UM CONTO, UMA HISTÓRIA, UMA POESIA

O HORROR COTIDIANO DO ENTRETENIMENTO MIDIÁTICO

“(…) Muitos cidadãos acham que, confortavelmente sentados no sofá de sua sala de estar, vendo na telinha uma sensacional cascata de ventos com imagens muitas vezes fortes, violentas e espetaculares, podem informar-se seriamente. É um erro total.

Por três razões: primeiro, porque o telejornal, estruturado como uma ficção, não é feito para informar, mas para distrair. Depois, porque a rápida sucessão de notícias breves e fragmentadas (umas vinte por telejornal) produz um duplo efeito negativo de superinformação e de desinformação (há notícias demais, mas muito pouco tempo consagrado a cada uma delas). E, enfim, porque querer informar-se sem esforço é uma ilusão que depende muito mais do publicitário do que da mobilização cívica. Informar-se é cansativo, e é a este preço que o cidadão adquire o direito de participar inteligentemente da vida democrática.

Não obstante, muitos títulos da imprensa escrita continuam, por mimetismo televisual, adotando características próprias da mídia catódica: maquete da “primeira página do jornal” concebida como uma tela, extensão dos artigos reduzida, personalização excessiva de alguns jornalistas, prioridade do local sobre o internacional, excesso de títulos chocantes, práticas sistemática do esquecimento e da amnésia em relação às informações que já passaram da atualidade, etc. ‘Um dos problemas que se colocam de forma sensível em muitas redações – considera Patrick Champagne – é precisamente que, cada vez mais, a imprensa escrita adota o formato da mídia audivisual: ela privilegia os artigos curtos, coloca de modo astucioso para provocar. O equivalente do índice de audiência entrou na imprensa sob a forma do marketing editorial que se desenvolve com suas técnicas herdadas da publicidade para definir quais os assuntos que atraem o maior público possível. Raciocina-se em termos do maior número de leitores possível. A mídia audivisual tornou-se a mídia dominante”. Agora, as informações devem ter três qualidades principais: serem fáceis, rápidas e divertidas. Assim, paradoxalmente, os jornais simplificaram seu discurso no momento em que o mundo, transformado pelo fim da guerra fria e pela globalização econômica, complexificou-se consideravelmente”

(Ignácio Ramonet, A Tirania da Comunicação)

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