinião informada de Washington — recentemente previu que no próximo discurso, “o teleprompter-em-chefe vai anunciar cortes na Previdência Social”. Como Robert Kuttner do Politico especulou: Obama vai tentar esvaziar “cortes draconianos no orçamento que serão propostos pelo futuro presidente do comitê de Orçamento, o republicano Paul Ryan de Wisconsin, como condição para manter o teto da dívida. Isso, se espera, deve acontecer em abril”.

Mas com certeza para os progressistas, que estão furiosos com o presente dado por Obama aos ricos, e com os quais Obama conta para a reeleição em 2012, cortes na Previdência Social serão a última gota? Não conte com isso. Como bestas de carga política, os progressistas tem costas que podem sustentar virtualmente uma quantidade infinita de carga.

Contra a traição na questão de impostos, estes progressistas de classe média vão citar o Don’t Ask, Don’t Tell [NdoV: sobre gays no serviço militar]. A política da identidade [NdoV: de gênero, racial, etc.]  vai derrotar a política de classe, o que tem sido o caso dos progressistas de classe média no último quarto de século.

E eles não vão se preocupar com outro fracasso de Obama: a incapacidade de aprovar o “Desenvolvimento, Ajuda e Educação para Menores Estrangeiros (DREAM)” no Congresso. Isso permitiria a milhões de filhos de imigrantes ilegais que chegaram aos Estados Unidos antes dos 16 anos de idade se tornarem residentes permanentes e depois cidadãos se se formarem no ensino médio, completarem o serviço militar ou a faculdade, além de não se envolverem com drogas.

Os republicanos bloquearam o projeto no Senado, embora ele pudesse ter sido aprovado se os democratas dessem uma demonstração de unidade. Mas a Casa Branca estava claramente pouco inclinada a gastar capital político nisso, da mesma forma que fracassou em seus compromissos com os negros ou com os sindicatos, cujo dinheiro e militância foram determinantes para eleger Obama em 2008.

Neste momento a taxa de aprovação de Obama, medida pelo Gallup, está em 46%, contra 48% que o desaprovam, tendo caído de 50% desde o outono. Ele está claramente no caminho da direita que Clinton adotou depois de 1994: guerras no Exterior (Iugoslávia para Clinton, Afeganistão para Obama); uma guerra contra o terror digna de Bush-Cheney, como exemplificado no abandono das promessas para fechar Guantanamo e a preparação de leis repressivas de espionagem depois do vazamento do WikiLeaks. Na última quinta-feira Bill Quigley e Vince Warren escreveram um artigo assustador neste site, “O Problema da Liberdade de Obama”:

“Assessores do governo Obama lançaram a ideia de criar um novo sistema legal para manter pessoas presas indefinidamente por Ordem Executiva. Por que? Para fazer alguma coisa com as pessoas que estão detidas ilegalmente em Guantanamo. Por que não seguir a lei e julgá-los? O governo sabe que não vai conseguir processá-los porque eles foram torturados pelos Estados Unidos. Guantanamo vai fazer aniversário de nove anos — uma mancha horripilante no compromisso dos Estados Unidos com a Justiça. O presidente Obama sabe muito bem que Guantanamo é a mais poderosa ferramenta para recrutamento daqueles que desafiam os Estados Unidos. Infelizmente, esta proposta de detenção indefinida vai prolongar os efeitos corrosivos das detenções ilegais e imorais de Guantanamo, condenadas mundialmente. Os problemas práticos, lógicos, constitucionais e de direitos humanos da proposta são incontáveis”.

Clinton, que se autointitulou ‘Comeback Kid’, adotou a mesma posição em 1996 com o seu Ato da Pena de Morte Antiterrorista, que foi a primeira cena do Ato Patriota [NdoV: Adotado por George W. Bush pós-11 de setembro]. Clinton lançou seu bem sucedido ataque contra o welfare [NdoV: Grosseiramente, o equivalente do Bolsa Família] em seu segundo mandato, da mesma forma que agora Obama busca consumar seu ataque contra a Previdência Social.

Assim como aconteceu com Clinton, temos um presidente oportunista e neoliberal sem um fio de princípio intelectual ou moral. Temos liberais desconsolados e uma imprensa dizendo que Obama está demonstrando maturidade admirável ao entender o que bipartidarismo realmente representa. Como Clinton, Obama é afortunado de ter progressistas à sua esquerda felizes de celebrar o DADTell [NdoV: admissão dos gays no serviço militar] como consolo para apoiar a política suja e sem espinha de Obama. As coisas nunca mudam muito, como demonstrado pelo fato de que Jeb Bush, ex-governador da Flórida e irmão de George W., parece estar pronto para disputar a candidatura republicana [em 2012].

Porque estou dando dinheiro para pagar fiança de Julian Assange Por Michael Moore

Ontem, no Tribunal de Magistrados de Westminster, em Londres, os advogados de Julian Assange, co-fundador da WikiLeaks, apresentaram ao juiz um documento informando que eu paguei 20.000 dólares de meu próprio dinheiro para ajudar a resgatar Assange da cadeia.

Além disso, estou oferecendo publicamente o apoio do meu site, meus servidores, meus nomes de domínio e qualquer outra coisa que possa fazer para manter viva e próspera a WikiLeaks enquanto continuar seu trabalho para expor os crimes que eram preparados em segredo e realizados em nosso nome (cidadãos americanos) e com dinheiro de nossos impostos.

Fomos levados à guerra do Iraque por uma mentira. Centenas de milhares estão mortos. Imaginem se os homens que planejaram esse crime de guerra em 2002 tivessem um WikiLeaks para lidar com eles. Eles poderiam não ter sido capazes de consumá-lo. A única razão que os levava a pensar que poderiam fugir da verdade era porque tinham um manto de sigilo garantido. Esse manto foi rasgado, e eu espero que eles nunca sejam capazes de operar em segredo novamente.

Então, porque WikiLeaks, após a realização de um serviço público tão importante, sob tal ataque vicioso? Porque eles têm denunciado e envergonhado aqueles que encobriram a verdade. O ataque que têm sofrido vem do topo:

** Sen. Joe Lieberman diz WikiLeaks “violou a Lei da Espionagem”.

George ** da The New Yorker Packer Assange chamadas “super-espião, de pele fina, [e] megalomaníaco.”

** Sarah Palin diz ser “um agente anti-americano com sangue nas mãos” a quem devemos perseguir “com a mesma urgência com que buscamos a Al Qaeda e líderes do Taliban”.

** Democrata Bob Beckel (gerente de campanha de Walter Mondale em 1984) disse sobre Assange na Fox: “Um homem morto não pode vazar coisas … só há uma maneira de fazê-lo:. Ilegalmente atirar no filho da puta”

** Mary Matalin republicano diz que “ele é um psicopata, um sociopata … Ele é um terrorista”.

** Rep. Peter A. King chama WikiLeaks uma “organização terrorista”.

E de fato eles são! Eles existem para aterrorizar os mentirosos e belicistas que trouxeram a ruína de nossa nação e para os outros. Talvez a próxima guerra não seja tão fácil, porque as regra foram mudadas – e agora é Big Brother, que está sendo vigiado … por nós!

WikiLeaks merece os nossos agradecimentos e que se jogue luz sobre tudo isso. Mas alguns na imprensa hegemônica têm rejeitado a importância do WikiLeaks (“eles já lançaram pouco que há de novo!”) Ou os está pintando como simples anarquistas (“WikiLeaks libera tudo, sem qualquer controle editorial!”). WikiLeaks existe, em parte, porque a grande mídia não conseguiu fazer jus à sua responsabilidade. Os donos das empresas têm dizimado redações, tornando impossível para bons jornalistas fazerem seu trabalho. Não há mais tempo ou dinheiro para o jornalismo investigativo. Simplificando, os investidores não querem essas histórias expostas. Eles gostam de seus segredos … como segredos.

Peço-lhe para imaginar o quanto o nosso mundo diferente seria se WikiLeaks existisse a 10 anos atrás. Dê uma olhada na foto. Este é o Sr. Bush prestes a receber um documento “secreto” em 6 de agosto de 2001. Seu título dizia: “Bin Laden determinado em atacar nos EUA”. E nessas páginas disse que o FBI descobriu “os padrões de atividade suspeita neste país em conformidade com os preparativos para atentados.” Bush decidiu ignorá-la e foi pescar pelas próximas quatro semanas.

Mas se esse documento havia houvesse vazado, como você ou eu teríamos reagido? O que o Congresso ou as FAA teriam feito? Não seria uma grande chance de que alguém, em algum lugar tivesse feito alguma coisa, se todos nós soubéssemos sobre Bin Laden, ataque iminente, usando aviões sequestrados?

Mas as pessoas na época tinham pouco acesso a esse documento. Porque o segredo foi mantido, um instrutor da escola de voo em San Diego, que percebeu que dois alunos da Arábia tinham interesse em decolagens ou pousos, não fez nada. Se ele tivesse lido sobre a ameaça de Bin Laden, ele poderia ter chamado o FBI? (Por favor, leia este ensaio pelo ex-agente do FBI Coleen Rowley, 2002 Time co-Person of the Year, sobre sua crença de que com WikiLeaks 2001, 11/09 poderia ter sido evitado.)

Ou se o público, em 2003, tivesse lido o “segredo” dos memorandos de Dick Cheney e de  como ele pressionou a CIA a dar-lhe os “fatos” que ele queria, a fim de construir o seu caso falso para a guerra? Se WikiLeaks houvesse revelado na época que não havia, de fato, nenhuma arma de destruição em massa, você acha que a guerra teria sido lançada – ou melhor, não teria havido apelos para detenção de Cheney?

A abertura, transparência – estas estão entre as poucas armas dos cidadãos para se protegerem dos poderosos e dos corruptos. E se dentro poucos dias depois de 04 de agosto de 1964 – após o Pentágono mentir que nosso navio foi atacado pelos norte-vietnamitas no Golfo de Tonkin – tivesse havido um WikiLeaks para dizer ao povo americano que a coisa toda era armação? Eu acho que 58 mil dos nossos soldados (e 2 milhões de vietnamitas) poderiam estar vivos hoje.

Em vez disso, segredos mataram.

Para aqueles de vocês que pensam que é errado apoiar Julian Assange devido às alegações de abuso sexual, tudo que eu peço é que você não sejam ingênuos sobre como o governo funciona quando ele decide ir atrás de suas presas. Por favor – nunca, jamais, acreditem na “história oficial”. E, independentemente de culpa ou inocência Assange, este homem tem o direito de ter paga fiança e se defender. Eu me juntei com os cineastas Ken Loach e John Pilger e escritor Jemima Khan, para pagar o dinheiro da fiança – e esperamos que o juiz aceite isso e se pronuncie hoje.

Poderia WikiLeaks causar alguns danos não intencionais às negociações diplomáticas e os interesses dos EUA no mundo? Talvez. Mas esse é o preço que você paga quando você e o seu governo nos leva a uma guerra baseada numa mentira. Sua punição por mau comportamento é que alguém acenda todas as luzes da sala para que possamos ver o que você e ele estão fazendo. Você simplesmente não pode ser confiável. Então, cada transmissão, cada e-mail que você escreve agora é o jogo aberto. Desculpe, mas vocês pediram isto para si mesmos. Ninguém pode esconder a verdade agora. Ninguém pode traçar o próximo Big Lie (grande mentira) se eles sabem que podem ficar expostos.

E essa é a melhor coisa que o site fez. WikiLeaks, Deus os abençoe, vai salvar vidas, como resultado de suas ações. E qualquer um de vocês que me acompanhem ao apoiá-los estarão cometendo um verdadeiro ato de patriotismo.

Eu estou hoje, em solidariedade a Julian Assange em Londres, pedindo ao juiz que conceda a sua libertação. Estou disposto a garantir o seu regresso o dinheiro da fiança determinado pela corte. Eu não permitirei que esta injustiça possa continuar incontestada.

P.S. Você pode ler a declaração que apresentou hoje no tribunal de Londres aqui.

P.P.S. Se você está lendo isso em Londres, por favor, vá apoiar Julian Assange e WikiLeaks em uma demonstração em um PM hoje, terça-feira dia 14, em frente ao tribunal de Westminster.

Desculpem a tradução, mas as verdades cortantes desferidas merecem ecoar também em português. Miguel Leite

Atualização! Leiam: Michael Moore: “Minha carta aberta ao governo sueco” traduzida

BRASIL AVANÇA NA ÁREA DOS DIREITOS HUMANOS, DIZ VANNUCHI

Participando de uma homenagem ao militante Stuart Angel Jones, morto em 1971 pela ditadura militar, o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, disse que  “O presidente Lula elevou à categoria de ministério a área de direitos humanos e pouquíssimos países têm este status. Os recursos, ao longo da minha gestão, triplicaram e a estrutura humana mais que dobrou. Das 70 conferências nacionais realizadas, 12 são relacionadas aos direitos humanos. O saldo é extraordinário”.

Com esta afirmação Vannuchi evidencia o avanço que o país teve, durante a gestão do presidente no governo federal, na área dos direitos humanos. Vannuchi també falou sobre as reparações individuais que vem ocorrendo a favor daqueles que sofreram violências durante a ditadura militar: “Lançamos o livro-relatório Direito à memória e à verdade e criamos o projeto Memórias reveladas. No PNDH 3 [Programa Nacional de Direitos Humanos 3], a principal proposta, de criação da Comissão Nacional da Verdade, já foi concretizada em projeto de lei entregue ao Legislativo”.

Sobre as críticas realizadas por organizações de direitos humanos, o ministro ressaltou a importância da democracia: “Um governo democrático tem que ter serenidade para ouvir tudo o que a sociedade civil tem a dizer. Em direitos humanos, temos avanços notáveis nossos e avanços anteriores, do governo Fernando Henrique Cardoso. Mas tudo o que se avançou ainda é muito pouco perto do que é preciso avançar.”

Quem estava também na homenagem era o ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), Franklin Martins. Emocionado, o homem que combateu a ditadura militar, afirmou: “Estamos celebrando aqui a memória de todos aqueles que lutaram e caíram. Fizemos parte de uma juventude que errou. Os que não lutaram nos cobram os erros, os que lutaram pela metade nos cobram os erros, os que esperaram a ditadura acabar nos cobram os erros. Mas essa juventude maravilhosa não errou em duas coisas: não apoiou a ditadura e não ficou esperando o carnaval chegar para dizer que tinha lutado contra a ditadura”.

Cid Benjamin, um dos organizadores do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, em 1969, também participou da homenagem. Segundo ele, “Um país que não conhece o seu passado está fadado a repetir os erros. Onde estão os desaparecidos, onde estão seus corpos? Isso são perguntas que têm de ser feitas, principalmente para que a sociedade tome consciência da barbaridade que foi perpetrada e crie anticorpos para que isso não se repita”.

A irmã de Stuart Angel, Hildegard Angel falou a todos que aquele evento “É uma homenagem a todos, porque há muitos outros que tiveram a mesma luta e também merecem monumentos. O Stuart foi um deles. O meu empenho é para que essa história não se repita”.

 

 

 

ONU DEVE ACOMPANHAR INVESTIGAÇÃO ISRAELENSE SOBRE O CRIME DA FLOTILHA DA LIBERDADE

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A Organização das Nações Unidas (ONU) quer que o governo de Israel investigue de forma isenta, conquistando a confiança da comunidade internacional, o ataque à frota de navios com carregamento de ajuda humanitária, ocorrido no final de maio. O relator especial das Nações Unidas sobre Execuções Extrajudiciais, Philip Alston, disse hoje (11) que o inquérito interno de Israel deve ser independente e seguir as normas internacionais.

“Existem vários requisitos indispensáveis para qualquer comissão de inquérito, como, por exemplo o cumprimento das normas internacionais”, disse Alston. Segundo ele, a ONU acompanhará de perto processo de investigação. “O inquérito deve ser ser conduzido de forma independente do governo e o relatório final deve ser totalmente público. Não se deve deixar a critério do governo”, afirmou. As informações são do site das Nações Unidas.

No último dia 31, uma frota de seis navios, reunindo cerca de 750 pessoas, foi atacada por tropas israelenses no Mar Mediterrâneo. Os navios transportavam carregamentos de ajuda humanitária para os moradores da Faixa de Gaza, que vivem sob bloqueio econômico imposto pelo governo de Israel. O ataque provocou a morte de nove pessoas – a maioria das vítimas era de origem turca.

O governo de Israel justificou a ação informando que os ativistas tentaram atacar os homens do Exército e, por isso, houve a ofensiva. A reação israelense foi duramente criticada pela maior parte da comunidade internacional. Os israelenses rechaçaram a possibilidade de abertura de um inquérito internacional para investigar o episódio.

Na semana passada, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, conversou, por telefone, com os primeiros-ministros da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, e de Israel, Benjamin Netanyahu, sobre as opções para avançar nas investigações. Os 15 integrantes do Conselho de Segurança da ONU, reunindo permamentes e rotativos, condenaram o ataque à frota de navios.

NOTÍCULA DE UM TERRORISMO DE ESTADO

Lembram aquele vídeo dos americanos “brincando” de tiro ao alvo com civis iraquianos, e que acabou na morte de um jornalista? Pois é, o americano que ‘vazou’ o vídeo foi preso por atentar contra a segurança nacional americana.

Ah, Obama. Assim, nunca serás o cara!