A SOCIEDADE DE CONSUMO (I)

Imagine que uma pessoa chegasse a você, e dissesse que você tem uma doença terminal, em estágio avançado, e que só restam alguns dias de vida. Em seguida, essa mesma pessoa diria que você também ganhou na loteria. E emendaria: “É certo que de pouco adianta ganhar na loteria, pois você tem apenas alguns dias de vida. Mas sorria, você é um sortudo, embora esteja a poucos dias da morte, és um milionário! Claro que não poderá desfrutar do seu ganho, pois está à beira da morte, mas felicitações, estás rico, embora…”. E assim, sucessivamente, ora lembrando-lhe do funesto destino que o aguarda, ora felicitando-o pela raríssima sorte. Pense em como você se sentiria nesse turbilhão de emoções. Pois bem. O noticiário cotidiano, os programas de variedade, os talk-shows, a programação televisiva, em qualquer horário, em qualquer canal, tem essa mesma estrutura narrativa, alternando mensagens de tom apocalíptico e de uma candura digna dos clássicos Disney, em perfeita uniformidade tonal e espaço-temporal. O resultado desse milk-shake emocional é a indiferença.

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2 Respostas para “A SOCIEDADE DE CONSUMO (I)

  1. Falando em consumismo, se os caros autores do Polivocidade aceitam uma sugestão, seria interessante publicar um artigo sobre o que o Evo Morales disse a respeito da “Economia Verde” e como a sociedade do consumo conseguiu destruir em 200 ou 300 anos o que o povo indígena preservou por mais de 5.000 anos (ontem, durante o Rio+20). Embora não seja um partidário dele, admito que ele falou muito bem.

    Abraço!

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