PARA COMEÇAR A SEMANA… : Taiguara – Que as Crianças Cantem Livres

Sobre Taiguara, o Poli escreveu:

“Nascido nos fins da segunda guerra mundial, em Montevidéu, Uruguai, Taiguara embarcou na viagem por este plano de existência já com trilha sonora: o avô, Glaciliano, era compositor popular; o pai, Ubirajara Silva, era famoso maestro; e a mãe, Olga Chalar, era cantora. Taiguara, como o pai, tocava bandoneón. Aos quatro anos, foi morar no Rio de Janeiro. Aos quinze, foi para São Paulo. Mas passou também por Recife, Tanzânia, Londres, França, Etiópia. Carregando sempre, é claro, a América Latina, a exploração, a marca do sangue de todas as cores e etnias, derramado em nome da exploração e do enriquecimento do Norte, nas veias abertas relatadas por outro uruguaio, Eduardo Galeano.

Iniciando sua carreira musical, andou pelas bandas da anódina e alienada bossa nova. Mas ela não andou nele. Na sua primeira apresentação musical, em 1964, às portas do golpe, cantou “Poema dos Olhos da Amada”, de Vinícius de Moraes. Mas logo, Taiguara percebeu que interessava mais aos habitantes da República do Leblon os saraus no Carnegie Hall do que a luta pela liberdade num Brasil tomado pelo militarismo subserviente ao capital estadunidense. Taiguara chegaria a dizer que a MPB sempre torceria o nariz a um operário que quisesse cantar com as estrelas da burguesia.

Em 1971, as músicas do disco “Ilha” tiveram problemas com a censura. Chegou a ter 11 músicas proibidas. O trabalho seguinte, Imyra, Tayra, Ipy, Taiguara, teve as canções assinadas pela esposa do compositor, Gê Chalar da Silva, para despistar os censores. Teve ainda a participação de Hermeto Pascoal e Wagner Tiso.

Embora um tanto desprezado pela muitas vezes docilizada MPB, as canções de Taiguara explodiam nas rádios (sem jabá): Universo do Teu Corpo, Hoje, Viagem e Teu Sonho Não Acabou, são algumas.

Porém, o show de lançamento do disco Imyra, Tayra, Ipy, Taiguara, foi proibido pela censura, e Taiguara resolveu se auto-exilar. Andou em Paris (1976), Etiópia e Tanzânia (1978). Voltou, então, ao Brasil. Taiguara, filho e neto de músicos, cresceu ouvindo música e instrumentos musicais de todas as vertentes. Sua música é sempre de uma rica orquestração, e ele, que surgiu na chamada segunda geração da bossa nova (com Chico Buarque, Toquinho, e outros), faria dessa musicalidade uma forma de expressão do socialismo da suavidade, que ele sempre carregou.

A DITADURA, CIVIL OU MILITAR, NÃO ESTÁ À SERVIÇO DO POVO”.

Para quem conheceu o Taiguara das baladas românticas do final dos anos 60, e não tinha idéia do que acontecia ao redor de si, foi um abalo quando o compositor deum uma guinada no seu estilo musical. Quem acostumou a associar Taiguara e canções como Hoje e Universo do Teu Corpo, não o reconheceu quando o samba, os ritmos africanos e a musicalidade latinoamericana começaram a saltar e transbordar os arranjos e motivos das canções.

Se o público que consumia o romantismo pasteurizado da bossa nova de Toquinho, Vinícius e da Jovem Guarda achou uma novidade a mudança na trajetória de Taiguara, para quem o conhecia e ouvia para além da persistência das imagens sonoras no ouvido domesticado, não era nada de novo. Quem não gostou, teve de se ater com Guilherme Arantes, Ivan Lins, ou o já velho quando novo, Roberto Carlos.

Taiguara, socialista, cantava sim, o amor. Mas não se reduzia ao amor sensual e individualizante: para ele, o amor tinha de transbordar no social, e construir comunidades mais vastas. E isso, antes de Toni Negri. Do início dos anos 80 até o final de sua carreira, em 1996, Taiguara passeou pela sonoridade latina, sobretudo guarany, e pela africanidade presente no samba. Depois do disco “Canções de Amor e Liberdade”, de 1984, ele passou a compor o Samba Afri, totalmente dedicado ao que ele chamava de “Brasil africano”. Taiguara, socialista, admirador de Luis Carlos Prestes (a quem dedicou a música biográfica O Cavaleiro da Esperança), encontrava em Lula e no PT de sua época, a única alternativa de partido político que leva a luta da classe trabalhadora. Taiguara foi profético.”

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Uma resposta para “PARA COMEÇAR A SEMANA… : Taiguara – Que as Crianças Cantem Livres

  1. Estou procurando em todos os sites que comentam sobre o Taiguara para saber se alguem tem partituras para piano de musicas dele. Se souber de alguma por favor me comunicar gustavo-dmagno@hotmail.com

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