Morre Sergio Guerra

Morreu Sergio Guerra. Como um guerreiro derrotado, viu florescer a democracia que tanto combateu. Assim diz a reportagem do Correio do Brasil: “Deputado estadual por dois mandatos, entre 1982 e 1988, chegou ao Congresso Nacional em 1989 ocupando uma das cadeiras da bancada pernambucana na Câmara. Em 2002, ele chegou ao Senado; mesmo ano em que o PT elegeu Luiz Inácio Lula da Silva”.

O interessante é o nome do político profissional que fica entre os vivos: Guerra! Nome que pode indicar a força da construção pelos conflitos adesivados no corpo que convive com os acontecimentos passados: suas lutas, seus erros, suas afirmações, suas decadências, seus esfacelamentos, seus desejos…

Trata-se de um acontecimento! A morte em nada pode significar algo. Na morte não há contradição, nem dialética, muito menos negação. Diferença pura. Diferença que atravessa o corpo em uma curva do destino que vence gloriosamente qualquer tentativa de paralisá-la. Mudança absurda! A alegria Epicuro já dizia que a morte não é nada e dela nada podemos saber. Um incorpóreo incompreensível onde seus efeitos, deixados para aqueles que ainda não a experimentaram, serão matematizados na enciclopédia do rancor e da culpa, nas boas lembranças e da ausência presente na memória-mundo.

A guerra tem seu fim em cada corpo estilhaçado pelas inteligências que mais se parecem cheias de conhecimentos coletivos convertidos em técnicas de matar. Mas trata-se de uma guerra que se transformou em apanágio profissional, onde o guerreiro não é mais vontade de potência; onde a luta não é mais correlação de forças respeitosa de inimigo para inimigo. A guerra não é mais produção da existência por relações guerreiras; ela é uma espécie de controle do corpo, guerra biopolítica onde a morte é só um cálculo, uma técnica, procedimentos institucionais de um Estado beligerante dotado de instituições militares.

A Guerra de Sergio Guerra passa, claro e obviamente, pelo acontecimento, pois a morte engole tudo com seu apetite voraz. Mas seu Guerra também se institucionalizou, tentou com suas forças fugir do acontecimento (ledo engano).

Parece-nos que sua morte, ainda que seja um acontecimento, não passou de um cálculo a mais nas contas dos impotentes.

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s