ENTRE A PROPAGANDA E A REALIDADE: A RUDAY NA UFAM

Do Jornal Catarse

 No site da empresa prestadora de serviços, chamada RUDARY encontramos uma explicação do tipo de serviço que presta aos seus clientes (e a UFAM é um deles).

Afirma a sua “principal característica de serviço oferecido pela empresa é a variabilidade, onde os serviços são altamente variáveis, pois dependem dos que o realizem e quando e onde estão sendo realizados”.

A empresa Rudary Prestadora de Serviços Ltda, afirma que “oferece qualidade e garantia de profissionais altamente qualificados nas atividades profissionais que exerce, e apresenta-se como uma empresa terceirizada, que minimiza os custos”.

  Em seguida faz um elogio ao processo de terceirização, que segundo ela, é nos tempos de hoje uma estratégia das grandes empresas. Terceirização, como explica, “consiste em repassar suas tarefas secundárias a empresas especializadas, para poder realizar melhor sua atividade principal”, pois, segundo ela, “a terceirização tem surgido como forma de melhorar a qualidade dos produtos e serviços a menores custos.”

Para isso – continua – “é preciso uma estrutura moderna (sic) e, ainda qualidade, competitividade, desenvolvimento e senso de parceria e visão de longo prazo.”.

Mas, parece que a modernidade, com todos seus adjetivos, a que se refere o discurso propagandista da empresa, é só para inglês ver, pois a realidade, conforme podemos ver no depoimento de um trabalhador terceirizado que desenvolve suas atividades na Universidade Federal do Amazonas, não saiu do papel, (veja abaixo) como também demonstrou uma reportagem veiculada por uma emissora de televisão local.

A pergunta que fazemos é: a empresa que repassou “suas tarefas secundárias”, conforme a expressão contida na propaganda da empresa, possuí algum controle sobre a qualidade de vida dos trabalhadores que diariamente convivem conosco?

A universidade não é uma empresa qualquer. Aqui se qualifica profissionais das mais diversas áreas que têm – ou deveriam ter – um grande compromisso com a cidade, e com o local onde trabalha e, consequentemente, com os direitos dos trabalhadores.

Esses homens e mulheres que circulam entre nós vestindo macacões cinza, são trabalhadores e trabalhadoras como nós e não “personagens invisíveis”, como mostrou um sociólogo que atuou como pesquisador participante, vivendo como eles, o seu dia a dia de trabalho numa universidade pública de São Paulo (o que foi motivo de publicação de um livro, na verdade a sua tese de doutorado, que ganhou prêmio na academia).

Ouvi-los, apoiá-lo nas suas reivindicações cotidianas, respeitá-los em todos os aspectos não é mera cortesia.

Lembremo-nos que a chamada estratégia da terceirização vem sendo a prática de gestão adotada não só pelas empresas privadas. Esse discurso da terceirização explicitado pela prestadora de serviço da Ruday atinge também as fundações públicas atualmente e é comum escutarmos a mesma linguagem nos corredores da universidade.

Eles se interessam mais pelo ganho rápido do que com as condições salariais e a saúde de seus trabalhadores e trabalhadoras. O discurso da modernidade associada à qualidade dos produtos é mero discurso para encobrir a exploração desumana, como estamos vendo com relação aos trabalhadores da empresa que faz o serviço de limpeza e manutenção no campus, conforme podemos ver no depoimento do trabalhador abaixo.

COMIDA ESTRAGADA, PAGAMENTO ATRASADO: A MODERNIDADE ÀS AVESSAS

 O depoimento

Trabalho na empresa Ruday, que presta serviços de manutenção e limpeza na UFAM e outras empresas de Manaus. Vou fazer alguns comentários sobre a nossa realidade, o que de fato vivemos no nosso dia a dia de trabalho.

Começo pelo nosso café da manhã, a primeira refeição, que não é fornecida pela empresa.  Se quisermos beber temos que trazer o café de casa, ou pagar no refeitório da instituição. Além do mais, a chefia nos pressiona para que a gente tome o café às pressas.

Outro problema muito grave é a condução, pois os nossos vales transportes só caem depois de duas semanas.

Sobre o almoço, podemos dizer, é uma vergonha e, muitas vezes, impossível de comer, porque quando não vem azedo, vem estragado, reduzido. A carne vem crua, o frango vem cru e sem nenhum tempero. Eles alegam que botaram na quentinha azeda. A almondega e insuportável. É melhor comer chumbo, de tão dura.

O vale transportes é depositado de três em três dias e o principal, o salário, atrasa mais de 15 dias…. E ainda são exigentes com a gente. E se faltar é descontado 40 reais por falta. E eles pagam 22 reais, a diária se soma o salário….

E triste… Ainda mais: a gente só recebe os vales depois de três ou quatro dias, o que revela o descaso da empresa com as nossas condições de vida, principalmente a nossa saúde. Como pode um trabalhador ou uma trabalhadora trabalhar nessas condições? E a nossa saúde?

Outro problema grave, e que saiu até na televisão, são os nossos pagamentos mensais. Não tem data certa para sair, pois os pagamentos chegam atrasados, ou seja, depois de três ou quatro dias é chegam os contracheques. Isso e um absurdo.  O último pagamento atrasou, ou seja, não caiu na nossa conta e ninguém sabe por que as razões desse atraso (depoimento de um trabalhador da empresa

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