A FÁBULA DO FMI E O PASTOR E O LEÃO DE ESOPO

 

Geralmente as fábulas são caracterizadas por emprestar aspectos antropomórficos a animais e assim compor uma estória que tenha por objetivo nos fazer pensar sobre alguma lição aprendida. Mas, caso não compreendamos essa lição como moral que já vem como um pressuposto pré-fabricado, que carrega todos os seus ensinamentos como preceitos constituídos a partir dos códigos advindos do senso comum, poderemos compreender essa moral como a parte mais importante da fábula, pois ela também poderá ser a construção de uma nova interpretação do real a partir de nós mesmo, forçando o sentido da estória.

Pois bem. O Fundo Monetário Internacional (FMI), principal instituição financeira mundial e principal rosto financeiro do neoliberalismo — que não permite a solidariedade entre os trabalhadores, pois prioriza o domínio do poder nas mãos de uma elite econômica, e para tanto faz do Estado um exercício político mínimo para o bem comum e um auxilio as práticas de promoção da propriedade privada, o livre mercado e do livre comércio a partir de seus empréstimos que sempre vem acompanhado de suas exigências que descartam em completo os direitos conquistados, principalmente dos trabalhadores — através de seu diretor, Dominique Strauss-Kahn, advertiu que o mundo pode sofrer com uma tendência cada vez maior de desemprego.

Esopo, grande escritor de fábulas, diz o seguinte em “O Pastor e o leão”:

Certo dia, ao contar suas Ovelhas, um Pastor chegou à conclusão que algumas estavam faltando. Muito bravo, aos gritos, cheio de presunção e arrogância, disse que gostaria de pegar o responsável por aquilo e puni-lo, com suas próprias mãos, da forma merecida.

Suspeitava de um Lobo que vira afastar-se em direção a uma região rochosa entre as colinas, onde existiam cavernas infestadas deles.

Mas, antes de ir até lá, fez uma promessa aos deuses, dizendo que lhes daria em sacrifício, a mais gorda e bela das suas Ovelhas, se estes lhes ajudassem a encontrar o ladrão.

Após procurar em vão, sem encontrar, nenhum Lobo, quando passava diante de uma grande caverna ao pé da montanha, um enorme Leão, saindo de dentro, põe-se à sua frente, carregando na boca uma de suas Ovelhas. Cheio de pavor o Pastor cai de joelhos e suplica aos deuses:

“Piedade, bondosos deuses, os homens não sabem o que falam! Para encontrar o ladrão ofereci em sacrifício a mais gorda das minhas ovelhas. Agora, prometo-lhe o maior e mais belo Touro, desde que faça com que o ladrão vá embora para longe de mim!”

Conclusão: Quando encontramos aquilo que procuramos, logo tende a cessar nosso interesse inicial.


Moral da História:
Se os benefícios de uma coisa não nos são garantidos, devemos pensar duas vezes antes de desejá-la.

O FMI poderia ser muito bem esse pastor que indignado com a perda de empregos no mundo sai à procura do culpado e adverte a todos o que está acontecendo e pede para que todos possam ajudar a melhorar este quadro político-econômico, mas eis que quando faz esse pedido, descobre que o grande culpado é ele próprio; aí, para tentar fugir da armadilha armada contra si mesmo, pede para todos que esqueçam o que ocorreu, porque em tempos de crise é necessários alertarmos a todos sobre os perigos do desemprego mundial, mas quando a crise passa, devemos esquecer isso e continuar a fazer com que o ladrão vá embora, prometendo os mais variados presentes financeiros aos países que continuam na sua dependência.

Essa interpretação nada diz de novo ou até mesmo de interessante. Talvez forçássemos melhor o pensamento se interpretarmos a fábula do FMI de outra forma: assim como o pastor dirigi a sua responsabilidade aos deuses e se ver em apuros quando acredita que esses o atenderam, e para se livrar de tal perigo, novamente recorre aos deuses, o pastor demonstra sua dependência e incapacidade de cuidar de seu rebanho a partir de si mesmo.

Quando os países preferem agir de acordo com as exigências do FMI, ao invés de produzirem sua própria política econômica e são abatidos por crises desencadeadas pelo mercado mundial e o livre comércio, completamente abstratos e especulativos, procuram ajuda novamente no FMI e quando este mostra a solução, mais uma vez a armadilha está armada. Sem esquecermos que enquanto o pastor procura o grande culpado para puni-lo, o seu rebanho fica sozinho a mercê de todos os perigos possíveis, assim como o próprio FMI faz com que os Estados, que procuram por duas vezes seu auxílio, deixe os direitos dos trabalhadores também debilitados para poder atender suas exigências.

Se os benefícios de uma coisa não nos são garantidos, devemos pensar duas vezes antes de desejá-la.

No sentido de moral que damos aqui nesse breve texto: Quais os benefícios o FMI podem oferecer? E qual sua real preocupação com o desemprego no mundo? Qual moral podemos aprender da fábula do FMI e o desemprego no mundo?

Mas nos falta ainda algo: o que ocorreu com o lobo na fábula do FMI?


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2 Respostas para “A FÁBULA DO FMI E O PASTOR E O LEÃO DE ESOPO

  1. quem é o autor do texto o pastor e o leão

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