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Rádio e TV Senado fazem especiais sobre Glauber Rocha

Reprodução

O Leão de Sete Cabeças, de Glauber Rocha, fará parte da programação especial do Senado, em homenagem aos 30 anos da morte do cineasta

“O Leão de Sete Cabeças”, de Glauber Rocha, fará parte da programação especial do Senado, em homenagem aos 30 anos da morte do cineasta

Provocador, vanguardista, revolucionário, o baiano Glauber Rocha reiventou a forma de fazer cinema no País, ganhando projeção internacional. O cineasta, morto em 22 de agosto de 1981, terá sua memória celebrada nesta terça-feira (23), em sessão especial no plenário do Senado.

O autor do memorável Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) – apontado por críticos como um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos – tem recebido uma série de homenagens na Casa durante o mês, com direito a programações especiais exibidas pelas TV e Rádio Senado.

– A ideia era de fazer uma homenagem a Glauber Rocha, da forma como se fez para o centenário de Carybé (artista plástico). Que marcasse a importância dele para a nossa cultura. Como senadora da Bahia, procuro usar o mandato para promover os artistas baianos que tiveram destaque nacional – afirma Lídice da Matta, responsável pela iniciativa.

O presidente da Casa, José Sarney (PMDB) – perfilado pelo cineasta no documentário “Maranhão 66” -, resolveu se incorporar à celebração. Acertou-se que, todos os domingos, a TV Senado exibiria um filme de Glauber. E, no dia 24, “O Leão de Sete Cabeças” será apresentado, em cópia restaurada, no auditório do Senado, às 19h. Foi a primeira produção do baiano no exílio.

Um dos mais importantes nomes do Cinema Novo, Glauber é autor de obras como “Barravento” (1962); “Terra em transe (1967) – que recebeu o Prêmio da Crítica Internacional em Cannes – e “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969)”. A crítica social, feita sempre com ferocidade e contundência, era das principais marcas do homem que popularizou a frase “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”.

Terra Magazine

 

PARA COMEÇAR A SEMANA: Werner Herzog e o Brasil

Do Brasil de Fato

Maria do Rosário Caetano

de São Paulo (SP)

Cineastas, quando visitam países “cinematograficamente periféricos” (como o Brasil), costumam citar, sempre que instados pela imprensa, dois ou três filmes da região. E tais citações se fazem acompanhar de pedido de desculpas. Afinal – avisam — “poucos filmes brasileiros circulam pela Europa (ou EUA)”. No caso de Werner Herzog, 68 anos, diretor dos clássicos “Aguirre, a Cólera dos Deuses”, “O Enigma de Kaspar Hauser”, “FitzCarraldo” e “Meu Inimigo Íntimo” tal não acontece. O Brasil, suas paisagens físicas (em especial a Amazônia), seus cineastas e atores e até grandes nomes do futebol fazem parte das vivências herzoguianas.

De passagem por São Paulo, para participar do III Congresso Internacional de Jornalismo Cultural, promovido pela revista Cult e pelo Sesc , Werner Herzog falou com carinho de Glauber Rocha e do Cinema Novo, de Grande Otelo e José Lewgoy (atores que ele dirigiu em seus filmes “FitzCarraldo” e/ou “Cobra Verde”), de Garrincha, “alma alegre na tragédia”, do filme “Macunaíma” e de seu diretor, Joaquim Pedro de Andrade.

Herzog conviveu com Glauber nos EUA, durante um mês, em 1975. A Joaquim Pedro, ele deve o subtítulo de “O Enigma de Kaspar Hauser” (Cada Um Por Si e Deus Contra Todos). Cinco atores brasileiros estiveram com ele em dois de seus mais de 60 filmes. Ruy Guerra interpretou papel importante em “Aguirre” (o aventureiro Dom Pedro Ursua). Ruy Pollanah esteve em “Aguirre” e “FitzCarraldo”. O cantor Milton Nascimento também atuou em “FitzCarraldo”. Este épico teve a Amazônia peruana e brasileira como cenário. Em Manaus, Herzog filmou no centenário Theatro Amazonas, tendo Claudia Cardinale e Klaus Kinski comandando grande figuração. Para completar, em breve assistiremos a belo e comovido depoimento do próprio Herzog ao filme “Eu, Eu, Eu”, documentário que o paulista Cláudio Kahns dedicou ao mais internacional dos gaúchos, José Lewgoy.

Abaixo, trechos da conversa que Werner Herzog manteve, no Sesc Vila Mariana, com centenas de participantes do III Seminário Internacional de Jornalismo Cultural.

É verdade que você deu a “O Enigma de Kaspar Hauser” (1972) o subtítulo de “Cada Um Por Si e Deus Contra Todos” por causa do filme “Macunaíma” (1969), de Joaquim Pedro de Andrade?

Werner Herzog – Sim. Eu escrevi o roteiro do filme em quatro ou cinco dias e não havia um título. Cansado de tanto escrever, resolvi sair para tomar uma cerveja e ver um filme. Acabei vendo “Macunaíma”, do Joaquim Pedro. Fiquei louco pelo Grande Otelo e mais louco ainda por uma frase que ouvi num certo ponto do filme: “Cada um Por Si e Deus Contra Todos”. Congelei na cadeira. Isto que acabei de ouvir é tão lindo que não consigo acreditar. Aí está o título do meu filme. Só que, depois, trocando ideias com várias pessoas, ninguém guardava a frase. Quando eu pedia para que a repetissem, diziam “Cada um Por Deus, Todos pelo Homem”. Ou “Cada Homem por Deus”. Nunca acertavam. Então acabei optando por “O Enigma de Kaspar Hauser – Cada Um Por si e Deus Contra Todos”. Mas, tão importante quanto o subtítulo foi a descoberta de Grande Otelo. Que ator maravilhoso. Nove anos depois eu estava com ele na Amazônia, filmando “FitzCarraldo”. Tomei estas duas riquezas de “Macunaíma”. Não tenho vergonha de assumir, como um pirata, esta troca.

E Glauber Rocha? Você conhece os filmes dele?

Conheço muitos dos filmes dele e tive o prazer de conviver com ele, durante um mês , em Berkeley, na Califórnia . Éramos cineastas-convidados da Pacific Film Archive, uma cinemateca muito importante. Como eu não tinha hotel para me hospedar em San Francisco, a Cinemateca do Pacific me ofereceu um quarto ao lado do de Glauber. Me lembro que, em 1975, quando chegou a hora de Glauber, que era bastante desorganizado, regressar ao Brasil, a saída dele nos impressionou a todos, pois tinha milhares de papéis que não cabiam nas malas e iam se espalhando por todos os lados. Glauber morreu jovem, mas os filmes dele são eternos. Para mim, ele é alma do Brasil, assim como Garrincha. Glauber é a alma intelectual e visionária e Garrincha é a alma alegre na tragédia deste país.

Você, que escalou dois moçambicanos-brasileiros para o elenco de “Aguirre” (Ruy Guerra e Ruy Pollanah) e filmou “FitzCarraldo”, com Lewgoy, Grande Otelo e Milton Nascimento, conhece o cinema brasileiro contemporâneo?

Não costumo mais ver muitos filmes. Só uns dois ou três por ano. Ano passado, vi vinte longas-metragens, porque integrei o juri do Festival de Berlim. Como jurado, fui obrigado a ver todos os concorrentes (risos). De filmes brasileiros recentes, vi um de Walter Salles. Creio que, graças às facilidades das novas tecnologias, uma nova geração está se firmando no Brasil. Quando comecei, filmar era muito complicado. As câmeras eram inacessíveis, o celuloide caro e os laboratórios caríssimos. Hoje, os que querem fazer cinema podem recorrer a ferramentas simples, câmeras digitais muito baratas, pode editar o material no lap-top. É possível fazer um filme com 10 mil dólares. O importante é querer trabalhar e fazê-lo onde há vida pulsando. E há que andar a pé. Andar muito. Este é conselho que lhes dou. Eu abri o cadeado (de uma sala da Universidade de Munique) e roubei a câmera. Com ela fiz meus onze primeiros filmes. Então, só posso lhes ensinar a assaltar e a falsificar documentos. Quando estava na Amazônia peruana e tinha que subir com o navio rio acima, indo atrás num barco a motor, deparei-me várias vezes com acampamentos militares. Eles sempre tentavam me impedir de trabalhar. Um coronel, que guardava a selva com seus soldados, mandou que atirassem em mim. Exigiu que eu apresentasse licenças de filmagem. Sabe o que eu fiz? Regressei a Lima e falsifiquei documentos. Forjei papeis que, em nome da Chancelaria, da Secretaria de Estado e do presidente Belaunde me autorizavam a filmar. Copiei as assinaturas deles com muito zelo e enchi os documentos de carimbos. Nos papeis, havia frase em alemão que dizia mais ou menos assim: “quem quiser comprar uma câmera…”. Os que me paravam, ao me ver de volta, olhavam aquelas assinaturas, aqueles carimbos e aqueles escritos, inclusive em alemão, e diziam “pode passar”.

Sua relação com [o ator alemão] Klaus Kinski (1926-1991) foi muito tumultuada e mesmo assim, você o dirigiu em vários filmes…

Minha relação com Kinski, como mostro no documentário “Meu Inimigo Íntimo” foi intensa, mas fiz mais de 60 filmes, e ele está em apenas cinco deles. Havia vida, para ele e para mim, antes, durante e depois destes cinco filmes. Ele atuou em 210 produções. Portanto, esteve separado profissionalmente de mim em 205 filmes. Mas não posso negar que nossa relação foi muito forte. Eu sempre soube que ele era extraordinário e que trabalhar com ele era como domesticar uma fera selvagem. Era preciso fazer a agressividade dele ser produtiva na tela. Kinski tinha momentos de muita coragem e carinho. Nas sequências do navio rio acima, em “FitzCarraldo”, perigosíssimas, ele quis correr todos os riscos, desde que eu estivesse perto dele. Se o navio afundasse, afundaríamos juntos. Para outras coisas ele era covarde. Tivemos confrontos perigosos. A imprensa chegou a dizer que eu só não atirei nele, porque ele deu um passo atrás. Isto não é verdade. Nunca o ameacei com arma de fogo. Mas brigamos muito. Nossa relação foi para um terreno perigoso. Ele tinha oscilações que iam do amor ao ódio, gritava com os extras. Os índios peruanos que trabalharam conosco em “FitzCarraldo” não tinham medo dele e até me disseram que, se eu quisesse, eles o matavam para mim. Como eu ficava calado, eles me disseram que não tinham medo de Kinski, que era um “gritador”. Temiam mais o meu silêncio.

Mas ele foi o maior ator de seus filmes, não?

Ele foi um grande ator, mas o maior de todos, para mim, foi um “não-ator”, Bruno S., com quem fiz “O Enigma de Kaspar Hauser” e “Stroszek”. Que grande presença em cena tinha Bruno S. Ele me tocou mais que qualquer outro. Morreu há alguns meses, estou de luto pela perda dele. Dirigi, mais recentemente, grandes atores como Christian Bale (“O Sobrevivente”) e Nicolas Cage (“Vício Frenético”). Mas tenho que incluir Kinski e sua insanidade entre os melhores. Tenho consciência de que, sem bons atores, não se faz filme narrativo. Aprendemos com eles e também andando a pé de Boston à Guatemala, sendo encarcerado numa prisão da República Centro-Africana, como eu fui. Há que se aprender a conhecer o coração do ser humano. E há que se ler muito, mas muito mesmo.

Como você vê a relação da crítica cinematográfica com seus filmes?

A crítica em geral decaiu muito. O discurso inteligente sobre os filmes foi abolido em favor das celebridades. Nos EUA quase não há mais críticos. Em compensação, multiplicam-se os repórteres de celebridades. Na França, por outro lado, ainda há muitos críticos, mas eles são muito intelectuais, esotéricos. Tenho estima pelos franceses, mas confesso que falar com eles é muito problemático para mim. Tenho me dedicado muito à escrita. Penso até que meus textos vão viver mais longamente que meus filmes. Ultimamente me exercitei até como ator (risos). Sim, interpretei um cientista-farmacêutico alemão em “0s Simpsons”. Minha função era criar pílulas capazes de curar o mau-humor de Homer Simpson.

Você tem produzido muito, mas nem todos os seus filmes têm chegado ao Brasil. Por quê?

Este ano fiz quatro ou cinco filmes nos EUA, com produtores norte-americanos. Esta realidade tem um lado positivo. Ao invés de me ocupar em levantar fundos ou armar contratos com redes de TV, eu filmo. Estou, neste momento, realizando cinco novos filmes. Por isto passo com tamanha rapidez pelo Brasil. Mas há um lado negativo nesta situação. Meus filmes tornaram-se muito mal distribuídos no mundo. Os produtores americanos se preocupam com o mercado nos EUA e Canadá. Por isto, meu propósito, agora, é ficar com 50% dos meus filmes, ou seja, com a carreira deles nos mercados fora EUA-Canadá. Estou fazendo assim com o novo documentário que finalizo no Texas e na Flórida (“Corredor da Morte”) que tem condenados à pena capital como tema. Sou, como alemão, contra a pena de morte. Não por razões ou argumentos teóricos, mas sim pela experiência de ter nascido num país que, durante o Nazismo, matou milhares de pessoas, um verdadeiro programa de eustanásia. Nenhum país pode ser habilitado a matar pessoas.

Você devotou imensa amizade à grande crítica e historiadora alemã, Lotte Eisner (1896-1983), autora de um clássico sobre o Expressionismo Alemão (“A Tela Demoníaca”). Até dedicou a ela um livro, “Caminhado no Gelo”, diário de sua viagem, a pé, de Munique a Paris. Um sacrifício pela recuperação dela.

Lotte foi muito importante para as novas gerações de cineastas do Pós-Guerra. Ela, que teve que se refugiar na França, quando Hitler assumiu o poder, reconheceu que depois da grande barbárie, novas gerações de músicos, escritores e cineastas alemães se firmavam. Quando eu tinha 22 anos, ela mandou um filme meu para Fritz Lang [cineasta do expressionismo alemão] e me ajudou muito. Por isto, me dispus, sempre, a fazer todo e qualquer sacrifício por ela. Fui a pé de Munique até Paris, ao encontro dela. Quando cheguei, ela, que mentia a idade desde que fizera 70 anos, tinha quase 80. Ela sabia que fora para mim e para as novas gerações uma grande fonte de inspiração. Quando, novamente, fui ao encontro dela em Paris, ela estava cega e se aproximava dos 90 anos. Não podia mais ler, nem ver filmes, duas de suas maiores paixões. Nem podia caminhar. Lotte me disse que não podia “nem morrer”, pois eu a enfeitiçara para que vivesse para sempre. Retirei, então, o feitiço. Dez dias depois, após um golinho de chá, ela morreu.

DOCUMENTÁRIO TRABALHO INTERNO

dO pORTAL bRASIL DE fATO

Leda Maria Paulani

Retrato do Brasil

No prefácio da segunda edição de O Capital, que escreve em 1873, Marx decreta a sentença de morte da economia científica burguesa. Para ele, àquelas alturas, com a burguesia tendo conquistado o poder político na Inglaterra e na França e tendo já sido revelada a natureza da luta de classes que moveria aquele quadrante da história humana, não se tratava mais de saber se este ou aquele teorema era ou não verdadeiro, mas se, para o capital, ele era útil ou prejudicial, cômodo ou incômodo. Na sua forma ferina de falar, ele diz que no lugar da pesquisa desinteressada entrara a soldadesca mercenária, no lugar da pesquisa científica imparcial entrara a má consciência e a má intenção da apologética. Marx desconhecia então a chamada “revolução marginalista”, que já estava batendo à porta, e que desbancaria completamente a velha economia política de Smith e Ricardo, mas não poderia ter sido mais certeiro.

Inside Job, o documentário de Charles Ferguson que pretende mostrar como foi possível o mergulho da economia mundial na abissal crise do final de 2008, indica de modo contundente o caráter superlativo desse prognóstico, em tempos de capitalismo financeirizado.  A dança das cadeiras dos protagonistas dessa história entre os mais altos cargos do governo, o comando de grandes grupos financeiros e as cátedras dos cursos de economia e negócios de renomadas universidades dá a tônica da narrativa e é um dos pontos altos do filme. A desfaçatez dos economistas professores ao afirmarem sem pejo que não há conflito entre seu papel de pesquisadores e elaboradores de “trabalhos científicos” e os interesses concretos que devem defender como consultores, assessores ou CEOs (executivos-chefes) de grandes corporações só encontra paralelo na impudência com que as agências de rating classificam com o famoso triplo A instituições a um passo da falência total, bancos e seguradoras já em processo de resgate pelo governo e investimentos tachados de lixo, nas conversas reservadas dos próprios financistas.

“No contexto do mercado”
A soldadesca mercenária a que se refere Marx é capturada pelo filme em plena ação, demonstrando “cientificamente” o caráter estabilizador dos mercados de derivativos, execrando, com base em fundamentos teóricos seguros, qualquer tipo de regulação e explicando, a estupefatos senadores de uma comissão de investigação do início de 2010, que, “no contexto do mercado”, não há nada demais em recomendar a clientes a compra de um ativo financeiro que, pelas costas, a própria instituição se encarrega de destruir, pois ele foi desenhado para dar tanto mais lucro a seus idealizadores quanto maiores sejam as perdas dos incautos que os adquirem. Talvez não exista exemplo mais bem acabado da má consciência e da má intenção da apologética que Marx vaticinara em substituição à falsa consciência da economia política dos bons tempos. Encarado por este ângulo, o filme é, sem dúvida, extremamente bem sucedido. Mas é também aí que se podem perceber seus limites.

Ao temperar com justa indignação moral a sequência de eventos e de personagens que apresenta, combinando, sempre que possível, esse tipo de pecado com delitos de outra natureza, como as desmedidas quantidades de cocaína sabidamente consumidas pelos tipos de Wall Street e a recorrente utilização, pelas mesmas figuras, dos serviços de agenciamento de prostitutas de alto luxo, Inside Job tende a mostrar como anormalidade e aleijão aquilo que singelamente o executivo da Goldman & Sachs mostra ao parlamentar da alta corte americana como sendo normal “no contexto do mercado”. O próprio filme, por sinal, indica que muitas vezes é muito tênue, para não dizer inexistente, a linha que separa a especulação oficialmente permitida das transações financeiras e a criminalidade pura e simples, como a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas ou o auxílio qualificado a clientes que desejam burlar o fisco.

Milagre da multiplicação

A clivagem normal/anormal, mal resolvida no filme, é, contudo, atravessada por uma outra, igualmente interessante, e pouco explorada por ele: assumindo-se plenamente como documentário, Inside Job passa batido pela questão, formalmente instigante do ponto de vista da obra cinematográfica em si, sobre como um instrumento desenhado para produzir ficção, pode fabricar um filme “verdadeiro” a respeito de uma realidade materialmente comandada pela própria ficção.

O tipo de reprodução capitalista que escancara de vez o espaço para a ação da soldadesca mercenária é aquele no qual o andamento da acumulação é presidido pelo que Marx chama de capital portador de juros (capital financeiro), o qual possui a propriedade de parecer milagrosamente produzir valor por si mesmo, “assim como a pereira dá peras”. “Fazendo amor consigo mesmo” (essa é outra das formas brincalhonas de Marx ao tratar do objeto), o dinheiro que é lançado na circulação como capital, ou seja, como coisa que se compra e se vende por sua suposta propriedade de se automultiplicar, enseja todo tipo de “formas aloucadas” e fictícias, da dívida pública ao título de crédito, da ação convencional aos derivativos de todo tipo, dos CDOs (collatered debt oligations) aos CDSs (credit default swaps), ativos, estes últimos, sobre os quais George Soros — a velha raposa do mercado financeiro mundial, forte o suficiente para, sozinho, ter quebrado a libra inglesa em 1992 — afirma, no filme, não ter conhecimento, por pertencer “à velha guarda”.

O filme aborda indiretamente a questão do caráter fictício desses capitais que se autorreproduzem, mas a mantém nos estreitos limites da discussão sobre a formação de bolhas de ativos, que surge naturalmente, sempre que se trata da temática dos mercados de capitais. Assim como no caso das transações financeiras moralmente condenáveis, as bolhas de ativos aparecem como anormalidades, figuras que escapam da régua e do compasso da boa sociedade de mercado, deficiência que pode evidentemente ser sanada, desde que o Estado disponha dos apetrechos necessários, não seja dominado pelos lobbies financistas e ponha na cadeia aqueles que maculam o direito à liberdade econômica. O filme dá assim pouco espaço para que se perceba que, no capitalismo de hoje, longe de exceção, a formação de bolhas é processo recorrente e absolutamente normal. Com exceção dos precipícios nos quais esse arranjo naturalmente instável de quando em quando despenca, momentos em que todos perdem até que o Estado venha em socorro, é a formação de bolhas e seu esvaziamento (que pode ou não ser barulhento) que permite “realizar”, para os espertos do momento, a valorização fictícia desses capitais fictícios.

“Maracutaia” e limitações

Os limites do filme, portanto, como já deve ter presumido o leitor, encontram-se no plano ideológico: o diretor esgrima seus princípios liberais e sua fé na capacidade de a sociedade de mercado levar a humanidade ao estágio de “fim da história” (que teria sido alcançado pela paradigmática Islândia pré-reformas desreguladoras que abre o filme), contra a loucura neoliberal da falta de regras, da especulação desenfreada e da ganância dos financistas. Um pouco mais de Estado, correntes de ferro para domar a ferocidade da finança (vista quase como inimiga do capital) e bons princípios morais devem resolver o problema e fazer a América voltar a se orgulhar da Estátua da Liberdade que ganha a tela na cena final. Quem sabe até não coloca os professores de economia em seu devido lugar e, mais ainda, dota-os de consciência crítica quanto ao “saber” que professam.

Ironias à parte, por mais que Inside Job (Trabalho Interno), para cuja tradução cultural, pelas insinuações da expressão, já se sugeriu nossa famosa Maracutaia, por mais que desperte, enfim, nossas simpatias e por mais que seja eficiente em fazer aflorar no cidadão comum a necessária indignação, é limitado no conteúdo e na forma. No conteúdo porque dá pouca margem para que se perceba que o capital portador de juros não é uma excrescência da sociedade de mercado, mas seu resultado natural, e para que se perceba igualmente quão promíscua é a relação não só entre professores de economia e seus postos no setor público e privado, mas principalmente entre o paradigma de ciência econômica que hoje se impõe com violência nas instituições acadêmicas e o apoio intelectual que ele confere ao domínio exercido pela finança. Na forma, porque o corte reto e clássico do documentário no estilo “é tudo verdade”, praticamente dividindo o filme entre bons e maus, entre os que avisaram da catástrofe e os que continuaram a produzir lixo tóxico, entre os que perderam empregos e bônus milionários, mas se retiraram da esbórnia, e os que continuaram a fraudar e trapacear, não só não credita ao sistema enquanto tal qualquer problema ou defeito, como gira em falso frente a uma realidade que está hoje, mais do que nunca, longe de ser simples, linear e binária. Uma narrativa jocosa, que completasse as voltas dos parafusos, invertendo verdades e mentiras, talvez fosse mais efetiva.


Leda Maria Paulani é professora titular do Departamento de Economia da FEA/USP. Texto publicado originalmente na revista Retrato do Brasil edição 46

Veja o Trailer de Trabalho Interno:


DOIS OLHARES SOBRE “O OLHAR ESTRANGEIRO”

“Olhar Estrangeiro” expõe na tela clichês gringos sobre o Brasil

Sylvia Colombo
da Folha de S.Paulo

No Brasil, vivemos todos na floresta, onde cobras gigantes devoram aventureiros estrangeiros queimados de sol e picados por mosquitos. Nossa capital é o Rio de Janeiro, onde as mulheres são mulatas de bunda grande e “vida fácil”. Os casamentos parecem rituais de umbanda, enquanto a sensual lambada é uma febre nacional surgida da mescla harmoniosa das culturas indígena e africana.

No documentário “Olhar Estrangeiro”, Lúcia Murat (“Quase Dois Irmãos”, 2004) vai literalmente à caça de roteiristas e diretores de cinema a quem responsabiliza por disseminar clichês sobre o Brasil como os mencionados acima. “Eu queria saber o que se passava na cabeça deles quando filmaram aquelas barbaridades”, disse a cineasta à Folha.

São essas tais “barbaridades” que dão amarração e graça (põe graça nisso) ao filme. Michael Caine passeando em Ipanema, onde todas as mulheres estão com os seios (perfeitos, sem exceção) de fora, em “Feitiço do Rio” (Stanley Donen, 1984). Brooke Shields surfando sobre crocodilos, num espalhafatoso vestido vermelho, ao som de um samba, em “Brenda Starr” (Robert Ellis Miller, 1989).

Um brasileiro fake (na verdade, um ator americano de origem latina) com um sotaque terrível, convidando uma americana a viajar para uma “praia de São Paulo” em “Próxima Parada, Wonderland” (Brad Anderson, 1998). E, ainda, o ator francês Daniel Auteil comentando o tamanho da bunda de uma negra brasileira em “T’Empêches Tout le Monde de Dormir” (Gérard Lauzier, 1982).

Esses filmes já haviam sido analisados na tese “O Brasil dos Gringos”, de Tunico Amâncio, que foi base para o documentário. Com as “provas” na mão, Murat encostou os cineastas na parede com agressividade. “Não quis parecer xenófoba, só perguntei de onde tinham saído aquelas imagens.”

As respostas variaram. Muitos admitiram que a indústria cultural busca, sim, os clichês tradicionais do Brasil –terra do samba, do sexo e da alegria–, para onde os bandidos sempre podem fugir no final da história. Outros ficaram envergonhados, enquanto houve quem agisse com muita naturalidade, na linha: “Ué? Mas aí não é assim mesmo?”.

Clima pesado

O clima só ficou um pouco mais pesado com Zalman King (de “Orquídea Selvagem”, 1990). “Ele não sabia do que se tratava, quando percebeu que queríamos questionar porque o filme dele estava cheio de clichês e imperfeições, olhou para o assessor de imprensa e quase nos tirou dali”, conta.

Para fazer um contraponto, Murat entrevistou anônimos franceses, suecos e norte-americanos. A eles, pedia que fizessem uma associação livre entre palavras como “sexo”, “exótico”, “Paraíso”, “mestiçagem” e o Brasil. A enquete só reforçou a visão dos cineastas. “No geral, acho que os europeus têm um olhar mais carinhoso com o Brasil. Já os EUA vêem todo o mundo latino-americano como se fosse uma coisa só.”

Mas Murat também elegeu heróis, o norte-americano Orson Welles e o francês Édouard Luntz. O primeiro, por seu artístico “It’s All True”, e o segundo por “Le Grabuge” (1968). Luntz teve de brigar na Justiça com a Fox, que considerou que o filme não tinha o “colorido brasileiro” em quantidade suficiente. “Welles e Luntz foram antes de tudo autores, colocaram seu olhar pessoal no que faziam, por isso não se deixaram levar por clichês.”

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O Olhar Estrangeiro, de Lúcia Murat (Brasil, 2005)
por Leonardo Mecchi

*publicado originalmente em http://revistacinetica.com.br

Após passar 70 minutos questionando o retrato que o cinema estrangeiro faz do Brasil e de seu povo, Lucia Murat encerra Olhar Estrangeiro com um letreiro onde se lê, “Afinal, quem somos nós?”, para logo em seguida dedicar a obra “a todos os que buscam sua verdadeira identidade”. Ao optar por esse final em seus créditos, a diretora carioca contradiz sua própria proposta, enunciada através da narração em off no início do filme: parar de consumir uma imagem do Brasil forjada fora e inverter essa relação entre observador e observado. Tal ato falho explicita uma característica incômoda deste documentário, que é a busca constante no olhar estrangeiro de uma aprovação supostamente necessária para nos livrarmos de nosso complexo de vira-latas, como se a única forma possível de se validar uma identidade brasileira fosse através do reflexo que este olhar estrangeiro nos fornece.

Nessa ânsia por acusar o estrangeiro de estigmatizar o Brasil e o brasileiro, Murat acaba cometendo o mesmo erro do qual acusa seus entrevistados: nega-lhes a individualização e aponta esse olhar como intrínseca e necessariamente preconceituoso. Tal visão pré-concebida da diretora fica clara no tratamento que ela dá às imagens dos entrevistados (sempre com um fundo descolorido, cinzento, em contraposição ao colorido tropical do brasileiro) e na escolha emblemática, porém arbitrária, dos filmes comentados, o que faz com que obras paradigmáticas como Orfeu Negro fiquem de fora, enquanto filmes como Lambada, A Dança Proibida e Anaconda sejam analisados como se fossem estudos profundos sobre a brasilidade – e não como os filmes despretensiosos e auto-conscientemente construídos sobre clichês que são.

Dessa forma, mais do que um documentário, Olhar Estrangeiro assemelha-se àquelas reações desproporcionais que, de tempos em tempos, tomam espaço nos noticiários brasileiros diante de obras que supostamente ferem nossa imagem no exterior, como no caso do episódio dos Simpsons ambientado no Rio de Janeiro ou do novo “escândalo” pré-planejado Turistas. Curiosamente, tais reações depõem mais contra nossa imagem – ao expor nossos complexos terceiro-mundistas e a necessidade de auto-afirmação através do olhar estrangeiro – do que os próprios fatos que as originaram. Não deixa de ser sintomático que um país que reproduz ele mesmo a maior quantidade de estereótipos e preconceitos contra seu povo – principalmente nas produções da Globo ambientadas fora do eixo Rio-SP, seja no cinema ou na TV – opte por olhar para fora, e não para dentro, ao procurar culpados. Um pouco menos de complexo de perseguição e um pouco mais de auto-análise não faz mal a ninguém.


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Analisa o modo como se concebe o Brasil no exterior, a partir de filmes produzidos nos Estados Unidos e na Europa, notadamente nas últimas décadas, com ênfase para produções mais comerciais, embora não exclua alguns casos chamado cinema de arte.

MINC FINANCIA FESTIVAL DE CINEMA EM PARINTINS

Via Blog do Rildo Maia

A Associação Parintinense de Cinema (APINCINE) realiza o Parintins Cine Fest 2011, o primeiro festival de cinema idealizado e organizado por diretores e produtores parintinenses. O evento tem a projeção de ser o maior festival do interior do Amazonas. A APINCINE vai fazer o lançamento do projeto na próxima quinta-feira, dia 10, no Centro de Atendimento ao Turista, às 10 horas da manhã.

O Parintins Cine Fest 2011 vai ser desenvolvido ao longo de 5 meses. Na primeira etapa serão realizadas Oficinas de Elaboração de Roteiros e Preparação de Atores voltadas para o público jovem com idade entre 17 e 22 anos. As inscrições são gratuitas e vão do dia 11 ao dia 18 de fevereiro na Secretaria de Juventude e Cultura. Na segunda etapa acontece o Concurso de Roteiros de Quatro Minutos que será realizado no mês de março e a última fase é o festival de cinema que vai acontecer no mês de junho.

O Projeto Parintins Cine Fest 2011 foi aprovado no Programa Mais Cultura de Apoio a Microprojetos na Amazônia Legal, com recursos do Ministério da Cultura por meio da Secretaria de Articulação Institucional (SAI) e da Fundação Nacional de Artes (FUNARTE) e com apoio da Secretaria de Cultura do Amazonas, Prefeitura Municipal de Parintins, com a Parintins Vídeo e outras instituições públicas e privadas.

Na próxima quinta-feira, diretores, autoridades e imprensa devem se reunir no salão do CAT para o lançamento do projeto. A programação inicia com a exibição de trailers dos principais filmes parintinenses premiados nos festivais da Associação Amazonense de Cinema (AMACINE). Em seguida será feita uma apresentação da trajetória do cinema em Parintins e a criação, atuação e metas da Apincine. O objetivo do Parintins Cine Fest é desenvolver e fortalecer a produção de cinema e das artes cênicas na região para mostrar a Amazônia no olhar caboclo.

Emanoel Cardoso

Assessor de Imprensa

UTILIDADE PÚBLICA – INCLUSÃO DIGITAL

Do Portal Brasil

A internet permite ao cidadão o acesso rápido e fácil a diversos serviços do Estado brasileiro. Mesmo quem não tem computador ou conexão à internet pode navegar pela rede, por meio de iniciativas de inclusão digital que democratizam o acesso da sociedade às novas tecnologias.

 

Valter Campanato/Abr  

Veja alguns serviços do Estado brasileiro que podem ser acessados pela internet. A lista completa pode ser encontrada nesse site.

  • Biblioteca Nacional

Clique aqui para consultar o acervo da biblioteca.

  • Bibliotecas Públicas

Clique aqui para encontrar uma biblioteca pública.

  • Cadastro Nacional de Pessoa Física (CPF)

Confirme sua inscrição no CPF ou sua situação cadastral no site da Receita Federal.

  • Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ)

Acesse o site da Receita Federal para confirmar a inscrição da empresa ou sua situação cadastral.

  • Cartórios

Para registros civis e de imóveis, títulos e documentos, clique aqui.

  • Certidão Negativa

Emita a Certidão Conjunta Negativa de Débitos Relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União no site da Receita Federal.

  • Combate à Dengue

Informe-se sobre a doença, como preveni-la e tratá-la.

  • Domínio Público

Acesse obras literárias, artísticas e científicas de uso livre de todos ou que têm sua divulgação devidamente autorizada, em diversos formatos (texto, som, imagem e vídeo).

  • Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)

Acompanhe os depósitos de seu FGTS feitos pelo empregador no site da Caixa.

  • Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF)

Clique aqui para consultar declarações entregues no ano de exercício e aqui para consultar as entregues em anos anteriores.

  • Polícia Rodoviária Federal – Multas

Consulte se há multas devidas ou não (documento de “nada consta”) na página da Polícia Rodoviária Federal.

  • Receita Federal do Brasil – Atendimento ao contribuinte

Clique aqui para acessar todos os serviços da Receita Federal e da Procuradoria da Fazenda Nacional.

  • Título de Eleitor – Solicitação

Acesse a página do TSE para solicitar seu Título de Eleitor. Atenção: o processo só poderá ser concluído em uma unidade de atendimento da Justiça Eleitoral.

  • Título de Eleitor – Verificar situação

Consulte a situação de seu Título de Eleitor no item “Situação eleitoral”. Clique aqui para acessar a página.

MINISTÉRIOS

Informações sobre as atividades dos ministérios encontram-se no sítio de cada um:

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa): www.agricultura.gov.br

Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT): www.mct.gov.br

Ministério da Cultura (MinC): www.cultura.gov.br

Ministério da Defesa (MD): www.defesa.gov.br

Ministério da Educação (MEC): www.mec.gov.br

Ministério da Fazenda: www.fazenda.gov.br

Ministério da Integração Nacional (MI): www.integracao.gov.br

Ministério da Justiça (MJ): www.mj.gov.br

Ministério da Previdência Social (MPS): www.mps.gov.br

Ministério da Saúde (MS): www.saude.gov.br

Ministério das Cidades (Mcid): www.cidades.gov.br

Ministério das Comunicações (MC): www.mc.gov.br

Ministério das Relações Exteriores (MRE): www.mre.gov.br

Ministério de Minas e Energia (MME): www.mme.gov.br

Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA): www.mda.gov.br

Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS): www.mds.gov.br

Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC): www.mdic.gov.br

Ministério do Esporte (ME): http://portal.esporte.gov.br

Ministério do Meio Ambiente (MMA): www.mma.gov.br

Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG): www.planejamento.gov.br

Ministério do Trabalho e Emprego (MTE): www.mte.gov.br

Ministério do Turismo (MTur): www.turismo.gov.br

Ministério dos Transportes (MT): www.transportes.gov.br

Fonte:
e-Gov

UTILIDADE PÚBLICA: Acervos e arquivos históricos no Brasil

Do Portal Brasil

A história do Brasil está representada em acervos e arquivos históricos de diversas instituições do país. Acesse o site de cada instituição citada a seguir para mais informações sobre o acervo e os horários de visita.

Arquivo Nacional

Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF)

A sede do Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, tem um acervo formado por documentos textuais dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e de coleções privadas do período colonial até hoje. Lá estão preservadas correspondências do império ultramarino português, arquivos que vieram ao Brasil em 1808, com D. João VI, originais da Constituição de 1824 e da Lei Áurea e registros da entrada de imigrantes no país, entre outros documentos.

Mapas e plantas, projetos, fotografias, obras e documentos dos séculos XVIII ao XX, por exemplo, compõem o acervo audiovisual e cartográfico do Arquivo Nacional no Rio.

O Arquivo Nacional também possui uma coordenação regional no Distrito Federal com uma base de dados formada pelos acervos de três órgãos extintos: o Serviço Nacional de Informações (SNI), o Conselho de Segurança Nacional (CSN) e a Comissão Geral de Investigações (CGI).

Fundação Biblioteca Nacional

Rio de Janeiro (RJ)

A Biblioteca Nacional possui acervos com monografias e teses desde o século XVIII, dicionários técnicos, enciclopédias, atlas, mapas e reúne coleções referentes a obras europeias produzidas no século XIX, estampas raras, fotografias e desenhos.

Ela ainda possui o maior acervo de música erudita e popular da América Latina, com as primeiras edições de compositores dos séculos XVIII e XIX e obras de grandes nomes da música brasileira.

Parte do acervo da Fundação Biblioteca Nacional pode ser encontrada na internet. Faça uma pesquisa no site da Biblioteca Nacional Digital e no site da Biblioteca Nacional.

Museu Imperial

Petrópolis (RJ)

O arquivo histórico do Museu Imperial reúne cerca de 250 mil registros desde o século XIII até o início do XX, com destaque para documentos do século XIX, um farto material para estudiosos, roteiristas de TV, cineastas, escritores e cenógrafos de escolas de samba. Os principais assuntos relacionados ao país que podem ser encontrados no arquivo, que também conta com um grande conjunto de fotografias.

Museu da República

Rio de Janeiro (RJ)

Materiais sobre o período republicano brasileiro constituem o arquivo histórico do Museu da República. São cerca de 90 mil itens, como documentos manuscritos e impressos, fotografias e mapas, que registram a vida privada e pública de importantes nomes da história. Entre as coleções de destaque estão fotografias que retratam a Guerra de Canudos.

O Museu da República também conta com uma biblioteca e um setor de museologia, responsável pela conservação dos objetos expostos e dos elementos decorativos e arquitetônicos do próprio palácio que abriga o museu. O setor reúne milhares de peças ligadas à República, como mobiliário, medalhas, pinturas, espadas e sabres de presidentes e políticos.

Fundação Nacional de Artes (Funarte)

Rio de Janeiro (RJ)

O Centro de Documentação e Informação em Arte (Cedoc), da Funarte, reúne mais de 1 milhão de documentos sobre artes plásticas e gráficas, música, fotografia, teatro, dança, circo, ópera, cinema e vídeo, além de materiais que contam a história da própria Funarte. Entre os formatos estão livros, periódicos, textos teatrais, discos, fotografias, roteiros cinematográficos, desenhos de cenários e figurinos, dossiês de personalidades e eventos etc. O Cedoc também possui arquivos e coleções doados por grandes nomes ligados às artes no Brasil.

Cinemateca Brasileira

São Paulo (SP)

Com o maior acervo de imagens em movimento da América Latina, a Cinemateca Brasileira possui cerca de 200 mil rolos de filme, que correspondem a 30 mil títulos produzidos desde 1895. São obras de ficção, documentários, cinejornais, filmes publicitários e registros familiares do Brasil e de outros países. A Cinemateca possui em seu acervo a coleção de imagens da TV Tupi, primeira emissora de televisão brasileira, já extinta. Na biblioteca do local estão disponíveis vários documentos impressos sobre cinema. Há também arquivos pessoais de críticos e cineastas brasileiros que fizeram história.

Museu Nacional de Belas Artes

Rio de Janeiro (RJ)

O acervo do Museu Nacional de Belas Artes tem mais de 16 mil peças, entre obras de pintura, escultura, desenho e gravura do Brasil e do exterior, além de arte decorativa, mobiliário, medalhas, moedas, arte popular e arte africana. O museu também conta com uma biblioteca especializada em artes plásticas dos séculos XIX e XX, com obras raras e uma coleção de periódicos, monografias e catálogos de exposições nacionais e internacionais.

Fundação Casa de Rui Barbosa

Rio de Janeiro (RJ)

Arquivos e coleções familiares e pessoais de grandes personalidades da história do Brasil estão no acervo da fundação, assim como cerca de 60 mil documentos produzidos e recebidos entre 1849 e 1923 por Rui Barbosa, que foi ministro, jornalista, advogado e diplomata. A fundação possui um arquivo institucional que conta sua própria história, com fotografias, desenhos arquitetônicos, cartazes, fitas de áudio e também apresenta uma coleção de 8 mil folhetos de cordel e obras sobre o tema. O arquivo da fundação pode ser consultado no site da Fundação Cada de Rui Barbosa.

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional IPHAN)

Rio de Janeiro (RJ)

O Arquivo Noronha Santos, com sede no Rio de Janeiro, guarda e preserva documentos textuais, fotografias, gravuras e desenhos que constituem uma importante ferramenta para o estudo das políticas e das práticas do Estado na preservação do patrimônio cultural do Brasil. O Iphan também possui um banco de dados com a coleção de imagens e fotografias cadastradas no instituto. Esse acervo iconográfico pode ser consultado no site do IPHAN.

Arquivo Histórico do Exército

Rio de Janeiro (RJ)

Documentos manuscritos e impressos, fotografias, gravuras e vídeos que contam a história do Exército brasileiro e suas ações após a independência do país fazem parte desse arquivo. Entre eles estão almanaques de oficiais, revistas, documentos sobre missões de paz e imagens de fortificações militares e quartéis-generais. O arquivo também conta com uma mapoteca, com mapas e plantas de todos os estados do Brasil e alguns países da América do Sul, principalmente do período entre os séculos XVIII e XX.

Arquivo da Marinha

Rio de Janeiro (RJ)

O arquivo da Marinha tem mais de 30 milhões de registros desde o século XVIII até hoje. Inclui coleções como a de edições do “Diário Oficial da União”, fotografias, filmes, vídeos e livros de navios de guerra. No Espaço Cultural da Marinha, o visitante conhece a Galeota D. João VI, embarcação construída em 1808, submarinos e helicópteros. Na biblioteca, o acervo de mais de 60 mil livros, folhetos, periódicos e mapas é especializado nas áreas de história geral do Brasil, história naval e cartografia (mapas).

Museu Aeroespacial

Rio de Janeiro (RJ)

Em suas diversas salas temáticas, o Museu Aeroespacial conta a história da aviação e da Força Aérea no Brasil, com aviões, fotografias, armas usadas em combate aéreo, documentos, medalhas, livros e vídeos, entre outros materiais. Há também salas que mostram o funcionamento do controle do espaço aéreo brasileiro, motores usados na Primeira Guerra Mundial e simuladores de voo usados para treinamento de cadetes.

Casa de Oswaldo Cruz

Rio de Janeiro (RJ)

O maior acervo do Brasil sobre a história das ciências biomédicas e da saúde pública está na Casa de Oswaldo Cruz, que leva o nome do famoso médico sanitarista nascido em 1872. Documentos textuais, iconográficos e audiovisuais desde o século XIX estão disponíveis em fundos institucionais, coleções e arquivos privados. A biblioteca da Casa de Oswaldo Cruz reúne cerca de 28 mil itens, com material bibliográfico de coleções de cientistas, médicos, pesquisadores e outros profissionais da área da saúde. O acervo da biblioteca pode ser consultado no site Casa de Oswaldo Cruz.

Outros acervos e arquivos históricos

Os arquivos públicos estaduais e do Distrito Federal estão listados aqui. Encontre também museus em todo o Brasil neste site.

Fonte:
Associação Nacional de História