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QUE TIPO DE POLÍTICO É AMAZONINO MENDES?

O prefeito de Manaus, senhor Amazonino Mendes, ao declarar hoje (11) que as grandes conquistas de sua gestão até agora foram a Saúde através das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e o transporte público na cidade, em apresentação de videodocumentário, onde mostrou uma série de obras realizadas durante janeiro de 2009 e junho de 2011, período de sua administração na cidade, demonstrou ser um tipo de político raro. Não por se apresentar para a população como um político novo pelos seus feitos democráticos nuca antes vistos em prol do bem comum.

Amazonino realizou em sua fala a contradição maior que pode haver na produção de um discurso em relação à verdade. O senhor prefeito fez com que a verdade surgisse de modo metafísico na realidade por meio de seu discurso, pois suas palavras não foram engendradas a partir de um exterior (real) que, através de suas composições, faz com que a verdade apareça como efeito material do jogo de correlação de forças diversas. Em poucas palavras, seu discurso se fundamentou em uma quimera, uma vez que ele não tornou o real legível em suas palavras, pois estas não partiram do que foi um possível, ou seja, do que realmente aconteceu ou potencialmente pode vim acontecer.

Neste sentido, a raridade política de Amazonino repousa tranqüila na sua inexistência como homem político, pelo menos em três maneiras. Entre tantas formas e maneiras diversas de compreender o que é política, podemos nos fazer uso de uma tipologia de onde podemos destacar três, de certo modo, arbitrariamente. A primeira é a que chamamos de política profissional, ou seja, aquela que é reduzida aos governantes e parlamentares. A segunda a que podemos conhecer como uma espécie de sociedade política, isto é, o modo pelo qual a população busca garantir seus direitos através de reivindicações que asseiam um estado de vida em oposição a um estado de sobrevivência, seja por meio de instituições previstas pelo Estado ou por outras que, de certo modo e não definitivamente, independem do Estado. A terceira, diz respeito a produção da própria existência pelos indivíduos que desejam construir a si mesmos de modo livre.

Pois bem, em outras palavras, a política atravessa a existência de todos, indistintamente, através da representação, de resistências burocráticas completamente estatais ou não e de modo ético-ontológico. Os dois primeiros tipos, ambos assegurados pela ordem jurídica, para muitos, tornou-se lugar comum, colocá-los como efeitos de uma “autonomia do Estado” ou de um “Estado Autônomo”, o que são coisas bem diferentes entre si. Tal discurso procura desenvolver a tese de que o Estado seria uma instituição superior a todas as outras, central, o conjunto dos poderes e de seus exercícios, o responsável pela produção e sua circulação, e quem conseguir tomar sua posse será o responsável por tal poder, portanto o Estado, desse modo, ganha para si o caráter supervalorizado de ser atacado e ser ocupado.

Como acreditamos, junto com o companheiro Foucault, que o Estado não possui uma essência, não possui entranhas, não tem uma natureza, mas é apenas o efeito, o resultado de uma série de movimentos, procedimentos, transações, trocas, uma relação entre diversos fatores em lugares e posições diferentes, também acreditamos ser verdade o fato de que em nada adianta ocupar o Estado para fazer com que a política como ontologia consiga enfim suplantar as duas outras, a representativa e a institucional. Logo, não se trata aqui de criticar Amazonino no intuito de atacar ou ocupar o poder do Estado, mas antes de compreender que o discurso do prefeito faz com que percebemos que para ele não há uma cidade, não há um povo, muito menos indivíduos com suas singularidades. Amazonino, portanto, não se encaixa em nenhum dos tipos de política apresentados acima.

Então vejamos:

Amazonino fala da saúde e do transporte público como pontos positivos de seu governo. Estes dois serviços públicos são exatamente os maiores problemas enfrentados pela população de Manaus. E não se trata de tomar a voz do povo como nossa, mas basta sair pelas ruas manauaras para termos todos os sentidos invadidos pelas evidências de uma cidade que não possui os serviços básicos para garantir uma existência digna. Assim, o prefeito de Manaus não é um real governante, pois não fez com que os representados tivessem em seu representante, seus anseios resolvidos quando os votos depositados com essa esperança.

Amazonino também não pode se encaixar na sociedade política, pois inventou para si uma cidade fantástica onde os problemas praticamente não existem ou são resolvidos de um modo mágico onde somente ele consegue perceber os benefícios. Como a população pode reivindicar melhoras em uma cidade mágica onde tudo é perfeito; sendo a população imperfeita como resistir a uma gestão que beira a perfeição. Amazonino, metafisicamente impede a resistência da população, bem como pode achar absurdas as suas reivindicações, pois a cidade a cada dia só melhora, pelo menos para ele.

Quanto ao terceiro tipo de política, ético-ontológico, Amazonino parece não perceber que a produção da cidade não pode surgir somente de suas palavras, mas, completamente ao contrário, da fala e produção real de todos. Amazonino parece não ver que o que movimenta, faz circular, faz existir a cidade é o desejo que define o porquê das pessoas agirem, viverem, procurarem a vida em vez da sobrevivência. Amazonino, parece não perceber o quanto a cidade e seus moradores se entristece quando suas produções reais, quando o próprio real é subsumido por quimeras.

Contudo, o prefeito deixou claro não está fazendo nenhum tipo de campanha. Inclusive irá distribuir o videodocumentário para a população, pois assim o próprio trabalhador, a dona de casa, seu eleitor, digo, a população enfim, poderá ver e ouvir que o que ele diz é uma verdade com fundamentos reais. Amazonino fez questão de esclarecer que não se tratava de um ato de politicagem, pois “Vocês não irão ver aqui nenhuma referência pessoal ao prefeito”. Outros vídeos serão feitos “para que o cidadão receba sem filtro as informações, e possa medir e avaliar a (sua) administração”.

Enquanto isso, a população de modo afastado do fantástico e bem próximo da realidade já vem a muito fazendo sua avaliação toda vez que vai ao trabalho, que procura lugares para o lazer, toda vez que adoece, que procura uma cidade para viver dignamente. Ou será que o prefeito realmente acredita que são necessários vídeos com seus discursos para que a população enfim possa perceber o que está acontecendo em Manaus?

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Estudantes interditam avenida em frente à UFAM contra reajuste da tarifa

Do Portal D24AM

Manaus – Uma manifestação contra o aumento da tarifa do transporte coletivo deixou o trânsito na Avenida General Rodrigo Otávio completamente congestionado nesta terça-feira (22). Estudantes da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) se concentraram às 17h na frente da instituição e chamaram atenção de  outros alunos que passavam por lá no momento. Segundo os líderes estudantis, 600 estudantes interditaram as duas vias da pista, deram a volta na Bola do Coroado e retornaram à Universidade.

Com faixas, cartazes e nariz de palhaço, os manifestantes pediram o congelamento imediato da tarifa, e criticaram o prefeito de Manaus Amazonino Mendes. A manifestação foi motivada pelo anúncio de que a passagem de ônibus na capital pode subir para R$ 2,80 assim que os novos veículos entrarem no sistema. A manifestação foi bastante comentada no twitter, e as expressões #contraoaumentomao e #Rodrigo Otávio ficaram entre as mais comentadas no twitter  no final da tarde desta terça-feira.

Os estudantes também pediram que os veículos de Integração que fazem o transporte dentro da UFAM não sejam retirados pela Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), como foi cogitado.

Apesar do transtorno no trânsito, os motoristas mais próximos faziam sinal de apoio aos estudantes, estimulando o protesto. Para a mãe de família Shirlene Pinheiro, 45, a iniciativa foi válida. “O que os estudantes estão fazendo é muito certo. Meus filhos andam de ônibus, eu muitas vezes também preciso usar o transporte público. Vou chegar atrasada no meu compromisso, mas com dignidade, porque apoio a causa e se não estivesse no carro estaria andando com eles”, ressalta.

Segundo os policiais que acompanharam a manifestação, todo o percurso foi tranquilo, e o protesto foi pacífico até o fim.

Congestionamento

O Manaustrans informou que o engarrafamento causado pelo protesto ultrapassou a Avenida Rodrigo Otávio, congestionando também  a Efigênio Sales, a Bola da Suframa, e toda a André Araújo, entre 17h e 18h30.

Precipitado

Um pouco antes da Manifestação, o diretor de transportes do SMTU, Paulo Henrique, se reuniu na Pró Reitoria de Assuntos Comunitários da Ufam (Procomum) com autoridades da Universidade para discutir a questão dos ônibus Integração, entre outros assuntos. Ele disse que considera o protesto precipitado. “O valor da tarifa ainda não foi definido, e os cinco veículos de Integração vão continuar funcionando na Ufam. Essa manifestação é precipitada.”, declarou.

DROMONOTÍCIAS

No ministério da Cultura a advogada Márcia Barbosa será nomeada Diretoria de Direitos Intelectuais. A ministra da pasta da Cultura, Ana de Holanda, explicou que a advogada irá chefiar uma equipe encarregada de fazer uma revisão da proposta sobre a questão dos direitos autorais. “Vão ver a lei em vigor e essa lei proposta, que ninguém conhece, e ouvir as demandas todas que existem”. A propriedade intelectual (ou sobre uma produção imaterial), talvez, seja o mais importante desafio para uma nova economia política que aparece, pois este tipo de propriedade problematiza, exatamente, as novas formas de trabalho na sociedade pós-moderna ou pós-fordista. Ainda mais quando atualmente experimentamos uma desdiferenciação entre economia, política e cultura.______________________<<<<<<<<<>>>>>>>>>>>>

De acordo com a Agência Brasil: “Dilma destacou que dos 13 milhões de benefícios distribuídos anualmente, 93% são destinados a mães de família. “Com esse dinheiro, a mãe de família compra alimentos, compra os produtos de higiene e compra todos os produtos de primeira necessidade, inclusive material escolar. E aí gera renda também para o dono do mercadinho, da lojinha, da farmácia, fazendo então a roda da economia girar, gerando emprego e aumentando a riqueza de todos”, explicou.” A presidenta Dilma Rousseff fez a afirmação hoje no seu programa de rádio com o objetivo de antecipar as comemorações pelo dia internacional da mulher. A presidenta garantiu que sem a participação ativa das mulheres no programa de distribuição de renda, Bolsa Família, não haveria diminuição da pobreza. É o trabalho/economia mulher produzindo produção.(((((((((((((((((((((((((((((()))))))))).

Continuando com as comemorações do dia internacional das mulheres, com o objetivo de que mais mulheres tenham acesso a programas do governo como Fome Zero, Bolsa Família e o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), além de facilitar o acesso à inclusão bancária e ao microcrédito, entre os dias 09 e 11 de março, a Caixa Econômica Federal vai oferecer, em todas as suas agências, o serviço de inscrição do Cadastro de Pessoa Física (CPF) gratuitamente. È de grátis maninha!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!.

Ai!! Lula, Dilma, seus governos, mas acima de tudo, o povo, os pobres produtores da riqueza aqui e no mundo. Que foi? Brasil, maninha! Já é a copa do mundo e o Brasil marcou um golaço? Deixa de lezeira mana; não ta vendo que as opiniões positivas sobre a influência do Brasil no mundo tiveram o maior aumento entre as nações pesquisadas, passando de 40% a 49%. Isso é melhor do que um golaço. E não é nosso amor! Então vamos aproveitar que é carnaval e vamos pra folia e alegria dionisíaca. Vamos!!!!!!!_________———————————___________________.

As coisas estão de um jeito neste carnaval que jornal local notícia o óbvio em Manaus sobre as paradas de ônibus e na França a presidente do partido de extrema-direita Frente Nacional, Marine Le Pen, lidera as pesquisas do primeiro turno para a presidência francesa em 2012. Dionísio, onde estás nesse carnaval tua alegria e criação intempestiva, tua inteligência coletiva e monstruosidade de tudo que é considerado natural?

PAC Mobilidade Grandes Cidades terá R$ 18 bilhões para melhorar transporte público

Pedro Peduzzi e Luciana Lima
Repórteres da Agência Brasil

Brasília – As 24 maiores cidades do país, todas com mais de 700 mil habitantes (39% da população), poderão apresentar propostas de obras na área de transportes urbanos. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – Mobilidade Grandes Cidades está sendo lançado hoje (16) no Palácio do Planalto, em solenidade fechada à imprensa.

A cerimônia está sendo gravada pela TV NBR – canal da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) Serviços – e será exibida posteriormente. O evento ocorre neste momento e será o início do processo seletivo para projetos de infraestrutura na área de transporte público coletivo.

Serão destinados R$ 18 bilhões para este novo PAC. Destes, R$ 6 bilhões terão como origem investimentos diretos da União e R$ 12 bilhões virão de financiamentos. O objetivo é ampliar a capacidade de locomoção e melhorar a infraestrutura do transporte público nessas cidades.

De acordo com informe divulgado pela Presidência da República, serão selecionados projetos para a aquisição de equipamentos voltados à integração, ao controle e à modernização dos sistemas, além dos relativos à implantação e à melhoria da infraestrutura de transporte público coletivo.

Os projetos podem incluir sistemas de transporte sobre pneus, como corredores de ônibus exclusivos, de veículos leves sobre pneus e sistemas sobre trilhos, como trens urbanos, metrôs e veículos leves sobre trilhos.

A cerimônia de abertura do processo de seleção conta com a presença da ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, e do ministro das Cidades, Mário Negromonte.

O governo dividiu os 24 municípios atendidos pelo PAC Mobilidade em três grupos. O MOB 1 atende às capitais de regiões metropolitanas com mais de 3 milhões de habitantes. Ele corresponde a 31% da população brasileira e abrange o Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Recife, Fortaleza, Salvador e Curitiba.

O MOB 2 inclui municípios com população entre 1 milhão e 3 milhões milhões de habitantes, e corresponde a 4% da população do país. Nesse grupo, estão as cidades de Manaus, Belém, Goiânia, Guarulhos, Campinas e São Luís. O MOB 3 está voltado para cidades de 700 mil a 1 milhão de habitantes. Ela também corresponde a 4% da população brasileira. Nesse grupo serão beneficiados os municípios de Maceió, Teresina, Natal, Campo Grande, João Pessoa, São Gonçalo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu (RJ) e São Bernardo do Campo (SP).

Para serem selecionados, os projetos devem ser apresentados pelos estados e/ou municípios seguindo critérios pré-estabelecidos para enquadramento. Entre os critérios estão a garantia de sustentabilidade operacional dos sistemas, a compatibilidade entre a demanda e os modais propostos e a adequação às normas de acessibilidade.

Também terão prioridades projetos que beneficiem áreas com população de baixa renda, que já contem com projeto básico pronto e que tenham situação fundiária regularizada.

As inscrições poderão ser feitas no site do Ministério das Cidades a partir do dia 21 deste mês.

Edição: Graça Adjuto

SAI HOJE AS EMPRESAS HABILITADAS A CONTINUAREM NA DISPUTA PELO TRANSPORTE COLETIVO DE MANAUS

É nesta quarta-feira a divulgação das empresas habilitadas a continuarem no certame pelas licitações no transporte público de Manaus. O resultado parcial será no auditório da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) as 9 horas, Terminal Rodoviário, Flores e será divulgado pelos integrantes da Comissão Especial de Licitação.

Até agora o que foi feito foi a análise dos documentos apresentados pelas empresas interessadas. Após a divulgação das empresas que continuam na disputa haverá, por parte dos integrantes da Comissão, a verificação e análise do segundo lote de documentos entregues pelas empresas onde está a proposta para o valor de outorga e as garantias de capacidade técnica de operação.

Em Manaus, no que diz respeito ao funcionamento do sistema de transporte coletivo, é histórico o descaso do poder público responsável por este setor: a prefeitura de Manaus. Sendo que houve um grande acumulo de problemas correspondentes às várias gestões passadas somadas a atual de Amazonino Mendes. Uma das fortes razões de tantos problemas é a clara concepção anti-social que todos os governos desempenharam.

Em nenhum momento o transporte público em Manaus foi valorizado como estratégia para resolver os problemas de trânsito na cidade, bem como nunca houve em Manaus, pó parte do poder público, a compreensão de que o bem comum na cidade não se reduz a construções de vias.

Neste sentido, há uma evidente inversão na “lógica” social da cidade por parte do governo: ao invés de valorizar os responsáveis pela riqueza da cidade e os elementos necessários a produção dessa riqueza e, consequentemente, a estrutura material que possibilita estes dois primeiros (a saber, na ordem enunciada: o trabalhador, o trabalho e o transporte e a cidade como um todo), o governo sempre preferiu construções que “inexplicavelmente” tende a piorar a situação que antes vigorava.

As razões para essa inversão são óbvias e é justamente nos processos de licitação onde elas são desencadeadas. Outra coisa óbvia é que, por essas razões, Manaus continua carente de um governo que priorize o bem comum.

As empresas que participaram da primeira fase do processo de licitação e que podem ser habilitadas para continuarem no certame são:

City Transportes Ltda, Viação São Pedro Ltda, Rondônia Comércio e Extração de Minérios Ltda, Viação Nova Integração Ltda, Via Verde Transportes Coletivos Ltda, Transtol Empresa de Transporte Coletivo Toledo Ltda, Expresso Coroado Ltda, Global GNZ Empreendimentos e Participações Ltda e Auto Ônibus Líder Ltda,

QUEM FALA PELO POVO É O PRÓPRIO POVO – ÀS VEZES ATRAVÉS DE VAIAS

Na inauguração do Conjunto 12 que ocorreu na noite de sexta-feira (26) em Manaus, ao qual contou com a presença do presidente Lula, o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, foi vaiado pelo grupo de moradores do conjunto inaugurado as pressas.

Segundo os próprios moradores as vaias se deram em razão da falta de infra-estrutura em que o conjunto se encontra, e ainda assim inaugurado, somado a precariedade do serviço público de transporte coletivo e a falta de insegurança. Ainda que o serviço de segurança seja de responsabilidade do Estado do Amazonas, sabemos que a falta de infra-estrutura de um bairro e serviços precários como o transporte coletivo em Manaus contribuem em muito para que ações que geram a insegurança. Ainda mais quando o prefeito Amazonino se faz querer conhecido pela ação conjunta entre prefeitura e governo em Manaus.

Dias antes da inauguração, em razão da presença de Lula, partes da cidade receberam toques de maquiagem para que a verdadeira Manaus não visse à tona. Ledo engano. Amazonino não percebeu que quem produz a cidade e lhe dá o sentido estético-político, o qual faz com que possamos sentir a cidade como um espaço habitável e em prol do bem comum, não são apenas retoques de tintas e de asfalto temporários, mas a produção das pessoas que vivem e produzem na cidade e a sentem através de um conhecimento que se dá pela sensibilidade que engendra uma razão política do meio social em que todos vivem.

Para os moradores do Conjunto Cidadão 12, “Por que fizeram isso com o Amazonino? Porque ele anda de carro e nós de ônibus. Levamos três horas esperando” e continuaram: “Outro problema aqui é falta de policiamento. Temos muitos roubos aqui”. A quantidade de viaturas policiais no local, na hora do evento, era ampla. Esta quantidade que não se ver no dia-a-dia no conjunto e que se fez presente também devido a presença da autoridade nacional, o presidente, não pode ser encarada como sinônimo de segurança. Ao contrário, quanto mais a necessidade de um policiamento ostensivo em um bairro maior o sinal de que a insegurança ali impera.

Neste sentido, a fala de Lula, tentando amenizar as vaias recebidas pelo mandatário da capital do Amazonas, inteiramente respeitada pela população, carrega consigo um significado singular em relação a administração da atual gestão municipal em Manaus. Lula disse: “O seu primeiro ano na Prefeitura foi difícil, porque você trabalhou com o orçamento feito pelo antecessor. Só agora que você trabalha com o seu orçamento. Não precisa de pesquisa. Trabalhe e daqui a um ano as coisas vão melhorar”.

Este orçamento está ligado diretamente ao uso específico econômico das tecnologias de Estado que um governo deve está atento para governar de modo que os cidadãos não tenham seus direitos tolhidos e tenham os serviços públicos garantidos com qualidade. Daí que em um governo as ações sociais são realizadas em prol da coletividade e não de medidas que possam ser usufruídas por poucos. Em Manaus há muito tempo que não se ver um governo trabalhando para a coletividade. Não obstante, tanto com Amazonino como o seu antecessor, a ação econômica do governo não se fez como mecanismo necessário que garanta serviços públicos de qualidade.

Sobre as vaias Amazonino disse: “Nunca, na minha vida pública, eu sofri um vexame como esse, principalmente na frente de um presidente da República. Sou um homem idoso. Se o povo não me quiser, eu vou-me embora. Não espero o fim do mandato”. Amazonino parece ter a velhice como uma impotência que mereceria respeito não pelos anos de experiência que lhe garantiria domínio, controle e conhecimento sobre si próprio gerando em si um bom governo, podendo daí partir para um bom governo da cidade.

Se para Amazonino a razão de ser “idoso” pode significar aposentadoria, e esta possa significar ausência da vitalidade, ele não compreendeu que com a velhice, com a experiência, podemos afirmar que é necessário ter um poder sobre si para podermos exercer um poder sobre os outros. Uma ação que é primeiramente ética, mas que se espalha politicamente pela cidade. Uma ação que parte do indivíduo para a coletividade. Mas não esqueçamos que este mesmo indivíduo é afetado pela coletividade, justamente de onde ele faz prolongar sua ação no mundo. Produz a si mesmo enquanto produz a cidade.

Ora, deste modo, é o próprio povo que fala por si quando vaia Amazonino, pois é o próprio povo que percebe quem é o prefeito de Manaus como homem público e como a cidade se encontra como efeito do poder público municipal em Manaus. Da mesma forma percebe o que Lula representa para o povo brasileiro.

Veja o vídeo:

 

ENQUANTO MANAUS CONCORRE A PRÊMIO NACIONAL DE QUALIDADE EM TRANSPORTE COLETIVO PÚBLICO NA IMAGINAÇÃO, POVO DE MANAUS VIVE EFETIVAMENTE UM CAOS NO TRANSPORTE PÚBLICO

Dias atrás um cidadão da cidade de Manaus ao ser interrogado por um repórter, em uma das paradas de ônibus da cidade, se ele acreditava na fala do prefeito Amazonino que dizia transformar o sistema de transporte coletivo público de Manaus no mais moderno do Brasil para o ano que vem, o cidadão de pronto respondeu: “Levando em conta a história do transporte público de Manaus, defasado como é, se confundi com a história de Amazonino como governante da cidade, absolutamente não!”

A esta resposta acrescentaríamos que não somente Amazonino deve levar as glórias pelo caos que o transporte coletivo público é há muito tempo em Manaus. A situação alarmante em que se encontra o transporte coletivo em Manaus é efeito das más administrações públicas que prefeitos conhecidos do povo manauara, e que sempre se revezaram neste cargo público, bem como das ações conjuntas que já ocorreram, constituíram gestões mais em proveito próprio do que em prol do bem comum.

Se levarmos em conta que uma cidade sem transporte urbano, público, de qualidade e que favoreça aos habitantes da cidade um mínimo de conforto e utilidade, não existe, chegaremos a conclusão que Manaus é uma cidade inexistente. Sendo o transporte coletivo em uma cidade, um serviço público essencial para que outras atividades possam ser desempenhadas pelos trabalhadores que movimentam a produção e a riqueza para todos, sem este serviço a cidade se movimenta com um esforço diário que causa todo tipo de mal-estar aos corpos, tirando-lhes qualquer possibilidade de trabalhar em uma cidade que lhe garanta uma vida digna.

Em Manaus, os trabalhadores e suas famílias, enquanto cidadãos que precisam e pagam pelo transporte coletivo da cidade, não vivem, mas sobrevivem. Esta situação que beira a desumanidade constituiu-se como verdade na cidade devido a condição com que este serviço público sempre foi administrado. A prefeitura de fato nunca administrou este serviço por completo ou pelo menos manteve uma fiscalização rigorosa sobre as empresas privadas que tomam, temporariamente, as concessões públicas. Um exemplo é atual empresa Transmanaus que apenas juntou as outras empresas que já dominavam antes, ocasionando um monopólio do serviço.

Os empresários sempre estiveram à frente deste serviço e o povo manauara sempre foi o que sofreu com a irresponsabilidade do poder público que parece não compreender que se existe um poder soberano, este poder é do povo. Parece não compreender ou, simplesmente, não lhe interessa fazer uma administração pública governando para aqueles que produzem a cidade e apenas recebem em troca sofrimento: o povo.

Ontem, invertendo por completo a ação política onde primeiro se constitui o real para depois se constituir um discurso sobre este real, foi assinado, entre a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) e a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), um acordo que coloca Manaus entre as cidades concorrentes do Prêmio de Qualidade 2011.

Este prêmio é uma certificação que é entregue somente às empresas com comprovada excelência na prestação do serviço. Como Manaus, nem de longe possui esta excelência na prestação do serviço público transporte coletivo, tudo fica apenas na imaginação, isto é, uma idéia que nasce sem consistência real alguma. A imaginação só pode vim a se tornar algo real se houver um chamamento de ações efetivas para a produção do mundo social. Exatamente aquilo que envolve a relação entre sociedade civil e Estado, ou de outra forma, entre as ações de um governo e os serviços necessários para que a sociedade possa viver dignamente e não apenas sobreviver.

Lembrando a resposta do cidadão acima fica difícil nós pensarmos na transformação desta imaginação em algo real. Aliás, aprender a separar a capacidade dos homens de inventar e produzir a realidade como bem comum das catástrofes que a imaginação isolada pode favorecer, é uma ação política de todos.

A prefeitura de Manaus tem até setembro do próximo ano para se adequar às exigências da entidade ANTP, quando começa a avaliação do serviço de transporte coletivo público de Manaus.