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A TRISTEZA DO MINISTRO PADILHA

“Enquanto for ministro da Saúde do país a assinatura do Ministério da Saúde não vai entrar em um cartaz que diz, “Sou feliz sendo prostituta”. Porque não cabe ao Ministério da Saúde priorizar nas suas campanhas de saúde algo que é uma percepção individual. A frase não é nem dialogando com o fato de se existe prostituta feliz ou se existe prostituta triste. A frase é inversa, inclusive, fala que o motivo da felicidade é ser prostituta. Acho que há varias prostitutas que são felizes e várias outras prostitutas que são tristes. Como qualquer outra pessoa, prostituta fica triste e fica feliz. O que não cabe ao Ministério da Saúde é colocar no centro de uma campanha sua um tema que é de percepção individual e deixar de lado aquilo que é fundamental para esse público das prostitutas, que é a proteção.”

Se Padilha não fosse da turma do núcleo duro do PT, que acha que esquerda é só levantar bandeira e queimar pneu, e não quer estudar, saberia que a alegria é uma condição existencial, que não requer motivo ou elemento provocador. Ela é causa, e não efeito. É uma condição sine qua non da existência, a única coisa que não se pode arrancar-se a alguém, a verdadeira, e talvez, única condição de justificativa do homem neste planeta, que o preenche de sentido.

Bem diferente dos penduricalhos morais que servem de desculpa à existência vazia de um ministro atormentado por seus fantasmas sexuais.

FRASES E FRASES: a apropriação fetichista da ZARA através do trabalho escravo

“Mesmo um produto de qualidade, comprado no shopping center, pode ter sido feito por trabalhadores vítimas de trabalho escravo”.

(Frase de Giuliana Cassiano Orlandi, auditora fiscal que participou de todas as etapas da fiscalização ocorrida na investigação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) na empresa de confecções responsável pela marca internacional Zara, do grupo espanhol Inditex, onde foram encontrados trabalhadores estrangeiros em condições de trabalho análogas à escravidão. Para ler toda a detalhada reportagem realizada pela Repórter Brasil, acesse AQUI)

“Se, de fato, o fetichismo da mercadoria nasce da ocultação do caráter social do trabalho que a produziu, essa ocultação aqui poderá ser estendida a todos os efeitos do mecanismo de produção e de circulação das mercadorias, à produção da “marca”, à escravidão que a exploração em outsourcing global produz. O caráter de fetiche da mercadoria torunou-se “logo”, ou melhor, “logo” já é uma das definições mais pertinentes de O Capital. Fetiche, apropriação fetichista, espaço prasitário na organização do trabalho social. Parecerá o oposto da vida”

(Antonio Negri)

FRASES E FRASES: 50 anos da construção do Muro de Berlim

“O Miraculoso Ano de 1989”

Todas as datas são convencionais, mas a de 1989 é um pouco menos convencional que as outras. A queda do Muro de Berlim simboliza, para todos os contemporâneos, a queda do socialismo. “Triunfo do liberalismo, do capitalismo, das democracias ocidentais sobre as vãs esperanças do marxismo”, este é o comunicado vitorioso daqueles que escaparam por pouco do leninismo. Ao tentar acabar com a exploração do homem pelo homem, o socialismo, o socialismo multiplicou-a indefinidamente. Estranha dialética esta que ressuscita o explorador e enterra o coveiro após haver ensinado ao mundo como fazer uma guerra civil em grande escala. O recalcado retorna e retorna em dobro: o povo explorado, em nome do qual a vanguarda do proletariado reinava, volta a ser um povo; as elites com seus longos dentes, que pareciam ser desnecessários, voltam com toda força para retomar, nos bancos, nos comércios e nas fábricas seu antigo trabalho de exploração. O Ocidente liberal não se contém de tanta alegria. Ele ganhou a guerra fria.

Mas este triunfo dura pouco. Em Paris, Londres e Amsterdã, neste mesmo glorioso ano de 1989, são realizadas as primeiras conferências sobre o estado global do planeta, o que simboliza, para alguns observadores, o fim do capitalismo e de suas vãs esperanças de conquista ilimitada e de dominação total sobre a natureza. Ao tentar desviar a exploração do homem pelo homem para uma exploração da natureza pelo homem, o capitalismo multiplicou indefinidamente as duas . O recalcado retorna e retorna em dobro: as multidões que deveriam ser salvas da morte caem aos milhões na miséria; as naturezas que deveriam ser dominadas de forma global nos dominam igualmente de forma global, ameaçando a todos. Estranha dialética esta que faz do escravo dominado o mestre e dono do homem, e que subitamente nos informa que inventamos ecocídios e ao mesmo tempo as fomes em larga escala

(Bruno Latour em Jamais Fomos Modernos)

O ATIRADOR DE REALENGO E O NOSSO HORROR DE CADA DIA

A sociedade da teratogenia não pode produzir senão monstros. De todos os matizes. O atirador no Rio de Janeiro não é um desvio da norma social. Ao contrário, a confirma.

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EUA, junho de 2003: George W. Bush, então presidente estadunidense, disse que Deus teria ordenado que ele comandasse as invasões ao Iraque e Afeganistão. Na época, os EUA temiam o extremismo religioso do oriente…

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Rio de Janeiro, Abril de 2011: durante o percurso macabro, o atirador do Rio encontra um aluno no corredor. O aluno pede para não ser morto. O atirador diz que não o machucará. O aluno ora, e diz: “Deus me salvou”. O atirador deixa uma carta que expõe claramente o enredo religioso do ataque, falando em pureza, castidade, virgindade, com claras referências ao Velho Testamento. Se Deus salvou aquele aluno, por que não o fez com os outros?

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Deus salvou o garoto “gordinho” de morrer pelas mãos do atirador, mas não salvou o próprio atirador de ser vítima do ódio e da discriminação da sociedade de consumo.

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A Assembléia de Deus defende a castidade, a virgindade, a pureza. Seus fiéis elegeram e reelegeram Silas Câmara para a câmara federal. Silas é político ficha-suja na lei dos homens, mas é homem puro, casto, virgem sob as bênçãos do pastor.

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Jair Bolsonaro, deputado federal, defende a segregação racial, sexual e de gênero. É aplaudido por setores da sociedade, eleito e reeleito com mais de um milhão de votos. Bolsonaro defende a pureza, a castidade, a virgindade. Seus filhos dizem que o pai apenas diz “o que a maioria da população pensa”.

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Jovens atacam com golpes de lâmpada fluorescente, na Avenida Paulista, um grupo de rapazes. O motivo? Os jovens não são puros, castos, virgens, por serem, evidentemente, homossexuais. Os pais dos agressores alegaram que os filhos foram provocados. O que os terá incomodado na alegria dos gays?

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A  Igreja Católica Apostólica Romana fecha os olhos para o massacre dos povos egípcio, líbio, iemenista, sírio, palestino, dentre outros. Mas condena aquilo que considera impuro, promíscuo, e que não é virgem. A não ser que sejam padres praticantes da pederastia e pedofilia. Nestes casos, os olhos voltam a se fechar, contritos, a pedir em oração que Deus os salve.

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Nos EUA, onde os massacres em escolas são comuns, o Partido Republicano defende a castidade, a pureza, a virgindade, e disse na campanha eleitoral que Obama era mau porque era negro e filho de muçulmanos. Por que esse Deus misericordioso para o qual Sarah Palin e a família Bush dobram os joelhos todos os domingos permite que existam negros e muçulmanos?

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No Brasil, setores da igreja católica, evangélica e da religião espírita entram na onda de demonização da então candidata Dilma Rousseff, e encorpam campanha onde os dogmas da igreja são mais importantes que a política do Bem Comum.

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O atirador do Rio de Janeiro, em carta, pede que “um servidor fiel de Deus” ore na sua sepultura, esperando que Jesus venha despertá-lo do sono da morte para a vida. Mesmo fazendo referência ao filho do Deus cristão, há quem acredite que o atirador era muçulmano.

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A música gospel é um filão cada vez mais lucrativo da industria fonográfica. Cantores e cantoras disputam entre gemidos e gritos para ver quem canta mais alto seu amor por Deus. Nas letras, muitas referências a vencer, lutar, conquistar, e o entendimento que somente os preferidos alcançarão o Reino dos Céus. Deus parece responder, tornando seus adoradores cada vez mais ricos. Mas, e quem não tem dinheiro para comprar os cedês?

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A mídia lucra com esse Deus, seja no usual, seja no acidental. Quer seja um pastor no horário nobre cobrando pureza, castidade e virgindade dos seus fiéis em troca do dízimo, quer seja um atirador que levou a sério o Antigo Testamento e resolveu puniu os “impuros”, o produto bilioso dessa relação é transformado em cara mercadoria, cuja venda gera altos dividendos.

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A sociedade do consumo, entre espectadores e emissores, horroriza-se com um atirador que mata em nome de Deus, mas acha natural o massacre cotidiano cometido em Seu nome.

FRASES E FRASES COM FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

“Há direitos que são universais e não podemos abdicar deles. O Brasil tem obrigação de dizer ‘isso não’. Tem o limite de constrangimento do outro que é inaceitável”

“A capacidade de coagir tem que existir, mas hoje tem outros mecanismos de participação também importantes. Crescentemente vai ter que se usar o poder de convencimento e o Brasil nesse ponto de vista tem situação bastante privilegiada”.

“Na época em que fui criado só se concebia a revolução como meio de mudar a realidade existente. O país era criticado porque as elites políticas tinham tradição de conciliação. Será que não é essa a solução certa?”.

“Tivemos (Brasil) o bom senso de não avançar na questão nuclear e fazer acordo com Argentina. O soft power pode dar poder tão grande quanto se tivéssemos ido para o outro lado”.

(todas as frases acima são do ex- presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), conhecido também como Farol de Alexandria, em palestra sobre a contextualização do Brasil no cenário internacional feita no Tribunal Regional Federal da 1ª Região em Brasília. A seriedade e sobriedade de FHC é tão límpida que chega a nos motivar a pensar que a consciência pode existir sem uma contextualização histórica, sem uma materialidade que seja a sua produtora real. Talvez neste ponto FHC seja cartesiano. Pois como conceber direitos universais em uma globalização onde, no campo dos direitos humanos, há uma, manifestadamente, tendência hegemônica que dita quem viola ou não esses direitos universais. Como FHC percebe “mecanismos de participação” através do convencimento em um estado de coisas real que exige a revolução através da transformação da vida social em todos os seus sentidos e significados? Mas na elite ele encontra essa concordância! FHC, e ele sabe muito bem disso, pelo menos sabe perceber que o país mudou e se transformou para melhor. Isso ninguém pode negar.)

FRASES E FRASES ESPECIAL CELSO FURTADO

“Teremos de renunciar a ter uma política de desenvolvimento da mesma forma que renunciamos, no fim do século passado, a ter uma política de industrialização? Devemos aceitar a crescente internacionalização dos circuitos monetários e financeiros com a conseqüente perda da autonomia de decisões? E isso numa fase em que o protecionismo dos países centrais se reafirma? Que conseqüenciais sociais devemos esperar de uma prolongada redução na criação de emprego?

Dois pontos merecem ênfase numa estratégia para enfrentar a crise. O primeiro refere-se à necessidade de que o Brasil assuma iniciativas internacionais visando a encontrar uma solução mais ampla ao problema do endividamento progressivo dos países do Terceiro Mundo. Essa solução terá de ser compatível com a continuidade do desenvolvimento desses países e deverá favorecer a retomada da expansão do comércio internacional. O segundo ponto é que não há política de desenvolvimento se a ação do Estado não se orienta de forma prioritária para a solução dos problemas sociais. Subordinar a política econômica à administração da dívida externa é grave. Mas não é menos subordinar a solução dos mais urgentes problemas de uma sociedade à lógica de um crescimento econômico que não distingue entre o supérfluo e o essencial”

(Economista Celso Furtado in “A Nova Dependência: dívida externa e monetarismo”, de 1983. O que diria o economista sobre as ações e a forma de gerir o Estado durante o governo Lula?)

Imagem retirada daqui

FRASES E FRASES ESPECIAL

“A impressão deixada é que ao aceitar esse convite do MCT eu deixarei de falar o que penso. Ninguém vai me usar para criticar nem o presidente Lula, nem seu governo, nem a presidenta Dilma. Estou aceitando esse convite para contribuir com o Brasil”

(Miguel Nicolelis, considerado um dos maiores pesquisadores na área de neorociência, esclarecendo que não irá ocupar um cargo como funcionário do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), como foi publicado no jornal O Estado de S. Paulo. Jornal este que ainda frisou o fato de Nicolelis está aceitando o cargo mesmo tendo criticado o andamento da ciência no país. O que Nicolelis aceitou foi um convite para participar como voluntário na chamada Comissão do Futuro “para poder aprofundar toda a análise do que está errado na ciência brasileira”, como ele próprio afirmou em seu twitter).