COLUNISMO SOCIAL PARA A CLASSE MÉDIA

Do colunismo social da mídia domesticada, puro ressentimento, discurso do ódio reativo e exaltação do vazio da vida burguesa, esta coluna social polivocálica não tem nada. Ao contrário, trata-se de um inventário – uma coluna – que é social porque expõe a obviedade das relações na sociedade do consumo. Aqui, o que está latente, aparece manifesto, pra quem quiser ver. Aceitamos contribuições.

“Fazia compras no shopping, ontem, quando encontrei a Zulmira na frente daquela loja de grife que adoro. Perguntei o que ela fazia ali, já imaginando que ela seria da equipe da limpeza. Mas que nada! A desgraçada estava comprando, mesmo!”. (H., que não quis se identificar, mas diz que adora ver o Leblon pelas novelas do Maneco).

Jade, esposa de funcionário público, moradora de condomínio na área nobre da cidade: “Antigamente, o seu Eliziário, encanador que mora num barraquinho aqui nessa favela atrás do condomínio, desentupia o banheiro lá de casa por 10, 15 reais. Agora, diz que virou microempresário, e na hora de combinar o serviço, mostra CNPJ, emite Nota Fiscal e cobra 80 reais! Que absurdo!”.

“A vizinha da minha mãe vivia só de receber esse tal bolsa esmola do Lula. Aí, comprou uma máquina de lavar. Depois, apareceu com outra. Achei logo que era roubo, né, maninha! Depois, outra. É contrabando! Mas nada, a vaca montou uma lavanderia em casa e tá faturando, já reformou o barraco todinho. E ainda devolveu o cartão do benefício. Otária! Fosse eu, não devolvia mesmo!” (Francisca – gosta de ser chamada de Francesca –, finalista de Direito da faculdade particular, e casada com professor universitário).

“Já é a quinta faxineira que se manda lá de casa, só nesses últimos dois meses. A primeira ficou só dois dias, e foi embora, porque arrumou emprego numa fábrica. A segunda, passou no vestibular e queria ter folga toda noite pra estudar, aí não rola. A terceira aguentou uma semana, mas não apareceu mais. Parece que o marido arrumou uma vaga depois que fez curso profissionalizante. A quarta, eu dispensei porque descobri que tinha colocado uma amiga minha na justiça do trabalho pra assinar a carteira dela. Não dá pra ter arrumadeira com carteira assinada, custa caro. E a quinta se foi ontem. Nem deu satisfação. Porra, sou universitário. Participo dos movimentos estudantis. Não dá pra fazer a revolução e limpar banheiro ao mesmo tempo!”. (Carlinhos Marques, estudante e militante do curso de medicina).

“Como eu ia adivinhar? Estacionei o carro na frente do outro, porque minha esposa não ia demorar no supermercado, e estava lotado. Percebi que estava fechando aquele carrão importado. Mas não imaginei que aquele homem era o dono. Quando ele abordou (sic) o meu carro e pediu pra eu me afastar, até olhei ao redor, e pensei em chamar a segurança. Mas aí vi que ele apertou o alarme e o carro abriu. Fiquei envergonhado, confesso. Mas também, como o cara vem ao supermercado de chinelo, boné e camiseta velha. Além disso, o cara tinha assim cara de ladrão. Saca aqueles moreninhos de filme de favela? Então…” (Jeferson Ribeiro, empresário e cinéfilo).

“Não sou preconceituoso, tenho um monte de amigos gays. Mas sou contra. Acho que não é normal, né. Afinal, Deus fez o homem e a mulher. Imagina se todo mundo resolve casar com qualquer um? Maior onda, véio. E o pior, é querer adotar criança. Pô, todo mundo sabe que vai influenciar a cabeça do menino, vai dar problema no futuro. Cada um faz o que quer com o seu ânus, mas não me venha dizer que é normal. Veja, eu não tenho preconceito, mas prefiro que meu filho seja hétero. Os gays sofrem muita discriminação nesse mundo preconceituoso.” (Godofredo Lins, psicólogo e evangélico).

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2 Respostas para “COLUNISMO SOCIAL PARA A CLASSE MÉDIA

  1. Eu tenho uma contribuição a fazer. Conversava com um rapaz de 14 ou 15 anos num acampamento na Região dos Lagos no Rio e ele me disse que tinha uma negrinha do morro (sic) trabalhando como empregada doméstica na casa dele, devia ter a mesma idade. E que a mãe proibiu ele de “comer” a garota pq ela podia querer dar o golpe da barriga nele. Então ele só deixava ela chupar. Não me lembro mais o nome do rapaz, desculpe.

  2. Lembrei de outra. Estava em Niterói, no Rio também, participava da Parada gay de lá que acontece em Icaraí. Pra quem não sabe lá é um bairro tão nobre que tem um prédio residencial com elevador panorãmico.

    No meio dos discurso de abertura, um dos rapazes no alto do trio pediu a palavra e convocou uma vaia de todo o povo ali reunido contra um prédio (outro) que todo ano, e nesse não foi diferente, jogava ovos nos pela janela na intenção de sujar os manifestantes.

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