Justiça italiana decide que Berlusconi deve ser julgado por exploração de menor e abuso de poder

Acolhendo o pedido da Procuradoria de Milão, a juíza Cristina Di Censo anunciou nesta terça-feira (15/2) que ordenou julgamento imediato do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, de 74 anos, pelos crimes de abuso de poder e exploração sexual de menor. No procedimento imediato não está prevista a realização de uma audiência preliminar, pois os promotores já têm evidências suficientes para pular a fase inicial. O julgamento começará em 6 de abril no Tribunal de Milão.

Segundo a promotoria, Berlusconi teve relações sexuais com um “número significativo” de jovens, entre elas a marroquina Karima El Mahroug, conhecida como Ruby, quando ela ainda não havia completado 18 anos. A acusação sustenta que a jovem participou, em 2010, de festas realizadas por Berlusconi em Arcore, na região da Lombárdia, norte da Itália.

Ruby admitiu ter recebido nove mil euros (cerca de 20 mil reais) do primeiro-ministro, mas nega que a quantia foi dada após desempenhar serviços sexuais. Segundo ela, se tratou de um “presente” de Berlusconi, que confirmou a versão da marroquina.

Nesse mesmo caso, são investigados por incitação à prostituição de menores o representante de artistas Lele Mora; o diretor de noticiários do canal Desafie Quattro, Emilio Fede, e a conselheira da região da Lombardia Nicole Minetti.

Berlusconi é acusado também de ter extorquido agentes de segurança para libertar a marroquina de um centro de reabilitação – Ruby estava detida por furto. Em maio do ano passado, ele telefonou para a delegacia dizendo que a marroquina deveria ser libertada porque era sobrinha do então presidente do Egito, Hosni Mubarak. Segundo os advogados, ele não fez nada irregular e estava apenas tentando evitar uma “potencialmente embaraçosa crise diplomática”.

Este caso se soma aos outros dois julgamentos e à audiência preliminar que Berlusconi tem pendentes ainda em Milão, por corrupção e fraude fiscal.

O processo surge em um momento politicamente difícil para Berlusconi, cujo poder foi enfraquecido por um divisão em seu partido, Povo pela Liberdade, causando a perda da maioria segura no Parlamento. Segundo uma pesquisa divulgada recentemente pelo jornal italiano Corriere della Sera, a popularidade do premiê está atualmente em torno de 34%.

O escândalo sexual envolvendo o primeiro-ministro motivou uma série de protestos pedindo sua renúncia nas últimas semanas. O último deles, no domingo, foi convocado por mulheres e ganhou o título Se Não Agora, Quando?

Em 2009, ele já havia enfrentado outros escândalos envolvendo sua vida pessoal. Fotos de festas realizadas em suas residências nas quais ele aparecia de trajes íntimos e acompanhado de jovens de topless foram publicadas na primeira página dos jornais italianos.

Em maio do ano passado, sua segunda mulher, Verônica, pediu divórcio alegando que ele tinha amantes menores de idade.

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