Chile tem segundo dia de greve geral por mudanças na economia

Monica Yanakiew*
Correspondente da EBC na Argentina

Buenos Aires – Milhares de chilenos amanheceram hoje (25) nas ruas de Santiago, capital do Chile, e de várias cidades do país exigindo mudanças profundas em uma economia neoliberal, considerada um modelo de estabilidade e crescimento na região. De acordo com as autoridades chilenas, não houve registros de embates entre manifestantes e policiais, nem de violência.

É o segundo dia da greve geral, que começou ontem (24), sob comando da Central Única dos Trabalhadores (CUT). É a primeira vez que o Chile para por 48 horas desde a queda do ditador Augusto Pinochet (1973-1980). Também é a primeira paralisação geral enfrentada pelo presidente Sebastián Piñera.

Porém, nem todo o país parou. A greve geral obteve apoio dos principais partidos da oposição – da Frente Concertación que governou o Chile nos últimos 20 anos. Os sindicatos receberam a adesão do movimento estudantil, que ha três meses faz protestos no país em defesa da reforma da educação.

Os trabalhadores exigem reforma na Constituição, alterando o modelo econômico em vigência, como o Artigo 119 que se refere à proteção absoluta da propriedade privada e põe o Estado em segundo plano. A CUT defende ainda a intervenção estatal e a nacionalização de recursos naturais e da mineração – uma das maiores fontes de riqueza do Chile.

Para os trabalhadores, é fundamental também uma reforma tributária capaz de reduzir os impostos cobrados aos mais pobres e elevando a contribuição dos mais ricos. Ao mesmo tempo, foi intensificada a campanha em favor do ensino superior gratuito e de mais investimentos em educação.

Atualmente os estudantes financiam os estudos, no ensino superior, por meio de empréstimos especiais, mas os juros são considerados elevados. As escolas secundárias públicas e gratuitas representam apenas 25% do total no país.

“A greve não paralisou o país inteiro, nem resultara numa reforma completa do sistema. Mas teve um efeito positivo: manteve a demanda dos estudantes, que conta com apoio popular, na agenda política”, disse à Agência Brasil o analista político e professor universitário, Guillermo Holzmann.

Segundo Holzmann, setembro será um mês de mobilizações porque os protestos estudantis coincidirão com duas datas importantes: 4 de setembro, aniversário da eleição do presidente Salvador Allende (1970-1973), e 11 de setembro, quando houve o golpe de Estado que instituiu a ditadura no país.

A série de manifestações e a greve geral ocorrem no momento em que Piñera enfrenta o menor índice de aprovação da opinião pública desde que assumiu o governo, em março de 2010. A baixa popularidade vem depois de ele ter vivido uma fase de elogios internos e externos devido ao resgate bem-sucedido dos 33 mineiros soterrados em uma mina no Norte do Chile.

“É um paradoxo. No ano passado, o Chile cresceu mais de 6%, apesar do terremoto e este ano deve crescer 7%. No entanto, esse desempenho não foi acompanhado por uma maior adesão popular ao governo – muito pelo contrário”, disse Holzmann.

Em seguida, o especialista acrescentou que a oposição no Chile “está fragmentada, sem liderança, sem proposta e sem apoio social. Mais do que o governo Piñera, que herdou muitos dos problemas, os chilenos estão criticando toda a classe política”.

*Colaborou Renata Giraldi, de Brasília.

Edição: Talita Cavalcante

 

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