DOIS TEXTOS CURTOS PARA (DES)ENTENDER O BRASIL CONTEMPORÂNEO

A internet é uma fonte gigantesca de informações, mas o conhecimento, matéria-prima dos nossos valores, princípios e atitudes, precisa ser ruminado, produzido. Já dizia o filósofo e semiólogo italiano Umberto Eco, é necessário ensinar aos jovens a selecionar aquilo que é útil daquilo que não é, nesse oceano chamado internet.

Neste sentido, o PolivoCidade tem trabalhado na oferta de textos que, em nosso entendimento, são um bom “alimento informacional”, ou seja, quando bem digeridos, provoquem no leitor uma reflexão própria, para além dos clichês moralizantes da sociedade do controle.

Nesta publicação (post, para os anglófilos) trazemos duas sugestões para compreender duas discussões intensamente presentes no cotidiano da política brasileira. Boa leitura!

1) “Lampião Era Gay?”, de Beatriz Mendes, para a Carta Capital.

Em meio à polêmica da censura ao livro de Pedro de Moraes, intitulado Lampião Mata Sete, onde o autor trata da suposta homossexualidade do cangaceiro, Beatriz Mendes ilustra a intrincada relação entre liberdade individual e coletiva, na sociedade democrática. Ao defender sua decisão, o juiz Aldo Albuquerque afirma: “ninguém tem o direito de tratar da opção sexual de quem quer que seja, com exceção da sua própria“. Impossível não recordar a peleja entre neopentecostais e católicos de um lado, e a população LGBT de outro. A lógica do direito individual aqui aparece como móbil para um ato jurídico de censura, enquanto que, para o público gay, diariamente massacrado pela teologia oca das ICAR, IURD e afins, este direito constitui afirmação da liberdade mais efetiva. Onde está o buraco? Não sabemos, mas a resposta certamente não é simples. O texto pode ser lido aqui.

2) “Ódio Revisitado”, por Dorrit Harazim, para a Edição 62 da revista Piauí.

Através da célebre foto clicada por Will Counts, a 04 de setembro de 1952, Harazim refaz a cronologia de um episódio crucial da história estadunidense: o primeiro dia de aula de um grupo de 09 negros, na principal escola média da cidade de Little Rock, Arkansas. No paralelo das trajetórias de Elisabeth Eckfort e Hazel Bryan, agredida e agressora, o racismo surge como protagonista, fazendo das duas, vítimas: uma, da discriminação irracional e sistemática; a outra, da herança conservadora que mutila o discernimento e o desejo. Em tempos de cotas raciais num Brasil onde a discriminação é dissimuladamente manifesta, o texto sublinha, nos encontros e desencontros de Elisabeth e Hazel, emoldurada pela expressiva fotografia de Counts, a incapacidade absoluta de construir a si mesmo sem o outro, para além do bem e do mal. O texto e a fotografia podem ser conferidos aqui.

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