MIGRAÇÃO E PRODUÇÃO BIOPOLÍTICA: ENTREVISTA COM LEONORA CORSINI

Não creio que os migrantes fujam somente da miséria; penso que eles busquem liberdade, saber e riqueza. O desejo é uma potência construtiva, e ela é tanto mais forte quanto mais está implantada na pobreza: a pobreza, de fato, não é simplesmente miséria, mas é a possibilidade de muitíssimas coisas, que o desejo indica e o trabalho produz. O migrante tem a dignidade de quem busca a verdade, a produção, a felicidade. E é essa força que rompe a capacidade inimiga do isolamento e da exploração e que retira, juntamente, ao suposto universalismo de Prometeu, qualquer nuança heróica e/ou teológica do comportamento dos pobres e dos subversivos. Quando muito, o prometeísmo dos pobres e dos migrantes é o sal da Terra, e o mundo é realmente modificado pelo nomadismo e pela mestiçagem”.

(Antonio Negri em “Diálogo sobre Império entre Antonio Negri e Danilo Zolo” no livro “5 Lições Sobre o Império”)

Segundo os organizadores das manifestações que protestaram em 130 cidades da França, neste sábado, contra a deportação no mês passado de cerca de mil ciganos para Romênia e Bulgária (povo “roma” como são conhecidos na França), 50 mil pessoas estiveram presentes nas ruas francesas. A razão pela qual estes protestos se fazem reais, colocam em evidência como a circulação e produção do capital mantêm uma relação social antagônica com os migrantes. Ao mesmo tempo em que os poderes necessitam do trabalho produtivo dos migrantes procura-se capturar a potência criadora deles e modulá-las de acordo com suas necessidades econômicas. Este acontecimento deixa claro o quanto o capitalis (exrecendo seus poderes a nível local, nacional, regional, e mundial) procura exercer um controle e um domínio sobre a vida das pessoas. Contudo, há forças de resistência que surgem desta tentativa de controle sobre a vida produzindo novos territórios, novas formas de vida e tecendo novos modos de relação, diferentes daquelas sujeitadas pelo Estado.

Abaixo reproduzimos uma entrevista com Leonora Corsine, estudiosa das relações entre migrações e as novas formas do capitalismo, publicada em 17/10/2007 no sitio eletrônico do Instituto humanitas, onde a migração é percebida através das análises sobre a passagem da sociedade disciplinar para a sociedade de controle, a biopolítica e o deslocamento produtivo das multidões.

IHU On-Line – No seu entendimento, de que forma pode acontecer o processo de a sociedade disciplinar passar para a sociedade de controle?

Leonora Corsini – Segundo Foucault (1), o dispositivo disciplinar – em que a lei se associa aos mecanismos de vigilância e punição/correção – vai atender a um poder que precisa ser exercido positivamente sobre a vida. Positivamente porque, ao invés de exigir a morte dos súditos, como fazia o soberano, tratava-se de permitir a vida, permitir a majoração e a multiplicação da vida e, em nome deste objetivo, deixar morrer. A disciplina era exercida sobre os corpos dos indivíduos: operários, detentos, presos, estudantes, num espaço “vazio” que precisava ser construído e hierarquizado. A sociedade disciplinar realizou-se historicamente na sociedade industrial que chegou ao auge com o fordismo/taylorismo, com a organização científica do trabalho. A vida humana era, naquele momento, transformada em produção, e a sociedade disciplinar poderia ser então considerada uma “máquina de produzir” os trabalhadores das fábricas, por exemplo. Com o declínio da era fordista de produção, onde esta produção se dava a partir da fábrica e da relação salarial (emprego), entramos no tempo da sociedade de controle, em que o poder, que antes estava no centro, no “interior” da fábrica, do hospital, da caserna, da escola, sai deste centro e se espalha, agregando o tempo todo novos elementos de controle.

A produção também se difunde nos territórios e em suas redes de circulação que, justamente por isso, tornam-se produtivas. Ou seja, circulação e produção estão intrinsecamente inter-relacionadas. Gilles Deleuze (2), em “Pós-scriptum para uma sociedade de controle”, um texto que considero importantíssimo, avalia que os mecanismos de disciplinamento e sujeição deixam de incidir sobre o “interior” dos espaços tradicionais de confinamento (a prisão, o hospício, a fábrica, a escola, a família etc.) e vão operar em outros espaços, agora através de modulação, que ele compara a uma peneira cujas malhas mudariam de um ponto a outro. Deleuze oferece um exemplo que explica bem este mecanismo de controle: enquanto na sociedade disciplinar a fábrica era um instrumento disciplinador ao constituir um só corpo de trabalhadores (através do salário) e ao administrar a resistência sindical, na sociedade de controle a fábrica será substituída pela empresa que, por sua vez, tenta impor uma modulação para cada salário, introduz o tempo todo uma rivalidade e uma competição inexpiável, motivação que contrapõe os indivíduos entre si e atravessa cada um, dividindo-os em si mesmos. Assim, as modulações do controle passam por divisão e fragmentação. Fico pensando no que está acontecendo hoje com a produção cultural, especificamente no mundo da música. A relação hoje entre os que criam a música, os autores, compositores, intérpretes, performers, é totalmente diferente, não passando mais pelo controle centralizado e monopolista das grandes gravadoras, das majors. Hoje, no mundo da música, tudo mudou: a criação se dá o tempo todo, quando o compositor compõe, quando o cantor canta, quando alguém vai ao show assistir a um artista, depois filma, copia, põe na internet, para outras pessoas baixarem, copiarem, reproduzirem, difundirem…

A produção está totalmente “fora” dos domínios das gravadoras. O que está acontecendo com o Tecnobrega (3), no Pará, ilustra perfeitamente isto. Artistas como a banda Calypso (4) podem se dar ao luxo de dispensar literalmente as majors, que agora, vendo a pujança deste mercado, correm atrás. O tecnobrega constitui uma economia, uma cadeia produtiva impressionante, que vai do “festeiro” (que patrocina os shows fornecendo a sofisticada e potentíssima aparelhagem), ao “pirateiro” que produz e distribui os Cds, passando pelos camelôs que vendem os Cds nas ruas e nos shows, e nos shows ao vivo, que atraem multidões de jovens. E, diante disso, tenta-se o tempo criminalizar esta produção, taxando de ilegal. “Pirataria é crime!”, repetem sem parar.

IHU On-Line – Como você conceitua biopoder em tempos de inúmeras migrações, interculturalidade, democracia e neoliberalismo?

Leonora Corsini – Antonio Negri (5) e Michael Hardt (6) escreveram em seu livro Império: “um espectro assombra o mundo [globalizado], o espectro das migrações”. Acho esta frase muito boa, pois ela permite pensar em muitas coisas: por exemplo, como, no mundo contemporâneo, cada vez mais os poderes constituídos têm que correr atrás da potência, da incrível força do êxodo, da multidão em movimento. Acho que podemos ler nesta frase que os migrantes, em seus fluxos de circulação, que fazem também circular culturas, formas de vida, subjetividades, novas identidades, riquezas, bens materiais e imateriais, redesenham o território global, desconstroem fronteiras e soberanias e desestruturam as dimensões espaciais do ciclo de produção e reprodução do capital. Isto não se dá sem ambigüidades. Podemos pensar que as migrações são o fantasma da globalização justamente porque põem a nu as ambigüidades da própria globalização: o mundo pós-fordista, pós-nacional, pós-soberanista desenhado pela globalização, é um mundo atravessado por crises e, ao mesmo tempo, é marcado pelas possibilidades de transformação que acompanham essas crises.

A mobilidade e a circulação de pessoas nesses fluxos do mundo globalizado expressam uma nova dinâmica produtiva e relacional, que tem lugar nos processos de apropriação de novos territórios. Esses processos são atravessados por conflitos entre interesses econômicos, religiosos e políticos, por embates entre os poderes constituídos e a potência criadora e transformadora dos migrantes. Assim, o migrante pode ser considerado a figura emblemática de uma ontologia da produção que escapa aos ordenamentos políticos e econômicos do mundo globalizado, inclusive os ordenamentos neoliberais, que, de maneira paradoxal, precisam desta força, desta resistência, mas não param de tentar capturá-la e controlá-la. Então, este migrante não é mais uma figura vitimizada, manipulada, totalmente subordinada aos interesses (e desinteresses) dos governos, dos dirigentes, das economias; ele é como uma pedra no sapato dos poderes constituídos, ao recusar a cidadania pela via da integração e da subordinação (vide o que fazem os jovens moradores das periferias de Paris). E, ao fazer isto, ele desconstroem a cidadania baseada em identidades prévias, luta para construir um outro espaço de “cidadinização”, de produção de cidadania, de produção de direitos. E assim que eu penso, por exemplo, a idéia de uma democracia radical, de uma democracia construída “desde baixo”, outra idéia muito presente nos trabalhos de Negri e Hardt.

IHU On-Line – E como se dá essa biopolítica nas esferas do trabalho e da produção no mundo contemporâneo e em constante transformação?

Leonora Corsini – O termo biopolítica apareceu pela primeira vez na obra de Foucault em uma conferência proferida em 1974 no Rio de Janeiro sob o título “O nascimento da Medicina Social”, numa referência ao conjunto de técnicas e saberes específicos para tratar a população, prevenir as epidemias, fazer baixar as taxas de doenças endêmicas, impor normas de alimentação, higiene, organização das cidades, enfim, para garantir que a população fosse gerida de forma a afirmar e aumentar o poder do Estado. Naquele momento, a questão de fundo era a constituição da “governamentabilidade” política, ou seja, uma arte de governar que colocasse em relevo a “razão de Estado”. A filósofa Judith Revel (7), que tem se dedicado aos estudos sobre Foucault e os movimentos pós-68, observa que, no início dos anos 1970, Foucault falava indistintamente de biopoder e biopolítica. Mas acabou tendo que distinguir e ampliar os dois conceitos: de maneira simplificada. Biopoder seria efetivamente o poder sobre a vida, enquanto biopolítica poderia ser vista como a resposta resistente da vida diante deste poder. Na verdade, esta segunda acepção já está indicada nas páginas finais do primeiro volume da História da sexualidade de Foucault (A vontade de saber), no qual lemos que, contra o poder aplicado sobre a vida, as forças que resistem vão se apoiar exatamente naquilo sobre que o poder investe: no corpo, na vida do homem enquanto ser vivo. Ou seja, a biopolítica teria também uma dimensão de réplica política da vida a todos os procedimentos de controle e de captura do poder. Negri e Hardt dizem que Foucault indica, neste momento de sua obra, as linhas em formação da sociedade de controle em um horizonte de imanência e de poder ativo – uma biopolítica social.
Acho que, mais uma vez, o campo das migrações oferece excelentes exemplos dessas modulações, desses processos de fuga e controle. Penso num caso que li recentemente de uma mulher mexicana deportada pela segunda vez dos Estados Unidos, junto com centenas de milhares de migrantes mexicanos que não conseguem a legalização e são perseguidos sistematicamente pelo governo Bush. Acusada de terrorista, ela foi ilegalmente separada de seu filho de oito anos que nasceu em Washington (ilegalmente porque os princípios universais de unificação familiar previstos na legislação migratória norte-americana foram totalmente descumpridos). O caso gerou uma crise diplomática entre México e Estados Unidos e converteu esta mulher em símbolo da luta pelos direitos de mais de 12 milhões de migrantes “indocumentados”, hoje vivendo nos Estados Unidos. Depois da segunda deportação, Elvira Arellano (8) começou uma cruzada pela legalização dos migrantes considerados ilegais e indesejáveis pela administração Bush, que incluiu um pedido ao presidente mexicano Felipe Calderón (9) de que lhe conferisse uma credencial diplomática como “Embaixadora da paz, justiça e esperança” para poder regressar aos Estados Unidos e continuar a luta “na linha de frente”. Além disso, ela apoiou a criação da Casa do Migrante, que funcionará como refúgio a todos os migrantes que passem pela localidade de Ecatepec de Morelos, na região de fronteira, e convocou uma greve nacional de 24 horas dos migrantes vivendo nos EUA, que, apesar de não ter conseguido mobilizar tantas pessoas como em 2004 e 2005, tem um conteúdo simbólico bastante importante. Esta mulher, migrante, não desiste de sua luta, que é muito maior que seu problema individual, pessoal: a deportação atravessa sua vida, a separa de seu filho, e atravessa as vidas de toda esta multidão que batalha por seus direitos, pelo direito de ir-e-vir, de trabalhar, de produzir a própria vida.

IHU On-Line – Quais são as principais novas lutas das multidões em tempos de globalização?

Leonora Corsini – Acho que as lutas dos migrantes convergem com as lutas dos que são colocados às margens da cidadania, que são discriminados por serem negros, mestiços, diferentes e potencialmente perigosos, que lutam todos os dias por direitos, por acesso a mecanismos de proteção social, enfim, por democracia. As migrações mundiais, em interseção com a acelerada mobilidade e descentralização do trabalho no cenário pós-fordista, entram como elementos fundamentais numa pauta de discussões e preocupações em torno da formulação de políticas públicas de saúde, educação, habitação, previdência, assistência, que possam dar conta da questão do trabalho e proteção social em toda sua complexidade. Isto porque hoje a geração de renda e a constituição de formas de cooperação e produção flexível convivem com mecanismos de precarização, marginalização e empobrecimento. Muitos migrantes só conseguem se instalar e produzir sua vida trabalhando em condições de informalidade e de extrema precariedade (temos o exemplo dos milhares de bolivianos que migram para a Espanha, Argentina, para o Brasil, sobretudo São Paulo, para tentarem conseguir formas mais dignas de vida para si e para seus familiares).

Esses migrantes precarizados (mas que não desistem, quero reforçar), engrossam as fileiras dos que demandam, para além da assistência social e dos cuidados de saúde e educação a construção de novos instrumentos de apoio aos movimentos, organizações, cooperativas e instituições que possam fomentar a inclusão como forma de promover e desenvolvimento, a partir da premissa de que a inclusão e a universalização dos direitos e da cidadania são as condições necessárias para um crescimento econômico socialmente sustentável (e não o contrário, como às vezes se diz). Ou seja, a constituição de uma política pública construída “desde baixo”. E a luta dos migrantes é um exemplo, mas dentro desta mesma dinâmica temos outros movimentos sociais como os dos camelôs, dos trabalhadores informais e também dos formais cada vez mais precarizados, dos pesquisadores, dos artistas e criadores, das ocupações de prédios nas grandes cidades, do software livre, do copyleft, e por aí vai.

IHU On-Line – A biopolítica é um padrão contemporâneo de dominação, propriedade e controle?

Leonora Corsini – Eu diria que a biopolítica hoje constitui tanto uma modulação de controle e dominação, mas é também o que resiste ao poder, o que resiste à fixação das relações estratégicas dos poderes em disputa em relações de dominação. Judith Revel fala de uma biopolítica da periferia (poderia acrescentar, uma biopolítica de fronteira), Peter Pál Pelbart (10) fala de biopotência: a vida por um triz, em constante variação, passando o tempo todo das formas “maiores”, de dominação, de subordinação, às formas “menores”, de criação de linhas de fuga, de subversão, de invenção, de resistência. É sempre deste permanente embate entre forças que se trata: poderes versus potência. Vale lembrar que os poderes que se abatem o tempo todo sobre a vida, sobre os corpos, sobre a produção, o trabalho, não são poderes onipotentes que visam a simplesmente aniquilar estas forças. Ao contrário, precisam delas, porque o poder não cria nada, ele precisa capturar as forças de criação e esbarra o tempo todo em forças contrárias, que lhes são desde sempre antagônicas.

IHU On-Line – E, para a senhora, qual é o lugar da cultura dentro desse pensamento de biopolítica e biopoder?

Leonora Corsini – Cultura, assim como identidade, é um conceito complicado, sempre que pressupõe “uma” cultura, algo homogêneo que sintetiza (e reduz) uma multiplicidade de expressões, de manifestações. Eu prefiro pensar em cultura como um terreno, como um espaço onde se constituem as lutas por democracia, por cidadania; ao mesmo tempo, essas lutas produzem afetos, subjetividades, criam, inventam, inovam, produzem novas expressões culturais. Eu acho que esta é uma nova maneira de entender a produção cultural hoje, no espaço do embate incessante, de uma constante reinvenção da vida que tem lugar nas cidades, que está intimamente interligada com a vida nas cidades no mundo globalizado. Hoje, quando nós temos o hip-hop e o funk no Rio, o tecnobrega em Belém, os desfiles da Daspú (11) em São Paulo, o mangue-beat (12) no Recife, para dar alguns exemplos, não é possível mais para se pensar em uma “cultura” nacional brasileira de raiz, homogênea, unificada. Isso vale também para identidade, que costuma vir atrelada à idéia de cultura e de povo. Isso hoje está sendo desconstruído e, mais uma vez, as migrações e os movimentos sociais têm tudo a ver com esta desconstrução.

IHU On-Line – E como a senhora relaciona mesticidade, identidade e biopolítica?

Leonora Corsini – Falando seriamente, a mestiçagem, a hibridação, costuma ser vista de duas maneiras, como subordinação, sujeitamento (por exemplo, quando o movimento negro vê na mestiçagem a subordinação dos negros às políticas de “embranquecimento” defendidas por alguns governantes), mas também pode ser pensada como resistência, como linha de fuga. Quantos escravos “fugiram” das fazendas coloniais e literalmente “quebraram” por dentro as oligarquias do café no Brasil, através dos quilombos, e também com a mestiçagem! Mas, para responder esta questão, eu vou pegar carona na fala de uma personagem de um filme recente do cineasta inglês Ken Loach (13) [Apenas um beijo] sobre como as pessoas “mestiças” se definem a si mesmas. A personagem é Tahara, uma adolescente filha de paquistaneses que vivem em Glasgow, Escócia, e que é irmã do protagonista da história, a qual, ao repudiar a moção de apoio de sua escola à invasão do Iraque, diz que o discurso do combate ao terrorismo escamoteia uma outra forma de violência, tão ou mais brutal. Em sua fala, ela denuncia a estupidez de projetar, para os seguidores do islamismo, uma imagem-síntese de um bilhão de muçulmanos espalhados em mais de cinqüenta países, falando centenas de línguas diferentes e de origens étnicas as mais variadas. Ela cita o exemplo de sua própria família: seu pai é 100% paquistanês e mesmo depois de 40 anos vivendo na Escócia, ele se vê assim. Sua irmã se define como negra, talvez por um posicionamento político. E ela recusa as definições ocidentais simplificadoras do terrorismo, que acabam passando por cima das milhares de vítimas do terrorismo de Estado. E diz que, acima de tudo, rejeita a simplificação ocidental a respeito dos muçulmanos: “sou nascida em Glasgow, paquistanesa, adolescente, mulher, uma mulher descendente de muçulmanos que torce pelos Glasgow Rangers em uma escola católica. Eu sou uma mistura incrível, e sinto orgulho disto”.

Notas:
(1) Michel Foucault foi um filósofo e professor da cátedra de História dos Sistemas de Pensamento no Collège de France de 1970 a 1984. Foucault trata principalmente do tema do poder, rompendo com as concepções clássicas deste termo. Para ele, o poder não pode ser localizado em uma instituição ou no Estado, o que tornaria impossível a “tomada de poder” proposta pelos marxistas. O poder não é considerado como algo que o indivíduo cede a um soberano (concepção contratual jurídico-política), mas sim como uma relação de forças. Para analisar o poder, Foucault estuda o poder disciplinar e o biopoder, e os dispositivos da loucura e da sexualidade. Para isto, em lugar de uma análise histórica, realiza uma genealogia, um estudo histórico que não busca uma origem única e causal, mas que se baseia no estudo das multiplicidades e das lutas. Também abriu novos campos no estudo da história e da epistemologia. Sobre ele, a Revista IHU On-Line publicou a edição 119 e 203.

(2) O filósofo francês Gilles Deleuze considerava a filosofia como uma arte de formar, inventar, fabricar conceitos. A sua filosofia vai de encontro à psicanálise, nomeadamente a freudiana, que aos seus olhos reduz o desejo ao Complexo de Édipo. Ela é considerada como uma filosofia da vitalidade e o desejo.

(3) O tecnobrega é um estilo popular mais expressado através da música. Caracteriza-se pelas festas de aparelhagem, empregando bandas, dançarinos, dj’s, produtores caseiros e camelôs; estes distribuem os CD’s de forma alternativa, possibilitando a difusão mais rápida das produções, geralmente em acordo com o artista. O ritmo consiste na mistura de carimbó, siriá, lundu e outros gêneros populares com o calipso caribenho, as guitarradas e elementos eletrônicos, essencialmente programas e batidas de computador.

(4) A Banda Calypso foi formada em Belém no ano de 1999 pelo casal Joelma e Chimbinha. Inicialmente restritos ao circuito musical do Norte, Nordeste do Brasil e música latina do Caribe, a banda hoje desfruta de grande sucesso em todo o País e começa a firmar sua carreira no exterior, com turnês para os Estados Unidos, países da Europa entre outros, embora alguns sejam da opinião que a referida banda seja apenas mais um dos modismos dentro da música popular comercial.

(5) Antonio Negri é um filósofo político marxista italiano. Conhecido na Itália por sua atividade política, Negri adquiriu notoriedade internacional nos primeiros anos do século XXI, graças ao livro Império, escrito em co-autoria com seu ex-aluno Michael Hardt. O livro tornou-se um dos manifestos do movimento anti-globalização. Iniciou sua militância política nos anos 1950 como ativista da Juventude Italiana de Ação Católica. Foi membro da Internacional Socialista de 1956 a 1963. No início dos anos 1960, Negri compôs o comitê editorial dos Cadernos Vermelhos, que representava o renascimento intelectual do Marxismo na Itália. Acusado, em 1979, de ter sido o “cérebro” da operação de seqüestro e assassinato de Aldo Moro, líder da Democracia Cristã italiana, em 1978, Negri foi preso. Conseguiu, porém, livrar-se de todas as acusações. Todavia, foi condenado a uma longa pena de detenção em um controverso processo de “associação subversiva contra o Estado”. Negri refugiou-se França e ensinou na Universidade de Paris e no Colégio Internacional de Filosofia, onde também eram docentes Jacques Derrida, Michel Foucault e Gilles Deleuze. Em 1997, retornou voluntariamente à Italia para cumprir o restante de sua pena. Atualmente, Antonio Negri vive em Veneza.

(6) Michael Hardt é professor de Literatura da Duke University. Autor de Gilles Deleuze – Um aprendizado em Filosofia e co-autor, com Antonio Negri, de Labor of Dionysus: a critique of the State-form. Editou, com Paolo Virno, Radical thought in Italy e, com Kathi Weeks, The Jameson reader. Atualmente trabalha em uma pesquisa sobre a obra de Pier Paolo Pasolini.

(7) Marie Judith Revel nasceu em Paris (1966). Filósofa, é professora da Universidade de Roma – La Sapienza e colaboradora no Departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade de Consenza e do Centro Michel Foucault (Paris). Suas pesquisas abordam o pensamento francês contemporâneo, particularmente a obra de Michel Foucault. Foi diretora da edição italiana dos Ditos e escritos de Foucault (Feltrinelli, 1996-1998).

(8) Elvira Arellano é mexicana de San Miguel Curahuango, mas ficou conhecida por viver ilegalmente nos Estados Unidos. Foi detida pela primeira vez em 1997, logo que cruzou a fronteira entre o México e os EUA. Acabou regressando, mas poucos dias depois voltou a cruzar a fronteira. Anos mais tarde, foi levada à polícia federal anti-terrorista quando trabalhava limpando aviões comerciais no Aeroporto de Chicago. Ela declarou ter medo de ser novamente deportada, mas que ainda assim não podia ficar de braços cruzados em relação à sua situação. Desse modo, convocou uma luta em prol de uma reforma migratório nos EUA.

(9) Felipe de Jesús Calderón Hinojosa é o atual presidente do México. Político mexicano conservador, ligado ao Partido da Ação Nacional (PAN) de Vicente Fox, foi lançado como candidato à presidência em dezembro de 2005 para concorrer nas eleições de julho de 2006. Durante a campanha, seu principal adversário foi o centro-esquerdista Andrés Manuel López Obrador do Partido da Revolução Democrática (PRD). A apuração concedeu vitória apertada de Calderón, mas López Obrador não aceitou o resultado e prometeu contestá-lo judicialmente. Mesmo assim, Calderón foi empossado na presidência em dezembro de 2006.

(10) Peter Pál Pelbart é doutor em filosofia e professor na PUC-SP. É tradutor e estudioso da obra de Gilles Deleuze (traduziu para o português “Conversações“, “Crítica e clínica” e parte de “Mil Platôs“). Escreveu sobre a concepção de tempo em Deleuze (“O Tempo Não-reconciliado“, Perspectiva, 1998), sobre a relação entre filosofia e loucura (“Da clausura do fora ao fora da clausura: loucura e desrazão“, Brasiliense, 1989, e “A Nau do Tempo-rei“, Imago, 1993) e publicou, mais recentemente, “A vertigem por um fio: políticas da subjetividade contemporânea“, Iluminuras, 2000.

(11) Daspú é uma grife carioca formada por um grupo de prostitutas. Foram incentivadas financeiramente pela Ong Davida. Seu nome é um contraponto à grife paulistana Daslu, uma loja especializada em artigos de luxo. A inovação da grife é a criação de um novo tipo de roupa além das básicas e de festa. São roupas extremamente sensuais e decotadas ou curtas, porém não vulgares. Isso pode ser uma forma alternativa de lutar contra o preconceito e por maiores direitos às profissionais do sexo.

(12) Manguebeat é um movimento musical que surgiu no Brasil na década de 1990 em Recife e mistura ritmos regionais com rock, hip-hop e música eletrônica. Esse estilo tem como ícone o músico Chico Science, ex-vocalista, já falecido, da banda Chico Science e Nação Zumbi, idealizador do rótulo mangue e principal divulgador das idéias, ritmos e contestações do Manguebeat. Outro grande responsável pelo crescimento desse movimento foi Fred 04, vocalista da banda Mundo Livre S/A e autor do primeiro manifesto do Mangue de 1992, intitulado Caranguejos com cérebro.

(13) Kenneth “Ken” Loach um cineasta britânico. Filho de operários, dedicou sua obra cinematográfica à descrição das condições de vida da classe operária.

Leonora Corsini é psicóloga graduada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) com especialização em Psicologia Clínica pela mesma universidade. Realizou mestrado na área de psicologia e doutorado em Serviço Social, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. É, atualmente, pesquisadora do Laboratório Território e Comunicação.

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