PRODUÇÃO DE CONSUMO DE CULTURA É BEM-ESTAR E DIREITO INALIENÁVEL

 

Foto retirada da Agência Brasil

A nova ministra da pasta da Cultura, Ana de Hollanda, na alegre cerimônia de posse na Esplanada dos Ministérios, manifestou seu desejo de fazer com que a crescente população brasileira que ascende social e economicamente, também tenha acesso ao direito de consumir cultura: “É preciso ampliar a capacidade de consumo cultural dessa multidão de brasileiros que está ascendendo. Até aqui, essas pessoas têm consumido mais eletrodomésticos que cultura”, considerou a bela ministra.

Pedindo apoio do Congresso Nacional, aproveitando a presença de parlamentares na cerimônia, a ministra Ana de Hollanda, disse se referindo ao Projeto de Lei que cria o Vale Cultura. “Temos que incrementar a cesta do trabalhador com a inclusão da cultura. Fazer o casamento da ascensão cultural e social, para acabar com a fome de cultura que ainda reina no nosso país”.

No capitalismo o consumo tomou um significado de contradição de classes. A partir dele se pode medir a relação que o capital impõe entre quem comanda e quem obedece. Para tanto, o capitalismo fez do consumo uma ficção, isto é, apenas existente dentro dos liames do ciclo econômico capitalista; por esta razão, os produtos deixam de ser o efeito de uma produção efetiva do corpo humano criativo para serem fetiches. A produção passa a ser exprimida de forma invertida, distorcida, onde o trabalho criativo desaparece e tudo passa a ser coisificado.

 

Filósofa Judith Revel

Neste sentido, vemos muito esquerdistas radicais lutando para que o consumo seja freado ou que este ciclo econômico acabe de vez e possamos voltar a outros. Mas como diz a filósofa Judith Revel: “Não se volta nunca atrás, e também não se pode dizer a alguém que não tem nada que está tudo bem assim e que o consumo é algo horrível. As pessoas que não têm nada têm vontade de conseguir as coisas que possuímos. Por isso, é extremamente difícil construir um modelo ou de sair do consumo mesmo se a grande maioria da humanidade não tem acesso a esse consumo”.

Podemos compreender, portanto, que “A contradição está na desigualdade e não no consumo”. Trata-se de fazer com que as pessoas saiam da condição de miséria que as leva a um estado de sobrevivência e possam, enfim, viver. Ainda Judith Revel: “Então, o que se entende por melhora da condição humana? Entende-se, é claro, um acesso geral, generalizado de todos a esse bem-estar. Quando digo bem-estar, não quero dizer acumular roupas em um armário, e sim saúde, educação, cultura, gosto, felicidade”.

Compreende-se daí o quanto o Estado pode contribuir para isso quando preserva seu Estado de Direito, sua democracia e programas que combinam desenvolvimento social e econômico. Isto através de sua forma gestora, pois é isso que o Estado, enquanto um dos pontos dos vários focos de poder existente pode fazer: gerir as formas de fazer com que a população tenha acesso e direitos inalienáveis correlativos ao consumo do que é necessário, não apenas para a sobrevivência, mas também e principalmente para a vida.

Produzir um consumo de cultura, neste sentido é lutar contra as formas de assujeitamento impostos pela lógica do mercado capitalista. E lutar pode significar o não cessar de inventar a si próprio, ou seja, não cessar de inventar novas formas de subjetividades, onde o consumo não seja a identidade da imagem de uma representação elaborada pela produção capitalista, mas a resistência, a produção de si mesmo a partir de uma relação consigo mesmo que tem na ética seu início, mas que se confundi com apolítica subjetiva que a torna possível.

Esperamos que por esta e várias outras razões a ministra Ana de Hollanda tenha confirmado que “O Ministério da Cultura na gestão Dilma Rousseff não será uma senhora excêntrica nem um estranho no ninho”.

Embora o consumo deste modo colocado aqui, sempre será o estranho no ninho do consumo fetichista do capitalismo.

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2 Respostas para “PRODUÇÃO DE CONSUMO DE CULTURA É BEM-ESTAR E DIREITO INALIENÁVEL

  1. Uma coisa que sempre me vêm a cabeça quando se fala em democratizar a cultura é: o que ofereceremos a esse público novo? Os clássicos, a vanguarda, os novos autores ou aquela que a classe média gosta, um misto de Disney, Brodway e Malhação que eu nunca entendi.

    • Caro companheiro Sobrecomum,
      Realmente a cultura também pode ser usada como um instrumento de desigaldade social, e um instrumento que coloca a inteligência como objeto ou produto a ser medido por “barômetros intelectuais de classe” que apenas referoçam a relação de dominação capitalística. Contudo, fazer com que todos possam ter o direito de consumir cultura é um direito inalienável de todo cidadão, assim como todo cidadão que não se contenta com esta categória como imposição, mas se produz como cidadão, com as condições necessárias para viver melhor, pode criar uma multiplicidade de culturas a partir de suas próprias ações.

      Abraços Policulturais!

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