DOCUMENTOS DO Deops ESTARÃO DISPONÍVEIS NA INTERNET NA SEGUNDA-FEIRA

Nesta próxima segunda-feira (1º), será realizada no Arquivo Nacional de São Paulo a cerimônia de lançamento do portal virtual que irá armazenar os arquivos e prontuários do extinto Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops), órgão de repressão do país no período da ditadura (1964-1985).

O acesso aos documentos será livre e poderão acessados a partir de segunda-feira. Ao todo, cerca de 1 (hum) milhão de páginas de documentação foram digitalizadas. A digitalização dos arquivos foi feita através da parceria entre a Associação dos Amigos do Arquivo Público de São Paulo e o projeto Marcas da Memória da Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

De acordo com a Agência Brasil, para o Ministério da Justiça “as informações, além de serem um importante registro histórico, poderão facilitar o trabalho de reparação feito pela Comissão de Anistia, uma vez que poderão ser usadas como ferramenta para que perseguidos políticos consigam comprovar parte das agressões sofridas”.

O período de trabalho de digitalização dos documentos foi de dois anos e deve continuar até 2014. Para tanto, a Comissão de Anistia transferiu mais de R$ 400 mil à Associação de Amigos do Arquivo. Em dezembro de 2012, o Ministério da Justiça autorizou novo repasse, de mais R$ 370 mil, para digitalização de outros acervos.

O livre acesso destes documentos deverá facilitar em muitas pesquisas cientificas sobre o tenebroso período dos anos de chumbo no Brasil. Tais documentos podem ser avaliados como materiais contundentes de ações, atos, eventos e acontecimentos que fizeram com que a violência por parte do Estado fosse usada para conter alternativas de produções sociais subversivas ao poder constituído.

Sabemos da importância destes documentos para o conhecimento desta violência durante os anos de exceção no Brasil, mas também sabemos o quanto estes documentos, hoje, podem ser vistos como rastros duros da violência que se institucionalizou e associou valores constituídos como regras morais e a coerção do Estado, determinando um estado de coisas constituído responsável pela privação da vida de muitos.

Portanto, ter livre acesso a estes documentos é muitos mais do que obter informações sobre a ditadura militar em um país, mais do que isso, é potencializar novas expressões que possam apresentar novos modos de existência que não sejam a repetição da violência legalizada.

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