O FUTEBOL POLÍTICO DO URUGUAI, MULTICAMPEÃO DA AMÉRICA

Por Maurício Stycer, no UOL Esporte:

Longe de representar um fato isolado, a chegada do Uruguai à final da Copa América é apenas mais um episódio num notável processo de “ressurreição” do futebol no país. Liderada pelo ex-zagueiro Oscar Tabarez, também conhecido como “El Maestro”, a Celeste vem colecionando bons resultados nos últimos anos, não apenas na categoria principal (4º lugar na Copa de 2010) como também no Sub-20 e Sub-17.

Para o jornalista e escritor Joselo Olascuaga, o papel de Tabarez é “fundamental”. Coube a ele, acredita, recolocar em campo “todas as capacidades futebolísticas” acumuladas pelos uruguaios em sua história. Uma história, diga-se, de glórias: duas Copas do Mundo, dois ouros em Jogos Olímpicos, 14 títulos da Copa América etc…

Ao final da Copa na África, Olascuaga publicou uma nova edição de seu livro “De Schiaffino a Forlán”, no qual discute as idas e vindas do futebol uruguaio nos últimos 60 anos. O jornalista mostra como Tabarez faz parte de uma linhagem de verdadeiros professores (“maestros”) de futebol, preocupados em combinar talento com disciplina tática.

A “cultura futebolística” uruguaia, defende Olascuaga, é mais antiga que a brasileira. Isso explica a vitória da Celeste sobre o Brasil na final da Copa de 1950, diz. “O favoritismo absoluto que se apoderou ao Brasil na final de 50 foi ilusório e lhe resultou prejudicial”, afirma em entrevista ao UOL Esporte. Abaixo a entrevista com o escritor:

Na sua opinião, é possível falar de ressurreição, ou renascimento, do futebol uruguaio?

Sem dúvida. Em todos os aspectos.

A que se deve este boa fase dos últimos anos?

A mudanças nas correlações de poder e a uma recuperação do saber específico.

Qual é o papel de Tabarez nesse processo?

Fundamental. Tabárez foi chave nesse processo desde seu período anterior (1988-1990_ como técnico da Celeste e agora tem colocado em prática todas as nossas capacidades futebolísticas.

O senhor escreve que o “Uruguai ganhou no Maracanã (1950) porque tinha uma cultura futebolística superior à dos brasileiros”.

Exatamente. O Uruguai já havia jogado e ganhado três finais mundiais (uma Copa e duas Olimpíadas), tinha absoluta primazia sobre Brasil em campeonatos sulmamericanos e naquele mesmo ano já havia ganho dessa mesma seleção brasileira. O favoritismo absoluto que se apoderou ao Brasil na final de 50 foi ilusório e lhe resultou prejudicial. São poucos os países do mundo que adquiriram uma cultura futebolística que os diferencia claramente do resto. Entre eles, Argentina, Uruguai, Brasil., Itália, Alemanha e, ultimamente, também Espanha.

O futebol uruguaio já teve três ou quatro greves gerais. No Brasil, até onde eu sei, nenhuma. Essa é uma diferença importante?

Conheço insuficientemente a história brasileira para contestar. Na história uruguaia essas greves foram, sem dúvida, muito importantes.

O senhor escreve: “No futebol uruguaio, a rebeldia é linhagem”; Há um lado positivo, mas também negativo nesta linhagem, não?

Exatamente. Uma das virtudes de Tabárez, por exemplo, é interpretar adequadamente todos os aspectos de nossa linhagem, valorizá-la e entendê-la.

A grande maioria dos jogadores da seleção uruguaia joga no exterior, na Europa. O senhor vê riscos para o futuro do futebol uruguaio se o país não conseguir deter este êxodo?

É um dado inevitável da realidade,  mas também te digo que neste momento, o Brasil, por exemplo, está ganhando o terreno que a Europa havia lhe tirado como mercado comprador no futebol. Terá que se estudar qual é a tendência.

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