ENQUANTO MANAUS CONCORRE A PRÊMIO NACIONAL DE QUALIDADE EM TRANSPORTE COLETIVO PÚBLICO NA IMAGINAÇÃO, POVO DE MANAUS VIVE EFETIVAMENTE UM CAOS NO TRANSPORTE PÚBLICO

Dias atrás um cidadão da cidade de Manaus ao ser interrogado por um repórter, em uma das paradas de ônibus da cidade, se ele acreditava na fala do prefeito Amazonino que dizia transformar o sistema de transporte coletivo público de Manaus no mais moderno do Brasil para o ano que vem, o cidadão de pronto respondeu: “Levando em conta a história do transporte público de Manaus, defasado como é, se confundi com a história de Amazonino como governante da cidade, absolutamente não!”

A esta resposta acrescentaríamos que não somente Amazonino deve levar as glórias pelo caos que o transporte coletivo público é há muito tempo em Manaus. A situação alarmante em que se encontra o transporte coletivo em Manaus é efeito das más administrações públicas que prefeitos conhecidos do povo manauara, e que sempre se revezaram neste cargo público, bem como das ações conjuntas que já ocorreram, constituíram gestões mais em proveito próprio do que em prol do bem comum.

Se levarmos em conta que uma cidade sem transporte urbano, público, de qualidade e que favoreça aos habitantes da cidade um mínimo de conforto e utilidade, não existe, chegaremos a conclusão que Manaus é uma cidade inexistente. Sendo o transporte coletivo em uma cidade, um serviço público essencial para que outras atividades possam ser desempenhadas pelos trabalhadores que movimentam a produção e a riqueza para todos, sem este serviço a cidade se movimenta com um esforço diário que causa todo tipo de mal-estar aos corpos, tirando-lhes qualquer possibilidade de trabalhar em uma cidade que lhe garanta uma vida digna.

Em Manaus, os trabalhadores e suas famílias, enquanto cidadãos que precisam e pagam pelo transporte coletivo da cidade, não vivem, mas sobrevivem. Esta situação que beira a desumanidade constituiu-se como verdade na cidade devido a condição com que este serviço público sempre foi administrado. A prefeitura de fato nunca administrou este serviço por completo ou pelo menos manteve uma fiscalização rigorosa sobre as empresas privadas que tomam, temporariamente, as concessões públicas. Um exemplo é atual empresa Transmanaus que apenas juntou as outras empresas que já dominavam antes, ocasionando um monopólio do serviço.

Os empresários sempre estiveram à frente deste serviço e o povo manauara sempre foi o que sofreu com a irresponsabilidade do poder público que parece não compreender que se existe um poder soberano, este poder é do povo. Parece não compreender ou, simplesmente, não lhe interessa fazer uma administração pública governando para aqueles que produzem a cidade e apenas recebem em troca sofrimento: o povo.

Ontem, invertendo por completo a ação política onde primeiro se constitui o real para depois se constituir um discurso sobre este real, foi assinado, entre a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) e a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), um acordo que coloca Manaus entre as cidades concorrentes do Prêmio de Qualidade 2011.

Este prêmio é uma certificação que é entregue somente às empresas com comprovada excelência na prestação do serviço. Como Manaus, nem de longe possui esta excelência na prestação do serviço público transporte coletivo, tudo fica apenas na imaginação, isto é, uma idéia que nasce sem consistência real alguma. A imaginação só pode vim a se tornar algo real se houver um chamamento de ações efetivas para a produção do mundo social. Exatamente aquilo que envolve a relação entre sociedade civil e Estado, ou de outra forma, entre as ações de um governo e os serviços necessários para que a sociedade possa viver dignamente e não apenas sobreviver.

Lembrando a resposta do cidadão acima fica difícil nós pensarmos na transformação desta imaginação em algo real. Aliás, aprender a separar a capacidade dos homens de inventar e produzir a realidade como bem comum das catástrofes que a imaginação isolada pode favorecer, é uma ação política de todos.

A prefeitura de Manaus tem até setembro do próximo ano para se adequar às exigências da entidade ANTP, quando começa a avaliação do serviço de transporte coletivo público de Manaus.

 

 

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