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Greve dos bancários e a calçada anti-mendigo do Bradesco em Manaus

Segundo informações da Agência Brasil, a federação Nacional dos Bancos (Fenabah) apresentou ao Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), na madrugada de hoje (11), nova proposta para o índice de reajuste salarial para a categoria. Pela nova proposta haveria aumento real de 1,82%, elevando para 8% o índice de reajuste dos salários.

Esta nova proposta será levada às assembléias para votação. O comando de greve orienta todos os sindicatos a fazerem assembléias até a segunda-feira (14) e “que aprovem a proposta que inclui ainda reajuste de 8,5% do piso salarial (ganho real de 2,29%) e de 10% sobre o valor fixo da regra básica e sobre o teto da parcela individual da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A proposta também eleva de 2% para 2,2% o lucro líquido a ser distribuído linearmente na parcela adicional da PLR.”

Ainda segundo a Agência Brasil: “As negociações feitas ontem com a Fenaban duraram 16 horas. A compensação dos dias parados será feita de segunda a sexta-feira, até 15 de dezembro, com uma hora extra diária”.

 Calçada anti-mendigo do Bradesco em Manaus

Em Manaus, enquanto os grevistas permanecem paralisados em seus serviços bancários, um dos bancos privados com maior faturamento do mundo e responsável pelo repasse do pagamento dos funcionários públicos do estado do Amazonas – Banco Bradesco – realiza reforma em uma de suas agências, situada no bairro Parque 10 de novembro – considerado um bairro nobre de Manaus. Esta ação explicita a histórica indiferença dos banqueiros para com as pessoas em geral: bancários e clientes, por exemplo. Os banqueiros constituem o mais alto grau de representação da classe burguesa na história do capitalismo, inspirando frases de humor crítico letal, como esta de Bertold Brechet: “O que é pior: roubar um banco ou fundar um banco?”

A reforma na agência do Parque 10 culminou com a construção de uma calçada anti-mendigos, obrigando os clientes a tomarem um só caminho pré-determinado para ter acesso à agência. A configuração da calçada, construída com pedras pontiagudas que distam poucos centímetros entre si, é uma agressão direcionada e repressora para os mendigos, demonstrando o desprezo pela população e, até mesmo, pela humanidade.

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A medida tomada pelo Bradesco já foi realizada por outras instituições em outros locais do Brasil, inclusive em instituições públicas, como prefeitura do Rio de Janeiro (veja aqui).

Estas ações são exemplos práticos de assepsia social, que ultrapassam o desprezo que instituições, tanto privadas quanto públicas, têm pelo excedente social. Se, antes, a categoria de população era percebida de modo abstrato pelos economistas do séc. XVIII, por exemplo, (como bem demonstrou Karl Marx, no seu esforço de desvendar o mistério da mercadoria), hoje, a população deixa de ser uma abstração e passa a ser um conjunto de dados reais norteadores de ações públicas e privadas para a regulação e o controle social, sendo a assepsia, uma das formas preferidas de tratar o excedente social. Esta assepsia funciona, precisamente, como controle da sociedade sobre os indivíduos. A sociedade, por meio de suas instituições, age diretamente sobre o corpo dos indivíduos com a clara intenção de descartar os corpos, em sua visão, improdutivos e dispendiosos.

É sabido que a grave é um direito histórico conquistado pelos trabalhadores por meio de atos de recusa e resistência, que colocavam em dúvida a organização do mundo do trabalho na sociedade capitalista. Mas também, sabe-se que o direito a greve tornou-se uma espécie de luta de classes legalizada com limites estabelecidos pela ideologia jurídica burguesa. As evidências disso estão nas reivindicações que se concentram nos reajustes salariais, sem demonstrar preocupação com a mudança da relação trabalhador-patrão.

“O direito de greve é um direito burguês. Entendemo-nos: eu não disse que a greve é burguesa, o que não teria sentido, mas o direito de greve é um direito burguês. O que quer dizer, muito precisamente, que a greve só acede à legalidade em certas condições, e que essas condições são as mesmas que permitem a reprodução do capital.” (Bernard Edelman)

Para além desta relação, qual será a ação dos bancários da agência do Parque 10, em especial, quando retornarem ao trabalho?

O direito de greve pode ir muito além de reivindicações salariais; quando ele deixa de ser um mero direito constitucional e torna-se uma produção desejante de transformação da existência.

PF derruba esquema de R$ 40 mi em licitações no Amazonas e Rondônia

Esquema ilegal ocorrido em quatro órgãos públicos federais movimentou R$ 40 milhões em licitações ‘marcadas’, aponta PF.

MANAUS – Três organizações criminosas que fraldavam licitações e desviavam dinheiro público em órgão federais em Manaus, Parintins e Porto Velho foram alvo da operação Martelo da Polícia Federal (PF) no Amazonas e em Rondônia. A operação aconteceu nesta terça-feira (7) e rendeu a expedição de sete mandados de prisão temporária – seis para empresários e para um funcionário público – e 19 mandados de afastamento de servidores públicos de suas funções.

A deflagração da operação levou gerou, ainda, 30 mandados de busca e apreensão, 19 mandados de sequestro de bens móveis, três mandados de sequestro de bens imóveis.

A PF estima que o valor das fraudes envolvam licitações e contratos públicos que superem R$ 40 milhões. A investigação começou em 2007 e envolve quatro órgão públicos federais: Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Instituto Federal de Rondônia (IFRO).

Esquema

De acordo com o delegado da Polícia Federal responsável pela operação, Márcio Magno, uma das organizações criminosas envolvidas tinha atividades direcionadas exclusivamente à Funasa e as demais em nos outros órgãos federais investigados. “As quadrilhas atuavam de forma organizada aliando-se a servidores públicos, corrompendo-os de maneira a realizar seus objetivos que eram fraudar licitações, entregar uma quantidade menor de produtos do que os estabelecidos nos contratos, e algumas vezes, nem entregando esses produtos”, explicou.

A operação teve 150 policiais, 16 servidores da Controladoria-Geral da União (CGU) e 20 servidores da Polícia Federal no Amazonas e Rondônia. Foram expedidos sete mandados de prisão temporária: seis para empresários e para um funcionário público. Houve, ainda, 30 mandados de busca e apreensão, 19 mandados de afastamento de servidores públicos de suas funções, 19 mandados de sequestro de bens móveis, três mandados de sequestro de bens imóveis.

A PF ainda vai ouvir mais de 60 pessoas, entre investigados e testemunhas. Os mandados estão sendo cumpridos nas cidades de Manaus e Parintins, no Amazonas, e em Porto Velho (Rondônia).

Confissões

O delegado-adjunto da Polícia Federal no Amazonas, Rodrigo Almada, assegurou que todos os objetivos da operação saíram como esperado. “Todos os mandados de prisão foram cumpridos. Os documentos arrecadados foram muito elucidativos. Houve algumas confissões de pessoas dispostas a colaborar em troca de benefícios na hora de seus julgamentos e a contenção de roubos dos erários”, contou Almada.

Ele disse, ainda, que as setes pessoas detidas responderão por oito crimes: corrupção ativa e passiva, fraudes em licitação, peculato, crimes contra a ordem econômica, quadrilha, falsidade ideológica e uso de documento falso. “As pessoas já detidas passarão por exame de corpo de delito e ficarão na cadeia por cinco dias. Após esse período, se não houver mais nenhuma iniciativa por parte da autoridade policial, eles poderão estender por mais cinco dias a prisão ou liberá-los”, explicou Almada.

Questionado sobre medidas de seguranças para evitar mais ações criminosas, o delegado Márcio Magno afirmou ainda que as empresas envolvidas nas investigações estarão impedidas de participar de contratos com organizações públicas até o término dos processos. Os investigados devem, também, ter bloqueio de bens móveis e imóveis.

Outro lado

A reitora da Ufam, Márcia Perales, disse em nota, “que todas as medidas cabíveis foram tomadas para que a administração superior, preservando o dever de portar-se com absoluta transparência, pudesse disponibilizar, da melhor maneira possível, a documentação e demais informações indispensáveis para que ação viesse a transcorrer sem qualquer incidente e com plena efetividade”.

Em nome Instituto Federal de Rondônia, a seção sindical de Porto Velho do Sindicato Nacional dos Servidores Federais em Educação (Sinasefe) divulgou, por meio de nota, que “reforça seu posicionamento quanto às investigações concernentes à ‘Operação Martelo’, por prezar pela transparência”. O sindicato “deseja que os fatos sejam esclarecidos a todos os trabalhadores do IFRO, que hoje se sentem angustiados, à comunidade acadêmica e à sociedade em geral”.

Comentário do Poli: segundo informes vindos da cidade de Parintins/AM, a Operação Martelo apenas atingiu o início das atividades fraudulentas. Um exame em processos licitatórios e de compras realizados em 2011 e 2012 no IFAM, poderiam facilmente demonstrar que as fraudes continuam ocorrendo.
A PF terá ainda trabalho para desbaratar toda a quadrilha, que continua agindo.

A ENERGIA ELETRICA ESTÁ QUASE CHEGANDO EM MANAUS

Direto do Jornal Catarse

No JORNAL PESSOAL nº 535 o jornalista paraense publicou uma matéria que interessa aos Amazonenses. Esse jornal  publica na íntegra a matéria. Leia baixo:

GRANDES PROJETOS: ELEFANTES BRANCOS?

Lúcio Flávio Pinto

Com seus 1.800 quilômetros de extensão, a linha de transmissão de energia de Tucuruí a Macapá e Manaus não é a mais extensa do Brasil. Mas é a de maior complexidade atualmente em construção. Ela possibilitará que a capital do Estado do Amazonas, a cidade de maior população da Amazônia (com dois milhões de habitantes), já superior a Belém, saia do seu atual isolamento e passe a fazer parte do Sistema Interligado Nacional.

O SIN une o Brasil quase por inteiro, sob um controle centralizado (do Operador Nacional do Sistema). O ONS compatibiliza cada uma das bacias hidrográficas do país, despachando energias de uma área com excesso de geração para outra, com escassez. É sistema único no mundo, em tais dimensões.

Mas para que chegue ao Amazonas, ao Amapá e à margem norte do Pará, a linha terá que atravessar o rio Amazonas, que pode atingir 40 quilômetros de largura em alguns trechos. Uma alternativa era o lançamento de cabos subaquáticos. A hipótese foi descartada. A solução foi fazer a travessia aérea.

Duas torres possibilitarão a passagem por sobre o mais extenso e volumoso rio do planeta, cuja bacia drena 8% da água doce superficial da Terra. Em cada margem do rio, as duas torres serão as maiores já erguidas em qualquer parte do mundo. Sua altura, de 295 metros, é só um pouco inferior à Torre Eiffel, o cartão postal de Paris.

Essa dimensão é necessária para dar segurança aos cabos, que percorrem 2,5 quilômetros sobre as águas turbulentas de cada lado do rio. Nesse ponto, ele tem intensa e franca navegação, como se fosse um braço de mar. No seu todo, a linha terá 3.351 torres, com alturas variando de 45 a 180 metros.

O circuito será duplo. Superado o Amazonas, uma linha, de menor tensão, seguirá no rumo leste por 350 quilômetros, até Macapá, a capital do Amapá, virada para o Oceano Atlântico. A outra linha, com mais do dobro de potência, infletirá no rumo oeste, por quase mil quilômetros, para atingir Manaus, no centro da selva amazônica.

Com o acesso à energia extraída do rio Tocantins, na barragem de Tucuruí, em operação desde 1984 (é a quarta maior do mundo, respondendo, sozinha, por 9% de toda geração nacional), o Brasil terá uma economia de dois bilhões de reais por ano, por deixar de usar derivados de petróleo nas usinas térmicas que atualmente suprem essas áreas.

Por esse cálculo, o investimento na linha, de R$ 3 bilhões, seria pago em pouco mais de um ano. Além dessa economia, o fornecimento predominante de energia renovável, reduzindo drasticamente o uso de combustível fóssil, evitaria a emissão na atmosfera de quase três milhões de toneladas de carbono.

Uma das vencedoras da licitação da linha, em março de 2008, foi a Manaus Transmissora de Energia S/A, uma SPE (Sociedade de Propósito Específico, o arranjo jurídico pelo qual as grandes empresas passaram a optar) formada pelas estatais Eletronorte, Chesf, e pela espanhola Abengoa. Essa empresa ficou com 586 quilômetros do “linhão”, no Amazonas e Pará. A Isolux , que também é espanhola, venceu sozinha os outros dois lotes, As obras deverão estar totalmente concluídos até julho deste ano, segundo o cronograma das empresas. A energização começou a ser testada neste mês.

Ainda há alguns pontos em aberto no processo de licenciamento ambiental pelo Ibama . O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis é criticado por demorar na emissão das licenças de operação, que precisam estar com as concessionárias a partir deste mês, quando podem começar os testes de energização.

A pressão é forte. Os moradores de Manaus são obrigados a conviver com cortes constantes no fornecimento de energia e água, atormentando a vida dos indivíduos e causando prejuízos às empresas. Na capital amazonense está instalado o maior parque industrial de montagem de matérias primas e insumos importados, que resultam em bens manufaturados (como aparelhos eletroeletrônicos e motocicletas), vendidos em todo país com isenção dos direitos federais sobre a importação. Um modelo de desenvolvimento polêmico, mas que continua a ser o fundamento da atividade produtiva na maior unidade federativa do Brasil (e a mais distante do Brasil).

O Ibama costuma ser excessivamente burocrático na apreciação de empreendimentos de grande porte e impacto, como o “linhão”. Mas é pouco provável que dê causa a atraso, mesmo que persistam dúvidas e suspeitas sobre os efeitos dessa obra. Atravessando extensas áreas de floresta densa, com árvores de mais de 40 metros de altura, essa nova linha certamente atrairá ainda mais raios do que a linha de Tucuruí a Belém.

Foi justamente por causa da suspensão no fornecimento da energia por essa linha que, 20 anos atrás, ocorreu o maior blecaute (de 12 horas seguidas) já sofrido por uma indústria de alumínio em todos os tempos. Na ponta desse circuito está a Albrás, a 8ª maior usina de alumínio primário do mundo, responsável por mais de 1% do consumo de energia de todo Brasil. Por pouco a fábrica não teve que ser demolida em função da demorada interrupção da energia. O acidente foi atribuído a um raio.

Na Amazônia, essas intervenções humanas costumam só ser percebidas e discutidas quando já estão realizadas e apenas se podem remediar seus eventuais fatores negativos, que não foram devidamente avaliados. As obras do “linhão” começaram há três anos. Sempre há pressa, com sua liturgia de justificações. Pressa que fez o governo militar gastar valor semelhante ao do “linhão” na hidrelétrica de Balbina.

Menos de três décadas depois, essa hidrelétrica pouco contribui para minorar a carência energética de Manaus, mercado ao qual se destinava. Talvez quando o “linhão” de Tucuruí passar por Balbina, a 200 quilômetros de Manaus, contribua para se realizar o que devia ter sido feito há tempos: arquivar essa usina – já que o açodamento não permitiu impedir que ela fosse construída, dando-lhe a condição de autêntico elefante branco. Dos inventados pelo homem, a Amazônia está cheia.

Para atingir sua capacidade nominal, de 250 megawatts, Balbina inundou uma área de 2,7 mil quilômetros quadrados, enquanto Tucuruí, que formou seu reservatório em três mil quilômetros quadrados represados no Tocantins, gera 8,4 mil MW. Em tese, 30 vezes mais. Na prática, mais ainda. Balbina jamais atingiu os 250 MW de projeto. Gera atualmente uma fração dessa potência.

O “linhão” também passará ao lado da futura hidrelétrica de Cachoeira Porteira, em Oriximiná. O projeto esteve dormindo em sono pesado nos últimos anos, mas o governo federal o está reativando. Quando, na década de 1980, parecia que a usina logo se tornaria realidade, a Construtora Andrade Gutierrez foi autorizada a desmatar a área do futuro reservatório. A madeira foi usada como lenha para secar a bauxita, produzida pela Mineração Rio do Norte. O minério não podia seguir úmido nos porões dos navios que o transportavam para o Canadá no inverno, para não congelar. Como a hidrelétrica não saiu, milhares de metros cúbicos de madeira nobre queimaram no forno da mineradora para satisfazer as exigências da multinacional canadense Alcan, que era sócia da MRN e, na época, a principal compradora do minério.

Histórias absurdas, mas verdadeiras, do caos que tem caracterizado a história recente da Amazônia.

QUE TIPO DE POLÍTICO É AMAZONINO MENDES?

O prefeito de Manaus, senhor Amazonino Mendes, ao declarar hoje (11) que as grandes conquistas de sua gestão até agora foram a Saúde através das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e o transporte público na cidade, em apresentação de videodocumentário, onde mostrou uma série de obras realizadas durante janeiro de 2009 e junho de 2011, período de sua administração na cidade, demonstrou ser um tipo de político raro. Não por se apresentar para a população como um político novo pelos seus feitos democráticos nuca antes vistos em prol do bem comum.

Amazonino realizou em sua fala a contradição maior que pode haver na produção de um discurso em relação à verdade. O senhor prefeito fez com que a verdade surgisse de modo metafísico na realidade por meio de seu discurso, pois suas palavras não foram engendradas a partir de um exterior (real) que, através de suas composições, faz com que a verdade apareça como efeito material do jogo de correlação de forças diversas. Em poucas palavras, seu discurso se fundamentou em uma quimera, uma vez que ele não tornou o real legível em suas palavras, pois estas não partiram do que foi um possível, ou seja, do que realmente aconteceu ou potencialmente pode vim acontecer.

Neste sentido, a raridade política de Amazonino repousa tranqüila na sua inexistência como homem político, pelo menos em três maneiras. Entre tantas formas e maneiras diversas de compreender o que é política, podemos nos fazer uso de uma tipologia de onde podemos destacar três, de certo modo, arbitrariamente. A primeira é a que chamamos de política profissional, ou seja, aquela que é reduzida aos governantes e parlamentares. A segunda a que podemos conhecer como uma espécie de sociedade política, isto é, o modo pelo qual a população busca garantir seus direitos através de reivindicações que asseiam um estado de vida em oposição a um estado de sobrevivência, seja por meio de instituições previstas pelo Estado ou por outras que, de certo modo e não definitivamente, independem do Estado. A terceira, diz respeito a produção da própria existência pelos indivíduos que desejam construir a si mesmos de modo livre.

Pois bem, em outras palavras, a política atravessa a existência de todos, indistintamente, através da representação, de resistências burocráticas completamente estatais ou não e de modo ético-ontológico. Os dois primeiros tipos, ambos assegurados pela ordem jurídica, para muitos, tornou-se lugar comum, colocá-los como efeitos de uma “autonomia do Estado” ou de um “Estado Autônomo”, o que são coisas bem diferentes entre si. Tal discurso procura desenvolver a tese de que o Estado seria uma instituição superior a todas as outras, central, o conjunto dos poderes e de seus exercícios, o responsável pela produção e sua circulação, e quem conseguir tomar sua posse será o responsável por tal poder, portanto o Estado, desse modo, ganha para si o caráter supervalorizado de ser atacado e ser ocupado.

Como acreditamos, junto com o companheiro Foucault, que o Estado não possui uma essência, não possui entranhas, não tem uma natureza, mas é apenas o efeito, o resultado de uma série de movimentos, procedimentos, transações, trocas, uma relação entre diversos fatores em lugares e posições diferentes, também acreditamos ser verdade o fato de que em nada adianta ocupar o Estado para fazer com que a política como ontologia consiga enfim suplantar as duas outras, a representativa e a institucional. Logo, não se trata aqui de criticar Amazonino no intuito de atacar ou ocupar o poder do Estado, mas antes de compreender que o discurso do prefeito faz com que percebemos que para ele não há uma cidade, não há um povo, muito menos indivíduos com suas singularidades. Amazonino, portanto, não se encaixa em nenhum dos tipos de política apresentados acima.

Então vejamos:

Amazonino fala da saúde e do transporte público como pontos positivos de seu governo. Estes dois serviços públicos são exatamente os maiores problemas enfrentados pela população de Manaus. E não se trata de tomar a voz do povo como nossa, mas basta sair pelas ruas manauaras para termos todos os sentidos invadidos pelas evidências de uma cidade que não possui os serviços básicos para garantir uma existência digna. Assim, o prefeito de Manaus não é um real governante, pois não fez com que os representados tivessem em seu representante, seus anseios resolvidos quando os votos depositados com essa esperança.

Amazonino também não pode se encaixar na sociedade política, pois inventou para si uma cidade fantástica onde os problemas praticamente não existem ou são resolvidos de um modo mágico onde somente ele consegue perceber os benefícios. Como a população pode reivindicar melhoras em uma cidade mágica onde tudo é perfeito; sendo a população imperfeita como resistir a uma gestão que beira a perfeição. Amazonino, metafisicamente impede a resistência da população, bem como pode achar absurdas as suas reivindicações, pois a cidade a cada dia só melhora, pelo menos para ele.

Quanto ao terceiro tipo de política, ético-ontológico, Amazonino parece não perceber que a produção da cidade não pode surgir somente de suas palavras, mas, completamente ao contrário, da fala e produção real de todos. Amazonino parece não ver que o que movimenta, faz circular, faz existir a cidade é o desejo que define o porquê das pessoas agirem, viverem, procurarem a vida em vez da sobrevivência. Amazonino, parece não perceber o quanto a cidade e seus moradores se entristece quando suas produções reais, quando o próprio real é subsumido por quimeras.

Contudo, o prefeito deixou claro não está fazendo nenhum tipo de campanha. Inclusive irá distribuir o videodocumentário para a população, pois assim o próprio trabalhador, a dona de casa, seu eleitor, digo, a população enfim, poderá ver e ouvir que o que ele diz é uma verdade com fundamentos reais. Amazonino fez questão de esclarecer que não se tratava de um ato de politicagem, pois “Vocês não irão ver aqui nenhuma referência pessoal ao prefeito”. Outros vídeos serão feitos “para que o cidadão receba sem filtro as informações, e possa medir e avaliar a (sua) administração”.

Enquanto isso, a população de modo afastado do fantástico e bem próximo da realidade já vem a muito fazendo sua avaliação toda vez que vai ao trabalho, que procura lugares para o lazer, toda vez que adoece, que procura uma cidade para viver dignamente. Ou será que o prefeito realmente acredita que são necessários vídeos com seus discursos para que a população enfim possa perceber o que está acontecendo em Manaus?

Estudantes interditam avenida em frente à UFAM contra reajuste da tarifa

Do Portal D24AM

Manaus – Uma manifestação contra o aumento da tarifa do transporte coletivo deixou o trânsito na Avenida General Rodrigo Otávio completamente congestionado nesta terça-feira (22). Estudantes da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) se concentraram às 17h na frente da instituição e chamaram atenção de  outros alunos que passavam por lá no momento. Segundo os líderes estudantis, 600 estudantes interditaram as duas vias da pista, deram a volta na Bola do Coroado e retornaram à Universidade.

Com faixas, cartazes e nariz de palhaço, os manifestantes pediram o congelamento imediato da tarifa, e criticaram o prefeito de Manaus Amazonino Mendes. A manifestação foi motivada pelo anúncio de que a passagem de ônibus na capital pode subir para R$ 2,80 assim que os novos veículos entrarem no sistema. A manifestação foi bastante comentada no twitter, e as expressões #contraoaumentomao e #Rodrigo Otávio ficaram entre as mais comentadas no twitter  no final da tarde desta terça-feira.

Os estudantes também pediram que os veículos de Integração que fazem o transporte dentro da UFAM não sejam retirados pela Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), como foi cogitado.

Apesar do transtorno no trânsito, os motoristas mais próximos faziam sinal de apoio aos estudantes, estimulando o protesto. Para a mãe de família Shirlene Pinheiro, 45, a iniciativa foi válida. “O que os estudantes estão fazendo é muito certo. Meus filhos andam de ônibus, eu muitas vezes também preciso usar o transporte público. Vou chegar atrasada no meu compromisso, mas com dignidade, porque apoio a causa e se não estivesse no carro estaria andando com eles”, ressalta.

Segundo os policiais que acompanharam a manifestação, todo o percurso foi tranquilo, e o protesto foi pacífico até o fim.

Congestionamento

O Manaustrans informou que o engarrafamento causado pelo protesto ultrapassou a Avenida Rodrigo Otávio, congestionando também  a Efigênio Sales, a Bola da Suframa, e toda a André Araújo, entre 17h e 18h30.

Precipitado

Um pouco antes da Manifestação, o diretor de transportes do SMTU, Paulo Henrique, se reuniu na Pró Reitoria de Assuntos Comunitários da Ufam (Procomum) com autoridades da Universidade para discutir a questão dos ônibus Integração, entre outros assuntos. Ele disse que considera o protesto precipitado. “O valor da tarifa ainda não foi definido, e os cinco veículos de Integração vão continuar funcionando na Ufam. Essa manifestação é precipitada.”, declarou.

DROMONOTÍCIAS

No ministério da Cultura a advogada Márcia Barbosa será nomeada Diretoria de Direitos Intelectuais. A ministra da pasta da Cultura, Ana de Holanda, explicou que a advogada irá chefiar uma equipe encarregada de fazer uma revisão da proposta sobre a questão dos direitos autorais. “Vão ver a lei em vigor e essa lei proposta, que ninguém conhece, e ouvir as demandas todas que existem”. A propriedade intelectual (ou sobre uma produção imaterial), talvez, seja o mais importante desafio para uma nova economia política que aparece, pois este tipo de propriedade problematiza, exatamente, as novas formas de trabalho na sociedade pós-moderna ou pós-fordista. Ainda mais quando atualmente experimentamos uma desdiferenciação entre economia, política e cultura.______________________<<<<<<<<<>>>>>>>>>>>>

De acordo com a Agência Brasil: “Dilma destacou que dos 13 milhões de benefícios distribuídos anualmente, 93% são destinados a mães de família. “Com esse dinheiro, a mãe de família compra alimentos, compra os produtos de higiene e compra todos os produtos de primeira necessidade, inclusive material escolar. E aí gera renda também para o dono do mercadinho, da lojinha, da farmácia, fazendo então a roda da economia girar, gerando emprego e aumentando a riqueza de todos”, explicou.” A presidenta Dilma Rousseff fez a afirmação hoje no seu programa de rádio com o objetivo de antecipar as comemorações pelo dia internacional da mulher. A presidenta garantiu que sem a participação ativa das mulheres no programa de distribuição de renda, Bolsa Família, não haveria diminuição da pobreza. É o trabalho/economia mulher produzindo produção.(((((((((((((((((((((((((((((()))))))))).

Continuando com as comemorações do dia internacional das mulheres, com o objetivo de que mais mulheres tenham acesso a programas do governo como Fome Zero, Bolsa Família e o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), além de facilitar o acesso à inclusão bancária e ao microcrédito, entre os dias 09 e 11 de março, a Caixa Econômica Federal vai oferecer, em todas as suas agências, o serviço de inscrição do Cadastro de Pessoa Física (CPF) gratuitamente. È de grátis maninha!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!.

Ai!! Lula, Dilma, seus governos, mas acima de tudo, o povo, os pobres produtores da riqueza aqui e no mundo. Que foi? Brasil, maninha! Já é a copa do mundo e o Brasil marcou um golaço? Deixa de lezeira mana; não ta vendo que as opiniões positivas sobre a influência do Brasil no mundo tiveram o maior aumento entre as nações pesquisadas, passando de 40% a 49%. Isso é melhor do que um golaço. E não é nosso amor! Então vamos aproveitar que é carnaval e vamos pra folia e alegria dionisíaca. Vamos!!!!!!!_________———————————___________________.

As coisas estão de um jeito neste carnaval que jornal local notícia o óbvio em Manaus sobre as paradas de ônibus e na França a presidente do partido de extrema-direita Frente Nacional, Marine Le Pen, lidera as pesquisas do primeiro turno para a presidência francesa em 2012. Dionísio, onde estás nesse carnaval tua alegria e criação intempestiva, tua inteligência coletiva e monstruosidade de tudo que é considerado natural?

Saúde libera R$ 4,5 milhões para tratamento de pessoas com dengue no Amazonas

Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Ministério da Saúde liberou R$ 4,5 milhões para o tratamento de vítimas da dengue no estado do Amazonas. Desse total, Manaus receberá R$ 1,7 milhão. A capital amazonense enfrenta uma epidemia e responde por mais de 65% dos casos da doença registrados no estado nos dois primeiros meses do ano.

Os recursos serão usados para a compra de medicamentos, soro fisiológico, luvas e outros materiais para tratamento dos doentes. O governo federal autorizou, anteriormente, a liberação de R$ 6,6 milhões ao estado para abertura de leitos em Manaus e contratação de pessoal.

De janeiro a 25 de fevereiro, a Secretaria de Saúde do estado registrou 13.092 notificações (casos suspeitos e confirmados), sendo 8.812 em Manaus. Foram confirmadas oito mortes e 115 casos considerados graves.

Por causa do aumento de casos da doença no início de ano, nove municípios amazonenses estão em situação de emergência. São eles: Manaus, Humaitá, Nova Olinda do Norte, Barcelos, Lábrea, Tefé, Coari, Codajás e Itacoatiara.

Os quatro tipos virais de dengue circulam no Amazonas. O estado registrou dois casos de dengue 4, sorotipo que reingressou no país depois de 28 anos e provocou um surto em Roraima desde o ano passado. A maioria dos brasileiros não tem imunidade contra esse sorotipo, o que aumenta as chances de uma epidemia.

Edição: Juliana Andrade