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A ENERGIA ELETRICA ESTÁ QUASE CHEGANDO EM MANAUS

Direto do Jornal Catarse

No JORNAL PESSOAL nº 535 o jornalista paraense publicou uma matéria que interessa aos Amazonenses. Esse jornal  publica na íntegra a matéria. Leia baixo:

GRANDES PROJETOS: ELEFANTES BRANCOS?

Lúcio Flávio Pinto

Com seus 1.800 quilômetros de extensão, a linha de transmissão de energia de Tucuruí a Macapá e Manaus não é a mais extensa do Brasil. Mas é a de maior complexidade atualmente em construção. Ela possibilitará que a capital do Estado do Amazonas, a cidade de maior população da Amazônia (com dois milhões de habitantes), já superior a Belém, saia do seu atual isolamento e passe a fazer parte do Sistema Interligado Nacional.

O SIN une o Brasil quase por inteiro, sob um controle centralizado (do Operador Nacional do Sistema). O ONS compatibiliza cada uma das bacias hidrográficas do país, despachando energias de uma área com excesso de geração para outra, com escassez. É sistema único no mundo, em tais dimensões.

Mas para que chegue ao Amazonas, ao Amapá e à margem norte do Pará, a linha terá que atravessar o rio Amazonas, que pode atingir 40 quilômetros de largura em alguns trechos. Uma alternativa era o lançamento de cabos subaquáticos. A hipótese foi descartada. A solução foi fazer a travessia aérea.

Duas torres possibilitarão a passagem por sobre o mais extenso e volumoso rio do planeta, cuja bacia drena 8% da água doce superficial da Terra. Em cada margem do rio, as duas torres serão as maiores já erguidas em qualquer parte do mundo. Sua altura, de 295 metros, é só um pouco inferior à Torre Eiffel, o cartão postal de Paris.

Essa dimensão é necessária para dar segurança aos cabos, que percorrem 2,5 quilômetros sobre as águas turbulentas de cada lado do rio. Nesse ponto, ele tem intensa e franca navegação, como se fosse um braço de mar. No seu todo, a linha terá 3.351 torres, com alturas variando de 45 a 180 metros.

O circuito será duplo. Superado o Amazonas, uma linha, de menor tensão, seguirá no rumo leste por 350 quilômetros, até Macapá, a capital do Amapá, virada para o Oceano Atlântico. A outra linha, com mais do dobro de potência, infletirá no rumo oeste, por quase mil quilômetros, para atingir Manaus, no centro da selva amazônica.

Com o acesso à energia extraída do rio Tocantins, na barragem de Tucuruí, em operação desde 1984 (é a quarta maior do mundo, respondendo, sozinha, por 9% de toda geração nacional), o Brasil terá uma economia de dois bilhões de reais por ano, por deixar de usar derivados de petróleo nas usinas térmicas que atualmente suprem essas áreas.

Por esse cálculo, o investimento na linha, de R$ 3 bilhões, seria pago em pouco mais de um ano. Além dessa economia, o fornecimento predominante de energia renovável, reduzindo drasticamente o uso de combustível fóssil, evitaria a emissão na atmosfera de quase três milhões de toneladas de carbono.

Uma das vencedoras da licitação da linha, em março de 2008, foi a Manaus Transmissora de Energia S/A, uma SPE (Sociedade de Propósito Específico, o arranjo jurídico pelo qual as grandes empresas passaram a optar) formada pelas estatais Eletronorte, Chesf, e pela espanhola Abengoa. Essa empresa ficou com 586 quilômetros do “linhão”, no Amazonas e Pará. A Isolux , que também é espanhola, venceu sozinha os outros dois lotes, As obras deverão estar totalmente concluídos até julho deste ano, segundo o cronograma das empresas. A energização começou a ser testada neste mês.

Ainda há alguns pontos em aberto no processo de licenciamento ambiental pelo Ibama . O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis é criticado por demorar na emissão das licenças de operação, que precisam estar com as concessionárias a partir deste mês, quando podem começar os testes de energização.

A pressão é forte. Os moradores de Manaus são obrigados a conviver com cortes constantes no fornecimento de energia e água, atormentando a vida dos indivíduos e causando prejuízos às empresas. Na capital amazonense está instalado o maior parque industrial de montagem de matérias primas e insumos importados, que resultam em bens manufaturados (como aparelhos eletroeletrônicos e motocicletas), vendidos em todo país com isenção dos direitos federais sobre a importação. Um modelo de desenvolvimento polêmico, mas que continua a ser o fundamento da atividade produtiva na maior unidade federativa do Brasil (e a mais distante do Brasil).

O Ibama costuma ser excessivamente burocrático na apreciação de empreendimentos de grande porte e impacto, como o “linhão”. Mas é pouco provável que dê causa a atraso, mesmo que persistam dúvidas e suspeitas sobre os efeitos dessa obra. Atravessando extensas áreas de floresta densa, com árvores de mais de 40 metros de altura, essa nova linha certamente atrairá ainda mais raios do que a linha de Tucuruí a Belém.

Foi justamente por causa da suspensão no fornecimento da energia por essa linha que, 20 anos atrás, ocorreu o maior blecaute (de 12 horas seguidas) já sofrido por uma indústria de alumínio em todos os tempos. Na ponta desse circuito está a Albrás, a 8ª maior usina de alumínio primário do mundo, responsável por mais de 1% do consumo de energia de todo Brasil. Por pouco a fábrica não teve que ser demolida em função da demorada interrupção da energia. O acidente foi atribuído a um raio.

Na Amazônia, essas intervenções humanas costumam só ser percebidas e discutidas quando já estão realizadas e apenas se podem remediar seus eventuais fatores negativos, que não foram devidamente avaliados. As obras do “linhão” começaram há três anos. Sempre há pressa, com sua liturgia de justificações. Pressa que fez o governo militar gastar valor semelhante ao do “linhão” na hidrelétrica de Balbina.

Menos de três décadas depois, essa hidrelétrica pouco contribui para minorar a carência energética de Manaus, mercado ao qual se destinava. Talvez quando o “linhão” de Tucuruí passar por Balbina, a 200 quilômetros de Manaus, contribua para se realizar o que devia ter sido feito há tempos: arquivar essa usina – já que o açodamento não permitiu impedir que ela fosse construída, dando-lhe a condição de autêntico elefante branco. Dos inventados pelo homem, a Amazônia está cheia.

Para atingir sua capacidade nominal, de 250 megawatts, Balbina inundou uma área de 2,7 mil quilômetros quadrados, enquanto Tucuruí, que formou seu reservatório em três mil quilômetros quadrados represados no Tocantins, gera 8,4 mil MW. Em tese, 30 vezes mais. Na prática, mais ainda. Balbina jamais atingiu os 250 MW de projeto. Gera atualmente uma fração dessa potência.

O “linhão” também passará ao lado da futura hidrelétrica de Cachoeira Porteira, em Oriximiná. O projeto esteve dormindo em sono pesado nos últimos anos, mas o governo federal o está reativando. Quando, na década de 1980, parecia que a usina logo se tornaria realidade, a Construtora Andrade Gutierrez foi autorizada a desmatar a área do futuro reservatório. A madeira foi usada como lenha para secar a bauxita, produzida pela Mineração Rio do Norte. O minério não podia seguir úmido nos porões dos navios que o transportavam para o Canadá no inverno, para não congelar. Como a hidrelétrica não saiu, milhares de metros cúbicos de madeira nobre queimaram no forno da mineradora para satisfazer as exigências da multinacional canadense Alcan, que era sócia da MRN e, na época, a principal compradora do minério.

Histórias absurdas, mas verdadeiras, do caos que tem caracterizado a história recente da Amazônia.

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QUE TIPO DE POLÍTICO É AMAZONINO MENDES?

O prefeito de Manaus, senhor Amazonino Mendes, ao declarar hoje (11) que as grandes conquistas de sua gestão até agora foram a Saúde através das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e o transporte público na cidade, em apresentação de videodocumentário, onde mostrou uma série de obras realizadas durante janeiro de 2009 e junho de 2011, período de sua administração na cidade, demonstrou ser um tipo de político raro. Não por se apresentar para a população como um político novo pelos seus feitos democráticos nuca antes vistos em prol do bem comum.

Amazonino realizou em sua fala a contradição maior que pode haver na produção de um discurso em relação à verdade. O senhor prefeito fez com que a verdade surgisse de modo metafísico na realidade por meio de seu discurso, pois suas palavras não foram engendradas a partir de um exterior (real) que, através de suas composições, faz com que a verdade apareça como efeito material do jogo de correlação de forças diversas. Em poucas palavras, seu discurso se fundamentou em uma quimera, uma vez que ele não tornou o real legível em suas palavras, pois estas não partiram do que foi um possível, ou seja, do que realmente aconteceu ou potencialmente pode vim acontecer.

Neste sentido, a raridade política de Amazonino repousa tranqüila na sua inexistência como homem político, pelo menos em três maneiras. Entre tantas formas e maneiras diversas de compreender o que é política, podemos nos fazer uso de uma tipologia de onde podemos destacar três, de certo modo, arbitrariamente. A primeira é a que chamamos de política profissional, ou seja, aquela que é reduzida aos governantes e parlamentares. A segunda a que podemos conhecer como uma espécie de sociedade política, isto é, o modo pelo qual a população busca garantir seus direitos através de reivindicações que asseiam um estado de vida em oposição a um estado de sobrevivência, seja por meio de instituições previstas pelo Estado ou por outras que, de certo modo e não definitivamente, independem do Estado. A terceira, diz respeito a produção da própria existência pelos indivíduos que desejam construir a si mesmos de modo livre.

Pois bem, em outras palavras, a política atravessa a existência de todos, indistintamente, através da representação, de resistências burocráticas completamente estatais ou não e de modo ético-ontológico. Os dois primeiros tipos, ambos assegurados pela ordem jurídica, para muitos, tornou-se lugar comum, colocá-los como efeitos de uma “autonomia do Estado” ou de um “Estado Autônomo”, o que são coisas bem diferentes entre si. Tal discurso procura desenvolver a tese de que o Estado seria uma instituição superior a todas as outras, central, o conjunto dos poderes e de seus exercícios, o responsável pela produção e sua circulação, e quem conseguir tomar sua posse será o responsável por tal poder, portanto o Estado, desse modo, ganha para si o caráter supervalorizado de ser atacado e ser ocupado.

Como acreditamos, junto com o companheiro Foucault, que o Estado não possui uma essência, não possui entranhas, não tem uma natureza, mas é apenas o efeito, o resultado de uma série de movimentos, procedimentos, transações, trocas, uma relação entre diversos fatores em lugares e posições diferentes, também acreditamos ser verdade o fato de que em nada adianta ocupar o Estado para fazer com que a política como ontologia consiga enfim suplantar as duas outras, a representativa e a institucional. Logo, não se trata aqui de criticar Amazonino no intuito de atacar ou ocupar o poder do Estado, mas antes de compreender que o discurso do prefeito faz com que percebemos que para ele não há uma cidade, não há um povo, muito menos indivíduos com suas singularidades. Amazonino, portanto, não se encaixa em nenhum dos tipos de política apresentados acima.

Então vejamos:

Amazonino fala da saúde e do transporte público como pontos positivos de seu governo. Estes dois serviços públicos são exatamente os maiores problemas enfrentados pela população de Manaus. E não se trata de tomar a voz do povo como nossa, mas basta sair pelas ruas manauaras para termos todos os sentidos invadidos pelas evidências de uma cidade que não possui os serviços básicos para garantir uma existência digna. Assim, o prefeito de Manaus não é um real governante, pois não fez com que os representados tivessem em seu representante, seus anseios resolvidos quando os votos depositados com essa esperança.

Amazonino também não pode se encaixar na sociedade política, pois inventou para si uma cidade fantástica onde os problemas praticamente não existem ou são resolvidos de um modo mágico onde somente ele consegue perceber os benefícios. Como a população pode reivindicar melhoras em uma cidade mágica onde tudo é perfeito; sendo a população imperfeita como resistir a uma gestão que beira a perfeição. Amazonino, metafisicamente impede a resistência da população, bem como pode achar absurdas as suas reivindicações, pois a cidade a cada dia só melhora, pelo menos para ele.

Quanto ao terceiro tipo de política, ético-ontológico, Amazonino parece não perceber que a produção da cidade não pode surgir somente de suas palavras, mas, completamente ao contrário, da fala e produção real de todos. Amazonino parece não ver que o que movimenta, faz circular, faz existir a cidade é o desejo que define o porquê das pessoas agirem, viverem, procurarem a vida em vez da sobrevivência. Amazonino, parece não perceber o quanto a cidade e seus moradores se entristece quando suas produções reais, quando o próprio real é subsumido por quimeras.

Contudo, o prefeito deixou claro não está fazendo nenhum tipo de campanha. Inclusive irá distribuir o videodocumentário para a população, pois assim o próprio trabalhador, a dona de casa, seu eleitor, digo, a população enfim, poderá ver e ouvir que o que ele diz é uma verdade com fundamentos reais. Amazonino fez questão de esclarecer que não se tratava de um ato de politicagem, pois “Vocês não irão ver aqui nenhuma referência pessoal ao prefeito”. Outros vídeos serão feitos “para que o cidadão receba sem filtro as informações, e possa medir e avaliar a (sua) administração”.

Enquanto isso, a população de modo afastado do fantástico e bem próximo da realidade já vem a muito fazendo sua avaliação toda vez que vai ao trabalho, que procura lugares para o lazer, toda vez que adoece, que procura uma cidade para viver dignamente. Ou será que o prefeito realmente acredita que são necessários vídeos com seus discursos para que a população enfim possa perceber o que está acontecendo em Manaus?

NOTA DE REPÚDIO DA OAB DO ESTADO DO PARÁ CONTRA AMAZONINO

A Ordem dos Advogados do Pará divulgou nota de repúdio, condenando aquilo que classificou como “infeliz manifestação” do prefeito de Manaus Amazonino Mendes. A “infeliz manifestação” foi a completa demonstração de que antigo “coronel” Amazonino nada entende de governar uma cidade guiado pela produção coletiva (Razão), isto é, Amazonino deixou mais claro ainda que nada entende de governar para o bem comum, uma vez que seus atos refletem trêsimagens anti-sociais: 1º a evidência de que o problema urbano e, consequentemente, de moradia, em Manaus é latente; 2º ao contrário do que sempre sustentou, nada sabe do que é lhe dá com o povo; 3º não percebe que seu preconceito contra os paraenses, expõem mais ainda sua ignorância política e cidadã.

A nota na íntegra:

“NOTA DE REPÚDIO

A seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Estado do Pará vem de público manifestar seu repúdio a infeliz manifestação do excelentíssimo prefeito de Manaus, senhor Amazonino Mendes, que se portou  com desdém em relação aos menos favorecidos pela sorte, além de proferir declaração de cunho, manifestadamente preconceituoso, ao laborioso povo do Estado do Pará.

Esperamos que a referida autoridade tenha a grandeza de se retratar, desculpando-se com os pobres, que também ajudaram a elegê-lo, bem como com o povo do Pará – que na pessoa de uma mulher, foi ofendido – a fim de manter o equilíbrio que se deseja entre os entes federativos.

Outrossim, a OAB-PA espera que a partir de agora, o referido agente político se paute em assuntos de real interesse a coletividade.”

ARTIGO DO DEP. FED. PRACIANO: Plano Diretor I

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Artigo 182 da Constituição Federal estabelece a obrigatoriedade de um Plano Diretor para todas as cidades com mais de 20 mil habitantes, por ser ele o instrumento básico da política de desenvolvimento urbano.

De acordo com a Lei nº 10.527/2001, conhecida como ‘Estatuto da Cidade’, o Plano Diretor deve ser revisto, pelo menos, a cada dez anos. O mesmo Estatuto da Cidade determina que, para a elaboração de um Plano Diretor, os Poderes Legislativo e Executivo municipais deverão promover a realização de debates, audiências e consultas públicas, garantindo, assim, a participação dos movimentos populares, de ONGs, de empresários, de trabalhadores, das igrejas, dos Conselhos e da população, de modo geral.

Por que a sociedade deve participar da elaboração do Plano Diretor? Porque é por meio dele que se traçam as diretrizes para o desenvolvimento da cidade nas áreas econômicas, sociais e ambientais. O Plano Diretor deve, por exemplo, definir as áreas especiais para os pequenos empreendimentos comerciais, industriais e de serviço, para atividades informais, para agricultura familiar e para acomodar novas atividades econômicas urbanas (setor de comércio, distritos industriais, área para eventos, etc). Em suma, é por meio dele que o cidadão diz qual a cidade que deseja ter.

O Plano Diretor de Manaus teve sua última revisão em 2002. Em 2009, o prefeito enviou para a Câmara Municipal uma proposta de atualização do referido Plano. No entanto, o Ministério Público entendeu, corretamente, que a proposta encaminhada pelo prefeito não refletia a ampla participação popular exigida por lei e, desde 2009, a proposta se encontra à espera de conclusão. Sugiro aos senhores vereadores que promovam os debates com a sociedade que ainda se fizerem necessários e apresentem, urgentemente, o novo Plano Diretor da nossa cidade.

(Publicado terça-feira, 18 de Janeiro/2011, no Jornal Dez Minutos por Francisco Praciano)

 

CHUVA, VERBO IN-TRANSITIVO vs A INTRANSIGÊNCIA DA MISÉRIA DOS POLÍTICOS

Chove. O chover, na língua do brasileiro, herdada, digerida e transformada dos portugueses, é verbo intransitivo. Não transita? Não varia? Em Manaus, assim como em diversas outras cidades Brasil adentro, o chover não apenas é transitivo, como revolucionário. Trepidação da água, do turbilhão, que traz de volta o lixo jogado displicentemente na rua, pela imagem do pensamento mediatizada pelo infantilismo do capitalismo: jogou, sumiu.

Mas o que ele traz mesmo, a contragosto do sistema de produção linear e finito, que é o capitalismo, é o turbilhão da potência da natureza. Para a natureza, que nada sabe de sintaxe da língua portuguesa, chover é não apenas transitivo, como transitório e transacional. Trans-passar. A água transpassa o solo, e compõe com os corpos. Mas não compõe com o asfalto, com o concreto, com a cidade. Sobretudo se ela for a imagem do fracasso da criação, se ela for o espectro persecutório do fracasso e da impotência de seus governantes, através das décadas. Estes não percebem sequer uma gota de chuva caindo nos narizes; nem mesmo quando o povo, por fina ironia, sorri diante da evidenciação da miséria: quando se precisa sempre e sempre de algo, é porque a falta dele é irremediavelmente irreparável. Imagine que dor mais rasteira e dolorida que ser dependente de dinheiro? Quando ele deixa de ser meio, para ser fim. O povo sabe o tamanho do buraco sem fundo do político corrupto (=corrompido).

Aí a alagação não tem fim, porque o dinheiro não se atualiza em objetos produzidos a partir de uma perspectiva de produção social de modos de existência, de ética e de Bem Comum. Nada de bem-estar; é mal-estar na civilização manauara, mesmo.

Portanto, quando o igarapé alagar, quando a poça d`água surgir, quando a lama brotar, lembre-se que a natureza não faz política, mas o homem, sim. De um jeito, ou de outro.

QUEM FALA PELO POVO É O PRÓPRIO POVO – ÀS VEZES ATRAVÉS DE VAIAS

Na inauguração do Conjunto 12 que ocorreu na noite de sexta-feira (26) em Manaus, ao qual contou com a presença do presidente Lula, o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, foi vaiado pelo grupo de moradores do conjunto inaugurado as pressas.

Segundo os próprios moradores as vaias se deram em razão da falta de infra-estrutura em que o conjunto se encontra, e ainda assim inaugurado, somado a precariedade do serviço público de transporte coletivo e a falta de insegurança. Ainda que o serviço de segurança seja de responsabilidade do Estado do Amazonas, sabemos que a falta de infra-estrutura de um bairro e serviços precários como o transporte coletivo em Manaus contribuem em muito para que ações que geram a insegurança. Ainda mais quando o prefeito Amazonino se faz querer conhecido pela ação conjunta entre prefeitura e governo em Manaus.

Dias antes da inauguração, em razão da presença de Lula, partes da cidade receberam toques de maquiagem para que a verdadeira Manaus não visse à tona. Ledo engano. Amazonino não percebeu que quem produz a cidade e lhe dá o sentido estético-político, o qual faz com que possamos sentir a cidade como um espaço habitável e em prol do bem comum, não são apenas retoques de tintas e de asfalto temporários, mas a produção das pessoas que vivem e produzem na cidade e a sentem através de um conhecimento que se dá pela sensibilidade que engendra uma razão política do meio social em que todos vivem.

Para os moradores do Conjunto Cidadão 12, “Por que fizeram isso com o Amazonino? Porque ele anda de carro e nós de ônibus. Levamos três horas esperando” e continuaram: “Outro problema aqui é falta de policiamento. Temos muitos roubos aqui”. A quantidade de viaturas policiais no local, na hora do evento, era ampla. Esta quantidade que não se ver no dia-a-dia no conjunto e que se fez presente também devido a presença da autoridade nacional, o presidente, não pode ser encarada como sinônimo de segurança. Ao contrário, quanto mais a necessidade de um policiamento ostensivo em um bairro maior o sinal de que a insegurança ali impera.

Neste sentido, a fala de Lula, tentando amenizar as vaias recebidas pelo mandatário da capital do Amazonas, inteiramente respeitada pela população, carrega consigo um significado singular em relação a administração da atual gestão municipal em Manaus. Lula disse: “O seu primeiro ano na Prefeitura foi difícil, porque você trabalhou com o orçamento feito pelo antecessor. Só agora que você trabalha com o seu orçamento. Não precisa de pesquisa. Trabalhe e daqui a um ano as coisas vão melhorar”.

Este orçamento está ligado diretamente ao uso específico econômico das tecnologias de Estado que um governo deve está atento para governar de modo que os cidadãos não tenham seus direitos tolhidos e tenham os serviços públicos garantidos com qualidade. Daí que em um governo as ações sociais são realizadas em prol da coletividade e não de medidas que possam ser usufruídas por poucos. Em Manaus há muito tempo que não se ver um governo trabalhando para a coletividade. Não obstante, tanto com Amazonino como o seu antecessor, a ação econômica do governo não se fez como mecanismo necessário que garanta serviços públicos de qualidade.

Sobre as vaias Amazonino disse: “Nunca, na minha vida pública, eu sofri um vexame como esse, principalmente na frente de um presidente da República. Sou um homem idoso. Se o povo não me quiser, eu vou-me embora. Não espero o fim do mandato”. Amazonino parece ter a velhice como uma impotência que mereceria respeito não pelos anos de experiência que lhe garantiria domínio, controle e conhecimento sobre si próprio gerando em si um bom governo, podendo daí partir para um bom governo da cidade.

Se para Amazonino a razão de ser “idoso” pode significar aposentadoria, e esta possa significar ausência da vitalidade, ele não compreendeu que com a velhice, com a experiência, podemos afirmar que é necessário ter um poder sobre si para podermos exercer um poder sobre os outros. Uma ação que é primeiramente ética, mas que se espalha politicamente pela cidade. Uma ação que parte do indivíduo para a coletividade. Mas não esqueçamos que este mesmo indivíduo é afetado pela coletividade, justamente de onde ele faz prolongar sua ação no mundo. Produz a si mesmo enquanto produz a cidade.

Ora, deste modo, é o próprio povo que fala por si quando vaia Amazonino, pois é o próprio povo que percebe quem é o prefeito de Manaus como homem público e como a cidade se encontra como efeito do poder público municipal em Manaus. Da mesma forma percebe o que Lula representa para o povo brasileiro.

Veja o vídeo:

 

VEREADOR ZÉ RICARDO DIZ QUE PARLAMENTODE MANAUS É SUBSERVIENTE AO EXECUTIVO EM VEZ DE REPRESENTAR O POVO – PROJETO DE LEI DO ZONA SUL

Do sitio eletrônico do Vereador Zé Ricardo

O vereador José Ricardo Wendling (PT) contestou, na manhã desta quarta-feira (27), no plenário da Câmara Municipal de Manaus (CMM), a rejeição de todas as emendas ao Projeto do Zona Azul por parte da base aliada do prefeito. Para ele, essa atitude demonstra um parlamento subserviente ao executivo, votando em um projeto que só beneficia o interesse privado. “Nós somos representantes do povo e como tal tínhamos o poder e o dever de alterar o Zona Azul. E não aceitar a ingerência da Prefeitura”, afirmou, ressaltando que não era contra o projeto, já que o Centro precisa ser reordenado, mas que defendia alterações necessárias para melhorar a propositura.

José Ricardo subscreveu emendas propostas pelo vereador Marcelo Ramos (PSB), a fim de melhorar o projeto. Mas na sua essência, ele questionou a Prefeitura por ter repassado mais uma vez serviços públicos a uma empresa particular. “Porque não a Prefeitura administrar o Zona Azul e agregar os trabalhadores que estão lá há muitos anos? Estamos solidários à luta dessa categoria”.

Ele defendeu todas as emendas apresentadas, tanto pela oposição quanto pela situação. “Tínhamos emendas importantes para o projeto, como isenção para idosos e pessoas com deficiência, estipular horários e dias para a cobrança da taxa e definir área de abrangência do Zona Azul. Mas o parecer da Procuradoria da Câmara foi para rejeitar todas as emendas. Isso é um desrespeito com a população de Manaus”.

Voto contra
José Ricardo votou contra o Projeto Zona Azul – que foi aprovado em plenário com 22 votos a favor e onze contra – por ter sido levado à votação sem qualquer alteração para sua melhoria e que prejudica também os trabalhadores (guardadores de carro). “O que está parecendo é que o prefeito manda nesta Casa ao decidir que os vereadores da base aliada iriam votar contra todas as emendas”, disse ele, que ao fazer uma análise das emendas propostas verificou que nenhuma inviabilizava o projeto.

O parlamentar lembrou da Lei do Lixo, outra taxa criada pela Prefeitura e que até hoje não foi implementada. “O prefeito ainda não teve coragem de aplicar essa lei que foi aprovada a ‘toque de caixa’. Antes, a legislação iria começar a vigorar em janeiro, agora é só no meio do ano. Isso é sinal de que perdemos tempo e dinheiro quando discutimos essa propositura na Casa”, comentou, enfatizando ainda que a meia-passagem foi outra pauta aprovada na marra, justificando-se pelo fim das fraudes. “Mas até hoje também não mexeram no valor da tarifa do ônibus, que deveria ter sido reduzida e não reajustada, como fez a Prefeitura. São projetos como esses que têm outros interesses, menos prezar pela melhoria dos serviços públicos e da qualidade de vida da população da cidade de Manaus”.

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