LUTAS DOS TRABALHADORES EUROPEUS: GREVES ILIMITADAS NA FRANÇA

Greve dos metalúrgicos em 28 de março de 1979)

Algumas informações extraídas daqui

Em 15 de setembro deste ano foi aprovada na Câmara baixa do Parlamento em Paris, por 328 votos a favor e 233 contra, a reforma na Previdência que instaurou o aumento da idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos. A mudança ainda será votada no senado parisiense no próximo dia 12 de outubro. A reforma ainda abrange aqueles que não atingiram o tempo de contribuição exigido, fazendo com que o limite de idade passe de 65 a 67 anos para requerer a aposentadoria. No dia 7 de setembro houve uma greve na frança onde, segundos os sindicatos participantes do ato, 2,7 milhões de pessoas foram as ruas.

O sindicato Confederação Geral do Trabalho (CGT) dos trabalhadores em transportes metropolitanos de Paris, ontem, fez oficialmente a primeira convocatória de greve indefinida contra o recorte de aposentadorias. Junto ao CGT estão o Sud-Solidaires e Força Operária (FO), terceiro e quarto sindicato dos transportes da capital, respectivamente, que de imediato se juntaram a produção da greve ilimitada.

Os sindicatos CGT da energia (eletricidade, gás, centrais térmicas e instalações petroleiras) e da química estão ponderando também a participação na greve ilimitada, enquanto que os estivadores dos principais portos do país, após um bloqueio de 72 horas neste fim-de-semana, não frearam esse movimento já iniciado.

No dia 29 de setembro último, em Bruxelas, na Bélgica, em frente a sede central da União Europeia, a qual teve milhares de policiais cuidando de sua proteção, cerca de 100 mil manifestantes, entre trabalhadores, estudantes, ativistas e tantas outras pessoas, protestavam contra as medidas de austeridade impostas pelas instituições financeiras multinacionais e implantadas por vários governos europeus, as quais completam um pacote que vai de modificações na Previdência, facilidades para os patrões demitirem empregados a perda de direitos adquiridos. Na Espanha, também ocorria uma greve geral, onde 70% dos trabalhadores aderiram às lutas.

Tais medidas, como se sabe, funcionam a partir de uma política normativa ao qual o Estado não age mais, prioritariamente, segundo um modelo jurídico, mas é orientado por uma razão de governo onde, o Estado administra a produção e a reprodução da vida na sociedade. Não é à toa que tais medidas de austeridade (desprezando por completo a semântica da palavra austeridade nos estóicos que é distinto de normalização) operam de acordo com uma “ciência de polícia” responsável pela manutenção da ordem social, colocando a vida no domínio do campo do poder, ou seja, elas operam não mais somente nos indivíduos, mas para um controle, através de tecnologias, da população. Por esta razão estas medidas de austeridade são direcionadas ao controle demográfico, da saúde, do trabalho, da educação, dos transportes, da natalidade e da mortalidade, da previdência, entre outros campos do social.

Estas greves são essencialmente necessárias. Principalmente no momento atual em que vivemos onde, segundo Marx, podemos falar de uma subsunção real da sociedade ao capital, e as lutas não se tornam apenas recusas de determinados modelos de normatização que vão da legitimidade do poder soberano moderno ao Estado como instituição política por excelência, mas a capacidade produtiva de agir por dentro das redes produtivas do poder, construindo novas subjetividades, através de lutas que reivindicam a reapropriação da própria produção e reprodução da vida. Se as novas formas de poder do capitalismo, mais do que nunca, atualmente são percebidas como produtores de subjetividade, as lutas não podem ser apenas ações contra o poder, mas lutas produtivas onde o Estado não pode ser o único sujeito a fazer a conexão entre a vida e os seus elementos constitutivos.

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