E O AMOR SERIA TÃO FÁCIL

Poema de Moacyr Félix (do livro Singular e Plural)

O amor seria tão fácil, querida,

se a sutil necessidade não fosse este desejo

de escapar, de romper, de inrromper

além da desvivência que preside os vários medos;

e se o desejo mais o tédio assim não fossem

a furiosa ânsia

de explodir-me dentro da vida emoldurada

e reinventar-nos em outra esfera que não esta.

O amor, querida, seria tão fácil

se a beleza do corpo não fosse tão difícil

às nossas almas desde crianças exiladas,

se a tua noite não fosse ajoelhada

e caminhasses

sobre a noite alta

quando um rebanho de luas anda pastando em minha sombra

e um morno mistério chove surdamente sobre os nervos

até expurgá-los, e ao homem, de todo medo ou cálculo.

Seria tão fácil o amor

se em teus olhos o pranto fosse o pranto

pelo fato de estarmos esquecidos

de que os pássaros, as crianças e as rosas

desconhecem a morte, este temor de não durar

que não nos deixa tirar da eternidade

as invenções do orgasmo num tempo que  não este

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