A FORMA DE DOMINAÇÃO OPTADA PELA MÍDIA E PELA CAMPANHA DE SERRA NESTAS ELEIÇÕES: O MEDO

 

Potro. Instrumento de tortura usado durante a Idade Média. A Santa Iquisição da igreja usava o medo e a superstição como modo de manter o povo na ignorância e estabelecer, assim, um poder através da força, de práticas irracionais

O candidato José Serra, no claro intuito de desviar a atenção dos eleitores para as políticas públicas do governo Lula que foram produzidas junto a Dilma, exerceu nesta campanha, nos dois turnos, técnicas muito antigas de domínio. Principalmente aquela que diz respeito a produção do medo como forma de injetar a ignorância nas pessoas. Quando Serra faz isto, através das obscenidades e conservadorismo religiosos, acusações exacerbadas, escondendo o que realmente ocorreu durante o governo de FHC, tentativa de uma oratória mistificada e moralmente constituída, ele deixa claro, o quanto não crer na inteligência de um povo, que cada vez mais, torna-se dono de suas decisões e escapa da alienação imposta, por muito tempo, por uma mídia acéfala e candidatos que enxergam no povo apenas cifras.

Serra, inclusive, preso a uma política mistificada, preferiu terminar a sua campanha sem fazer o registro de programa de governo junto a Justiça Eleitoral, fazendo com que suas promessas pronunciadas antes de julho junto com as proferidas em seus programas eleitorais fossem protocoladas como uma compilação para que seu registro de candidatura fosse aceito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Fazendo isto, Serra, mais uma vez nos deixa claro, que prefere promessas a um programa de governo planejado e analisado sua viabilidade efetiva e possíveis problemas e soluções que venham a enfrentar. Já Dilma, antes do início das eleições já tinha apresentado dois programas de governo prévios e fez o registro da versão final no início do segundo turno. Dilma, ao contrário de Serra, não percebe a realidade como um efeito de promessas vazias, mas parte dos problemas da realidade presente para elaborar discursos e planejamentos efetivos para solucioná-los, bem como dá continuidade ao que já vem dando certo.

É este caráter mistificado que faz com que a campanha de Serra fosse fundamentada em uma forte superstição. Tanto que para trazer pessoas para a sua última atividade de campanha, funcionários do governo e da prefeitura de São Paulo foram obrigados a participar de uma caminhada pelo centro de São Paulo. Segundo o Portal Rede Brasil Atual:

“Durante a caminhada, a reportagem da Rede Brasil Atual viu diversas pessoas de terno e portando crachá funcional do governo do estado de São Paulo. Um funcionário da Secretaria de Saneamento e Energia , que não quis se identificar, confessou que não gostaria de estar lá. Ele estava vestindo uma camiseta verde com escritos em amarelo ” Turma do Bem do Saneamento e Energia”, assim como várias pessoas na manifestação também vestiam camisetas iguais. “A gente só vem porque é obrigado”, disse”.

O medo, a superstição e principalmente um entendimento de política afastado da constituição da realidade, fizeram com que a campanha de Serra coincidisse com a sua imagem, ou seja, o de uma pessoa pública contraditória com si mesmo. E esta campanha ainda conseguiu apoio de meios de comunicação que fazem parte de grupos midiáticos reduzidos à lógica do capital que contribuíram na construção de factóides e da proliferação do medo com objetivo de fazer desta campanha política não uma festa democrática, mas uma tristeza irracional da superstição e do rancor, que como disse Dilma, ontem, na ausência de debate da Rede Globo, não traz leveza a alma.

Leveza esta necessária para que a liberdade seja o esforça de conduzirmos a existência através da Razão e que façamos da política não somente a junção de construções físicas com números estatísticos, mas da produção da alegria que se dá quando percebemos as pessoas e seus problemas e suas existências à frente de qualquer construção ou número e assim decidimos entre sobreviver e viver de modo digno.

Abaixo um trecho que resume a combinação da campanha de Serra com a mídia que lhe apoiou.

“A sociedade do espetáculo governa com uma erma antiqüíssima. Hobbes reconheceu há muito tempo que, para a dominação efetiva, “a Paixão a ser examinada é o Medo”. Para Hobbes, é o medo que une e assegura a ordem social, e ainda hoje o medo é o mecanismo principal de controle que enche a sociedade do espetáculo. Embora o espetáculo pareça funcionar por meio do desejo e do prazer (o desejo de mercadoria e o prazer  do consumo), ele realmente funciona pela comunicação do medo — ou antes, o espetáculo cria formas de desejo e prazer intimamente casadas ao medo. No idioma dos primórdios da filosofia européia, a comunicação do medo era chamada de superstição. E de fato a política do medo sempre foi espalhada por uma espécie de superstição. O que mudou foram as formas e os mecanismos das superstições que comunicam o medo”.

(Michel Hardt e Antonio Negri em Império)

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