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O LOUCO FOUCAULT E A LOUCURA DA PSIQUIATRIA AMERICANA

Ao publicar sua tese de doutoramento, intitulada “A História da Loucura no Período Clássico”, em 1972, o filósofo francês Michel Foucault angariou a ira dos psiquiatras estadunidenses, que o acusaram inclusive de ser doente mental.

Foucault afirma, com propriedade, que a psicologia (e a psiquiatria) jamais encontrarão a verdade sobre loucura, pois é a loucura que detém a verdade sobre essas disciplinas do conhecimento. O discurso que circunscreve a chamada loucura sempre foi constituído muito menos por um rigor médico-científico que por um discurso do poder constituído, inscrevendo sob o rótulo da loucura tudo aquilo que, do ponto de vista do sistema capitalista, não é mais ou nunca foi produtivo. O diagnóstico, portanto, é muito mais político que científico.

Em pleno século XII, segunda década, onde vivenciamos um recrudescimento do discurso progressista, através da exacerbação do culto paródico a Deus, da aplicação das penalidades medievais diante da inércia do Estado, e da eliminação da autonomia política daqueles que se recusam a produzir (sempre a produção…), eis que apenas agora os psiquiatras estadunidenses começaram a perceber que se produzem doenças em função da produção e venda de medicamentos, e não da busca do bem estar e saúde das pessoas.

Ilustram esse nosso pequeno quadro dois textos que queremos sugerir para nossos polileitores: um, da psiquiatra Marilyn Wedge, mostrando a diferença entre o diagnóstico de TDAH em crianças norte-americanas e francesas (que pode ser lido em português aqui), e outro, da jornalista Eliane Brum, o qual, com precisão, apresenta as incipientes reações contrárias à ortodoxia do DSM-V e sua patologização do mundo (leia aqui).

Resta-nos o pequeno consolo, neurótico até, de sabermos que há mais de dez anos sabemos o que só agora os psiquiatras americanos começam a desconfiar.

São as vantagens de andar acompanhados de gente louca, como Foucault.

O MUNDO DESEJANTE DO TOXICODEPENDENTE

Se compararmos um rapaz com uma estória de toxicodependência com outro, de boa família, crescido em um ambiente distante do mundo da droga e, se o compararmos ainda com outro, de periferia ou de uma cidade pequena, que não é de boa família mas não se relaciona com a droga, notaremos, laicamente, uma riqueza de articulações do real muito mais aguçada, muito mais rica, no rapaz toxicodependente do que nos outros dois.

Há sede de viver e luta pela sobrevivência que o toxicodependente teve que articular com a droga, mas há também uma riqueza preexistente ao fato do tóxico: curiosidade, desejo, procura de um outro âmbito, não-codificação rígida, necessidades e buscas. Com certeza estrutura “caracterial-complexa” e, às vezes diriam, “deficitária-lacunosa-frágil”, mas estrutura ainda não institucionalizada, ainda não fechada no interior da pobreza de significados, de perspectivas, de intencionalidades, de carreiras. Por isso é um campo particularmente fértil. Não digo que a droga enriqueça, diria que a droga se encontra “naturalmente” com esta dilatação de campos de interesse, dos campos da curiosidade, dos campos do desejo complexos em muitos sujeitos.

O que fazer? É óbvio: ser mais sedutores que a droga, saber desencadear circuitos de ampliação não-químicos, concorrentes.

(Franco Rotelli, psiquiatra italiano, in: Onde Está o Senhor?, artigo publicado na revista SaúdeLoucura, número 3, Ed. Hucitec).

O OLHAR MORALMENTE LOBOTOMIZADO DE LUCIANO HUCK

Favela é como o Oriente Médio. Pra ficar médio ainda falta muita coisa.” (Luciano Huck, na premiação ANU, da Central Única das Favelas)

A pergunta óbvia seria essa: o que uma entidade social representativa da favela  faz se metendo com gente do naipe de Luciano Huck, ou Lu, para os íntimos, como José Serra?

Embotado pela moral, o cérebro de Huck produz imagens teratogênicas, contaminadas pelo germe reativo do capitalismo. Embora a capacidade de síntese do lobo occipital esteja intacta, Huck só consegue ver as imagens-clichês que a sociedade do consumo lhe destinou.

Assim, a frase de Lu demonstra a lobotomia moral de um cérebro sem vontade, e entregue à resignação, à apatia. Este que, aliás, consome a reprodução da miséria social, o colírio alucinógeno da compaixão, do qual o próprio Huck é vítima e algoz: a exploração da miséria pela própria miséria. Não por acaso, Huck é o bom moço da Veja e da Globo. Os manauaras que o digam.

Mas numa coisa, inadvertidamente, Lu, o amigo de Serra, tem razão. A favela é mesmo como o Oriente Médio. Ambos são incapturáveis, e sobrevêm a qualquer lobotomia moral, transbordando sentido, riqueza produzida pela estrutura neurocognitiva não reificada pelo consumo e não embotada pela inamobilidade do capitalismo: o habitante da favela é tão necessário ao mundo quando o oriental. E para além de olhares discriminatórios, assim como a flor irradia sua beleza, independente da vontade de Deus.

SOBRE A CEGUEIRA DOS ESPECIALISTAS PSY NO CASO DO ATIRADOR ESTADUNIDENSE

Por Luis Horácio, no Portal do Nassif:

A Psicologia mais atuante nos EUA é a behaviorista, caindo frequentemente nos exageros do biologismo e da correção comportamental através de drogas, e são extremamente positivistas, nessa tradição empirista. Isso não é totalmente mal, mas limita o conhecimento sobre a mente e o próprio comportamento humano e suas vicissitudes e idiossincrasias. A chave é quase a mesma das Ciências Naturais e Exatas, de procurar padrões, criar classes e categorias e estabelecer perfis de enquadramento dos indivíduos. O que se destaca são os perfis que estão acostumados a fazer em todas as áreas. Isso somado ao alto grau de padronização da cultura americana, mesmo no que diz respeito a atitudes sociais, faz com que o grau de controle que têm sobre a psicologia dos cidadãos seja significativa. Quer dizer, há várias maneiras de procurar estimular ou direcionar o comportamento das pessoas, de maneira direta ou indireta.

Nesse caso, a situação toda está dentro do quadro político. Várias pessoas e especialistas ficam dizendo que não há informações suficientes, que não se sabe, mas isso não está correto. Sabe-se sim. Os videos do youtube são bastante elucidadivos sobre a instabilidade do atirador e sobre a vulnerabilidade dele diante de várias influências. Adotar esse comportamento de atirador infelizmente é uma resposta bastante conhecida nos EUA. Mas a diferença, como já foi dita no Blog, é que os alvos eram precisos, conhecidos e políticos, envolvidos na grande crise americana. E fez isso segundo uma trajetória comportamental da direita radical americana, ninguém sabe disso mais do que os próprios americanos.

O que está ocorrendo, então, com essas “análises” e com essas declarações? De “olha, vamos esperar”, ou “ainda não sabemos”, ou essa então, de que o cara que adotou um comportamento radical de direita é na verdade um terrorista da esquerda. Um absurdo! Mesmo que fosse um esquerdista, então pirou, porque agiu segundo os interesses do extremismo “branco” de direita. O que ocorre é que mais um plano “mirabolante” para agir de modo totalmente impróprio no Estado democrático foi por água abaixo, e da pior maneira possível, para seus artífices. Além de não se encaixar ou dominar o debate político americano, provocou um enorme trauma, uma grande tragédia, já de saída.

Não foi só a deputada, mas e as pessoas comuns, o cidadão americano que foi assassinado em um supermercado, no seu dia-a-dia? E a menininha de 9 anos? A questão é que já há informações suficientes (já havia antes esse clima  de “envenenamento” político, segundo os próprios analistas americanos) para se compreender como o clima político americano interferiu nas atitudes desse jovem atirador instável, independente de ter tido por trás alguma lavagem cerebral. Não muda o sentido das coisas. E estão tentando tirar essa carga enorme das costas de quem são, primariamente, os responsáveis por mais esse desastre, os artífices radicais e extremistas da direita ultraconservadora americana.

O fato de no Brasil ter se tentado importar esse modelo impróprio e desastroso mesmo lá nos EUA (não esqueçamos toda a era W Bush) é outro dado preocupante. No Brasil as desiguladades  sociais muito maiores, a debilidade maior das instituições ainda em formação, as enormes diferenças regionais e a grande diversidade do país, o nível educacional muito menor, são fatores que poderiam produzir aqui um efeito muito mais explosivo e catastrófico do que lá, imaginem só. Inaceitável que pessoas da dimensão política dos que promoveram esses atos  aqui no Brasil não tenham pensado nisso e nas consequências que poderiam (ou podem) ter. Não precisa nem cobrar a responsabilidade e os compromissos de cidadania. Basta a percepção lógica.

Comentário do Poli: o papel de uma psicologia e de uma psiquiatria, há muito tempo, é o de referendar, sob moldes ‘científicos’, aquilo que interessa ao estado burguês para a manutenção do seu modus operandi. É algo que Michel Foucault estudou e desnudou à exaustão, sobretudo n’A História da Loucura, e em um livro intitulado Os Anormais. Franco Rotelli, da vanguarda da desinstitucionalização, perfaz caminho semelhante, e mostra que à ciência psicológica, nos seus fundamentos metódicos, cumpre a função de alinhavar ao discurso do estado capitalista toda a manifestação que escapar à lei e à ordem: em outras palavras, a normatização.

Daí diferenciar desospitalização de desinstitucionalização, e demonstrar que, em vários locais, na Europa e principalmente nos EUA, o fechamento dos hospitais psiquiátricos constituiu uma piora no atendimento aos portadores de distúrbios mentais, e uma economia para os cofres do então incipiente estado neoliberal. Extingue-se a estrutura física de confinamento, sem no entanto modificar as relações sociais e hierárquicas que retiram ao discurso ‘louco’ a sua prerrogativa política e de direitos. O valor político da fala do ‘louco’ é nulo, e seus direitos, ignorados.

Por isso, não faz diferença se a inabilidade dos psicólogos e psiquiatras estadunidenses em compreender a motivação do mais recente atirador é fruto de estreiteza intelectual e aridez epistemológica, ou se se trata do uso ideológico da ‘ciência’ psicológica com fins de justificar o injustificável. No capitalismo, não existem vítimas.

Assim, pouco importa se são comportamentalistas, cognitivistas, psicanalistas ou humanistas. A questão é como o cabedal de conhecimentos de cada uma destas vertentes é utilizado.

Ainda: não se deve, com isso, crer que o fenômeno de acirramento do discurso da ultra-direita tenha chegado ao Brasil somente na eleição de 2010. Tampouco o uso do ‘especialismo’ por parte da mídia, para dar verniz de credibilidade ao seu ponto de vista é novo. Há décadas, especialistas do pavoneamento desfilam pelos estúdios de rádio e tevê, ávidos de concordar e adaptar ao jargão ‘científico’ de sua área, qualquer bobagem dita pela tevê, apenas pelo direito de exposição, por alguns segundos, e – de nossa parte – pelo reconhecimento mútuo da banalidade das duas partes.

MARX COMENTA A PATOLOGIA SOCIAL DA DIREITA BRASILEIRA

Preâmbulo narrativo:

O cenário é o contexto político-partidário atual, no borbulhar pré-eleitoral. Numa cidade do interior do Brasil (poderia ser qualquer uma, como efetivamente acontece por aí), um prefeito recebe uma equipe de educadores.

Estes educadores apresentam um projeto de educação e inclusão social, voltado para o trabalhador e sua família, buscando oferecer complementação e reconhecimento de seus saberes tradicionais, pelo conhecimento formal da academia, invertendo a ordem lógica e perversa do saber acadêmico, que segrega e discrimina, e que foi responsável pelo fracasso de projetos anteriores.

Todo o projeto é custeado pelo governo federal. À prefeitura, apenas o trabalho de fornecer mão-de-obra qualificada – no caso, professores da rede pública de ensino fundamental – que prestariam o serviço público que normalmente ocorre nas escolas municipais, num outro ambiente, o das comunidades tradicionais. Nenhum aporte de profissionais era requerido. Apenas o rearranjo de horas-aula de profissionais que desejassem participar de um projeto educativo diverso do que normalmente atua. Estes professores ainda seriam capacitados na metodologia pedagógica alternativa, construída a partir do trabalho de Paulo Freire.

A primeira pergunta do emissário do prefeito – que não quis receber a equipe de educadores – foi: “quanto custará aos nossos cofres?”.

Devidamente orientado quanto a natureza do projeto, e da ausência da necessidade de novos investimentos do município, inclusive no tocante à logística do processo, totalmente custeada pelo governo federal, que investe no projeto, em nível nacional, cifras milionárias, o emissário do prefeito vai novamente ao gabinete. Retorna de lá poucos minutos depois, e diz que na rede pública de ensino daquele município não existem professores com horas vagas: a proporção é calculada de forma exata, possivelmente para evitar gastos desnecessários. Portanto, haveria ônus para o município. De onde, então, tirar o dinheiro para contratar os profissionais que atuariam no projeto federal, em parceria com o município?

Mais uma vez, os educadores reiteraram que o investimento do município, se houvesse, seria mínimo, menos de 10% do total, já que os outros 90%, incluindo a estrutura física e logística – novamente! – serão totalmente custeados pelo governo federal, com recursos já previstos no orçamento do projeto.

Ainda assim, o prefeito relutava em assinar o convênio, sem ter antes a resposta à pergunta: “quanto, efetivamente, custará aos nossos cofres?”.

Há o FUNDEB!”, lembrou um dos educadores. “Com o aumento do número de alunos no ensino fundamental, virá certamente o aumento do valor repassado ao município, via FUNDEB”. O emissário prefeitural acenou que era uma possibilidade, mas que não resolvia o problema a curto prazo, pois haveria a necessidade de primeiro contratar os professores, pagá-los, para depois receber o aumento do repasse. Mas que colocaria a sugestão para o prefeito.

Mais uma vez, entrou no gabinete. Tensão no ar. Parece que o prefeito não iria assinar o convênio. Por fim, o emissário aparece, com o projeto devidamente assinado. O prefeito aparentemente “foi convencido” de que os benefícios sociais e educacionais para o município era lucro suficiente para justificar o investimento municipal no projeto.

Análise Psico-Marxista:

Poli (enunciando a interlocução necessária ao diálogo, filosoficamente): Descontando-se o fato de o prefeito ser do partido da alcunhada oposição – alcunhada porque não tem thesis, e portanto não tem posição – o que levou ele, enquanto prefeito, e portanto, representante eleito para materializar as aspirações sociais enquanto Bem Comum, a relutar em assinar um convênio que tem a possibilidade de trazer desenvolvimento social para a cidade que ele gere?

Karl Marx: “Para o capitalista, a aplicação mais útil do capital é aquela que lhe rende, com igual segurança, o maior ganho. Esta aplicação não é sempre a mais útil para a sociedade”.

Poli: Então, o episódio é uma clara ilustração de um governo de direita, que gesta a partir da lógica do capital. A que coloca a exploração da força e da produtividade do trabalho humano no centro da roda que gira o mundo (deles). Mas será que essa direita é tão canhestra, tão corrompida (corrupta), que é incapaz de enxergar o mundo para além da força coerciva do dinheiro?

Karl Marx: “O dinheiro é o alcoviteiro entre a necessidade e o objeto, entre a vida e o meio de vida do homem. Mas o que medeia a minha vida para mim, medeia-me também a existência de outro homem para mim. Isto para mim é o outro homem…”

Poli: Porrada seca! O que Cristo falou, de outro modo: “Amarás ao próximo como a ti mesmo”. E ainda tem gente que não percebeu que tu, ao contrário do o Papa e de todos os pastores, entendeu o que Cristo queria dizer. Mas o problema não é o dinheiro em si. Bem usado, ele é até útil. A partir de quando ele se transforma em veículo da patologia social, que acometeu o prefeito de nossa história, e acomete a direita brasileira?

Karl Marx: “O que é para mim pelo dinheiro, o que eu posso pagar, isto é, o que o dinheiro pode comprar, isso sou eu, o possuidor do próprio dinheiro. Tão grande quanto a força do dinheiro é a minha força. As qualidades do dinheiro são minhas – seu possuidor – qualidades e forças essenciais. O que eu sou e consigo não é determinado de modo algum, portanto, pela minha individualidade.

Se o dinheiro é o vínculo que me liga à vida humana, que liga à sociedade a mim, que me liga à natureza e ao homem, não é o dinheiro o vínculo que me liga a todos os vínculos?

O que eu como homem não consigo, o que, portanto, todas as minhas forças essenciais individuais não conseguem, consigo-o eu por intermédio do dinheiro. O dinheiro faz assim de cada uma dessas forças essenciais algo que em si ela não é, ou seja, o seu contrário.”

Poli: Sacamos! A patologia pinta na relação. Quando o dinheiro é colocado como substituto para as relações, para as produções. Quando isso acontece, qual o destino do indivíduo, e no nosso caso específico, de uma cidade gerida por uma consciência padecida desta patologia social? É possível um prefeito (ou candidato à presidente, ou deputado, ou senador, ou…) capturado por esta patologia social, fazer um governo efetivo e real?

Karl Marx: “Pressupondo o homem enquanto homem e seu comportamento com o mundo enquanto um comportamento humano, tu só podes trocar amor por amor, confiança por confiança, etc. Se tu quiseres fruir da arte, tens de ser uma pessoa artisticamente cultivada; se queres exercer influência sobre outros seres humanos, tu tens de ser um ser humano que atue efetivamente sobre os outros de modo estimulante e encorajador. Cada uma das tuas relações com o homem e com a natureza – tem de ser uma externação (Âusserung) determinada da tua vida individual efetiva correspondente ao objeto da tua vontade. Se tu amas sem despertar amor recíproco, isto é, se teu amar, enquanto amar, não produz o amor recíproco, se mediante tua externação de vida (Lebensâusserung) como homem amante não te tornas homem amado, então teu amor é impotente, é uma infelicidade”.

Nota do Poli: as respostas foram fisgadas da obra “Manuscritos Econômico-Filosóficos”.

CONSELHO DE PSICOLOGIA COMEMORA LEI DO CASAMENTO HOMOSSEXUAL NA ARGENTINA

Do Psicologia Online:

Com 33 votos a favor, 27 contra e três abstenções, a Argentina aprovou, dia 15 de julho de 2010, lei histórica que legaliza o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O Conselho Federal de Psicologia comemora a iniciativa do país vizinho na aprovação da lei que garante a união civil entre pessoas do mesmo sexo, reconhecendo a família homoafetiva ou homoparental como forma legítima de constituição familiar, bem como o direito à adoção.

A Psicologia tem papel importante na luta contra o preconceito sobre a homossexualidade. Diversas pautas abraçadas pelo CFP estão relacionadas aos direitos humanos e à consolidação das políticas públicas, inclusive no combate à homofobia.

Em 1999, foi aprovada a Resolução nº1/1999 do CFP, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual.

Em 2008, o CFP lançou a cartilha “Adoção, um direito de todos e todas”, na qual são apresentados os argumentos necessários e importantes na luta pelos direitos LGBT não apenas aos psicólogos, mas também a outros profissionais, a respeito do desenvolvimento da criança e adolescente em lares de pessoas homossexuais.

O MEDO FAMILIAL DA VEREADORA DO PSDB (FRASE DO DIA)

“Você confiaria seus filhos para Dilma de Babá?”

A pérola da moral de classe é da vereadora PSDBista, Mara Gabrilli, que demonstrou todo o ressentimento do partido direitista.

Mamãe, papai, filhinho, meu pirão primeiro, para meu vizinho vale tudo, da minha porta para dentro, só o que me é vantajoso, na ordem do se dar bem, que é bem próxima aos partidos que carregam os anseios da auto-alcunhada elite brasileira. Os partidos, aliás – à exceção do PT, embora existam dentro deste segmentos capturados por esta subjetividade – seguem a mesma ordem familial: o culto à uma ordem moral tanática, a filiação como perpetuação dos valores da classe que se pretende dominante. Complexo de Cronos, consumindo como um buraco negro a produção intensiva e odiando tudo aquilo que não é imagem-clichê de suas reificações.

Daí o medo, como linguagem primária. O medo da vereadora em confiar seus rebentos a alguém que não comunga suas crenças e valores, é o mesmo da atriz Regina Duarte, que não encontrou em Lula um simulacro dos valores professados pelos seus patrões globais.

Medo de que seus filhos não sejam apenas apêndices natimortos, fiéis seguidores de um sistema de valores que depende da submissão e da violentação, pais da discriminação, do racismo, da homofobia, da xenofobia, da dor, da fome, e de todos os flagelos sociais.

Medo de que o seu ‘campeão’ ou a sua ‘princesa’ desvie a trajetória prevista pela tradição familiar, que produza um só signo que não esteja de acordo com o contrato familiar.

Medo, ainda, de que a babá, a empregada, ultrapassem a sua condição de acessórios da moral familiar, que deixe de exercer passivamente suas funções pedagógicas como objetos de propagação da discriminação e dos valores da classe decadente (inclusive sexual), e se tornem educadoras para a produção de outros valores, de uma outra moral.

Nada de comum-unidade, nada de produção de afetos e percepções, nada de transbordar outras formas de sentir, nada de liberdade. A frase da vereadora é a expressão de um modo de existir que estabelece um simulacro de relação, do qual o medo é apenas uma expressão. O medo do pai/mãe que ensina ao filho que o outro é sempre o inimigo, que a rua é sempre o território da guerra, e que o mundo é a origem da dor.

O medo que não interessa à democracia.