PRESIDENTA: UMA QUESTÃO POLÍTICA

“Só os ignorantes é que me chamam presidente. A palavra não existia porque não havia a função, agora que existe a função há a palavra que denomina a função. As línguas estão aí para mostrar a realidade e não para a esconder de acordo com a ideologia dominante, como aconteceu até agora. Presidenta, porque sou mulher e sou presidenta.”

Frase de Pilar Del Rio, presidenta da Fundação José Saramago, explicitando aos imbecis do ortograficamente correto que a questão é mais em cima. A flexão de gênero é não só possível, como necessária. Afinal, a política e a língua são democraticamente flexíveis. Inflexível mesmo, só o machismo.

(via Vi o Mundo).

Anúncios

4 Respostas para “PRESIDENTA: UMA QUESTÃO POLÍTICA

  1. “Imbecis do ortograficamente correto”?

    Ambas as formas são corretas (a palavra é comum de dois gêneros):

    http://g1.globo.com/platb/portugues/2010/11/01/a-presidente-ou-presidenta/

    http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI176658-18176,00-PRESIDENTE+OU+PRESIDENTA.html

    http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/palavra-da-semana/palavra-do-ano-presidentepresidenta/

    Inflexível mesmo, só o fanatismo do Politicamente Correto!

    Que a Pilar (bem como a Dilma) prefira uma das formas é perfeitamente natural, todos temos nossas preferências. Daí a chamar de imbecil quem prefere algo diferente… Muito me admira ver neste blog, que alega defender as diferenças, publicar uma manifestação tão desprezível de intolerância e arrogância. Possuir uma orientação sexual diferente é normal, mas não aceitar cegamente o Politicamente Correto é imbecilidade…

    Se vocês dizem que “a flexão de gênero é não só possível, como necessária”, eu vos digo que a flexão de opiniões é não só possível, como necessária.

  2. Rodrigo,

    A frase foi pinçada de uma entrevista na qual o entrevistador se recusou a chamar Pilar de Presidenta, alegando firmemente que a flexão não existe. Optamos por não colocar a entrevista por inteiro, mas se te interessar, está no link para o site Vi o Mundo.

    No entanto, a questão não é ortográfica ou semântica, é mostrar que a língua continua sendo utilizada como elemento segregador de gênero (e também da sexualidade, da cor…). A língua é humana, e carrega com ela os elementos de ordem moral construídos pelos homens.

    E a imbecilidade não está na preferência por uma forma ou por outra: está em tentar impor uma identidade para o outro, através da fala.

    • Sim, meus queridos, mas publicar apenas este trecho se a alegada recusa por parte do entrevistador muda totalmente o foco da questão. Se você publicassem a recusa dele em usar a forma “Presidenta”, eu concordaria plenamente com a acusação de imbecilidade (pois como, como eu disse, a palavra é comum de dois gêneros), mas isoladamente, da forma como vocês fizeram a impressão que dá é a de que se quer “empurrar” apenas a forma “Presidenta” como correta.

      Seja, como for, fico feliz que este mal entendido tenha se desfeito. Como vocês já sabem, apesar de nossas grandes diferenças ideológicas, tenho uma profunda adimiração e respeito por vosso trabalho (não fosse assim, eu não viria aqui com tanta freqüência, a despeito da minha escassez de tempo livre).

      E quanto ao parágrafo final de sua resposta (“E a imbecilidade não está na preferência por uma forma ou por outra: está em tentar impor uma identidade para o outro, através da fala.”), concordo plenamente.

      Abraço!

  3. Acabei de ler um artigo ótimo sobre o politicamente correto onde o autor dizia que a única coisa que o políticamente correto fazia era varrer o preconceito para baixo do tapete. Se antes as mulheres precisavam mostrar que não eram o “sexo frágil” e por isso mesmo mereciam ocupar as mesmas funções sociais e profissionais dos homens. Mesmo no campo das artes, elas exigiam serem chamadas de poetas pq poetisa era diminuir sua importântia. Hoje, após terem ocupado essas posições de chefe de família e das forças armadas, precisam ser reconhecidas em suas diferenças.

    O mesmo acontece com os travestis e transsexuais. Os jornais não respeitam a vontade do indivíduo e se recusam a publicar o nome social, preferindo adotar a grafia presente na carteira de identidade ou quando esta já foi alterada, recorrem ao nome de batismo para deixar claro a que gênero pertence aquela pessoa.

    A dilma não é um travesti mas sofre a mesma discriminação de gênero. Se acha por bem ser chamada de presidenta, antes respeitemos a vontade dela e ao invéz de debater a norma culta, vamos nos concentrar na mudança de costume. A figura do líder de Estado mudou de gênero, mas a mídia não reconhece e procura debaixo das saias e da maquiagem algum traço masculino que tenha restado.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s