CAPITAL DE MOÇAMBIQUE VOLTA À ROTINA DEPOIS DE PROTESTOS

Eduardo Castro
Correspondente da EBC para a África

Maputo (Moçambique) – Depois de dois dias de manifestações contra o aumento do custo de vida e confrontos com a polícia, a sexta-feira foi de relativa calma na capital de Moçambique, Maputo. Os poucos focos de manifestações não voltaram a interromper a rotina da cidade, que vai sendo retomada aos poucos. O transporte coletivo está funcionando parcialmente. Pela manhã, os ônibus, chamados de “maximbombos”, circulavam com regularidade. Mas a grande maioria da população utiliza as vans, conhecidas como “chapa 100”. Estas demoraram mais para reaparecer.

Os bancos reabriram depois de praticamente 48 horas fechados. O comércio e os restaurantes também levantaram as portas, muito embora com falta de pessoal. Na região conhecida como Baixa (centro de Maputo), várias lojas fecharam logo depois do almoço porque mensagens de SMS (Short Message Service) circulavam pelos telefones celulares avisando que a greve seria retomada à tarde.

Com menos gente nas ruas do que o habitual, os carros circularam com facilidade durante todo o dia. Na estrada que liga Maputo à vizinha Matola, policiais armados faziam a vigilância do posto de pedágio e ocupavam vários pontos do acostamento. Diferentemente dos dois últimos dias, hoje não houve bloqueios na pista. Restos de pneus queimados deixavam o asfalto mais escuro em vários trechos.

Na cidade de Chimoio, no centro do país, houve bloqueios em algumas avenidas e enfrentamento entre manifestantes e a polícia. De acordo com a agência Lusa, de Portugal, seis pessoas foram hospitalizados.

A Feira Internacional de Moçambique (Facim) também reabriu para o público hoje (3). Por causa da paralisação de dois dias, a feira foi estendida até terça-feira (7). O movimento era pequeno nos corredores no início da tarde, mas cresceu no fim do dia. “Nem tudo está perdido”, diz o organizador do espaço brasileiro na Facim, Marco Audrá. “Os expositores brasileiros estão acostumados a feiras de apenas três dias. Ainda dá para recuperar terreno”.

Segundo ele, algumas das 60 empresas brasileiras que estão aqui chegaram a fazer negócios mesmo com a exposição fechada, porque os entendimentos começaram antes da feira. No almoço organizado para empresários brasileiros e moçambicanos, ontem, somente nove dos 80 lugares ficaram vazios. “Tive que remarcar uma reunião que deveria ter sido na quarta-feira, mas acho que vai dar certo”, torcia Mauro Fernandes, representante da KJR, empresa paulista que produz ferramentas e conectores elétricos.

Mas nem todos estavam animados. “Para nós foi ruim mesmo. Esperávamos compradores que viriam da Beira [cidade no centro de Moçambique], mas eles não conseguiram chegar”, reclamou João Faro, da fábrica de móveis para cozinha Poquema, de Arapongas (PR). “Os distúrbios atrapalharam muito os meus negócios”.

Edição: Vinicius Doria

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