QUEM FALA PELO POVO É O PRÓPRIO POVO – ÀS VEZES ATRAVÉS DE VAIAS

Na inauguração do Conjunto 12 que ocorreu na noite de sexta-feira (26) em Manaus, ao qual contou com a presença do presidente Lula, o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, foi vaiado pelo grupo de moradores do conjunto inaugurado as pressas.

Segundo os próprios moradores as vaias se deram em razão da falta de infra-estrutura em que o conjunto se encontra, e ainda assim inaugurado, somado a precariedade do serviço público de transporte coletivo e a falta de insegurança. Ainda que o serviço de segurança seja de responsabilidade do Estado do Amazonas, sabemos que a falta de infra-estrutura de um bairro e serviços precários como o transporte coletivo em Manaus contribuem em muito para que ações que geram a insegurança. Ainda mais quando o prefeito Amazonino se faz querer conhecido pela ação conjunta entre prefeitura e governo em Manaus.

Dias antes da inauguração, em razão da presença de Lula, partes da cidade receberam toques de maquiagem para que a verdadeira Manaus não visse à tona. Ledo engano. Amazonino não percebeu que quem produz a cidade e lhe dá o sentido estético-político, o qual faz com que possamos sentir a cidade como um espaço habitável e em prol do bem comum, não são apenas retoques de tintas e de asfalto temporários, mas a produção das pessoas que vivem e produzem na cidade e a sentem através de um conhecimento que se dá pela sensibilidade que engendra uma razão política do meio social em que todos vivem.

Para os moradores do Conjunto Cidadão 12, “Por que fizeram isso com o Amazonino? Porque ele anda de carro e nós de ônibus. Levamos três horas esperando” e continuaram: “Outro problema aqui é falta de policiamento. Temos muitos roubos aqui”. A quantidade de viaturas policiais no local, na hora do evento, era ampla. Esta quantidade que não se ver no dia-a-dia no conjunto e que se fez presente também devido a presença da autoridade nacional, o presidente, não pode ser encarada como sinônimo de segurança. Ao contrário, quanto mais a necessidade de um policiamento ostensivo em um bairro maior o sinal de que a insegurança ali impera.

Neste sentido, a fala de Lula, tentando amenizar as vaias recebidas pelo mandatário da capital do Amazonas, inteiramente respeitada pela população, carrega consigo um significado singular em relação a administração da atual gestão municipal em Manaus. Lula disse: “O seu primeiro ano na Prefeitura foi difícil, porque você trabalhou com o orçamento feito pelo antecessor. Só agora que você trabalha com o seu orçamento. Não precisa de pesquisa. Trabalhe e daqui a um ano as coisas vão melhorar”.

Este orçamento está ligado diretamente ao uso específico econômico das tecnologias de Estado que um governo deve está atento para governar de modo que os cidadãos não tenham seus direitos tolhidos e tenham os serviços públicos garantidos com qualidade. Daí que em um governo as ações sociais são realizadas em prol da coletividade e não de medidas que possam ser usufruídas por poucos. Em Manaus há muito tempo que não se ver um governo trabalhando para a coletividade. Não obstante, tanto com Amazonino como o seu antecessor, a ação econômica do governo não se fez como mecanismo necessário que garanta serviços públicos de qualidade.

Sobre as vaias Amazonino disse: “Nunca, na minha vida pública, eu sofri um vexame como esse, principalmente na frente de um presidente da República. Sou um homem idoso. Se o povo não me quiser, eu vou-me embora. Não espero o fim do mandato”. Amazonino parece ter a velhice como uma impotência que mereceria respeito não pelos anos de experiência que lhe garantiria domínio, controle e conhecimento sobre si próprio gerando em si um bom governo, podendo daí partir para um bom governo da cidade.

Se para Amazonino a razão de ser “idoso” pode significar aposentadoria, e esta possa significar ausência da vitalidade, ele não compreendeu que com a velhice, com a experiência, podemos afirmar que é necessário ter um poder sobre si para podermos exercer um poder sobre os outros. Uma ação que é primeiramente ética, mas que se espalha politicamente pela cidade. Uma ação que parte do indivíduo para a coletividade. Mas não esqueçamos que este mesmo indivíduo é afetado pela coletividade, justamente de onde ele faz prolongar sua ação no mundo. Produz a si mesmo enquanto produz a cidade.

Ora, deste modo, é o próprio povo que fala por si quando vaia Amazonino, pois é o próprio povo que percebe quem é o prefeito de Manaus como homem público e como a cidade se encontra como efeito do poder público municipal em Manaus. Da mesma forma percebe o que Lula representa para o povo brasileiro.

Veja o vídeo:

 

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Uma resposta para “QUEM FALA PELO POVO É O PRÓPRIO POVO – ÀS VEZES ATRAVÉS DE VAIAS

  1. Vi essa mesma reação de espanto em outro vídeo. Não sou da área de psicologia mas diria que isto é orgulho ferido. Diz um dos sites que pesquisei “Soberba é o ato de extremo orgulho, uma sensação de absoluto vivenciada por pessoas extremamente poderosas e incapazes de aceitar uma negação vinda de alguém inferior. Também pode ser conhecido como orgulho. ”

    O vídeo a que eu me referia retratava uma festa num bairro nobre, numa casa ampla, dois andares, cheia daqueles símbolos de poder que a arquitetura cria. Havia consumo de drogas e música eletrônica. Se não me enngano, era lança-perfume.

    A polícia chegou, mostrou o mandato e deu ordem de prisão para todos que ali estavam. O dono do imóvel, resistindo a prisão disse: vocês esão na minha casa!

    Tentou expulsar a polícia como quem cobra ingresso caro para impedir a entrada de classes mais baixas. Em momento algum tentou esconder o rosto da câmera, afinal, estava dentro da sua casa. E acreditava que a propriedade privada era um ambiente que não respondia as leis nacionais, como em um consulado.

    Não sei se o prefeito Amazonino Mendes usa drogas, mas com certeza estava intorpecido pelo mesmo veneno que o traficante classe média: a soberba.

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