“O Menino Trepado na Goiabeira”

Suspenso na goiabeira,
Do céu o mais
Próximo que podia
O Menino Trepado
Pensou em Maria

Lembrando de vozes
De adultos múltiplas
Ouviu em ruídos
A importância que todos
Davam a certeza
De ser de Jesus
Mãe

“Tendo no mundo
Tantas e tantas mães
Por que – Maria –
Mãe de Jesus
Ser tão falada?”

Na pergunta refletida
O que não foge aos pequeninos
Não pensavas
O quanto de problemas
No mundo colocava

(Ora! As crianças
Estão no mundo para isso
Bem diga Manoel
Que é de Barros
Criança
Desconcertar
E trazendo ternura
A um espírito endemoniado
O amor libera)

– mas voltemos
– a quem?
– ao menino Trepado.

“Este menino Jesus
Deve ser muito feliz
Mais feliz
Deve ser sua mãe
– Maria-
Pois da minha
Além de meu pai
E mãe de minha mãe
Irmãos e outros tantos
Falo eu,
E quando em algum descuido cósmico
Dela esqueço
Ela, afetuosamente,
Lembro-me com ternura
Que em mim vive

O Menino Trepado
Mais perto do céu estava
E lá em cima
Onde embaixo
Tudo termina
Teve de sopapo
Um estalo:

“Lembro da Mãe-Maria
Todos dizerem
Ser importante
Pois virgem
A seu filho primeiro
Concebeu”

Na idade da riqueza
Onde todo afeto
Do sexo se afasta
O Menino Trepado
Viu que ser virgem
A nada de nada
Importava

Era preciso
À explicação adulta
Descomplicar
E ao complexo
Expulsar

Mais perto do céu
De onde quem lá chegar
Sair nunca pode desejar
O Menino Trepado
Divino como todo pequenino
Em palavras silenciou:

Mãe-Maria
Ao menino Jesus
Virgem o concebeu
Fez por pedido de Deus
(Também criança)
Mas ela, mais do que nunca
Fez-se mãe
Por mãe de Jesus
Escolher ser

Em Mãe não há segredo
Todas são Mães-Marias
E muitas Marias há
Pois todo filho
Só é desta condição
Não quando concebido
Mas com amor e afeto
Escolhido

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