A MANAUS DE AMAZONINO NÃO É A MANAUS DE LULA

Amazonino anuncia que irá intervir, enquanto prefeito – sub judice, com processo pendente de cassação por compra de votos, no TSE, não esqueçamos – no transporte coletivo de Manaus.

Para a prefeitura, a solução imaginada para o transporte consiste em criar um sistema misto, em que a prefeitura teria parte da frota, através de uma empresa estatal, e a outra parte seria licitada para empresas privadas que ainda não estivessem dentro do sistema de transporte da cidade (leia-se, Transmanaus; leia-se, Acyr Gurgacz).

Amazonino, que trouxe para o sistema Acyr Gurgacz, longínquos trinta e poucos anos atrás, em sua atual gestão, aumentou o preço da passagem de ônibus duas vezes, tirou o direito à meia passagem dos estudantes – conquista de mais de quarenta anos da categoria – e diminuiu a frota de coletivos, na contramão do crescimento da cidade. Enquanto isso, o estado de conservação das vias públicas piorou e a quantidade de carros que saem das revendedoras para o já supercongestionado trânsito manauara cresce exponencialmente a cada mês.

Se Amazonino trouxe Gurgacz para a cidade, não pode ser responsabilizado sozinho pelo inerte sistema de transporte coletivo atual. Seus sucessores, incluindo aí Braga, Omar Aziz (como vice-prefeito diversas vezes) Serafim Corrêa e Alfredo Nascimento, conseguiram, cada um a seu modo, conservar a ineficiência do sistema, e o monopólio da família Gurgacz, que se manteve, a despeito das diversas empresas que utilizaram para continuar no sistema.

Eis que, neste momento, Amazonino afirma, pela enésima vez, a tentativa de reorganizar o sistema. O que, para a população, soa como delírio e afirmação de uma existência malograda, já que Amazonino, o mesmo que privatizou a COSAMA e condenou Manaus a ser a única cidade à beira da maior bacia hidrográfica do mundo a sofrer com falta d’água, agora pretende “estatizar” o transporte coletivo. Para tal, associa o seu nome ao de Lula, na tentativa de dar credibilidade às suas ações.

Porém, assim como Amazonino sempre caminhou ao lado daqueles que historicamente combateram as políticas sociais e o próprio Lula, este, jamais se comprometeu com a política da simulação e da trapaça. Como o governo Lula tem sido um governo da imanência, onde as ações saem do engendramento da razão, organizando a matéria a partir dos agenciamentos desejantes, é possível a ele ver uma Manaus que Amazonino não concebe.

A Manaus que Lula vê carrega a potência coletiva da política enquanto engendramento desejante de outros possíveis. A alegria como potência ativa que cria outros territórios e acessa outras instâncias do existir. Nada a ver com a Manaus de Amazonino, que é o espectro fantasmático daquilo que ele próprio construiu para sua existência. A corrupção, como já dissemos em outras textualizações, é um padecer. Se hoje o transporte coletivo só existe no plano do alibi, é porque as ações que o engendraram, no plano institucional, foram no sentido de sabotar as tentativas de concebê-lo enquanto necessidade social de uma cidade viva e pulsante. Aos mortos, só interessa a morte.

Assim, a tentativa de Amazonino de usar a imagem de Lula para atrair credibilidade à mais uma de suas (in)ações, fenece antes mesmo de ocorrer, porque não parte de uma ação afirmativa do existir, mas de uma reatividade expressa de uma existência apassivada. E mesmo que Lula, institucionalmente, apóie Amazonino, isto é, a Prefeitura de Manaus, é porque entre a Manaus do presidente e a do prefeito sub judice, não há nenhuma semelhança. Se falhar, Amazonino o terá feito sozinho. Se conseguir, deverá ao governo federal um dos raríssimos sucessos políticos de sua vida pública.

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