POLIDIZERES

ENUNCIAÇÕES MENORES DE UMA POLÍTICA – QUASE SEMPRE – MAIOR

Um dos parâmetros de atuação do psicólogo escolar diz respeito à análise das potencialidades neurocognitivas do educando em relação ao contexto social que o rodeia. Assim, é possível verificar se a aprendizagem ocorre num processo normal e sadio de compreensão da realidade. Pois bem, se levarmos em conta tal competência deste profissional, como não analisar a proposta da dep. estadual Therezinha Ruiz (DEM) de colocar psicólogos escolares nas escolas estaduais do Amazonas, justamente no ano em que irá disputar a reeleição para a ALE/AM, ela que foi inúmeras vezes secretária de educação nas últimas décadas (inclusive na atual gestão), senão como uma afronta à inteligência desses profissionais? E aí, psicólogo, vai cair nessa?

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Há amores e amores. O do presidente do IMTT, Rafael Siqueira, por exemplo, parece ser o seu chefe e prefeito sub judice de Manaus, Amazonino Mendes. Amor que custa caro (pouco mais de 8 milhões de reais – veja aqui e aqui). Caro o suficiente para que Siqueirinha, como é conhecido, tenha usado seu olhar calibre .45 para intimidar a repórter Vanessa Brito, do Diário, que fez a pergunta certa numa coletiva de faz-de-conta. Mas Siqueira deve merecer: afinal, amar no ressentimento, como o amor reativo do subalterno pelo patrão (um ódio disfarçado, segundo Freud), causa mesmo danos à saúde e ao caráter. Siqueira vai precisar desse dinheiro, portanto. Na terça-feira, por exemplo, ao atender o telefonema de um jornalista, teria dito: “Me liga amanhã. Hoje é o pior dia da minha vida…

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Quando um objeto deixa de ter valor de uso para ser referenciado apenas pelo seu valor de troca, e entra na ordem semiótica do capitalismo, passa a figurar como mercadoria. Vale para qualquer objeto, inclusive aqueles imateriais, como a palavra. Anos atrás, em Manaus, o atual prefeito e então candidato, Amazonino Mendes, entrou na justiça para proibir um adversário de usar na campanha a palavra “Sistema”. A justiça, injustamente, deu ganho de causa à enunciação fascista de tornar particular um patrimônio público. Recentemente, foi o Comitê Olímpico Brasileiro a “amazoninizar” com a língua: quis proibir a psicóloga, professora de educação física e escritora de usar a palavra “olímpico” no seu livro Esporte, Educação e Valores Olímpicos. O COB alegou que a palavra lhe pertence. Felizmente, nesse caso, a justiça, ao mesmo tempo que que preservou a língua como entidade coletiva e pública, também não se furtou ao seu próprio papel de instância coletiva, e negou o intento ao comitê.

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Belão, presidente da ALE/AM, pediu uma corrente de orações dos colegas deputados para que a proposta de aumentar o número de vagas para deputados federais do Amazonas fosse aprovada pelo TSE. Os deputados oraram, oraram, oraram, e não foram atendidos. Os ministros do tribunal superior não apenas rejeitaram a proposta por unanimidade, como também consideraram risíveis os argumentos dos parlamentares amazônidas. Felizmente, o TSE funciona na imanência, e não recebe influências da transcendência reativa do deus de Belão. Em tempo: pode-se entender um homem que erre uma vez; mas que insista no erro, é sinal de que o problema não está na situação, mas no homem. Belão deve recorrer ao STF, onde o processo encontrará os mesmos ministros que menosprezaram o argumento no TSE.

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O blog Fiscais do IMTT enunciou na tarde de terça, no Twitter, que houve censura à tentativa de obter informações sobre o curso de capacitação de agentes de trânsito que o órgão irá promover. A ordem teria vindo direto do presidente, o milionário infeliz (leia nota acima), Rafael Siqueira. Para o Fiscais, há indícios de que o curso poderá servir apenas como porta de entrada para os “escolhidos” da gestão amazonínica-siqueirínica, sem que haja concurso público para o cargo.

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O prefeito cassado de Barcelos, no interior do Amazonas, Ribamar Beleza (PMDB), foi pego comprando votos de eleitores analfabetos, e ainda por cima com dinheiro falso. Ao ser informado da sentença do TRE que o cassou, teria afirmado que o tribunal caçoa da inteligência do eleitor barcelense, que está acostumado a lidar com dólares e euros, e saberia diferenciar uma nota verdadeira de uma falsa. O que Ribamar nem desconfia é que, num plano das relações econômicas reais, abstrato é apenas o valor-universal, aquele que, por não existir, teve que ser inventado, e por isso mesmo, é invariavelmente uma falsificação: o dinheiro.

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E o DCE da Universidade Federal do Amazonas entrou com um projeto junto à UFAM para proibir trotes violentos e constrangedores. Na referida faculdade, os cursos onde existem trotes violentos são Medicina, Direito, Farmácia e Psicologia. Segundo o Centro Acadêmico de Psicologia, há trote, mas sem violência. Apenas trigo e tinta. De qualquer sorte, parece que o curso ainda não chegou a Baudrillard, que mostra lucidamente a necessidade, na sociedade do excesso, de simular um ritual de passagem ali onde precisamente não se passa nada. Em tempo: nos idos dos anos 2000, havia uma festa, com música e comida. Depois, vinha o trote de verdade: aguentar o resto do curso!

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E Maradona, hein? Continua mostrando que a garganta dos inimigos grita menos por razão que por medo. Bastou um meio campo azeitado e ofensivo, com Jonas Gutiérrez e Verón, um ataque com Messi, Higuaín e Di Maria, e uma defesa razoável, com Otamendi, De Michelis e Heinze (o único pecado de D10S), para enquadrar e dar olé na poderosa Alemanha, em pleno Alianz Arena. Dunga, com a sua arrogância que nada mais é do que ressentimento de quem ficou preso na Copa de 1990, que se cuide. Não seria o primeiro drible que levaria do Pelusa. E por falar nisso, onde anda o Caniggia?

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A prepotência dos EUA teve que parar durante a passagem da secretária de Estado, Hillary Clinton, aqui pelo Brasil. E parou na autonomia democrática que o país vem desenvolvendo cada vez mais forte no governo Lula. Na tentativa de impor a dissuasão norte-americana de domínio, Hillary Clinton, quis pressionar o Brasil a aceitar a opinião dos EUA sobre o programa nuclear do Irã. Em uma resposta convicta, Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, assegurou que o Brasil “não vai se curvar” a esta pressão. E reiterou: “Nós pensamos com a nossa própria cabeça. Nós queremos um mundo sem armas nucleares, certamente sem proliferação. Não se trata de se curvar simplesmente a uma opinião que possa não concordar [no caso do grupo liderado pelos Estados Unidos]. Nós não podemos ser simplesmente ser levados. Nós temos de pensar com a nossa cabeça”. Talvez tenha sido aí o ponto crucial que fez com que a secretária de Estado norte-america, tenha percebido o quanto o Brasil anda independente destes tipos de imposição e tenha mais tarde declarado que confia na democracia brasileira.

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