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Dilma sugere medidas de combate à pobreza como forma de proteger país dos impactos da crise

Vinicius Konchinski

Repórter da Agência Brasil

São Paulo – A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (18) que a melhor forma de o Brasil se proteger dos impactos da crise econômica mundial é combater a miséria. Segundo ela, adotando medidas de combate à pobreza o país se fortalece internamente e prepara-se para o enfrentamento de turbulências internacionais.

“O Brasil já mostrou que a melhor forma de combater e de se proteger da crise é combatendo a crise mais crônica e permanente da história humana, que é a pobreza”, disse a presidenta. “É criar um mercado interno forte para enfrentar as turbulências monetárias e financeiras que podem nos atingir.”

Dilma anunciou hoje, em São Paulo, as ações do Plano Brasil sem Miséria para o Sudeste, em cerimônia que teve a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e dos governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin, de Minas Gerais, Antonio Anastasia, do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e do Espírito Santo, Renato Casagrande.

Em discurso, Dilma ressaltou a importância do programa para o desenvolvimento econômico do país e destacou a existência de uma série de programas paralelos que também são importantes para economia. Um deles é o  Brasil Maior, que busca fortalecer a indústria nacional e será decisivo para a criação de empregos de qualidade, disse a presidenta..

“Não queremos salários de países pobres, só tendo economia de serviços. Precisamos da nossa indústria e vamos incentivá-la e favorecê-la”, acrescentou.

Edição: Nádia Franco

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“Não vamos abraçar a corrupção, mas não serei pautada pela mídia”, diz Dilma Rousseff

Extraido da carta Maior

Em entrevista à revista Carta Capital, a 33ª concedida no cargo de presidente, Dilma Rousseff afirma que o governo federal afastou funcionários acusados de irregularidades no uso de dinheiro público nos ministérios dos Transportes e do Turismo. Entretanto, alerta que sua administração não pode superdimensionar as denúncias e nem criar condenados sem o devido processo legal.

Marcel Gomes

SÃO PAULO – A presidenta Dilma Rousseff criticou a imprensa brasileira ao comentar as recentes denúncias de corrupção contra ministérios e as notícias de que as Forças Armadas se irritaram com a nomeação do ex-chanceler Celso Amorim para o Ministério da Defesa.

Em entrevista à revista Carta Capital, a 33ª concedida no cargo, Dilma disse que o governo afastou funcionários acusados de irregularidades no uso de dinheiro público nos ministérios dos Transportes e do Turismo. Entretanto, alertou que o governo não pode superdimensionar as denúncias e criar condenados sem o devido processo legal.

“O que acho complicado no Brasil é que os problemas reais perdem espaço para os acessórios, ou para os que não são reais. Isso é ruim, porque há a tendências de as pessoas se preocuparem mais com o espetáculo do que com a realidade cotidiana das coisas”, disse ela.

Dilma garantiu que seu governo não “abraçará a corrupção”, por razões éticas e também outra, relacionada à eficiência. Segundo ela, um governo capturado por corruptos torna-se ineficiente, sobretudo quando há restrição orçamentária e demandas urgentes. Por isso, diante das denúncias, ela prometeu dar respostas, mas “sem gastar todo meu tempo nisso”.

Celso Amorim
Conflitos como o que existe entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o canal de tevê Fox News, assim como o escândalo do tablóide News of the World, na Inglaterra, têm chamado a atenção da presidenta, que parece ver como natural a relação contraditória estabelecida entre governos e mídia.

Ela avalia, porém, que a imprensa também possui suas heterogeneidades. “Não acho que eu seja tratada da mesma forma por todos os jornais. Têm grupos de mídia mais suscetíveis a encarar as transformações pelas quais o Brasil passa e têm outros menos suscetíveis”, ponderou.

A presidente considerou “irrelevantes” as notícias e comentários de colunistas que alertavam para uma suposta insatisfação das Forças Armadas após a indicação de Celso Amorim para o Ministério da Defesa. E ela justifica: “a sociedade brasileira evoluiu” e “as Forças Armadas são disciplinadas, hierarquizadas e cumprem seus preceitos constitucionais”.

Sem citar o nome do ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, Dilma aproveitou a entrevista para dizer que “as pessoas tem de ter a humildade de perceber que não são insubstituíveis”. “Nem na época da monarquia o rei era insubstituível. (…) O rei morreu, viva o novo rei. O tempo é senhor desse processo e tenho certeza de que o Celso Amorim vai demonstrar uma grande capacidade de gestão”, afirmou.

Duas utopias
Sobre a crise global, a presidenta disse que, apesar da “aquiescência” do poder público, ela não foi causada por ele, mas pela desregulamentação do mercado financeiro. Como proposta de superação, Dilma critica tanto a solução proposta pelos republicanos norte-americanos, de reduzir o tamanho do Estado, como a da União Européia, de penalizar as economias menores do bloco, depois de anos de oferta de crédito e produtos pelas economias centrais.

“São duas utopias muito graves, porque, como disse o [economista Luiz Gonzaga] Belluzzo [um dos entrevistadores da Carta Capital], é mais do mesmo e uma tentativa de responder à crise com aquilo que a causou”, ponderou. Questionada sobre os efeitos da crise no Brasil e as medidas tomadas pelo governo para combatê-la, a presidenta afirmou que cometeria um “equívoco político e econômico” se as revelasse “antecipadamente”.

Entretanto, citou ações já tomadas para o incentivo à inovação, à desoneração (Supersimples) e às exportações (Reintegra) como parte da estratégia. “Sabemos que isso é só um início e estamos abertos a todas as outras hipóteses de trabalho”, disse. A revista Carta Capital dividiu a entrevista de Dilma em duas partes. A segunda será publicada na edição da próxima semana.

O surgimento de outra governança mundial

Retirado da Agência Carta Maior

O Ocidente é bem pouco atento aos movimentos do mundo quando ele não é o autor dos mesmos. O encontro dos BRICS, reunindo os chefes de Estado do Brasil, da Rússia, da Índia, da China e da África do Sul, parece ter incidido seriamente no processo de globalização: o que era global e unificador, está se tornando complexo e plural. Em cada um de seus continentes, esses cinco países exercem uma influência mundial. Juntos, eles representam cerca da metade do planeta. Além disso, possuem projetos e valores comuns. Defendem, por exemplo, um novo padrão de crescimento, menos faminto por carbono e menos gerador de desigualdade. O artigo é de Jean-Pierre Raffarin, ex-primeiro ministro da França.

Jean-Pierre Raffarin – Le Monde(*)

O Ocidente é bem pouco atento aos movimentos do mundo quando ele não é o autor dos mesmos. Os franceses, eles mesmos, são muito egocêntricos. No final de semana passado, na China, o encontro dos BRICS, reunindo os chefes de Estado do Brasil, da Rússia, da Índia, da China e da África do Sul, me parece ter incidido seriamente no processo de globalização: o que era global e, assim, unificador, está se tornando complexo e, portanto, plural.

Os membros do “Boao forum for Asia”, entre os quais um punhado muito pequeno de ocidentais, foram convidados a participar das conclusões desse encontro estratégico, entre a indiferença geral dos países desenvolvidos. Foi um erro do Ocidente. O G-5 tem a intenção de desempenhar seu papel na governança mundial por meio de sua diplomacia e de sua economia combinadas.

Com altos níveis de crescimento e esforços de controle orçamentário, especialmente no Brasil, e com reservas consideráveis, ligadas à poupança popular na China, esse “bloco” tem perfeita consciência dos “serviços” que ele presta à economia mundial. Alguns elementos são particularmente marcantes:

– Esses cinco países são dirigidos por cinco líderes mundiais, todos conhecidos e reconhecidos na cena internacional. A denominação do encontro era clara: “BRICS – Encontro de Líderes”. Em cada um de seus continentes, esses cinco líderes exercem uma influência mundial. Juntos, eles representam cerca da metade do planeta. No contexto de uma governança mundial que valoriza líderes, entre eles Barack Obama, Nicolas Sarkozy, Angela Merkel…, que a praticam permanentemente, os países emergentes não ficam para trás.

A liderança, agora, está acessível a todos.

– Os BRICS parecem compartilhar um programa comum:

Solidariedade: Juntos, eles querem influenciar a reforma do sistema mundial, financeiro e monetário: “we can not let foreign capital come and go as it pleases” (“Nós não podemos deixar o capital externo ir e vir ao seu bel prazer”). Esta solidariedade se mostra recíproca: ouvimos, por exemplo, a China interceder pela entrada da Rússia na OMC. Eles estão em busca de projetos comuns, misturados, para os quais a imigração criadora seria encorajada e legalizada.

Inflação: A inquietude chinesa junta-se aqui às preocupações brasileiras em relação a um ritmo de inflação que, no Brasil, apontava em janeiro para uma projeção anual de 6%. Os BRICS querem coordenar melhor uma luta comum em torno dessa questão. A Europa não está isenta desta inquietude. Para nós, o nível da dívida aumenta a gravidade desse tema.

Crescimento: Os cinco países fazem da busca de um “novo crescimento” uma prioridade compartilhada; um crescimento menos faminto por carbono e menos gerador de desigualdade que o tradicional crescimento ocidental. O XII plano chinês propõe um crescimento verde (economia de energia, energias renováveis, cidades verdes…) e social (habitação, proteção social, saúde, combate às desigualdades regionais…), todos temas consensuais entre os cinco países.

Como a liderança, a virtude do desenvolvimento durável não é algo reservado a uns poucos.

A paz é a última mensagem, mas não a menor. A cúpula dos BRICS foi precedida por um apelo do presidente Hu Jintao por um cessar fogo na Líbia. Os emergentes querem ser pacíficos e se apresentam como tal! A mensagem ganhar força pelo contraste com o mundo ocidental engajado militarmente em um grande número de teatros.

Essa estratégia dos BRICS não deveria colocar grandes problemas pra a diplomacia francesa que está engajada, com credibilidade, pela reforma da governança mundial. Nós mantemos excelentes relações com cada um destes países.

Como a China, a França se posiciona no interior de numerosos círculos, na intersecção dos quais ela procura as posições favoráveis às suas convicções e aos seus interesses. Isso nos impõe, contudo, uma visão mais complexa do que simplificadora da globalização e uma ênfase de nossa ação exterior privilegiando mais nossa diplomacia econômica.

(*) Jean-Pierre Raffarin, ex-primeiro ministro da França, vice-presidente do Senado.

Tradução: Katarina Peixoto

Dilma pede ao Itamaraty providências urgentes para libertar jornalista brasileiro detido na Líbia

Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A presidenta Dilma Rousseff pediu providências urgentes ao ministro interino das Relações Exteriores, embaixador Ruy Nogueira, para garantir a integridade física e a libertação do repórter brasileiro Andrei Netto, do jornal O Estado de S. Paulo, que está detido na Líbia.

De acordo com nota divulgada hoje (10) pela Presidência da República, Dilma está acompanhando a situação do jornalista e foi informada pelo Itamaraty de que Netto está em Sabratha, a 60 quilômetros de Trípoli, capital da Líbia.

O texto afirma ainda que o embaixador brasileiro na Líbia, George Ney de Souza Fernandes, está empenhado em busca de uma solução rápida para o caso.

A direção de O Estado de S. Paulo informou ontem (9) que perdeu o contato com o repórter, que fazia a cobertura na área de Zawiya – uma das regiões onde os conflitos são mais intensos. A pedido da direção do jornal, o Ministério das Relações Exteriores e a Embaixada do Brasil passaram a atuar na localização de Netto.

Edição: Juliana Andrade

Dilma Rousseff está entre as cem mulheres mais inspiradoras, segundo lista de jornal britânico

Da Agência Brasil

Da BBC BRasil

Brasília – A presidenta da República, Dilma Rousseff, foi colocada ao lado de outras personalidades internacionais na lista das cem mulheres mais inspiradoras da atualidade pelo jornal britânico The Guardian.

Dilma foi enquadrada no segmento política junto com outras mulheres com relevante papel em suas comunidades e no mundo. Na mesma lista estão a ex-primeira ministra britânica Margareth Tatcher, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, a presidenta da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, e a ativista birmanesa Aung San Suu Kyi – que em 1991 ganhou o Prêmio Nobel da Paz.

A presidenta brasileira foi considerada inspiradora por sua atuação durante o período da ditadura brasileira e por ter considerado a luta contra a miséria uma das prioridades de seu governo. Dilma também recebeu a menção por ter batido um recorde na história brasileira ao aumentar o número de mulheres no comando dos ministérios e pelo pragmatismo administrativo que demonstra.

Apesar disso, a revista não esqueceu que a presidenta recuou da posição a favor do aborto para acalmar os grupos religioso durante a campanha presidencial e considerou que a mandatária brasileira deu pouca atenção às questões de gênero em suas propostas eleitorais.

O jornal britânico criticou também as plásticas feitas por Dilma e considerou que ela passou pelas intervenções cirúrgicas para “conseguir o seu lugar”.

A lista feita pelo The Guardian não promoveu um ranking entre as mulheres, apenas as dividiu em categorias que incluem política, artes e negócios, entre outros. Apesar disso, um dos requisitos para que uma mulher seja citada entre as cem mais inspiradoras é que sua influência seja considerada duradoura.

 

DROMONOTÍCIAS

No ministério da Cultura a advogada Márcia Barbosa será nomeada Diretoria de Direitos Intelectuais. A ministra da pasta da Cultura, Ana de Holanda, explicou que a advogada irá chefiar uma equipe encarregada de fazer uma revisão da proposta sobre a questão dos direitos autorais. “Vão ver a lei em vigor e essa lei proposta, que ninguém conhece, e ouvir as demandas todas que existem”. A propriedade intelectual (ou sobre uma produção imaterial), talvez, seja o mais importante desafio para uma nova economia política que aparece, pois este tipo de propriedade problematiza, exatamente, as novas formas de trabalho na sociedade pós-moderna ou pós-fordista. Ainda mais quando atualmente experimentamos uma desdiferenciação entre economia, política e cultura.______________________<<<<<<<<<>>>>>>>>>>>>

De acordo com a Agência Brasil: “Dilma destacou que dos 13 milhões de benefícios distribuídos anualmente, 93% são destinados a mães de família. “Com esse dinheiro, a mãe de família compra alimentos, compra os produtos de higiene e compra todos os produtos de primeira necessidade, inclusive material escolar. E aí gera renda também para o dono do mercadinho, da lojinha, da farmácia, fazendo então a roda da economia girar, gerando emprego e aumentando a riqueza de todos”, explicou.” A presidenta Dilma Rousseff fez a afirmação hoje no seu programa de rádio com o objetivo de antecipar as comemorações pelo dia internacional da mulher. A presidenta garantiu que sem a participação ativa das mulheres no programa de distribuição de renda, Bolsa Família, não haveria diminuição da pobreza. É o trabalho/economia mulher produzindo produção.(((((((((((((((((((((((((((((()))))))))).

Continuando com as comemorações do dia internacional das mulheres, com o objetivo de que mais mulheres tenham acesso a programas do governo como Fome Zero, Bolsa Família e o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), além de facilitar o acesso à inclusão bancária e ao microcrédito, entre os dias 09 e 11 de março, a Caixa Econômica Federal vai oferecer, em todas as suas agências, o serviço de inscrição do Cadastro de Pessoa Física (CPF) gratuitamente. È de grátis maninha!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!.

Ai!! Lula, Dilma, seus governos, mas acima de tudo, o povo, os pobres produtores da riqueza aqui e no mundo. Que foi? Brasil, maninha! Já é a copa do mundo e o Brasil marcou um golaço? Deixa de lezeira mana; não ta vendo que as opiniões positivas sobre a influência do Brasil no mundo tiveram o maior aumento entre as nações pesquisadas, passando de 40% a 49%. Isso é melhor do que um golaço. E não é nosso amor! Então vamos aproveitar que é carnaval e vamos pra folia e alegria dionisíaca. Vamos!!!!!!!_________———————————___________________.

As coisas estão de um jeito neste carnaval que jornal local notícia o óbvio em Manaus sobre as paradas de ônibus e na França a presidente do partido de extrema-direita Frente Nacional, Marine Le Pen, lidera as pesquisas do primeiro turno para a presidência francesa em 2012. Dionísio, onde estás nesse carnaval tua alegria e criação intempestiva, tua inteligência coletiva e monstruosidade de tudo que é considerado natural?

Amir Khair fala sobre juros e cortes no orçamento do governo Dilma

Por: Redação da Rede Brasil Atual

Publicado em 02/03/2011, 17:30

Última atualização às 17:58

Colibri: O governo brasileiro está definindo alguns cortes no orçamento, e hoje acontece a reunião do Copom, que provavelmente vai definir um novo aumento da taxa Selic. Bom dia, professor Amir Khair.

Amir: Bom dia, Colibri e ouvintes.

Colibri: Bom, antes de falar da taxa Selic, da reunião do Copom, vamos conversar sobre o orçamento. Estamos acompanhando os comentários econômicos, que falam em corte real de cerca de R$ 13,1 bi para os ministérios. Eu queria que o senhor explicasse o que representam esses cortes no orçamento.

Amir: Eu acho engraçada essa situação toda, parece que a gente está em um planeta fora da realidade. Pelo seguinte, esse corte de R$  50 bilhões que o pessoal está discutindo se vai realizar ou não, você sabe quanto isso representa da demanda?

Colibri: Não tenho ideia…

Amir: Isso representa apenas 1,2% da demanda, ou seja, isso faz cosquinhas na demanda. Quer dizer, não é ai que essa questão de desaquecer a economia para você conseguir reduzir a inflação vai dar certo. Se você quiser atacar essa questão de excesso de demanda, seria em outras duas áreas que não essa.

Essa como você sabe, mexer na despesa do governo, é difícil porque o orçamento é muito amarrado. O governo fez um esforço tremendo e aí fez um abate de R$ 50 bilhões. Uma parte desse abate são emendas parlamentares, cerca de R$ 18 bilhões, que foram simplesmente eliminadas. Não vão ser satisfeitas.

Tem partes relativas à melhoria de gestão. No setor público você tem possibilidade de melhorar a gestão, independente do mérito de R$ 50 bi ou o número que quer que seja.

O fato de você ter controles mais apurados, e isso a cada ano vai melhorando, porque vai integrando cadastros, permite que você reduza os valores que são desviados de suas finalidades públicas.

Então o que interessa é que você, se quiser realmente reduzir a demanda (e ai eu tenho dúvidas se a demanda é a causa da inflação, depois a gente pode conversar mais sobre isso), a única maneira mais efetiva é atingir o consumo das famílias que representa o grosso da demanda. Porque a demanda é composta pela soma dos gastos do governo, o consumo das famílias e dos investimentos. O consumo do governo, essas despesas do governo representam 20%. Os investimentos estão por volta de 5% a 6%, e o consumo das famílias está por ordem de 70¨% a 75%.

Então, onde você poderia se quiser reduzir a demanda é principalmente no consumo das famílias. Ora, o consumo das famílias está ligado a dois fatores. Um fator é o crescimento da massa salarial.

Se você tem crescimento econômico, começa a trazer mais trabalhadores para o mercado de trabalho com carteira assinada, isso dá uma garantia ao trabalhador de que ele pode tomar empréstimo e consequentemente consumir mais. Quando ele está na informalidade, o risco de perder o emprego é maior. Então, essa parte relativa ao crescimento econômico que é uma política de governo, o governo não quer dar marcha à ré, isso o próprio ministro Mantega falou isso com clareza, não deve mexer na expansão natural da massa salarial.

Agora, o que se pode tomar cuidado é com os empréstimos. Os empréstimos vinham crescendo num ritmo muito elevado e ele é muito perigoso porque às vezes as pessoas não conseguem controlar seu orçamento, acabam ficando inadimplentes e ai piora a situação das famílias. Então, o que foi feito em seis de dezembro do ano passado, foram medidas chamadas “macro prudenciais” de encarecer o crédito para vendas com prazos superiores há dois anos e recolheu um pouco mais de dinheiro dos bancos, quer dizer, os bancos passaram a recolher mais dinheiro ao Banco Central, quer dizer, diminuir a quantidade de dinheiro que esses bancos têm, e esse recolhimento foi da ordem de 66 bilhões de reais, com isso você aumentou a taxa de juros para esse tipo de financiamento de prazo mais longo e automaticamente diminuiu a oferta de crédito. Então, essas medidas sim têm um efeito no consumo das famílias. Agora, você pensar que reduzir despesas do governo em R$ 50 bi, que representa 1,2% da demanda, é acreditar em Papai Noel.

Colibri: Professor, pra gente entender direitinho, já estão anunciando, não sei se é verdade, que vai diminuir alguns investimentos na área social. Investimentos do Minha Casa, Minha Vida, Bolsa Família?

Amir: O que ocorre é o seguinte, o Bolsa Família não vai ser mexido, inclusive a presidenta Dilma anunciou uma correção nos valores do programa. O Bolsa Família é intocável, é um programa que deu certo, que continuará dando certo, e é um programa de justiça para as pessoas que tem necessidades maiores do que o conjunto da sociedade. Agora a questão do Minha Casa, Minha Vida, que está tendo uma divulgação muito grande, que tem um corte de 5 bilhões, etc. tem uma razão técnica muito simples. Quando o orçamento foi feito supunha-se que o programa na segunda fase, que é o Minha Casa, Minha Vida 2, começasse a funcionar a partir de janeiro deste ano. Acontece que ele não foi aprovado pela Câmara, e a previsão disso é por volta do mês de maio. Então você tem um atraso muito grande e não vai conseguir realizar efetivamente aquilo que estava previsto para 12 meses. Você vai fazer isso provavelmente em oito ou sete meses. É uma questão técnica. Não que você vai deixar de fazer, mesmo porque ele não leva apenas um ano, ele vai até 2014.

Colibri: De longo prazo? Investimento importante do programa habitacional brasileiro.

Amir: Agora, viu Colibri, foi dito pela ministra e pelo próprio ministro Mantega, que programas sociais ficarão intocados, os principais programas sociais ficarão totalmente intocados da mesma forma que o PAC.

Colibri: Tá certo, o senhor falou da ministra, é a Miriam Belchior que é do Planejamento, ela falou junto com o Guido Mantega explicando a questão.

Amir: É, a responsável pela área, e ela inclusive é também responsável pela área de pessoal, onde aí sim vão ter reduções de despesas, vai postergar contratações de funcionários, vai postergar concursos públicos e provavelmente vai dar reajustes salariais mais moderados, uma vez que o governo Lula nos últimos anos procurou dar reajustes posicionando o salário dos servidores públicos federais em níveis razoáveis para não ter que sacrificar nos primeiros anos o novo governo com reajustes acima da inflação.

Colibri: Vai acontecer a mesma coisa que aconteceu com o salário mínimo nos gastos do governo, é isso?

Amir: É, o salário mínimo a situação é clara, a presidente está simplesmente seguindo o acordo feito com as centrais. Isso por um lado, embora as centrais não gostassem, eu acho que para elas é uma segurança, porque se de fato não for derrubado no Supremo aquilo que foi aprovado na Câmara e no Senado, essa regra de corrigir o salário mínimo pela inflação mais o Produto Interno Bruto de dois anos atrás, se não for derrubado, é uma garantia para os trabalhadores. O ano que vem, ao invés de ter um reajuste pequeno, você vai ter um reajuste da inflação que teve esse ano mais 7,5% ou 8%.

Colibri: Vai dar uns R$ 620.

Amir: É, por aí.

Colibri: Agora professor, pra gente falar do tema de hoje também, que é a taxa Selic e a reunião do Copom. O que vai acontecer hoje? Qual a previsão que o senhor tem em relação a isso? Que afeta também o bolso do trabalhador essa história da taxa de juros?

Amir: O que ocorre é o seguinte. O governo, o Brasil, ele tem uma taxa Selic, que ele pensa que controla a inflação com ela. Eu acho o maior engano isso. A inflação não é controlada pela Selic. No mundo todo você trabalha com uma taxa Selic da ordem da inflação, do mesmo nível da inflação, que seria da ordem, aqui no caso do Brasil, de 5,5% a 6%. Nós estamos com uma Selic de 11,25%, possivelmente com essa reunião do Copom vai aumentar para 11,75%, mais meio ponto. Com essa de 11,25% nós já estamos disparados no primeiro lugar da mais alta taxa de juros do mundo, o segundo lugar é a Austrália, ela fica a 1/3 da brasileira. Quer dizer, você com uma taxa dessas, você cria problemas, inclusive fiscais, seríssimos, porque esse ano vai se gastar mais de 200 bilhões de reais, quatro vezes esse corte, com os juros. Porque é demais, é exagerada essa taxa, e fora isso você vai gastar muito com carregamento das reservas internacionais, porque as reservas internacionais, elas custam a Selic a cada mês e elas são aplicadas em títulos do tesouro americano que rendem por volta de 1,5%, então se paga 11,25% e se recupera 1,5%. Isso, o ano passado deu uma perda fiscal ao país da ordem de 50 bilhões de reais, quer dizer, esse ano vai ser mais porque nós vamos estar com uma reserva maior porque está crescendo e a Selic este ano, em média, vai ser maior que a Selic do ano passado.

Colibri: Agora, professor, uma coisa que eu não entendo, o senhor sempre explica aqui para os ouvintes… Está todo mundo sabendo que essa taxa é absurda, o governo sabe disso também. E por que eles mantêm? A gente estava na expectativa de que iam cortar, eu lembro que o senhor fez uma análise, no fim do ano passado, começo desse ano, com a expectativa de diminuição, mas ela está aumentado. E por que isso acontece afinal?

Amir: Acontece porque existe uma relação simbiótica entre o Banco Central e o sistema financeiro, é como se fossem irmãos. Quem manda no Banco Central efetivamente é o sistema financeiro. Quando o pessoal discute a questão de autonomia do Banco Central, o pessoal pensa que essa autonomia é só em relação ao governo federal e aos políticos. De fato, o governo federal e os políticos não conseguem fazer nada em relação ao Banco Central. Agora, o mercado financeiro pauta as decisões do Banco Central, e o Banco Central se reúne informalmente com os banqueiros antes das suas reuniões, períodos do ano para trocas de informações, o que o mercado financeiro acha a respeito da taxa de juros, está na Selic etc. A prova de uma dessas situações em que o Banco Central é submisso ao mercado financeiro, é que ele recolhe as informações sobre inflação, sobre previsão da nova taxa Selic, apenas de cem instituições financeiras. Por que ele não recolhe essa informação da academia? Por que ele recolhe essa informação de institutos sérios que trabalham com a inflação, como o Instituto Getúlio Vargas, como a Fipe, como o Dieese? Por que ele não procura também ouvir as lideranças e o pessoal técnico da economia real? Ou seja, você querer saber a opinião do mercado financeiro sobre a Selic é a mesma coisa que você botar raposa para tomar conta de galinheiro, porque o mercado financeiro ganha e lucra tanto mais quanto mais alta for a Selic, então não tem sentido essa postura do Banco Central de continuar se baseando no boletim Focus, que é esse boletim que sai toda segunda-feira onde o mercado financeiro dá as suas avaliações sobre Selic, sobre inflação etc. O Banco Central, para ser realmente um banco que ajuda o país e que realmente dê resultados concretos, deve mudar completamente essa dependência e exercer de fato uma autonomia operacional que ele não exerce.

Colibri: Aí tem que ter uma decisão do governo central, da Dilma Rousseff, para que isso mude, para que o Banco Central não seja mais submisso ao mercado financeiro. Aí o buraco é mais embaixo, professor.

Amir: Muito mais, e aí é uma decisão da presidenta, sim.

Colibri: Obrigado professor Amir Khair.