NOTAS DA CAPES EVIDENCIAM PÉSSIMA QUALIDADE DE PÓS-GRADUAÇÃO NO AMAZONAS

Álisson Castro, para o Portal D24AM:

Manaus – A maioria dos cursos de pós-graduação, doutorado, mestrado e mestrado profissional do Amazonas obteve nota mínima para permanecer funcionando, segundo avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do Ministério da Educação (MEC).

Dos 45 cursos de pós-graduação avaliados em quatro instituições de Ensino Superior do Amazonas, 25 obtiveram nota 3, a nota mínima para permanecer credenciado e dois tiveram nota 2.

Foram avaliados 31 cursos de pós-graduação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), oito do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, quatro da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e dois do Centro Universitário Nilton Lins (UniNiltonLins)

O presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães, defendeu o descredenciamento de mestrados e doutorados que tirem nota 3, considerada regular, em três avaliações trienais consecutivas, portanto, num período de nove anos. “Ou muda ou vai fechar”, afirmou Guimarães, na semana passada, convencido de que uma boa pós-graduação não pode ficar estagnada. “O certo é que o curso comece com 3 e vá a 7”. Levantamento realizado pela Capes mostra que 141 programas de pós-graduação obtiveram sempre nota 3 nas últimas três avaliações, divulgadas em 2004, 2007 e 2010.

Quando um programa reúne mestrado e doutorado, ele recebe uma nota única, válida para ambos.

Guimarães quer passar um pente-fino nos 141 cursos aprovados com nota mínima nas últimas três avaliações. A ideia é que comissões de especialistas façam inspeções nos próximos meses, indicando à Capes quais providências devem ser tomadas, o que poderia até incluir a antecipação da próxima avaliação para fins de descredenciamento. Segundo ele, as visitas devem começar pelas instituições mais prestigiadas, pois deveriam dar exemplo.

Hoje, a Capes descredencia de imediato cursos que recebam notas 1 e 2. A escala vai até 7. As novas regras serão definidas até março.

Devem ser descredenciados os cursos de mestrados da Ufam de Ciências da Saúde e Desenvolvimento Regional, pois ambos obtiveram nota 2.

Dos 31 cursos avaliados na Ufam, apenas 11 tiveram nota 4, considerada satisfatória e 18 alcançaram a nota 3. Entre os melhores colocados estão os cursos de pós-graduação Sociedade e Cultura na Amazônia, Matemática, Imunologia Prática e Aplicada, Ciências Pesqueiras nos Trópicos e Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia.

Na UEA, apenas o curso de Medicina Tropical obteve nota 4 na avaliação trienal. Na universidade estadual, três cursos tiveram nota 3.

Os únicos cursos do Amazonas que tiveram nota 5 foram Biologia (Ecologia) e Ciências de Florestas Tropicais, ambos do Inpa. O órgão de pesquisa e ensino também teve cursos com nota 3, em Agricultura no Trópico Úmido e Ciências Biológicas (Botânica).

Os dois cursos da UniNiltonLins obtiveram nota 3, o mestrado e mestrado profissional em Biologia Urbana.

Para Guimarães, há mestrados e doutorados de boa qualidade que perdem fôlego e acabam caindo nas avaliações. Outros recebem a nota mínima 3 no ato de criação e não progridem. Nos dois casos, segundo ele, há falhas da instituição. Guimarães diz que é compreensível que universidades sem tradição de pós-graduação tenham cursos com nota mínima. Isso vale para instituições novas ou que só criaram cursos de doutorado nos últimos anos. Mas ele não vê desculpa no caso de universidades prestigiadas, sobretudo em áreas do conhecimento com tradição de pesquisa.

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