COMO NELSON NOEL CRIOU O VERDADEIRO PAPAI NOEL NAS RUAS DE MANAUS

“Eu sou o verdadeiro Papai Noel, porque eu me fiz e me faço Papai Noel” (Nelson Noel).

O Papai Noel de Nelson Rocha, empresário, goianamazonense, é um papai noel diferente. Não é o mesmo que a Coca-Cola inventou, lá pelas tantas, e vestiu nas cores do seu produto-mor, e que ajudou a transformar a comemoração do Evangelho Vivo em espetáculo do vazio do consumo. Também não é aquele que sai pelas ruas nos natais, fantasiado, distribuindo brinquedos em troca de votos, ou de qualquer outro benefício. Nelson Noel não se fantasia; ele se traveste.

Nelson Noel não é vermelho coca-cola; ele é vermelho pulsante da vida. Aquele vermelho atribuído a Marx, quando este afirma que só existe produção humana a partir do trabalho. Assim sendo, como pode uma armadilha consumista existir? Papai Noel – ao menos o da coca-cola e o do consumo – não existe.

Mas eis o milagre de Nelson Noel. Ele consegue fazer o que somente quem é do povo faz: insuflar a vida, através do trabalho. Nelson, barbudo, assim como o outro barbudo, o Lula, pegou uma fantasia vazia e insuflou vida. Com essa a Coca-Cola não contava, Nelson! Se Lula começou a transformar a democracia de faz de conta do Brasil numa democracia para todos, e portanto, efetivamente democracia, Nelson Noel pega o manto e o gorro do bom velhinho, a transforma-o naquilo que ele sempre quis ser, mas nunca soube como: um arauto da alegria e do amor.

Para isso, Nelson Noel passou por duas transformações: a primeira, em 1994, quando percebeu que poderia deixar crescer a barba e descolori-la, como fazem as mulheres com as madeixas. É que Nelson Noel sabe que Papai Noel tem que ter barba. A postiça fica para os postiços. Um respeito à inteligência natural da criança – que nem a Xuxa e a Disney são capazes de aniquilar – e que puxará a barba, como quem dissesse ao adulto que tolo é ele, que tenta enganar, sem ser capaz de oferecer um Noel fruto do seu criar. A de Nelson Noel é real, como ele próprio.

A segunda, a cada ano, começando lá pelo mês de maio, quando a barba começa a crescer. Depois, vem a busca pela solidariedade, mas não aquela da pena, da compaixão. Mas aquela que quer construir coletivamente a alegria. Por isso ele “mendiga”. Assim mesmo, entre aspas. O mendigar, nesse caso, é um convite. E teve gente que não entendeu. Nelson Noel nos diz que este ano, pessoas que anteriormente sempre ajudaram, simplesmente pularam do trenó. Será coincidência? Se percebermos que nos anos anteriores, Nelson fez quase tudo do próprio bolso, e este ano, teve de contar apenas com o que recebeu, fica fácil entender. É que para o espírito do capitalismo moralista burguês, é possível que quem tenha ajude a quem não tenha (para que tudo fique como está), mas não se tolera aquele que nada tem, e que ainda deseja doar-se. É a diferença entre o cristianismo do Vaticano e aquele do filho do carpinteiro, nascido na Palestina.

Nelson Noel não é filho da culpa, tampouco da dor, muito menos da eterna falta. Ele é irmão da alegria, do prazer, do desejo de compor, de comungar. Por isso, Nelson Noel, enquanto enbranquece a barba, o rosto avermelhado e dolorido da química, gargalha e diz: “eu sou o verdadeiro Papai Noel, porque eu me fiz e me faço Papai Noel”. E quem ousará dizer que não? O próprio Nelson ilustra: “várias vezes vi pessoas, de todas as idades, dizendo, alegres, ‘viu? eu te falei que papai noel existia. olha ele aí’.

Mamãe Noel, ou melhor, Vitória Noel, explica que algumas vezes as pessoas perguntam, durante a carreata, porque eles não oferecem brinquedos ao invés de sorvete. Ela sorri, e responde: “esse papai noel não tem fábrica de brinquedos, mas tem de sorvete”.

E quer presente natalino mais apropriado que o sorvete? Depois dele, só mesmo ouro, incenso e mirra! Senão, vejamos: os imperadores antigos precisavam da força dos escravos para saboreá-lo. Na China, no entanto, há mais de três mil anos se come uma iguaria de arroz muito parecida com ele, e que muitos historiadores consideram seu “antecessor”. Na Europa, foi preciso que o capital empurrasse as nações mar adentro (ó, mar salgado!), para que Marco Polo pudesse trazer a novidade. No Brasil, ele apareceu somente em 1935, e tinha hora marcada para ser tomado. Seu sabor e refrescância conquistaram as mulheres, e estas, para degustá-lo, tinham que desafiar a falocracia e a moral do Homem.

O sorvete é não apenas uma iguaria que ilustra a nobreza do trabalho humano, como seu sabor incentivou o progresso (ainda que por vezes o do capital) e o enfraquecimento dos costumes morais. Por um sorvete, as mulheres desafiavam os maridos e saíam a público, sozinhas, para saboreá-lo.

Ainda que doloroso fisicamente, o trabalho de trans-encarnar o Papai Noel é uma alegria. Nelson Noel sabe que o prazer está em percorrer o caminho, e não em chegar ao destino. O prazer do trabalho está em executá-lo,  e não no produto final. Por isso a sociedade do consumo, que criou aquele outro papai noel, jamais entenderá a diferença entre Jesus e o Cristo de Paulo, como Nelson entende a diferença entre aquele e o seu Noel.

O Noel de Nelson é o Noel do povo, o Noel de todos, e é com ele que nós vamos. Na criação de outros afetos, de outros entendimentos, onde a alegria preencha o mundo, e encarne até mesmo naquilo que o capitalismo simula como se fora criação. Nelson Noel, como Lula, e como milhões de “caras” por aí, com a potência do seu trabalho, criam até o milagre de tornar vivo aquilo que o capital fez surgir morto.

Nelson é Noel. Noel é Nelson. E se Noel é Nelson e Nelson é Noel, é com ele que eu vou!

CARREATA DA ALEGRIA SORVETAL

NELSON NOEL

  • QUANDO? Hoje, véspera do Natal, com saída às 09:30h.
  • ONDE? Sorveteria Sempre Frio, passando por Cidade Nova II, Novo Aleixo, Riacho Doce e Comunidade São Pedro.
  • COMO? De carro, a pé, bicicleta, helicóptero e até por telepatia!
  • QUANTO? Tu tá será leso? É de grátis, parente!
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