“POR QUE NÃO TE CALAS” SERRA

O candidato derrotado, José Serra, ao qual sua campanha foi fundamentada na difusão do medo e de uma rede de boatos, bem como no esforço de impedir uma campanha pautada em propostas e discussões políticas através do obscurantismo e da clara obscenidade religiosa, ao discursar no encerramento do XI Fórum de Biarritz, na França, ouviu, vindo da platéia, um caloroso “Por que não te calas”.

José Serra, homem que não consegue nem sequer agradar seu próprio partido, seja por conta da ausência da vitória, seja pelo discurso falso-entusiasta da derrota, recebeu aos ouvidos (e lógico: o que afetou toda a estrutura de seu corpo) o “Por que não te calas” de um integrante da Fundação Zapata, do México.

A manifestação veio justamente quando José serra insistia em criticas sem fundamentos ao governo Lula. Quando Nietzsche nos faz compreender que o rancor, o ser reativo e o ser de culpa, tomado por uma moral decadente, faz do homem um ser incapacitado de perceber o mundo como produção material do próprio homem, o que lhe faz apelar para a imaginação moral e, a partir daí, começar a envenenar a vida, nota-se em Serra um belo exemplo de um homem decadente que prefere às ilusões da imaginação a produção humana efetiva.

Serra trouxe em seu discurso os seguintes temas ligados a política externa brasileira atual:  afirmou que o Brasil está “fechado para o exterior” e que passa por um claro processo de desindustrialização devido à alta carga tributária e à falta de investimentos do governo federal. Para fechar o disparate ele arrematou: “É um governo populista de direita na área econômica”. Ainda não contente disparou que o Brasil vive um “populismo cambial” e reclamou de não ter tido a oportunidade de debater esses temas durante a campanha eleitoral. “A democracia não é apenas ganhar as eleições, é governar democraticamente”, disse Serra.

Pois bem. Primeiramente, Serra diz que o Brasil está fechado para o Exterior. Nunca antes na história deste país, como diz o racional Lula, o Brasil desfrutou de um prestigio tão elevado internacionalmente como durante o governo Lula. E isto principalmente pelo Brasil ter investido em si próprio, começando pela regularização da dívida externa que lhe tirou a condição de dependência de órgãos financeiros internacionais que tinha durante o governo de FHC e de Serra. O Brasil nunca cresceu tanto e se abriu para o exterior agora sem a necessidade de ter que ser moderno vendendo suas riquezas a preços irrisórios como antes com o PSDB e PFL (DEM) ocorria.

Em segundo lugar, a tal alta carga tributária, mencionada pelo rancoroso Serra, é o efeito de políticas exclusivistas e de classes abastadas que dominaram o Brasil por um longo tempo, ganhando força maior durante o governo de FHC com um elevadíssimo neoliberalismo, que nunca conseguiram combinar distribuição de renda com políticas públicas e crescimento econômico interno e externo, ao contrário, mantiveram uma alta carga tributária ao mesmo tempo em que mantiveram uma disparidade social, de classe, abissal e nunca moverem sequer uma vírgula para pelo menos elaborar tributos diferenciados de acordo com as condições financeiras diferentes entre trabalhadores e patrões.

Mas o que realmente escancara a má vontade política, a má fé e a má consciência de Serra e de seu partido, entre outros, foi em 2003, no primeiro ano de mandato do presidente lula, eles não terem votado no Congresso uma proposta de reforma Tributária que foi elaborada pela equipe econômica do governo Lula, com a colaboração de setores da sociedade. Sobre esta situação, a quatro meses do fim do segundo mandato, Lula disse: “Existe um inimigo oculto (como diria Jânio Quadros) para a reforma tributária, que, na frente, diz que quer fazer, por dentro, trabalha para não sair”. E se lamentou completando que “pensou que as pessoas realmente quisessem a reforma tributária” e percebeu ao contrário.

Em terceiro lugar, nos é difícil acreditar que esteja havendo uma desindustrialização no Brasil. Primeiro que há um incontestável crescimento em números de empregos formais que se apóiam na indústria. Segundo que houve medidas para evitar a crise no Brasil, o qual sentiu apenas uma marolinha, que impulsionaram o crescimento da indústria brasileira. Diferente do Governo que Serra fez parte. Onde o número de empregos formais foi bem menor.

E como economista que se diz, foi estranho Serra não ter percebido o efeito catastrófico quando o FMI e o Tesouro dos EUA, em 1989, concordaram com perdas de 35% de dívidas que estas instituições financeiras eram credoras, ao mesmo tempo, em que estavam impondo, de modo claro aos países que concordaram com este pequeno perdão da dívida, o Brasil incluído, “que engolisse a pílula envenenada das reformas institucionais neoliberais” (Harvey). Serra não percebeu e nem tomou nenhuma medida preventiva para evitar a crise brasileira de 1998. Ao contrário Serra e FHC mantiveram as doses das “pílulas envenenadas” ao invés de tomar outras medidas alternativas como antídoto.

Por último, mas nada de conclusivo, Serra nem de longe percebe que o que ele chama de forma político-pejorativa de populismo, seja na área cambial ou na área econômica, que este populismo, diferente do poder (potestas) que retira toda a força do povo porque aliena sua liberdade, pois lhe coloca na única condição aceitável por um poder transcendente, o medo, fazendo com que a participação do povo na soberania de um país fique reduzida a representação por parte de políticos profissionais, no governo Lula houve, ao contrário, em vez deste poder, a potência (potentia) do comum da multidão que primeiro acreditou em si mesma quando escolheu eleger um trabalhador presidente da república e depois se fez acreditada e tomou para si o poder de decisão quando percebeu que o pobre é o grande responsável pela riqueza de um país e do mundo.

O povo de fato e de direito participa do governo Lula, não somente porque votou nele, mas porque o governo Lula “fez” com que o povo fosse o grande responsável por este modelo de governo. Sobre o que serra disse a respeito de não ter tido a oportunidade de discutir estes assuntos durante a campanha, basta lembrar quem foi o responsável pelo tom de temor e de ameaças durante a corrida presidencial.

Serra continuará falando estes disparates. Sobre isso não temos dúvida. Pois para ele este Brasil não existe: o Brasil que se transformou e continua se transformando e que tem no trabalhador e na sua produção as ferramentas necessárias desta transformação. Serra vive onde a produção do real é estranha a produção livre do trabalhador: na imaginação impotente. Mas acreditamos que sempre haverá a voz da Razão para lhe trazer para o mundo dos homens dizendo: “Por que não te calas Serra”

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