BREVE COMENTÁRIO SOBRE A REJEIÇÃO DOS JOGADORES AOS SELECIONADOS NACIONAIS

O colunista Sócrates, de Carta Capital, em uma coluna recente, pergunta como é possível a um jogador estar enfastiado de vestir a camisa de seu país. Instigados com o tema, embora este apareça raramente por estes blog, resolvemos fazer um lançamento a curtíssima distância.

Caro Doutor,

As seleções apenas acompanharam o processo de enfraquecimento do sentido de nação, trazido pela onda chamada neoliberal, que só agora começa a se esfacelar.

Além disso, parece-nos que, ao menos na América do Sul (desconfiamos, na Europa também), os selecionados transformaram-se numa espécie de Cirque du Soleil, para apreciação de poucos e ‘bons’. Quem é que ganha com um Brasil e Argentina lá em Abu Dabi, além dos Sheiks, acostumados a pagar em petróleo seu entretenimento, e os cartolas de cá e de lá? Ninguém mais. E os jogadores, ainda que aparentemente alheios à politicagem fifática, se não o conseguem verbalizar, ao menos sentem isso. A consciência do trabalhador sabe-se explorada, ainda que ele próprio não compreenda bem como. Se em 1982 e 1986 já era assim, agora é que a coisa ficou escancarada mesmo. E não é que o mesmo não aconteça nos clubes: é que estes tem a vantagem da proximidade com o atleta-operário, e oferecer paliativos mais atrativos e consistentes: pagam-lhe o salário, oferecem moradia, assistência, etc, enquanto que as federações oferecem apenas prêmios. E o tempo do “bicho” acabou-se.

O futebol acaba entrando na ordem atual do trabalho no capital: uti et non frui, use e não desfrute. Na sociedade onde o capital não se reduz à venda de bens de consumo, mas de ideias e de estados de espírito, arranca-se do trabalhador aquilo que ele tem de mais valioso: o prazer de realizar o seu trabalho.

Não por acaso, depois de um ano estafante, de dezenas de milhares de minutos em campo, o que nossos jogadores fazem para se divertir? Vão jogar bola. O sentido é o mesmo que aponta o filósofo Baudrillard no sexo: há sexualidade em tudo, menos no sexo. Há alegria, ludicidade e prazer no brincar com a bola em qualquer lugar do mundo, menos nos campos da Fifa, da CBF, da AFA, etc. O simulacro do futebol explica porque os jogadores não ligam mais para seus selecionados.

COPA DO MUNDO DE FUTEBOL HOMELESS SERÁ NO BRASIL

Do Portal Vermelho:

Pela primeira vez, o Brasil será sede do Campeonato Mundial de Futebol Social, que reunirá de 19 a 26 de setembro, na praia de Copacabana, cerca de mil jovens em situação de risco social para participarem deste evento. No total, serão 48 seleções mundiais de futebol, nas categorias masculina e feminina.

Realizado desde 2003, o Mundial dos Homeless já passou por cidades como Milão, Melbourne, Copenhague e Cidade do Cabo. A ideia é ajudar a transformar as vidas de moradores de rua e jovens excluídos socialmente, aproveitando a oportunidade para trazer à tona discussões sobre a falta de moradia, problema comum a inúmeros países do mundo.

Com apoio da Riotur, da Nike, e das ONGs Futebol Social e Instituto Illuminatus, o Brasil receberá jogadores e jogadoras de países como França, Inglaterra, Escócia, Holanda, Portugal, Filipinas, Grécia, China e Estados Unidos, além de Palestina, Haiti e Coréia do Sul, que estreiam na competição em 2010.

"O Campeonato Mundial de Futebol Social é uma oportunidade para que pessoas excluídas do mundo inteiro saiam das margens da sociedade e se apresentem num palco global, como verdadeiros embaixadores de seus países. Suas vidas mudam para sempre”, afirma Mel Young, presidente da Homeless World Cup.

Ainda de acordo com Mel, este evento é a chance de "o Brasil e a cidade do Rio de Janeiro mostrarem que podemos ser líderes não só no futebol mundial, mas também na solução de seus problemas sociais", enfatiza.

ANDREW JENNINGS DIZ QUE BRASIL PODE SER MAIS VIGILANTE CONTRA CORRUPÇÃO DA FIFA

Jennings diz que os brasileiros estão sendo mais críticos do que os sul-africanos

Por Maurício Savarese, via Carta Capital

“Senhor Joseph Blatter, um pagamento secreto de uma empresa de marketing chegou por acidente à conta bancária da Fifa. Para quem era?” Essa pergunta, feita ao presidente da entidade em 2004 durante uma entrevista coletiva na Tunísia, mudou a vida do jornalista Andrew Jennings, hoje aos 67 anos de idade. Desde então, ele se tornou persona non grata pela entidade. Jennings diz que o pagamento secreto se destinava a dirigentes da entidade.

Desde sua profissionalização sob João Havelange, na década de 1970, a Fifa é cercada por empresas esportivas, empreiteiras, vendedoras de ingressos e outros ramos que estariam ligados à cúpula do futebol mundial, várias das quais foram alvo de investigações do escocês – que fez carreira no diário inglês Daily Mail e ganhou liberdade para suas reportagens investigativas em documentários da BBC. Jennings, que visitou o Brasil pela primeira vez para um congresso de jornalismo investigativo, fala sobre as razões que o motivam a continuar com seu trabalho e fala das formas de corrupção que costumam se associar a Copas do Mundo e Jogos Olímpicos. O Brasil receberá os dois: o primeiro em 2014 e o segundo em 2016.

Por que o senhor decidiu focar suas investigações na Fifa?

Posso dizer que os escolhi como alvo porque todo jornalista deve ter um alvo, um grupo que queira investigar. Eu sou incapaz de dizer qual é o resultado de um jogo, mas sei quando tem corrupção lá. E é apenas a porcaria do futebol! Como é que não pode ser transparente algo que não é questão de vida ou morte? A verdade é esta: eu sou um jornalista combativo e todo jornalista combativo precisa de um objetivo. O meu é mostrar o que fazem na Fifa, no COI.

É uma questão de nicho de mercado? Se é isso, por que vai a aeroportos do mundo inteiro para pressionar esses dirigentes?

Não é nicho de mercado, isso é só uma provocação. Acho que o futebol é importante para muita gente. E essas pessoas são roubadas. Investimento público é feito em estádios, em infraestrutura e em muitas áreas que têm a ver com o interesse público. Meu interesse não é saber se o Manchester United será campeão europeu, mas sim se o Brasil vai ser a parte dois de toda a corrupção que se viu na África do Sul nos últimos anos.

Onde que a corrupção surge em uma Copa do Mundo e nas Olimpíadas? E como se faz para investigar isso?

As empreiteiras, as vendas de ingresso e as empresas que fazem propaganda nesses eventos são grandes fontes de corrupção. E a fórmula para descobrir isso exige um pouco de sagacidade. Quando fiz a pergunta a Blatter, sabia que na Fifa há muitos funcionários honestos. Passei semanas vendo aquelas pessoas em Zurique, que ficavam encostadas na parede com cara de tédio enquanto o chefe delas falava. Havia um desconforto. Optei por, na primeira boa chance que tivesse, me sentar na primeira fileira e perguntar a Blatter da forma mais agressiva que podia sobre subornos da ISL [empresa falida de marketing esportivo]. Não o chamei de presidente Blatter. Foi tudo calculado para notarem que eu não tinha respeito por ele e que fazia um trabalho sério. A partir dali, os documentos internos começaram a chegar. E eles chegam até hoje. Sobre a África do Sul eu tenho material e sobre o Brasil eu também vou ter.

O que o senhor tem?

Muita coisa, mas não tenho pressa. Sou um jornalista à moda antiga, não preciso publicar nada amanhã. Acho que a informação pode se refinar conforme o tempo passa. Mas as dicas estão por aí. No caso da vitória do Brasil para receber os Jogos de 2016, faço apenas uma pergunta. O homem da ISL que se chama Jean-Marie Weber. Foi condenado à prisão na Suíça, é investigado até hoje. E no dia da votação em Copenhague ele estava com credencial, lá dentro, na área de imprensa. Cumprimentou o ex-presidente da Fifa João Havelange. O que será que Weber fazia ali? Agora, vocês brasileiros precisam de jornalismo para não serem a nova África do Sul. O que está feito, está feito. Deixem-me com esse trabalho [risos].

Jennings confronta Jean-Marie Weber em Copenhage, em 2009:

O senhor planeja vir ao Brasil para a Copa do Mundo ou para Rio-2016?

Não acredito nisso, mas eu também não pensei que um dia escreveria uma reportagem com o título “Eu sou o pior repórter do mundo”, listando no Daily Mail todos os dirigentes da Fifa que não aceitam conversar comigo. Fiquei empolgado ao ver que vocês são mais críticos do que os sul-africanos, que demoraram muito até descobrir todas as sujeiras que fizeram. Se eu vier vai ser divertido, porque vocês têm senso de humor e isso é excelente para você pegar esses corruptos que estão no esporte. Sabem se divertir.

Quais são os riscos que o Brasil corre na próxima Copa do Mundo?

Como a África do Sul foi lesada em seu Mundial? A África do Sul teve de se render à Fifa para organizar a Copa. Além da corrupção dentro da própria entidade, a Fifa corrompe os países que recebem o evento. O principal escoadouro de recursos é a construção de estádios. Quando se sabe que haverá investimento público em estádios, acionam o secretário-geral, Jerome Valcke. O sistema é simples: se o estádio vira uma questão de injetar recursos públicos, eles atrasam a obra. Quando isso acontece, surgem os chamados recursos emergenciais. Está feito o estrago: um estádio que custaria 200 milhões de dólares, como o de Port Elizabeth, na África do Sul, se transforma em um elefante branco de 350 milhões. Já notei que os estádios de vocês ainda não saíram do papel. Dá para imaginar o que pode acontecer, não? A Copa do Brasil pode ser a Copa da África do Sul 2 se houver dinheiro público para estádios.

O risco se limita aos estádios ou há mais?

Claro que há mais. O Brasil não terá um retorno financeiro como o projetado – assim como em todas as últimas Copas do Mundo – porque algumas receitas, superestimadas por sinal, são simplesmente engolidas pela corrupção. Um exemplo é a venda de bilhetes. Saiba que vocês não vão ficar com as receitas de nenhuma entrada vendida aqui. O Brasil é só o hospedeiro, mas os bilhetes, os estádios e muito do que vier de recurso ficará nos bolsos de estrangeiros. A África do Sul prometeu ao seu povo uma Copa do Mundo sem exageros. Mas enriqueceu dirigentes com milhões de dólares vindos de corrupção, de superfaturamento de obras. O Brasil corre o mesmo risco. Na África a imprensa levou anos para denunciar isso. Aqui vocês parecem estar mais atentos, mas os riscos são claramente os mesmos.

Qual é a sensação de ser o único repórter do mundo banido pela Fifa? Como lida com as críticas de ser um “pavão da reportagem”, como já disseram membros da Fifa e do COI?

Eu sou mais pobre hoje do que era há 20 anos, quando não investigava a Fifa. Viajar custa caro e nem sempre pagam as minhas passagens. Mas vou aonde for necessário para ouvir uma boa fonte. Não sei se sou um pavão, acho que sou apenas um velho que se veste mal e que acha que o Google não resolve todos os problemas do jornalismo. Acho que gastar os sapatos, ter senso crítico e exercer o senso de humor são o centro da minha profissão.

UTILIDADE PÚBLICA: “Programa Bolsa Atleta”

 

MINISTÉRIO DO ESPORTE

PROGRAMA BOLSA ATLETA

O QUE É?

Garantir uma manutenção pessoal mínima aos atletas de alto rendimento, que não possuem patrocínio, buscando dar condições para que se dediquem ao treinamento esportivo e participação em competições visando o desenvolvimento pleno de sua carreira esportiva.

Investir prioritariamente nos esportes olímpicos e paraolímpicos, com o objetivo de formar, manter e renovar periodicamente gerações de atletas com potencial para representar o País nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos.

PRÉ-REQUISITOS

Os interessados devem se encaixar em uma das categorias abaixo discriminadas:

Categoria ESTUDANTIL: R$ 300,00

Pré-Requisitos:

  • Maior de 12 anos.
  • Estar regularmente matriculado em instituição de ensino, pública ou privada.
  • Não possuir qualquer tipo de patrocínio, entendido como tal a percepção de valor pecuniário, eventual ou permanente, resultante de contrapartida em propaganda.
  • Não receber salário pela prática esportiva.
  • Ter participado de competição no ano imediatamente anterior àquele em que está pleiteando a Bolsa, tendo obtido a seguinte classificação: Esportes Individuais (classificado de 1º a 3º lugar nos JEBs e JUBs – Jogos organizados pelo Ministério do Esporte); Esportes Coletivos (Estar entre os 24 melhores atletas selecionados).

Categoria NACIONAL: R$ 750,00

Pré-Requisitos:

  • Maior de 14 anos.
  • Estar vinculado a uma entidade de prática desportiva (clube).
  • Não possuir qualquer tipo de patrocínio, entendido como tal a percepção de valor  pecuniário, eventual ou permanente.
  • Não receber salário pela prática esportiva.
  • Ter filiação à Entidade de Administração de sua modalidade, tanto Estadual (Federação) como Nacional (Confederação).
  • Ter participado de competição no ano imediatamente anterior àquele em que está pleiteando a Bolsa, tendo obtido a seguinte classificação: De 1º a 3º lugar no evento máximo nacional organizado pela Entidade Nacional de Administração de sua modalidade ou; De 1º a 3º lugar no ranking nacional por ela organizado.

Categoria INTERNACIONAL: R$ 1.500,00

Pré-Requisitos:

  • Maior de 14 anos.
  • Estar vinculado a uma entidade de prática desportiva (clube).
  • Não possuir qualquer tipo de patrocínio, entendido como tal a percepção de valor pecuniário, eventual ou permanente.
  • Não receber salário pela prática esportiva.
  • Ter filiação à Entidade de Administração de sua modalidade, tanto Estadual (Federação) como Nacional (Confederação).
  • Ter participado de competição no ano imediatamente anterior àquele em que está pleiteando a bolsa, tendo obtido a seguinte classificação: De 1º a 3º lugar em Campeonatos Mundiais de sua modalidade; Jogos ou Campeonatos Pan-americanos e Parapan-americanos ou; Jogos ou Campeonatos Sul-americanos.

Categoria OLÍMPICA E PARAOLÍMPICA: R$ 2.500,00

Pré-Requisitos:

  • Maior de 14 anos.
  • Estar vinculado a uma entidade de prática desportiva (clube).
  • Não possuir qualquer tipo de patrocínio, entendido como tal a percepção de valor pecuniário, eventual ou permanente.
  • Não receber salário pela prática esportiva.
  • Ter filiação à Entidade de Administração de sua modalidade, tanto em nível Estadual (Federação) como Nacional (Confederação).
  • Ter integrado na qualidade de atleta a delegação brasileira na última edição dos Jogos Olímpicos ou Paraolímpicos.

PASSO A PASSO DA INSCRIÇÃO

  1. Acessar o site www.esporte.gov.br, clicar no ícone do Bolsa Atleta e depois em Inscrições;
  2. Preencher a ficha de inscrição por completo, com suas informações pessoais, informações sobre as entidades e sobre as competições que participou. Obs: todas as informações prestadas na ficha são de inteira responsabilidade do atleta, por isso é importante conferi-las antes de finalizar a inscrição. Qualquer alteração nos dados após a finalização da inscrição deve ser solicitada ao Bolsa Atleta através do e-mail duvidasbolsa@esporte.gov.br;
  3. Imprimir e assinar a ficha cadastral, que será enviada ao Bolsa Atleta em conjunto com os demais documentos;
  4. Guardar o Login e a Senha que serão fornecidos automaticamente, para acompanhar a situação de sua inscrição, no site do Programa Bolsa Atleta, no link Área Restrita;
  5. Enviar, para o endereço da Secretaria Nacional do Esporte de Alto Rendimento, a ficha de inscrição assinada e todos os documentos necessários: RG e CPF (cópia); Declaração Pessoal; do Clube; da Federação; da Confederação; Histórico de Resultados (apenas para modalidades não-olímpicas e Categoria Atletas de Base) dentro do prazo estabelecido e divulgado no site do Programa Bolsa Atleta.

DÚVIDAS FREQUENTES

Como faço para me inscrever no Bolsa-Atleta?

A inscrição é feita exclusivamente via internet (on-line), por meio do site http://www.esporte.gov.br/snear/bolsaAtleta. No link do Bolsa Atleta os atletas devem preencher completamente o cadastro, imprimi-lo, assiná-lo e enviá-lo em conjunto com a documentação exigida em lei.

Para onde devo enviar a minha documentação após finalizar a inscrição on-line?

Após a inscrição, o atleta deverá enviar o formulário preenchido e assinado junto com a documentação exigida para o seguinte endereço:

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MINISTÉRIO DO ESPORTE
SECRETARIA NACIONAL DE ESPORTE DE ALTO RENDIMENTO
SAN QUADRA 03 BLOCO – A  ED. NÚCLEO DOS TRANSPORTES – DNIT
1º ANDAR CEP-70.040.902 BRASILIA/DF

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Como faço para acompanhar a minha situação junto ao Bolsa-Atleta?

Após a inscrição on-line, o nosso sistema irá gerar um login e uma senha para o atleta acompanhar o seu processo via internet, na área restrita do Bolsa-Atleta.

Lá o atleta obterá todas as informações sobre o seu pleito.

Como fico sabendo o resultado do meu pleito?

Na área restrita, o atleta visualizará sua situação junto ao Bolsa-Atleta e no menu "Nomenclatura das situações" entenderá o andamento do processo.

O Ministério do Esporte comunicará o resultado do pedido da Bolsa para o endereço postal e/ou eletrônico do atleta informado no formulário de inscrição.

Como sei se fui contemplado?

Ao final do processo de análise de todas as documentações de inscrição, o Ministério do Esporte divulgará a lista dos contemplados no Diário Oficial da União e posteriormente no site do Ministério. Essa informação também poderá ser obtida pelo atleta através de sua área restrita. Os contemplados passarão a situação: "Renovado" ou "Adesão".

Como faço para abrir minha conta e começar a receber o benefício?

O atleta com o nome publicado na lista de contemplados deverá aguardar a chegada do Termo de Adesão no endereço fornecido no momento da inscrição. Com o Termo em mãos, o atleta deverá se dirigir a qualquer agência da Caixa Econômica Federal.

A Caixa Econômica Federal é responsável pela devolução do Termo devidamente assinado. Com a chegada deste a conta do atleta será ativada e o mesmo começará a receber o benefício no mês posterior. OBS: CASO O ATLETA TENHA SIDO CONTEMPLADO NO ANTERIOR, A CONTA SÓ SERÁ ATIVADA QUANDO A PRESTAÇÃO DE CONTAS ESTIVER "Atendida".

Como faço para Prestar Contas?

Após o recebimento da 12º parcela, os atletas terão 30 dias para prestar contas junto ao Bolsa-Atleta. A Prestação de Contas refere-se ao envio de declarações atestando o uso do benefício para a manutenção pessoal esportiva. Os modelos de declarações encontram-se no site http://www.esporte.gov.br/snear/bolsaAtleta, no menu PRESTAÇÃO DE CONTAS.

Como faço para tirar dúvidas específicas?

Através do site do programa e da área restrita do atleta, é possível obter todas as informações a respeito do programa e do pleito. Se mesmo assim surgirem dúvidas o atleta poderá esclarecê-las através do e-mail do programa: duvidasbolsa@esporte.gov.br.

OUTRAS INFORMAÇÕES

No site: http://www.esporte.gov.br/snear/bolsaAtleta/default.jsp

No e-mail: duvidasbolsa@esporte.gov.br

A COPA AUTÔMATA DA NEURÓTICA FIFA

“Para tornar uma máquina automática é preciso sacrificar muitas possibilidades de funcionamento. Para tornar um objeto prático automático, é preciso estereotipá-lo em sua função e torná-lo frágil” (Jean Baudrillard)

Quando o então presidente da FIFA, o franco-brasileiro João Havelange, assumiu a entidade, no final dos anos 60, cunhou uma frase que serviu de epígrafe para as décadas em que ficou à frente da entidade: “eu vim para vender um produto chamado futebol”. De lá pra cá, a ordem do mercado inundou aquilo que era esporte e jogo, e introduziu a gestão do futebol no regime semiótico da produção do capital, que passa por uma sistematização ideológica que é a do automatismo.

Se hoje a Copa do Mundo é um evento que se organiza sobre um sistema de gestão fechado, onde o dinheiro circula sempre no sentido da acumulação de capital pela Fifa e patrocinadores, a despeito dos países, não se pode reduzir essa influência apenas à sistematização estratégica organizacional do evento em si, mas é preciso compreender que esta automatização, enquanto relação ideológica do homem com os objetos relacionados ao sistema-futebol, também entra em campo. E, uma vez no gramado, transforma essas relações.

ALGUNS RASTROS DA AUTOMAÇÃO NO FUTEBOL

O “Volantismo”

Quando Dunga divulgou os seus selecionados, a grita geral foi a de que o meio-campo canarinho seria excessivamente defensivo, com a predominância de volantes, e que a técnica e o refino foram elementos secundários ou mesmo ausentes dos critérios do técnico. O que a imprensa parece ignorar é que o volantismo é acontecimento internacional. A tendência do futebol dito moderno é a predominância nos elencos de jogadores que saibam ao mesmo tempo exercer funções defensivas e de criação ofensivas. Isso não é de hoje. Mas é, atualmente, no futebol da Inglaterra – não por acaso a Meca do globalitarismo futebolista – pode-se visualizar de forma mais clara a tendência.

Foi o caso, por exemplo, do jogador brasileiro Anderson. Quando surgiu no Grêmio de Futebol Portoalegrense, Anderson era o que se chamava de meia-armador: técnico, driblador, dotado de uma visão de jogo provilegiada, logo foi apontado como um novo Ronaldinho Gaúcho. Porém, ao chegar ao Manchester United, teve de se adaptar ao esquema tático do time inglês, onde todos defendem e atacam da mesma forma, não havendo espaço para jogadores que saibam apenas atuar como defensores ou atacantes. Anderson virou símbolo do futebol adotado por Dunga na seleção, e não fosse uma contusão, certamente estaria entre os convocados para a copa.

O mesmo ocorre com o jogador espanhol Cesc Fabregas, que atua no Arsenal. Fabregas, um meia-armador de raro talento, se ocupa de “preencher os espaços do meio-campo”, tendo de se haver com funções defensivas. O próprio Ronaldinho Gaúcho, e mesmo Messi, encontraram no Barcelona FC uma exceção à regra, onde puderam exibir mais ou menos livremente o seu talento. O que não aconteceu em outros clubes e nas seleções nacionais, onde a necessidade de adaptação a um esquema padronizado limitava as capacidades criativas dos dois.

Mas engana-se quem crê que o problema se reduz a transformar jogadores ofensivos em defensivos ou, na linguagem técnica do futebol autômato, “polivalentes”. Trata-se de transformar o jogador em uma espécie de função-equivalência. O protótipo do time eletrônico ideal é aquele que não altera o seu modo de atuar, quando se modifica um jogador. Em busca do time perfeito (aquele que se aproxima do ideal automatista: a máquina infalível e independente), os jogadores cada vez mais devem se adaptar à funções pré-definidas, e isto cada vez mais cedo. O treinador dos times das categorias inferiores, antes responsáveis por auxiliar o atleta a desenvolver suas habilidades singulares, agora se atêm à atividade de “sanar as deficiências”, o que equivale a dizer transformar o jogador singular em uma peça de reposição.

O Gerencismo

O jogador deixou de ser o elemento predominante na relação objetual futebolística. O gestual aqui pode ser definido como a forma como se joga, interage e se constrói a relação com o objeto; como se “vivencia” tal ou qual objeto.

No futebol, o gestual, que sempre foi predominantemente mecânico-muscular, tem cada vez mais passado a ser neuro-sensorial. O jogador passa a ser um objeto com maior grau de abstração, enquanto o técnico (o DT) vai se tornando o centro magnético das relações.

Se antes os torcedores e fanáticos pelo futebol elegiam jogadores como ídolos, estrelas constituintes de um panteão mítico, e as crianças copiavam os chutes, os trejeitos, as jogadas, hoje as estrelas são os técnicos. Se antes as trocas de treinadores entre os clubes europeus e brasileiros ocupavam notas de rodapé dos noticiários, hoje eles estão nas manchetes, e as cifras para que eles troquem os bancos de um clube por outro são cada vez maiores, ainda que, numa observação mais arguta, a intervenção deles mais atrapalhe que auxilie o desempenho dos times. Se antes o prazer consistia em jogar futebol, sonhando em ser o artilheiro da copa, na rua, hoje o que faz sucesso são os jogos eletrônicos onde o player assume o lugar do técnico, escolhe o time, o esquema tático, e espera pacientemente pela vitória, anotada através de cálculos estatísticos da máquina computacional. As discussões de bar sobre qual jogador é mais talentoso deram lugar a “especialistas” em estatística futebolística, que citam de cor quantos desarmes, quantos passes precisos, quantos quilômetros por jogo faz cada uma das peças da engrenagem maior.

Cada vez mais a atividade produtiva cede espaço a um controle das variáveis e encadeamento optimal do tempo. Assim como nas relações cotidianas o predomínio tem sido de objetos automáticos, que realizam tudo apenas com a pressão de um botão, eliminando a força e a necessidade de elaboração intelectiva, também no futebol essa substituição gestual tem transformado o técnico no elemento principal da relação.

O FIM DO INTEMPESTIVO E DO INATUAL

A que se interessa esse tipo de relação com um objeto, o da posse, na qual a utilidade/funcionalidade do objeto é secundária em relação à capacidade que este objeto tem de refletir não a imagem de quem o manipula, mas aquilo que ele deseja secretamente ver? Onde tempo e espaço não se diluem na relação funcional do objeto, não se derrama sobre o outro como o segundo, mas que o transforma também num objeto, que nada mais faz do que estabelecer coordenadas existenciais a fim de oferecer um frágil substitutivo para o real?

Se se busca a eliminação do singular, do intempestivo e do inatual nas relações objetuais, é porque não se pode suportar a incerteza que advém da realidade. Freud já dizia que o ser humano não suporta um segundo sequer no real, e que precisa estabelecer próteses, suportes espaço-temporais, que lhes garantam coordenadas seguras, a certeza ilusória do que virá: o modelo e a série. O absoluto, a deidade, o alfa e o ômega, nada que escape e possa produzir outros possíveis.

Assim, também no futebol. Garrincha, para o técnico russo, seria fácil de controlar, porque “sempre dribla para o mesmo lado”. Ledo engano. Garrincha no campo eliminava a possibilidade do controle. Era intempestivo e inatual. Nunca driblava para o mesmo lado, porque sabia que o mesmo lado só é o mesmo para quem não suporta vislumbrar um pouco de real. Daí, ao gingar na frente do marcador, fazer vazar a angústia. E agora, José? Para onde? Com Garrincha, a única certeza era não ter certeza, e mesmo essa não era plena certeza. O mesmo ocorre com Maradona. Por isso ele é odiado pela mídia decadente e o seu olhar escotomizado. Não se enganem. Ela também odiava Garrincha. E amava, como ainda ama, Pelé. Porque Pelé foi o ápice do playstation (antes do videojogo, é claro). Não é por acaso que o Rei do Futebol surgiu junto com Havelange, e o ajudou na criação da Fifa tal como é. Pelé, por mais genial que fosse, não fazia vazar a angústia, não fazia esvair o reflexo no espelho. Era espaço-temporalmente bem definido, e por isso deu certo como produto.

Este é o futebol padronizado da globalitária Fifa e sua Copa Playstation. Neste, a relação com o real é falseada, o futebol deixa de ser um jogo para ser um álibi, uma simulação. O outro é sempre o mesmo, a bola é um objeto sob minha posse, o segundo é eliminado, e o terceiro é apenas um reflexo do primeiro. Aí, não há relação, apenas simulação.

Uma ilustração é a frase de Dunga – que não é dele, pois já foi dita por muitos outros – é a de que o gol é resultado de uma falha defensiva. A partida ideal, sem erros, o ápice do automatismo, da eficiência, será sempre um zero a zero. O técnico vence quando tudo é previsível; quando o prazer do jogo é substituído pela satisfação do controle.

DO RESSENTIMENTO E DA FRAGILIDADE DA COPA AUTÔMATA

Ante à frase não tem mais bobo no futebol, sobrepõe-se uma outra, que diz: não há mais grandes times no futebol. Não que eles não existam. Mas é que não há lugar para eles na Copa Autômata, onde as coordenadas espaço-temporais servem a uma ordem relacional neurótica, a da posse, e estabelece a morte do futebol enquanto produção social.

Daí ser apenas peça ficcional falar em zebra numa copa muito bem controlada. A Suiça venceu a Espanha? Nada de novidade, nada de zebra, ou inesperado. Venceu o automatismo, a padronização. A mesma Espanha de sempre foi derrotada pela mesma Suíça de sempre. Só cabem essas duas na Copa. É um sistema fechado e autômato.

Mas não somos pessimista, e nem poderíamos: este estado de coisas, neurótico, de relações de posse e simulação, não resiste a um microssegundo de realidade. Não resiste a um sorriso de Mané, ou la mano de diós, de Dom Dieguito, ou mesmo à alegria das crianças uruguaias que cantam, em algum campinho de bairro, sob o olhar de cumplicidade de Eduardo Galeano: “Vencimos/Perdimos/Igual nos Divertimos!”

A verdadeira zebra, se passeasse pela Copa Fifa, provocaria o seu desmoronamento, o fim do automatismo, através de um drible, de um orgasmo que não fosse confundido com a ejaculação do gol a qualquer preço, com uma explosão de prazer que obnubilaria a mera satisfação de uma vitória, ou a busca inútil de um futebol ao mesmo tempo efetivo e belo. Neste caso, são mesmo incompatíveis. Não cabem no futebol fifático.

Mas essa molecagem, nem Messi é capaz de fazer em campo. Se fosse ainda o Maradona…