O HERÓICO BONNER-SIMPSON E O PRECONCEITO LINGUÍSTICO DA GLOBO

A Rede Globo sabe o que é educação. A emissora que inventou a Xuxa, Faustão, Casseta e Planeta, Galvão Bueno, entende perfeitamente o que o povo brasileiro precisa para se tornar uma potência educacional.

Por isso, coube ao seu maior representante, William Bonner-Simpson, empreender no Jornal Nacional, uma campanha contra a educação promovida pelo governo brasileiro.

Bonner, imbuído do senso do amor reativo e gratidão eterna ao patrão – por quem chorou no dia de sua morte – abre a edição desta sexta-feira 13 destruindo um livro didático do MEC que explica e defende a teoria do preconceito linguística. O livro diz que a língua é do povo, que não pertence à cátedra, à ABL, à própria Globo. Diz que não há certo ou errado, mas adequado ou inadequado. Ora, como é possível existir um português errado? Simples, quando é do povo, está, logicamente, errado.

Imaginemos Homer, ou melhor, Bonner, apresentando um jornal nacional italiano, nos tempos de Dante! Aquele que escreveu a Divina Comédia no latim vulgar, a língua dos soldados, dos mendigos, do povão, desprezada pela nobreza, e mudou a forma como se falou e escreveu o mundo.

“Boa noite! Lançado um livro em Florença que defende o latim vulgar como língua correta! Governo italiano apóia disseminação de erros no latim clássico. Papa excomunga o autor, um tal Dante.”

O que seria de nós se não fosse Bonner e a sábia Globo! Acreditaríamos que a língua é uma entidade viva, mutante, que evolui, que se transforma e exprime as relações humanas! Absurdo! Inimaginável pensar que duas pessoas misturem gênero, número, grau, flexão verbal, e ainda por cima, compreendam o que está sendo dito! Imagine, a Globo aceitando os erros ortográficos, de concordância, regência, sintaxe, que o povão da nova classe média ainda refletem por aí (ela pode não gostar da fala do povão, mas adora a audiência dessa nova classe média)

Para nossa sorte, nosso herói logo em seguida apresenta um exemplo de escola, que, graças a São Marinho, é bela e ensina apenas o que é bom. Tem o dedo da Fundação do patrão de Bonner. Dessa vez, contudo, ele conseguiu conter as lágrimas.

Ah, o que seria de nós sem a onisciente Globo!

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